{"id":2308,"date":"2025-09-01T10:44:15","date_gmt":"2025-09-01T13:44:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=2308"},"modified":"2025-11-22T22:59:03","modified_gmt":"2025-11-23T01:59:03","slug":"saude-no-carcere-desafios-nas-penitenciarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/saude-no-carcere-desafios-nas-penitenciarias\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade no C\u00e1rcere: desafios nas penitenci\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">Fam\u00edlias de ex-detentos relatam neglig\u00eancia por parte do sistema<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">| Por Mariana Borba<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre os desafios enfrentados dentro do sistema prisional, est\u00e1 a falta de acesso \u00e0 sa\u00fade. Em Ponta Grossa, o sistema prisional \u00e9 composto por duas penitenci\u00e1rias estaduais, al\u00e9m da Cadeia P\u00fablica Hildebrando de Souza. As pris\u00f5es abrigam atualmente 3.475 detentos, o que excede a capacidade m\u00e1xima de 2.560 pessoas A Cadeia P\u00fablica tem como principal objetivo a pris\u00e3o provis\u00f3ria, apesar de comportar alguns presos condenados.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Departamento Penitenci\u00e1rio do Paran\u00e1 (DEPEN) possui um documento com normas e orienta\u00e7\u00f5es que devem ser seguidas em casos de atendimentos m\u00e9dicos e preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos detentos. As principais dizem respeito a monitorar e tratar doen\u00e7as como tuberculose, infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis (IST&#8217;s), hepatites, hipertens\u00e3o, diabetes, transtornos mentais, promover a\u00e7\u00f5es educativas, preventivas e de sa\u00fade coletiva e integrar os atendimentos com a rede SUS para consultas e exames.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O documento afirma que as unidades prisionais de Ponta Grossa ainda tentam seguir os padr\u00f5es definidos pelo Plano Nacional de Sa\u00fade no Sistema Penitenci\u00e1rio (PNSSP), que visa garantir atendimento b\u00e1sico de sa\u00fade para os encarcerados. No entanto, o manual produzido pelo DEPEN aponta para as dificuldades ao acesso \u00e0 sa\u00fade nesse sistema. O documento apresenta essa quest\u00e3o de forma reducionista, e que os casos graves n\u00e3o possuem um encaminhamento facilitado para o SUS.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O chefe regional das cadeias p\u00fablicas em Ponta Grossa, Jean Foga\u00e7a, afirma que o setor cl\u00ednico da Cadeia Hildebrando de Souza comporta um m\u00e9dico, uma enfermeira e mais auxiliares. \u201cUma vez por semana, um m\u00e9dico atende todas as unidades. Ent\u00e3o, ele faz um revezamento, chega a atender dez detentos, de cada unidade, a\u00ed depende muito daquilo que o preso necessita\u201d, explica o policial penal.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jean Foga\u00e7a aponta que, em situa\u00e7\u00f5es nas quais pacientes possuem doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como diabetes, por exemplo, o tratamento costuma ser feito por medicamentos fornecidos pela pr\u00f3pria fam\u00edlia. O policial penal afirma que, quando o tratamento ou suporte m\u00e9dico da pr\u00f3pria unidade n\u00e3o \u00e9 suficiente, o paciente \u00e9 encaminhado para atendimento de sa\u00fade externa, nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da cidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A reportagem buscou entrevistar ex-detentos ou familiares de pessoas que j\u00e1 estiveram privadas de liberdade, para entender como o acesso \u00e0 sa\u00fade nas pris\u00f5es funciona na pr\u00e1tica. Como se trata de um tema delicado, as fontes preferiram n\u00e3o se identificar. Por isso, nesta reportagem trataremos elas por nomes fict\u00edcios.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Maria perdeu o marido que estava detido por 15 dias na Cadeia Hildebrando de Souza. Maria conta que Jo\u00e3o adentrou \u00e0 pris\u00e3o com tuberculose e, por falta de tratamento, acabou falecendo no fim desses quinze dias. \u201cEle teve cinco convuls\u00f5es enquanto estava preso, antes de o levarem para a UPA. Quando viram que ele estava mal mesmo, eles trouxeram. Eles nem me avisaram, eu s\u00f3 fui informada que ele tinha falecido. Era meia-noite quando me avisaram\u201d, conta. O falecimento de Jo\u00e3o aconteceu no fim da mesma noite em que ele foi encaminhado para a UPA, ap\u00f3s ter convulsionado cinco vezes durante o tempo na cadeia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O