{"id":2190,"date":"2024-11-16T15:11:52","date_gmt":"2024-11-16T18:11:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=2190"},"modified":"2024-11-16T15:12:13","modified_gmt":"2024-11-16T18:12:13","slug":"amores-livres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/amores-livres\/","title":{"rendered":"Amores Livres"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Explorando a diversidade dos relacionamentos n\u00e3o-monog\u00e2micos<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNum momento em que as meninas queiram ir ao shopping comprar roupa de mulher, sem querer ser machista, ficar horas rodando o shopping \u00e9 algo que muitas vezes n\u00e3o causa prazer ao homem, mas para as meninas \u00e9 legal. Eu falo \u2018vivam esse momento, podem ir voc\u00eas, eu fico em casa\u2019\u201d. Essa \u00e9 a frase de Leandro Sampaio, que vive um relacionamento poliafetivo\u00a0 h\u00e1 dois meses com Tha\u00eds Souza e Mayara Silva. Para o psic\u00f3logo, especialista em psicoterapia de fam\u00edlia e casal, uma das coisas que define a rela\u00e7\u00e3o a tr\u00eas, muito mais que a pol\u00eamica, \u00e9 a praticidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antes de tudo, \u00e9 importante entender que nos \u00faltimos anos temos observado um crescimento na visibilidade de diversos tipos de relacionamentos que fogem do modelo tradicional de monogamia. De acordo com o Google Trends, o Brasil \u00e9 o terceiro pa\u00eds do mundo com mais interesse pela n\u00e3o-monogamia, perdendo apenas para Austr\u00e1lia e Canad\u00e1.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0A n\u00e3o-monogamia, que engloba as rela\u00e7\u00f5es poliamorosas, abertas ou sem exclusividade, tem se mostrado uma alternativa cada vez mais popular para aqueles que buscam formas mais flex\u00edveis de se relacionar. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Para a psic\u00f3loga Francine Duane Rossi, os principais desafios enfrentados por pessoas n\u00e3o-monog\u00e2micas s\u00e3o os emocionais, como o ci\u00fame e a inseguran\u00e7a. No entanto, isso nunca foi um problema para Leandro e Tha\u00eds, que romperam os padr\u00f5es tradicionais de relacionamento ao se definirem como um casal poliafetivo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os dois est\u00e3o juntos h\u00e1 13 anos e se conheceram atrav\u00e9s do irm\u00e3o de Tha\u00eds. O casal decidiu juntos que queriam viver um relacionamento n\u00e3o-monog\u00e2mico\u00a0 desde o\u00a0 in\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 um interesse em comum. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria do casal sempre foi permeada pelo n\u00e3o convencionalismo, j\u00e1 que antes de se definirem como um casal poliafetivo, faziam parte de um trisal, com outra mulher, Yasmin. O casamento dos tr\u00eas durou 8 anos. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">O caso repercutiu em programas de TVs abertas e fechadas, livros, revistas e jornais. \u201cL\u00e1 no in\u00edcio, em 2016, n\u00e3o se falava tanto em trisal, eu diria que n\u00f3s abrimos as portas para muitos que vieram depois\u201d, assegura Leandro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m dos problemas internos da rela\u00e7\u00e3o que conseguem ser resolvidos com di\u00e1logo, a press\u00e3o social e o julgamento externo tamb\u00e9m podem gerar estresse e ansiedade, dificultando a aceita\u00e7\u00e3o e o bem-estar dos parceiros. \u201cO julgamento, o medo do isolamento social, a falta de apoio externo e discrimina\u00e7\u00f5es em ambientes sociais e profissionais \u00e9 uma realidade que essas pessoas poder\u00e3o lidar\u201d, explica a psic\u00f3loga Duane.