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Educar para a Paz na pandemia (1)

Texto 3

Educar para a Paz na Pandemia

A educação para a paz, como campo pedagógico da cultura de paz é um destes modelos que permitem entender que a relação eu-outro-mundo precisa ser revisitada em padrões mais solidários, mais humanizadores, menos violentos tanto nas atitudes relacionais quanto nas questões sociais amplas (SALLES FILHO, 2019, p. 96)

O conjunto das breves reflexões que temos feito em nosso site pretende lançar pistas e provocações acerca do momento da pandemia do novo coronavírus. São pequenas questões que vão além do discurso, de certo modo “romântico”, que diz que a crise traz coisas “boas”. Certamente, as crises são momentos de mudança e já escrevemos sobre isso nos textos anteriores. Porém existem outras coisas urgentes!

Se para uma parcela da população brasileira o isolamento social (quarentena) é tempo de novas aprendizagens, de reencontro com a família, de iniciar atividade física ou meditação, ler novos livros e ver outros filmes, entre tantas coisas, é necessário reconhecer que: dezenas de milhões de brasileiros (sim, dezenas de milhões) passam por dificuldade de comprar alimentos básicos, pagar as contas mensais e ainda administrar todas estas dificuldades com a convivência familiar precária. Além disso, a crise provocada na saúde (falta de leitos, de testes, etc) torna a dificuldade econômica um drama real da vida das pessoas.

Portanto, precisamos ter cuidado em não glamourizar algumas novas aprendizagens da quarentena das tristes e duras realidades de um país tão desigual quanto o Brasil. Portanto, precisamos falar muito mais sobre pensamento solidário, empatia e senso de coletividade. Neste texto não vamos aprofundar a discussão social, mas apresentamos uma sequência básica de dados e fatos que aprendemos no decorrer da pandemia. Isso servirá para ampliar a discussão adiante!

Ressaltamos que EDUCAR PARA A PAZ é esclarecimento, busca da verdade e da crítica diante da ignorância e da mentira! EDUCAR PARA A PAZ é educar para o avanço civilizatório, que neste momento se faz com ciência e sabedoria! A relação positiva e integrada do eu-outro-mundo é o que caracteriza a construção da CULTURA DE PAZ.

COVID-19- Informações gerais e comprovadas mundo afora (até dia 27/04/20):

  • Achatar a curva é fundamental para evitar casos, internações e MORTES!
  • Parece que Brasil ainda não chegou ao pico da primeira onda.
  • A OMS ainda não confirma que os curados estarão imunes.
  • Relaxar o isolamento (mesmo em etapas) só tem sentido com condição de leitos/UTI disponíveis, porque NÃO existe remédio nem vacina! Portanto, se voltarmos, mesmo com rotinas preventivas, as pessoas continuarão se infectando, muiiiitas adoecendo e muitas MORRENDO.
  • LOGO: o novo coronavirus continuará em circulação, assim: relaxar o isolamento NÃO QUER DIZER que o problema está acabando, NÃO NÃO e NÃO! Olhem para o mundo, para os fatos e para os dados científicos!!!
  • Se precisarmos voltar, por necessidade real (trabalho, economia), DEVERÁ SER COM MÁSCARAS, LUVAS, DISTANCIAMENTO, SEM AGLOMERAÇÃO E COM MUITA HIGIENE! Infelizmente não temos observado isso em grande parte da população.
  • Se as pessoas forem para as ruas “cheias de coragem” sem respeitar a RAZÃO (CIÊNCIA = PROTEÇÃO E PREVENÇÃO) estarão em risco na sua própria saúde/vida, além de poder infectar os pais, avós, filhos etc.
  • As pessoas podem não gostar e nem querer aceitar, mas: as COISAS MUDARAM! Haverá uma segunda onda de contaminação (e possivelmente outras), os prazos de isolamento podem ser dilatados, assim como isolamentos intermitentes (ida e volta preventivas).
  • ATENÇÃO: infelizmente não tem prazo para o vírus ir embora e tudo voltar ao “normal” (sobre isso, leia os textos anteriores)!
  • PERGUNTA: Podemos olhar os dados e os fatos para deixar de lado nossa vontade egoísta de voltar ao normal e os “achismos” de ser imortal?

Eu-outro-mundo = Cultura de Paz e avanço civilizatório em tempos de pandemia.

Att. Prof. Dr. Nei Alberto Salles Filho (NEP/UEPG)

(*) as questões aqui propostas compõe as discussões do Núcleo de Educação para a Paz da UEPG/PR e destinam-se unicamente ao contexto da reflexão pedagógica da Cultura de Paz e da Educação para a Paz neste momento da pandemia da Covid-19. O texto não podem ser utilizado em outros contextos como tentativa de desvirtuamento de seus objetivos originais.

(1) SALLES FILHO, N.A. Cultura de Paz e Educação para a Paz: olhares a partir da complexidade. Campinas, SP: Papirus, 2019. (400p.)