{"id":2435,"date":"2021-08-28T10:58:08","date_gmt":"2021-08-28T13:58:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/museu\/?p=2435"},"modified":"2022-10-05T00:53:47","modified_gmt":"2022-10-05T03:53:47","slug":"multiplo-leminski-os-tracos-poloneses-do-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/museu\/multiplo-leminski-os-tracos-poloneses-do-poeta\/","title":{"rendered":"M\u00faltiplo Leminski: os tra\u00e7os poloneses do poeta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Caminhar pela exposi\u00e7\u00e3o <em>M\u00faltiplo Leminski <\/em>no Museu Campos Gerais remete a um tipo de viagem hist\u00f3rica. O visitante depara-se, logo no in\u00edcio, com a se\u00e7\u00e3o que trata das origens do escritor, nascido em Curitiba, em 24 de agosto de 1944. A data permite di\u00e1logo com momentos importantes da hist\u00f3ria do Brasil e do Paran\u00e1. A trajet\u00f3ria do av\u00f4 Leminski ajuda a contar um pouco dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>FLUXO MIGRAT\u00d3RIO E A REP\u00daBLICA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda metade do s\u00e9culo XIX, respons\u00e1vel por proporcionar ao Brasil uma intensa atividade migrat\u00f3ria, apresentava contexto sociopol\u00edtico tenso. O conflito entre escravocratas e abolicionistas adentraria a d\u00e9cada de 70 daquele s\u00e9culo de forma ass\u00eddua tendo de dividir os campos de discuss\u00e3o com outra tem\u00e1tica em destaque: a quest\u00e3o republicana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A mesma d\u00e9cada de agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica foi marcada ainda pelo fluxo migrat\u00f3rio europeu \u2014 inclusive com fomento do Imp\u00e9rio do Brasil \u2014 deslocando, em grande parte, os migrantes para o trabalho no campo. Com o advento da Rep\u00fablica (1889), o contingente de imigrantes continuaria a chegar ao pa\u00eds, contribuindo com o \u00eaxito da atividade cafeeira; com o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o inicial e com a industrializa\u00e7\u00e3o dos principais centros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>DA GAL\u00cdCIA A PORTO AMAZONAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A hist\u00f3ria da fam\u00edlia Leminski est\u00e1 diretamente inserida nesse processo e transitar pela exposi\u00e7\u00e3o nos possibilita refletir os desdobramentos dessa imigra\u00e7\u00e3o. Pedro Leminski, av\u00f4 paterno de Paulo, deixou a regi\u00e3o da Gal\u00edcia, que pertencia ao antigo Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro e hoje abrange parte da Pol\u00f4nia e da Ucr\u00e2nia; chegando ao Brasil em meados de 1895. Por volta de 1900, estava estabelecido na regi\u00e3o de Porto Amazonas (PR). O polon\u00eas imigrante, que pretendia prover o sustento atrav\u00e9s do plantio, acabou participando de outra atividade importante para a hist\u00f3ria: a constru\u00e7\u00e3o da ferrovia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Porto Amazonas, desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1890, tinha sua esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, Restinga Seca, conectada ao tra\u00e7ado da linha Curitiba\u2013Ponta Grossa. Paralelamente ao avan\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o da Estrada de Ferro S\u00e3o Paulo Rio Grande (EFSPRG), a esta\u00e7\u00e3o Restinga Seca perdia seu papel no tra\u00e7ado entre a capital e os Campos Gerais, gra\u00e7as \u00e0 abertura da esta\u00e7\u00e3o Caiacanga \u2014 na regi\u00e3o da Lapa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa empreitada, que tinha como objetivo palmilhar a regi\u00e3o entre Palmeira (PR) e Balsa Nova (PR), n\u00e3o somente o av\u00f4 paterno de Leminski, mas tamb\u00e9m seus tios e pai estiveram concentrados na atividade. Em estudo sobre a edifica\u00e7\u00e3o da linha sul da S\u00e3o Paulo\u2013Rio Grande, a historiadora Espig (2012) relembra que o uso de m\u00e3o de obra imigrante, principalmente polonesa, foi muito comum naquela \u00e9poca, em especial na regi\u00e3o da \u201cSerrinha\u201d (regi\u00e3o da Balsa Nova). O mesmo estudo classificou como frequente o emprego de colonos imigrantes em atividades relacionadas \u00e0 ferrovia durante per\u00edodos de interrup\u00e7\u00f5es nas planta\u00e7\u00f5es, o que fornecia ganhos econ\u00f4micos respons\u00e1veis para o sustento da fam\u00edlia enquanto perdurasse o intervalo entre as colheitas (ESPIG, 2012).<\/p>\n<p><strong>POLONAISES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Anos mais tarde, Paulo Leminski, pai do escritor, constituiria sua vida por meio da carreira militar e formaria sua fam\u00edlia, d\u00e9cadas depois, quando j\u00e1 vivia na capital do estado paranaense. Em Curitiba conheceria \u00c1urea Pereira Mendes, com quem teve Paulo Leminski Filho (o escritor) e Pedro Leminski.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse exerc\u00edcio hist\u00f3rico de digress\u00e3o pode ser feito a partir da se\u00e7\u00e3o que trata a trajet\u00f3ria familiar do escritor. As influ\u00eancias polonesas paternas aparecer\u00e3o nos escritos de Paulo Leminski Filho, vide o livro Polonaises (1980) &#8211; em exposi\u00e7\u00e3o no MCG. Dessa forma, ao lado das origens maternas, um trecho da hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o, do Paran\u00e1, da intelectualidade e da forma\u00e7\u00e3o do brasileiro pode ser problematizado por aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ESPIG, M. J.. A constru\u00e7\u00e3o da Linha Sul da Estrada de Ferro S\u00e3o Paulo &#8211; Rio Grande (1908-1910): m\u00e3o de obra e migra\u00e7\u00f5es. <strong>Varia Hist\u00f3ria<\/strong> (UFMG. Impresso), v. 28, p. 849-869, 2012.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: &gt;<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/vh\/a\/W8tmCT9rGP3dYmVbxVSQ9Fq\/?lang=pt%3c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/vh\/a\/W8tmCT9rGP3dYmVbxVSQ9Fq\/?lang=pt&lt;<\/a>. Acesso em 23 de ago. de 2021.<\/p>\n<p>LEMINSKI, Aurea Alice; LEMINSKI, Estrela Ruiz<strong>. Meu cora\u00e7\u00e3o de polaco voltou<\/strong> (powr\u00f3cito moje polskie serce). Origem e influ\u00eancia polonesa na obra de Paulo Leminski.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/AEraVargas1\/anos20\/CafeEIndustria\/Imigracao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Verbete sobre a imigra\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel no site da FGV CPDOC.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Filme <strong>Vida e Sangue de Polaco<\/strong>, dirigido por Sylvio Back (1982).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pesquisa e texto: Ricardo Enguel Gon\u00e7alves, especial para o Museu Campos Gerais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminhar pela exposi\u00e7\u00e3o M\u00faltiplo Leminski no Museu Campos Gerais remete a um tipo de viagem hist\u00f3rica. O visitante depara-se, logo no in\u00edcio, com a se\u00e7\u00e3o que trata das origens do escritor, nascido em Curitiba, em 24 de agosto de 1944. 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