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O psic\u00f3logo Andreone Medrado, que estuda sobre sexualidade e a religiosidade humana, investigando sua influ\u00eancia sobre o desejo e a atratividade sexual, resgata que a heran\u00e7a europeia colonizadora imp\u00f5e seus valores e modos de vida sobre as sociedades colonizadas, incluindo a ideia da monogamia como forma pura e limpa de se relacionar. \u201cUma das primeiras coisas que os europeus fizeram, al\u00e9m de invadir a terra e matar pessoas, foi propor modos de vida que sejam consideradas civilizadas, esses modos de vida passaram por g\u00eanero, ra\u00e7a e pelo formato como a rela\u00e7\u00e3o acontece. Portanto, dentro de uma sociedade colonizada por europeus, \u00e9 trazida a l\u00f3gica monog\u00e2mica e imposta sobre n\u00f3s\u201d, aponta<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tha\u00eds, estudante de direito, fala que um dos maiores obst\u00e1culos que enfrentou nesse formato de rela\u00e7\u00e3o foi a falta de aceita\u00e7\u00e3o familiar. Ela conta que no in\u00edcio n\u00e3o havia apoio da sua fam\u00edlia e que isso gerou problemas. Seu marido\u00a0 Leandro conta que os maiores preconceitos sofridos pelo casal, em sua vis\u00e3o, foram pelas redes sociais, onde compartilham o cotidiano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Andreone, que tamb\u00e9m estuda sobre aspectos s\u00f3cio-hist\u00f3ricos das rela\u00e7\u00f5es inter-raciais e dos relacionamentos n\u00e3o monog\u00e2micos,\u00a0 cita que tudo o que foge da monogamia, vista como ideal,\u00a0 \u00e9 percebido socialmente como imoral, sujo, n\u00e3o civilizado e pecado. \u201cO aspecto mais forte para a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o, institu\u00edda pela coloniza\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio nojo moral, que \u00e9 a quebra de normas de um grupo. Tudo o que foge do sexo apenas a dois e voltado para a reprodu\u00e7\u00e3o e o que diz respeito a liberdade, sexo e afeto \u00e9 considerado impuro\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para o psic\u00f3logo <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Andreone<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, a monogamia ultrapassa a fronteira do amor, do par, e do sexo a dois. Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio perceber o quanto de colonialismo existe em sua origem. Al\u00e9m disso, Andreone fala que a ideia de amor rom\u00e2ntico (a dois)\u00a0 \u00e9 constantemente refor\u00e7ada pela m\u00eddia, filmes e celebra\u00e7\u00f5es como o Dia dos Namorados. \u201cA gente est\u00e1 reproduzindo l\u00f3gicas de um amor rom\u00e2ntico que \u00e9 validado no namoro, noivado e casamento que s\u00e3o t\u00e1ticas e progressos do est\u00e1gios da monogamia. Pra gente questionar tudo isso temos que transformar a cena. Temos que pensar novas elabora\u00e7\u00f5es\u201d, aponta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s o fim do trisal, formado por Leandro, Tha\u00eds e Yasmin, o casal teve outros namoros de menor dura\u00e7\u00e3o e ele explica que isso foi a inspira\u00e7\u00e3o para seu livro, chamado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eu, minha esposa e nossas namoradas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. \u201cO livro conta nossas viv\u00eancias ap\u00f3s o casamento, os relacionamentos que tivemos e como tudo se desenvolveu, com todas as quest\u00f5es familiares, que envolve muito este tipo de rela\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Leandro discutiu abertamente nos meios de comunica\u00e7\u00e3o sobre relacionamentos em trisais e ajudou a quebrar estigmas e preconceitos sobre diferentes formas de relacionamento por conta de seu livro.