{"id":125,"date":"2019-10-12T08:41:33","date_gmt":"2019-10-12T11:41:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uepg.br\/museu\/?p=125"},"modified":"2022-10-05T00:56:18","modified_gmt":"2022-10-05T03:56:18","slug":"a-passagem-de-monteiro-lobato-por-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/museu\/a-passagem-de-monteiro-lobato-por-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"A passagem de Monteiro Lobato por Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p>Foi em busca de cobre e n\u00e3o exatamente de petr\u00f3leo que o escritor e empreendedor Monteiro Lobato veio ao Paran\u00e1 em 1938. Em Ponta Grossa, no dia 20 de outubro, concedeu entrevista ao jornalista Wilson Martins, ent\u00e3o rep\u00f3rter do jornal Di\u00e1rio dos Campos. O epis\u00f3dio foi recuperado em texto especial do escritor e reitor da UEPG, Miguel Sanches Neto, a convite da exposi\u00e7\u00e3o Lobatiando, que estreia nesta segunda-feira (14), no Museu Campos Gerais.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio fervilha em refer\u00eancias ao momento do pa\u00eds e suas respectivas pol\u00eamicas nacionais \u2013 v\u00e1rias mal resolvidas at\u00e9 hoje. Mas a passagem tamb\u00e9m remete a fato pouco explorado, ainda, por pesquisas sobre o jornalismo e a hist\u00f3ria da imprensa em Ponta Grossa \u2013 desenvolvimento esse atrelado \u00e0 ferrovia, ao que parece, at\u00e9 mesmo em suas ent\u00e3o nascentes rotinas de cobertura e entrevistas.<\/p>\n<p>\u201cDepois de ter sido demitido do jornal curitibano onde trabalhava (Gazeta do Povo), Wilson Martins (1921-2010) recebeu um convite para secretariar o Di\u00e1rio dos Campos. Deixando a capital, transferiu seus estudos para o Regente Feij\u00f3, onde fez o \u00faltimo ano do colegial. Sempre contava que, entre seus feitos na cidade, o que mais o orgulhava era ter entrevistado o escritor Monteiro Lobato, de passagem em suas aventuras de dubl\u00ea de minerador\u201d, registra Sanches Neto.<\/p>\n<p>O Di\u00e1rio dos Campos ocupava, na d\u00e9cada de 1930, papel relevante na imprensa escrita paranaense, sendo o principal e mais tradicional jornal do interior do estado naquela d\u00e9cada. Nesse cen\u00e1rio, Ponta Grossa cumpria fun\u00e7\u00e3o preponderante no processo de integra\u00e7\u00e3o estadual e era o principal n\u00facleo urbano paranaense depois de Curitiba. Isso \u00e9 o que explica a passagem de Lobato pela Esta\u00e7\u00e3o Roxo de Rodrigues, naqueles dias era praticamente imposs\u00edvel transitar pelo Paran\u00e1 sem passar por Ponta Grossa.<\/p>\n<p>Cabe assinalar que \u00e9 das entranhas de uma certa geografia da pr\u00e1tica jornal\u00edstica \u2013 o deslocamento de um escritor e jornalista da capital para o interior e seu posicionamento junto \u00e0 esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria \u2013 que surge um fragmento emblem\u00e1tico do senso de oportunidade e produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o local no per\u00edodo. A passagem de Lobato pela cidade ganha, por assim dizer, uma documenta\u00e7\u00e3o. A ef\u00eamera publica\u00e7\u00e3o em jornal \u00e9, mais tarde, recuperada em livro pelo pr\u00f3prio Wilson Martins, que replica a entrevista no s\u00e9timo volume do cl\u00e1ssico Hist\u00f3ria da Intelig\u00eancia Brasileira.<\/p>\n<p>No livro, o encontro de Martins com Lobato aparece no cap\u00edtulo intitulado \u201cA sociedade e seus problemas; os problemas e as solu\u00e7\u00f5es\u201d. Entre os assuntos, o interesse do escritor por cobre, petr\u00f3leo, e tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o das estradas do pa\u00eds. \u201cH\u00e1 doze horas que amasso barro\u201d, revela Lobato sobre o trajeto desde Laranjeiras. \u201cOs lugares n\u00e3o s\u00e3o longe na quilometragem: s\u00e3o longe por falta de vias de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, completa. \u201cA partir de Ponta Grossa, via trem, ele [Monteiro Lobato] se ligava ao mundo contempor\u00e2neo, mas ansiava pelo futuro\u201d, contextualiza Sanches Neto.<\/p>\n<p>Em tempos de entrega desmedida do pr\u00e9-sal e de inflado nacionalismo, continua a ser pertinente retomar e colocar em debate a postura de Monteiro Lobato frente as \u2018quest\u00f5es\u2019 nacionais de sua \u00e9poca, recobertas de inc\u00f4moda atualidade. Se desde ent\u00e3o era preciso abrir estradas nesse pa\u00eds, continua uma inc\u00f3gnita para onde elas nos levam. A partir de segunda-feira (14), esse encontro dos escritores Wilson Martins e Monteiro Lobato volta a acontecer, de certa forma, mais de 80 anos depois, no Museu Campos Gerais, da UEPG.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre><em>Rafael Schoenherr<a href=\"http:\/\/www2.uepg.br\/museu\/wp-content\/uploads\/sites\/31\/2019\/12\/monteiro_lobato-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-126\" src=\"http:\/\/www2.uepg.br\/museu\/wp-content\/uploads\/sites\/31\/2019\/12\/monteiro_lobato-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/museu\/wp-content\/uploads\/sites\/31\/2019\/12\/monteiro_lobato-1.jpg 1000w, https:\/\/www2.uepg.br\/museu\/wp-content\/uploads\/sites\/31\/2019\/12\/monteiro_lobato-1-300x240.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/museu\/wp-content\/uploads\/sites\/31\/2019\/12\/monteiro_lobato-1-768x614.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a> e Niltonci Batista Chaves*<\/em>\r\n\r\n<em>* Rafael Schoenherr \u00e9 professor do Departamento de Jornalismo da UEPG e diretor de acervo do Museu Campos Gerais. Niltonci Batista Chaves \u00e9 professor do Departamento de Hist\u00f3ria da UEPG e diretor do Museu Campos Gerais.<\/em><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi em busca de cobre e n\u00e3o exatamente de petr\u00f3leo que o escritor e empreendedor Monteiro Lobato veio ao Paran\u00e1 em 1938. Em Ponta Grossa, no dia 20 de outubro, concedeu entrevista ao jornalista Wilson Martins, ent\u00e3o rep\u00f3rter do jornal Di\u00e1rio dos Campos. 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