{"id":2245,"date":"2025-06-10T11:16:00","date_gmt":"2025-06-10T14:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=2245"},"modified":"2025-09-01T11:05:11","modified_gmt":"2025-09-01T14:05:11","slug":"a-rotina-a-pe-o-caminho-de-quem-nao-pode-pagar-pelo-transporte-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/a-rotina-a-pe-o-caminho-de-quem-nao-pode-pagar-pelo-transporte-publico\/","title":{"rendered":"A rotina a p\u00e9: O caminho de quem n\u00e3o pode pagar pelo  transporte p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Para economizar, moradores de Ponta Grossa caminham enfrentando cansa\u00e7o , chuva e infraestrutura prec\u00e1ria<\/em><\/p>\n<p>Imagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: Voc\u00ea mora em um bairro distante do centro de Ponta Grossa e sua renda mensal corresponde a meio sal\u00e1rio m\u00ednimo, valor de atualmente 706 reais. Para ida e volta de um trabalho com escala 6&#215;1, voc\u00ea gastaria em torno de 190 reais por m\u00eas, o que corresponde a pouco mais de 26% de sua renda mensal. Isso acontece porque o pre\u00e7o da tarifa em Ponta Grossa est\u00e1 fixo em quatro reais.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), do Censo de 2010, apontavam que 32,7% da popula\u00e7\u00e3o de Ponta Grossa possu\u00eda rendimento mensal de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo. N\u00e3o existem dados atuais sobre isso para Ponta Grossa. No entanto, esta \u00e9 a realidade de muitos moradores da cidade. Tendo em vista esse contexto, quais s\u00e3o as alternativas para quem ainda precisa pagar aluguel, contas de \u00e1gua e energia e, ainda, sustentar a si mesmo ou at\u00e9 uma fam\u00edlia? Ponta-grossenses mostram que ir a p\u00e9 para o trabalho, mercado e outros lugares torna-se a op\u00e7\u00e3o mais vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Dayane Turra Logullo est\u00e1 desempregada, portanto n\u00e3o recebe vale transporte. Mesmo quando trabalhava e recebia, j\u00e1 percebia as dificuldades de conciliar o transporte p\u00fablico com outras despesas da casa, isto porque o vale cobre o deslocamento at\u00e9 o trabalho, mas outras atividades demandam que o dinheiro saia do pr\u00f3prio bolso. A moradora do Jardim Aroeiras, bairro pr\u00f3ximo ao Jardim Carvalho, afirma que opta por ir a p\u00e9 ao mercado ou consultas m\u00e9dicas. &#8220;Se eu gasto 10 reais por dia, em transporte p\u00fablico, s\u00e3o 200 reais por m\u00eas. E o pre\u00e7o do rem\u00e9dio do meu filho&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Dentre os problemas enfrentados por realizar atividades cotidianas a p\u00e9, Dayane refor\u00e7a as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a m\u00e1 estrutura das cal\u00e7adas. Para ela, muitas vezes faz mais sentido andar pelo asfalto do que pelas cal\u00e7adas. Tem muito lugar que n\u00e3o tem nem cal\u00e7ada. Ent\u00e3o voc\u00ea tem que desviar, ir por outra rua. Eu fico pensando na mobilidade de quem tem defici\u00eancia&#8221; expressa. Al\u00e9m disso, ela relata que tem dificuldade de carregar as compras do mercado quando volta a p\u00e9, por conta do peso das sacolas.<\/p>\n<p>Para a atendente de mercado Franceline Taques, a realidade \u00e9 um pouco diferente, mas ainda complexa. Franceline recebe um sal\u00e1rio m\u00ednimo, mas mora no bairro Contorno e precisa andar por 25 minutos para chegar ao trabalho. Isso porque ela n\u00e3o recebe vale transporte, ent\u00e3o caminhar se tornou a \u00fanica alternativa para economizar dinheiro. Ela destaca o cansa\u00e7o, porque, al\u00e9m de acordar mais cedo para chegar no trabalho a tempo, Franceline precisa percorrer longas dist\u00e2ncias. Al\u00e9m disso, a atendente lamenta que j\u00e1 machucou o p\u00e9 por conta da m\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de ruas e cal\u00e7adas. A rotina de n\u00e3o poder contar com o \u00f4nibus. Ainda afeta em outras quest\u00f5es: &#8220;J\u00e1 perdi uma entrevista de emprego, pelo local ser longe e eu n\u00e3o conseguir pagar a tarifa do \u00f4nibus&#8221;, relata.