\u00a0 Al\u00e9m disso, ao trazer essa discuss\u00e3o e mostrar seu modo de vida, permitiu que pessoas que estavam em relacionamentos poliamorosos se sentissem mais compreendidas e aceitas pela sociedade. \u201cCom isso tivemos uma grande evolu\u00e7\u00e3o aqui no Brasil, com a quest\u00e3o poliafetiva, a gente tem muito orgulho de ter participado disso\u201d, articula o terapeuta de casais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga Duane conta que para o bom funcionamento deste tipo de relacionamento, a comunica\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a desempenham um papel importante. \u201c S\u00e3o os pilares essenciais nessa din\u00e2mica de relacionamento. Conversas abertas e honestas sobre expectativas, limites e sentimentos ajudam a criar uma base s\u00f3lida\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como fruto do \u201cantigo\u201d trisal, com Yasmin, vieram dois filhos, Emily, filha biol\u00f3gica de Thais, e Isabela, filha biol\u00f3gica de Yasmin. No entanto, para Leandro, mesmo que haja separa\u00e7\u00f5es conjugais, o amor parental persiste e as m\u00e3es biol\u00f3gicas e m\u00e3es adotivas podem ser igualmente amorosas e importantes na vida de uma crian\u00e7a. \u201cAs duas s\u00e3o m\u00e3es igualmente, pois mesmo com a separa\u00e7\u00e3o matrimonial, o amor parental fica\u201d, evidencia o psic\u00f3logo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Atualmente, Leandro e Thais est\u00e3o se relacionando com Mayara, que \u00e9 m\u00e3e biol\u00f3gica de Jo\u00e3o, mesmo n\u00e3o tendo nada definido, o casal que est\u00e1 conhecendo uma poss\u00edvel nova parceira se d\u00e3o bem. \u201cTha\u00eds e eu o adoramos como filho\u201d, conta o psic\u00f3logo. A possibilidade de viver e se relacionar com mais de uma pessoa pode parecer estranho para alguns, por\u00e9m, para Tha\u00eds \u00e9 a melhor parte da rela\u00e7\u00e3o. \u201cA melhor coisa deste tipo de relacionamento \u00e9 poder viver com duas pessoas que amo\u201d, conta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Leandro ainda defende que o casamento a dois \u00e9 muito solit\u00e1rio e torna-se um desafio a mais dar conta das tarefas da casa e da cria\u00e7\u00e3o dos filhos sem uma terceira pessoa. \u201cO casal geralmente precisa pedir ajuda aos av\u00f3s, tia ou bab\u00e1 para ficar com as crian\u00e7as. No nosso caso, se tem que ir ao mercado, um de n\u00f3s fica com as crian\u00e7as e dois v\u00e3o \u00e0s compras. N\u00f3s revezamos, tr\u00eas \u00e9 um n\u00famero perfeito para a rela\u00e7\u00e3o\u201d, avalia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga Duane conta que os benef\u00edcios psicol\u00f3gicos e emocionais de estar em um relacionamento n\u00e3o monog\u00e2mico s\u00e3o a possibilidade de viver de forma aut\u00eantica e explorar diferentes conex\u00f5es, o que \u00e9 libertador. \u201cEnfrentar e superar ci\u00fames e inseguran\u00e7as leva a um maior autoconhecimento e crescimento emocional\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O antrop\u00f3logo Andreone fala que \u00e9 preciso inovar e buscar novas perspectivas para analisar a n\u00e3o-monogamia. Leandro, Tha\u00eds e Mayara seguem vivendo felizes e quebrando paradigmas. \u201cO poliamor nada mais \u00e9 do que uma forma de amar, mais uma forma de viver e interagir. Tem espa\u00e7o para todo mundo ser feliz, da forma em que escolher\u201d, aconselha Leandro.<\/span><\/p>\n<p><strong>Reportagem: <\/strong>Cristiane de Melo<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> Rafaela Colman e Heloisa Ribas Bida<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Ivan Bomfim e Gabriela Almeida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Explorando a diversidade dos relacionamentos n\u00e3o-monog\u00e2micos \u201cNum momento em que as meninas queiram ir ao shopping comprar roupa de mulher, sem querer ser machista, ficar horas rodando o shopping \u00e9 algo que muitas vezes n\u00e3o causa prazer ao homem, mas para as meninas \u00e9 legal. 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