{"id":1071,"date":"2023-02-08T09:30:49","date_gmt":"2023-02-08T12:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=1071"},"modified":"2023-02-08T09:34:32","modified_gmt":"2023-02-08T12:34:32","slug":"vivendo-o-espectro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/vivendo-o-espectro\/","title":{"rendered":"Vivendo o espectro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m do preconceito, pessoas que convivem com diagn\u00f3stico autista\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao ligar o brinquedo, Isaac, uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos de idade, ficou agitado e come\u00e7ou a chorar. Depois desse epis\u00f3dio, a av\u00f3 dele, Vera Maciel, come\u00e7ou a reparar que ambientes com muitas pessoas incomodavam o neto. Ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) n\u00edvel II, houve uma prepara\u00e7\u00e3o para lidar com a quest\u00e3o.\u00a0 \u201cEle tem dias alternados. Alguns passa muito bem, aproveita bastante o dia e interage. Em outros, \u00e9 mais nervoso, sonolento e quieto\u201d, relata.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o Instituto Neuro Saber,\u00a0 no n\u00edvel II h\u00e1 maior dificuldade com habilidades sociais e pode haver comprometimento da comunica\u00e7\u00e3o verbal. Al\u00e9m disso, esse n\u00edvel\u00a0 tamb\u00e9m pode comprometer o contato visual e a dificuldade de expressar emo\u00e7\u00f5es pela fala ou por express\u00f5es faciais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As quest\u00f5es enfrentadas por Isaac s\u00e3o de outra ordem. A av\u00f3 dele conta que h\u00e1 muita instabilidade: \u201cEle adora brincar, principalmente com jogos educativos, aqueles que s\u00e3o de encaixe, quebra-cabe\u00e7as, cubos e assistir desenhos. Em rela\u00e7\u00e3o ao que ele n\u00e3o gosta, \u00e9 de mudar de rotina, ir em lugares com muito tumulto e, \u00e9 dif\u00edcil ele aceitar um n\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pela manh\u00e3, Isaac frequenta a Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos Excepcionais (Apae) e, \u00e0 tarde, vai para a creche. Para Vera, a escola especial contribui para o desenvolvimento da crian\u00e7a e os resultados s\u00e3o not\u00e1veis. Isaac faz acompanhamento com profissionais de fonoaudiologia, psicologia e especialistas em autismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo com a abrang\u00eancia do tema, para Vera, ainda falta conhecimento sobre o autismo. \u201dAs escolas n\u00e3o est\u00e3o preparadas para perceber que uma crian\u00e7a \u00e9 especial e precisa de tratamento diferenciado. Tanto que o Isaac era tratado como uma crian\u00e7a sem espectro\u201d. De acordo com uma pesquisa <\/span><span style=\"font-weight: 400\">publicada na revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Espa\u00e7o Aberto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), <\/span><span style=\"font-weight: 400\">o autismo est\u00e1 presente em uma a cada 110 pessoas. Ainda estima-se que existam cerca de 2 milh\u00f5es de autistas no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vera refor\u00e7a que a sociedade ainda n\u00e3o entende as diferen\u00e7as que envolvem as pessoas com defici\u00eancia (PcD). &#8220;\u00c0s vezes, a crian\u00e7a tem uma crise em algum lugar p\u00fablico e acham que \u00e9 manha. No fundo, existe preconceito\u201d. Para a av\u00f3, conviver com o Isaac \u00e9 um aprendizado di\u00e1rio. \u201cComo qualquer outra crian\u00e7a, ele tamb\u00e9m precisa de muito amor, aten\u00e7\u00e3o, carinho e dedica\u00e7\u00e3o. Ver o desenvolvimento, come\u00e7ando a falar, \u00e9 uma vit\u00f3ria a cada minuto. Muito mais para ele do que para todos n\u00f3s, pois a luta \u00e9 dele\u201d, declara.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Vivendo o espectro<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga Gleice Machado foi diagnosticada com TEA aos 32 anos. Antes do diagn\u00f3stico, ela foi considerada com s\u00edndrome do p\u00e2nico e fobia social. At\u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o, ela tentou se ajustar aos padr\u00f5es convencionais. Essa pr\u00e1tica \u00e9 chamada de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">masking<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, muito comum em pessoas com espectro. \u201cHoje eu consigo perceber que era fruto de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">masking<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e uma tentativa de me encaixar na sociedade. Na psicologia eu realmente me identifiquei com a profiss\u00e3o e trabalho no universo do autismo\u201d contou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O autismo carrega julgamento e estere\u00f3tipos capacitistas pela sociedade, a psic\u00f3loga que conseguiu superar in\u00fameras barreiras \u00e9 um desses exemplos. \u201cCada autista \u00e9 \u00fanico e o espectro \u00e9 muito amplo, causando diferentes comprometimentos na vida de cada um\u201d, diz.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">No momento, Gleice faz uso de medicamentos e acompanhamento com psiquiatra.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m da pr\u00f3pria experi\u00eancia, Gleice precisa lidar com o espectro de Bento, seu filho. O fato de passar por situa\u00e7\u00f5es semelhantes foi um aprendizado para lidar com o filho, com o amor e enfrentando o preconceito.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Reportagem<\/strong>: Rafael Piotto<\/p>\n<p><strong>Fotografia:<\/strong> Helo\u00edsa Ribas Bida\/ Acervo Peri\u00f3dico<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o<\/strong>: Manuela Roque<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>: Muriel E.P. Amaral<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o<\/strong>: C\u00e2ndida de Oliveira e Carlos Alberto de Sousa<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m do preconceito, pessoas que convivem com diagn\u00f3stico autista\u00a0\u00a0 Ao ligar o brinquedo, Isaac, uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos de idade, ficou agitado e come\u00e7ou a chorar. 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