<\/p>\n<p>A atendente Rose Cardoso est\u00e1 afastada do trabalho por conta de um tratamento m\u00e9dico. Ela afirma que, devido a este contexto, metade do seu sal\u00e1rio \u00e9 destinado a medicamentos. Apesar de utilizar o transporte p\u00fablico, Rose conta que muitas vezes optou por ir a p\u00e9 para n\u00e3o precisar pagar passagem. Dentre os fatores, al\u00e9m do alto pre\u00e7o, ela ainda aponta o tempo de espera pelo transporte: &#8220;Eu ando r\u00e1pido. N\u00e3o vou longe porque a sa\u00fade n\u00e3o permite, mas pra mim compensa mais&#8221;, afirma. Rose \u00e9 moradora do Bairro Porto Seguro e relata que, por l\u00e1, \u00e9 necess\u00e1rio pegar \u00f4nibus de outras vilas e ainda fazer um caminho mais longo para chegar onde precisa.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, Rose n\u00e3o pode caminhar por muito tempo, mas mesmo assim, afirma que sofre as adversidades de andar a p\u00e9. &#8220;Sol quente, chuva. Esses dias eu peguei uma chuva que eu estou at\u00e9 hoje com gripe&#8221;, lamenta. Ela realiza consultas m\u00e9dicas corriqueiramente e conta que j\u00e1 perdeu v\u00e1rias consultas por n\u00e3o conseguir se locomover at\u00e9 o local. &#8220;Essa semana mesmo eu tinha consulta na quinta e remarquei pra ter\u00e7a porque eu iria chegar muito tarde&#8221;, conta. Rose conta que, quando tem um dinheiro sobrando, prefere utilizar o servi\u00e7o de motorista por aplicativo do que pegar um \u00f4nibus: &#8220;se juntar duas passagens voc\u00ea pega um uber. Para ela, o servi\u00e7o compensa mais.<\/p>\n<p>Para estudantes que n\u00e3o trabalham, a realidade tamb\u00e9m \u00e9 complicada. Ana Beatriz Inacaratto \u00e9 estudante de Servi\u00e7o Social e depende do \u00f4nibus para ir para a universidade, j\u00e1 que mora a 6km de dist\u00e2ncia do campus central da UEPG. Ana se enquadra no grupo citado no in\u00edcio da reportagem, que possui um sal\u00e1rio m\u00ednimo. A estudante afirma que no \u00faltimo m\u00eas gastou em torno de 280 reais em transporte p\u00fablico apenas para estudar. Agora, Ana conseguiu direito \u00e0 meia passagem, mas afirma que o valor ainda pesa em sua renda mensal. &#8220;Esse valor eu poderia estar gastando no mercado&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Ana Beatriz ainda comenta que quando n\u00e3o consegue pagar pela passagem, prefere faltar \u00e0 aula e acha que isso vir\u00e1 a acontecer nos pr\u00f3ximos meses: &#8220;Estou come\u00e7ando a ficar muito apertada financeiramente e estou vendo que n\u00e3o vou dar conta&#8221;, exprime.<\/p>\n<p>A Prefeitura Municipal de Ponta Grossa fornece o benef\u00edcio de meia passagem para pessoas com defici\u00eancia, pessoas com renda familiar per capita inferior a 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos e estudantes que moram a mais de dois quil\u00f4metros de sua institui\u00e7\u00e3o de ensino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Reportagem:\u00a0<\/strong>Mariana Borba Taras<\/p>\n<p><strong>Foto:\u00a0<\/strong>Jo\u00e3o Guilherme Castro\/Lente Quente<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0 Mel Pires e Laura Urbano Janiaki<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Manoel Moabis e Aline Rios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para economizar, moradores de Ponta Grossa caminham enfrentando cansa\u00e7o , chuva e infraestrutura prec\u00e1ria Imagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: Voc\u00ea mora em um bairro distante do centro de Ponta Grossa e sua renda mensal corresponde a meio sal\u00e1rio m\u00ednimo, valor de atualmente 706 reais. 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