afilhado, que por quest\u00f5es judiciais tamb\u00e9m preferiu n\u00e3o se identificar, ser\u00e1 tratado nesta reportagem pelo nome fict\u00edcio de Davi. Ele tamb\u00e9m ficou retido por 15 dias na Hildebrando de Souza, e depois foi transferido para a Penitenci\u00e1ria Estadual de Ponta Grossa II, onde permaneceu por aproximadamente cinco anos. Davi explica que Jo\u00e3o recebia tratamento, mas que a doen\u00e7a estava avan\u00e7ada e o atendimento m\u00e9dico n\u00e3o surtia efeitos. \u201cDurante o dia tinha uma enfermeira, mas para todo mundo que ia l\u00e1, ela s\u00f3 prescrevia anti-inflamat\u00f3rio e paracetamol\u201d. Davi ainda aponta que o m\u00e9dico tinha um tempo limitado de atendimento e que os detentos eram aconselhados a beber \u00e1gua para curar as doen\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A tuberculose \u00e9 uma das doen\u00e7as mais comuns dentro das pris\u00f5es. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a ocorr\u00eancia mundial de tuberculose entre pessoas privadas de liberdade pode ser de 20 a 100 vezes maior do que na popula\u00e7\u00e3o geral. De acordo com o caderno citado no come\u00e7o da reportagem, tamb\u00e9m pontua-se a ocorr\u00eancia de casos de IST\u2019s, pneumonias, dermatoses, transtornos mentais, hepatites, traumas, diarr\u00e9ias infecciosas, hipertens\u00e3o arterial e diabetes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O DEPEN realiza algumas parcerias com universidades da cidade para assist\u00eancia de sa\u00fade b\u00e1sica. O Projeto Novo Ciclo, por exemplo, foi uma parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que distribuiu mil absorventes a mulheres privadas de liberdade na cadeia p\u00fablica, confeccionados na pr\u00f3pria unidade como parte de uma atividade de ressocializa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, desde 2022, acad\u00eamicos dos per\u00edodos finais do curso de Odontologia da Cescage realizam atendimentos para preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade bucal dos detentos das duas Penitenci\u00e1rias Estaduais da cidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O coordenador do curso de Odontologia do Cescage, professor Elcy Arruda, explica que a parceria surgiu a partir de uma disciplina que tem como objetivo integrar os conhecimentos adquiridos no curso a presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o para comunidades, sendo a Penitenci\u00e1ria uma delas. O professor afirma que os estudantes s\u00e3o preparados a partir de uma visita \u00e0 estrutura odontol\u00f3gica das penitenci\u00e1rias, de uma palestra com o cirurgi\u00e3o dentista que atende regularmente e uma forma\u00e7\u00e3o com professores para entender como funcionam os servi\u00e7os odontol\u00f3gicos nesses casos, mas os atendimentos s\u00e3o feitos na pr\u00f3pria cl\u00ednica da Cescage. Sobre as ocorr\u00eancias, Arruda explica, &#8220;A penitenci\u00e1ria tem uma prefer\u00eancia em mandar para a gente aqueles presos que est\u00e3o com dor, ent\u00e3o, normalmente, o que a gente faz s\u00e3o servi\u00e7os de emerg\u00eancia\u201d. O professor ainda conta que os estudantes realizam, em m\u00e9dia, 20 atendimentos por m\u00eas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com Davi, que acompanhou de perto o funcionamento dos atendimentos odontol\u00f3gicos, qualquer pessoa poderia solicitar consulta com dentistas, mas havia uma demora de quase um m\u00eas para o atendimento. A partir dos dados e relatos, \u00e9 poss\u00edvel observar que, mesmo com as tentativas de avan\u00e7o, as pris\u00f5es ainda t\u00eam muitos desafios a percorrer para garantir o acesso e acompanhamento \u00e0 sa\u00fade de qualidade. A reportagem entrou em contato com os respons\u00e1veis pelas situa\u00e7\u00f5es citadas, mas n\u00e3o obteve respostas at\u00e9 o fechamento da revista.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Reportagem: <\/b>Mariana Borba<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Imagem: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Victor Schinato<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Joyce Clara, Lucas Veloso, Ana Beatriz, Eduarda Macedo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Manoel Moabis e Aline Rios<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlias de ex-detentos relatam neglig\u00eancia por parte do sistema &nbsp; | Por Mariana Borba Entre os desafios enfrentados dentro do sistema prisional, est\u00e1 a falta de acesso \u00e0 sa\u00fade. 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