{"id":1552,"date":"2023-07-31T11:13:20","date_gmt":"2023-07-31T14:13:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=1552"},"modified":"2023-07-31T11:33:43","modified_gmt":"2023-07-31T14:33:43","slug":"de-pai-para-filho-lendas-perpetuam-expressoes-do-imaginario-entre-geracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/de-pai-para-filho-lendas-perpetuam-expressoes-do-imaginario-entre-geracoes\/","title":{"rendered":"De pai para filho: lendas perpetuam express\u00f5es do imagin\u00e1rio entre gera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Fam\u00edlia relata ter visto Lobisomem e outras criaturas mitol\u00f3gicas<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cIsso n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria, \u00e9 coisa que a gente viu acontecer\u201d afirma Nelci Pedry Soares, de 54 anos, agricultora e moradora de Rebou\u00e7as (PR), sobre o aparecimento de um Lobisomem. Durante entrevista realizada com a agricultora e sua filha, Iria Pedry Soares, diversas hist\u00f3rias com criaturas folcl\u00f3ricas foram contadas, como o Lobisomem, o Boitat\u00e1, a Mula-sem-cabe\u00e7a, entre outras. Ao longo das gera\u00e7\u00f5es, as hist\u00f3rias desses personagens s\u00e3o passadas de pai para filho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre as hist\u00f3rias narradas, uma delas Nelci vivenciou na sua inf\u00e2ncia, quando a fam\u00edlia Pedry morava no interior de Rebou\u00e7as, no Saltinho. Na \u00e9poca, a fam\u00edlia criava galinhas que costumavam dormir em cima de um po\u00e7o d\u2019\u00e1gua. Em toda manh\u00e3, a m\u00e3e de Nelci limpava a sujeira das galinhas antes de tirar a \u00e1gua. Mas, em uma sexta-feira de quaresma, perceberam que n\u00e3o havia mais esterco na tampa do po\u00e7o e seu tio suspeitou que um Lobisomem estava comendo as galinhas \u00e0 noite. O pai da agricultora que, segundo ela, \u201ctoda vida quis dar uma de mach\u00e3o\u201d, disse que se fosse um Lobisomem montaria a cavalo em cima dele.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Naquela noite, estavam todos dormindo quando come\u00e7aram a ouvir assopros t\u00e3o fortes que estremecia a porta da casa de madeira em que moravam. Nelci conta que a casa tinha assoalho tamb\u00e9m de madeira e puderam ver o pelo do Lobisomem por baixo do ch\u00e3o. Ou\u00e7a o relato da agricultora abaixo.<\/span><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1552-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2023\/07\/Nelci-editado.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2023\/07\/Nelci-editado.mp3\">https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2023\/07\/Nelci-editado.mp3<\/a><\/audio>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para ela, era o bicho mais feio do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ser come\u00e7ou a provocar os cachorros deles. O pai de Nelci pegou uma arma e atirou por cima da criatura. Outros parentes moravam no mesmo vilarejo e escutaram os barulhos, e logo responderam com mais tiros e bombas. \u201cFoi um rebuli\u00e7o de cachorro latindo, tiros e bombas e o Lobisomem saiu correndo. Fugiu e nunca mais apareceu por l\u00e1\u201d, conta a agricultora.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria, em um contexto diferente, se repetiu na \u00faltima quaresma com Iria, filha de Nelci, de 31 anos. Ao dormir com o marido, ouviu seus cachorros ficarem bravos, era a primeira noite que os c\u00e3es agiam assim. Davi, marido de Iria, levantou no escuro e ela o seguiu. \u201cPense no tamanho do Lobisomem que estava sentado escorando nossos cachorros na frente da cerca\u201d, relata. Quando seu marido pensou em soltar uma bomba para espantar o bicho, ele sumiu. Ao relembrar o acontecido, Iria se arrepiou de medo. Segundo ela, seu marido, que antes n\u00e3o acreditava nas hist\u00f3rias da fam\u00edlia, passou a acreditar depois de ver com os pr\u00f3prios olhos. Ou\u00e7a Iria contar um pouco mais da hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1552-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2023\/07\/Iria-editado.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2023\/07\/Iria-editado.mp3\">https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2023\/07\/Iria-editado.mp3<\/a><\/audio>\n<p><b>Moral da hist\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Andriolli Costa, 33 anos, \u00e9 professor adjunto do Departamento de Jornalismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro &#8211; UERJ, e produtor do podcast <\/span><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/5EkAd1ynFougZz1z4iZGl1?si=01b7bd625fe1434d\"><span style=\"font-weight: 400\">Poranduba<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, sobre o folclore brasileiro. Segundo o professor, existe uma fun\u00e7\u00e3o social por tr\u00e1s deste tipo de narrativas, uma vez que s\u00e3o express\u00f5es da alma que em \u00faltima inst\u00e2ncia falam sobre n\u00f3s mesmos. Para ele, a raz\u00e3o de as pessoas se reunirem para contar hist\u00f3rias \u00e9 o que faz com que esses mitos existam. \u201cN\u00e3o existe um mito individual. Na coletividade, a gente partilha dessas narrativas e sendo assim, a autoria se torna coletiva. \u00c9 por isso que podemos falar em sociabilidade, os mitos s\u00e3o representativos da alma, dentro disso eles v\u00e3o falar sobre n\u00f3s, s\u00e3o espelhos de n\u00f3s\u201d, destaca.<\/span><\/p>\n<p><img class=\"wp-image-1565 aligncenter\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2023\/07\/arte-site-ana-moraes.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"643\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>O folclore brasileiro \u00e9 repleto de seres mitol\u00f3gicos. Imagem: Ana Moraes<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais importante que a sociabilidade viabilizada por esses contos s\u00e3o perspectivas relacionadas \u00e0s express\u00f5es do imagin\u00e1rio humano, conforme Andriolli,. \u201cSendo express\u00f5es imagin\u00e1rias, tamb\u00e9m podem tratar-se de manifesta\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas. T\u00eam mitos que representam sonhos, esperan\u00e7as, desejos e at\u00e9 os nossos medos mais profundos. Dessa forma representam nossas ilicitudes, ou seja, os nossos pensamentos ruins\u201d, comenta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m do entretenimento, essas narrativas representam um elo familiar, que alcan\u00e7a outras gera\u00e7\u00f5es e que \u00e9 repassado e perpetuado na lembran\u00e7a de quem conta e de quem escuta, se tornando uma tradi\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ficha T\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Reportagem:<\/b>\u00a0Ana Moraes<\/p>\n<p><b>\u00c1udios\/ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Ana Moraes<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o:<\/b>\u00a0Vinicius Sampaio<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Luiza Carolina dos Santos<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>C\u00e2ndida de Oliveira e Muriel E.P. Amaral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia relata ter visto Lobisomem e outras criaturas mitol\u00f3gicas \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria, \u00e9 coisa que a gente viu acontecer\u201d afirma Nelci Pedry Soares, de 54 anos, agricultora e moradora de Rebou\u00e7as (PR), sobre o aparecimento de um Lobisomem. 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