{"id":1528,"date":"2023-07-24T11:57:47","date_gmt":"2023-07-24T14:57:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=1528"},"modified":"2023-07-24T11:57:47","modified_gmt":"2023-07-24T14:57:47","slug":"festa-junina-brasileira-tem-influencia-dos-povos-indigenas-da-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/festa-junina-brasileira-tem-influencia-dos-povos-indigenas-da-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Festa junina brasileira tem influ\u00eancia dos povos ind\u00edgenas  da Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><i>Os tradicionais arrai\u00e1s est\u00e3o ligados ao Ano Novo Andino-Amaz\u00f4nico, comemorado entre os dias 20 e 21 de junho<\/i><\/p>\n<p>As festas juninas no Brasil, por conta da coloniza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica portuguesa, s\u00e3o atreladas como homenagem a tr\u00eas santos: S\u00e3o Jo\u00e3o, Santo Ant\u00f4nio e S\u00e3o Pedro. Entretanto, o que poucos sabem \u00e9 que antes mesmo da domina\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro pelos europeus, os povos sul americanos j\u00e1 comemoravam a data. A nossa festa junina, na verdade, possui influ\u00eancia de uma cultura milenar dos povos origin\u00e1rios, da regi\u00e3o da Cordilheira dos Andes e Amaz\u00f4nia. Muitas das tradi\u00e7\u00f5es juninas que temos hoje, adv\u00e9m do Ano Novo Andino Amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a catequiza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas pela domina\u00e7\u00e3o europeia, as tradi\u00e7\u00f5es e o per\u00edodo do Ano Novo Andino-Amaz\u00f4nico, tamb\u00e9m conhecido como \u201cWi\u00f1oy Tripantu\u201d, foram apropriadas pelo calend\u00e1rio cat\u00f3lico de forma sincr\u00e9tica, tornando-se a festa de S\u00e3o Jo\u00e3o. Alguns costumes feitos at\u00e9 hoje nas festas juninas brasileiras possuem influ\u00eancias desta celebra\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, como por exemplo os pratos t\u00edpicos com milho, amendoim, mandioca e batata-doce, os quais faziam parte da agricultura da regi\u00e3o, a utiliza\u00e7\u00e3o da fogueira como centralidade da festa e as dan\u00e7as na parte da noite com cantigas tradicionais.<\/p>\n<p>De acordo com Aloh\u00e1 Queir\u00f3z, componente do Centro Cultura Andino-Amaz\u00f4nico, outro elemento da festa junina brasileira que tamb\u00e9m adv\u00e9m das festas juninas ind\u00edgenas \u00e9 a t\u00edpica bebida Quent\u00e3o. \u201cNo Brasil \u00e9 feito com o vinho e fervido com especiarias. Na comemora\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, se bebe a Chicha, que \u00e9 muito parecida com quent\u00e3o, mas \u00e9 feita da fermenta\u00e7\u00e3o do milho, e servida com canela e cravo\u201d, aponta.<\/p>\n<p>A \u201cWi\u00f1oy Tripantu\u201d \u00e9 comemorada em 21 de junho, data do Solst\u00edcio de Inverno, dia em que o hemisf\u00e9rio sul recebe a menor ilumina\u00e7\u00e3o solar, acarretando na noite mais longa do ano. Este fen\u00f4meno astron\u00f4mico marca a sa\u00edda do outono para o in\u00edcio do inverno. Conforme Aloh\u00e1 Queir\u00f3z, a celebra\u00e7\u00e3o comemora a troca de esta\u00e7\u00f5es como forma de simbolizar o in\u00edcio de um novo ciclo. O novo ano tamb\u00e9m celebra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas promovidas pelo inverno, como a incid\u00eancia de chuvas e a fertilidade da terra. Durante o Ano Novo Andino s\u00e3o cultuados Pachamama, que \u00e9 a m\u00e3e terra, e Tata Inti, o pai sol. \u201cNa meia-noite do dia 21, \u00e9 realizado o ritual do sol, um momento de purifica\u00e7\u00e3o e limpeza espiritual para o ano novo que se inicia. Geralmente \u00e9 feito por um casal, os Yatiri, que s\u00e3o autoridades espirituais como xam\u00e3s ou paj\u00e9s\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo Aloh\u00e1, os Yatiri utilizam vestimentas coloridas e adere\u00e7os prateados, que simbolizam os quatro elementos, \u00e1gua, fogo, vento e terra. \u201cO ponto principal da festa \u00e9 mais ou menos 6h 45, no nascer do sol. Nesse momento os Yatiris colocam uma s\u00e9rie de oferendas, o que eles chamam de mesa, para agradecer o novo ano que se inicia\u201d, conta.<\/p>\n<p><img class=\"size-full wp-image-1529\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2023\/07\/Foto-Centro-de-Apoio-e-Pastoral-do-Migrante-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"960\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Celebra\u00e7\u00e3o do ano novo Aymara \/ Foto: Acervo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante<\/p>\n<p>Outra parte importante do ano novo andino \u00e9 a recep\u00e7\u00e3o dos participantes da celebra\u00e7\u00e3o. Esta recep\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelas \u201cCholitas\u201d, mulheres que vestem roupas t\u00edpicas bolivianas, caracterizadas pelo uso do chap\u00e9u-coco, saias estampadas at\u00e9 abaixo do joelho, xales coloridos e duas tran\u00e7as no cabelo. Vanessa Quispe Condori, brasileira que viveu at\u00e9 seus 12 anos na Bol\u00edvia, integrante do Centro Cultural Andino-Amaz\u00f4nico, participou do Ano Novo Andino-Amaz\u00f4nico em 2022 como Cholita.<\/p>\n<p>Durante a recep\u00e7\u00e3o, Vanessa conta que utilizou as roupas de Cholita de sua m\u00e3e, como forma de resgatar sua cultura. Apesar de sua nacionalidade ser brasileira, etnicamente Vanessa se considera boliviana. \u201cSou da etnia Aymara, moro perto do Lago Titicaca e das Ru\u00ednas de Tiwanaku, em La Paz. Minha introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura ind\u00edgena come\u00e7ou desde minha inf\u00e2ncia no campo. Meus av\u00f3s, pais e tios falam o Aymara e eu estou em processo de resgatar a l\u00edngua. Sempre tive curiosidade de saber sobre os povos origin\u00e1rios do Brasil, e em 2022 comemorei os 5530\u00b0 Ano Novo Andino Amaz\u00f4nico\u201d, compartilha.<\/p>\n<p>A data \u00e9 comemorada por diversos povos ind\u00edgenas sul americanos, como os Qu\u00e9chua, que fazem parte do Equador e Peru, Ushuaia componentes da Argentina, Mapuche no territ\u00f3rio do Chile, Tupinamb\u00e1 que comp\u00f5em um dos povos origin\u00e1rios do Brasil e Aymara na Bol\u00edvia.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Reportagem:<\/strong> Val\u00e9ria Laroca<br \/>\n<strong>Fotos: <\/strong>Acervo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante<br \/>\n<strong>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> Kathleen Borges Schenberger<br \/>\n<strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Luiza Carolina dos Santos<br \/>\n<strong>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> C\u00e2ndida de Oliveira e Muriel E.P. Amaral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tradicionais arrai\u00e1s est\u00e3o ligados ao Ano Novo Andino-Amaz\u00f4nico, comemorado entre os dias 20 e 21 de junho As festas juninas no Brasil, por conta da coloniza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica portuguesa, s\u00e3o atreladas como homenagem a tr\u00eas santos: S\u00e3o Jo\u00e3o, Santo Ant\u00f4nio e S\u00e3o Pedro. 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