{"id":2376,"date":"2025-11-22T22:14:58","date_gmt":"2025-11-23T01:14:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=2376"},"modified":"2025-11-22T22:57:31","modified_gmt":"2025-11-23T01:57:31","slug":"desafios-na-insercao-social-de-pessoas-com-esquizofrenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/desafios-na-insercao-social-de-pessoas-com-esquizofrenia\/","title":{"rendered":"Desafios na inser\u00e7\u00e3o social de pessoas com esquizofrenia"},"content":{"rendered":"<div>A esquizofrenia ainda imp\u00f5e barreiras para que pessoas diagnosticadas possam exercer autonomia e ocupar espa\u00e7os sociais. Mesmo com avan\u00e7os na luta antimanicomial e na cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os substitutivos aos antigos manic\u00f4mios, a inclus\u00e3o segue distante da realidade de muitos pacientes e de suas fam\u00edlias. O acesso ao tratamento, o preconceito e a falta de estrutura adequada nos servi\u00e7os p\u00fablicos s\u00e3o desafios que permanecem em evid\u00eancia, especialmente em cidades de m\u00e9dio porte como Ponta Grossa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) define a esquizofrenia como um transtorno psiqui\u00e1trico que se caracteriza por causar defici\u00eancias significativas na forma como a realidade \u00e9 percebida. O \u00f3rg\u00e3o aponta que a esquizofrenia \u00e9 a terceira causa de perda de qualidade de vida entre pessoas de 15 a 44 anos. Pelo menos 1,6 milh\u00e3o de pessoas carregam esse diagn\u00f3stico.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A enfermeira e pesquisadora da \u00e1rea, Gabriela Arag\u00e3o Aparecido, relata que os principais sintomas incluem alucina\u00e7\u00f5es, del\u00edrios, confus\u00e3o mental, oscila\u00e7\u00f5es de humor, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e falta de motiva\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m dos sintomas psiqui\u00e1tricos, uma das consequ\u00eancias do transtorno \u00e9 o preconceito vindo da sociedade em torno da condi\u00e7\u00e3o. \u201cPara evitar rejei\u00e7\u00e3o, [pessoas com esquizofrenia] mudam seu comportamento, o que aumenta o isolamento e dificulta relacionamentos, oportunidades de trabalho e o acesso ao tratamento, intensificando a sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o\u201d, explica Gabriela.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Elaine Ribas de Oliveira \u00e9 m\u00e3e de Celso que, at\u00e9 os 17 anos, vivia uma vida comum. O garoto trabalhava como aprendiz de atendente de mercado e tinha uma vida social. Nesse per\u00edodo, come\u00e7ou a apresentar sintomas de confus\u00e3o, agita\u00e7\u00e3o e mania de persegui\u00e7\u00e3o. \u201cEle sa\u00eda para a rua, subia em \u00e1rvores, achava sempre que algu\u00e9m queria fazer mal a ele. Chegou at\u00e9 a agredir uma pessoa na rua, porque achava que essa pessoa queria matar ele\u201d, desabafa Elaine.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como Celso n\u00e3o queria buscar ajuda m\u00e9dica, Elaine conseguiu, por contato de uma assistente social, que a equipe do Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS) fosse at\u00e9 a sua casa. A partir deste acompanhamento, Celso recebeu o diagn\u00f3stico e iniciou o tratamento da maneira correta. Hoje, aos 27 anos, o paciente ainda passa por dificuldades. \u201cEle n\u00e3o consegue trabalho, porque n\u00e3o consegue nem pegar um \u00f4nibus sozinho. O INSS nega o benef\u00edcio, alega que problema mental n\u00e3o \u00e9 defici\u00eancia\u201d, conta Elaine. De acordo com a Lei n\u00b0 13.146\/2015, os transtornos mentais s\u00e3o considerados defici\u00eancia a depender de uma avalia\u00e7\u00e3o psicossocial, que considera o qu\u00e3o limitante \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>CAPS e reinser\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/div>\n<div>A \u00faltima reforma psiqui\u00e1trica do Brasil contribuiu para o avan\u00e7o da luta antimanicomial. A Lei Paulo Delgado, n\u00ba 10.216\/2001, prev\u00ea a substitui\u00e7\u00e3o dos manic\u00f4mios do pa\u00eds por redes de servi\u00e7o que incluem inser\u00e7\u00e3o social e o cuidado com as liberdades individuais, priorizando atividades terap\u00eauticas, de aceita\u00e7\u00e3o do transtorno e controle dos sintomas. \u201cA gente vem de um processo onde o foco sempre foi a extin\u00e7\u00e3o do sintoma. Mas a psicologia e as novas \u00e1reas entendem o sintoma como manifesta\u00e7\u00e3o de sofrimento\u201d, defende a psic\u00f3loga Camila da Silva Eidam Lima, que atua na unidade de sa\u00fade mental do CAPS de Ponta Grossa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A equipe multiprofissional \u00e9 composta por m\u00e9dicos, enfermeiros, psic\u00f3logos, terapeutas ocupacionais, profissionais de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e assistentes sociais. Os profissionais do CAPS trabalham com oficinas, grupos terap\u00eauticos, al\u00e9m da medica\u00e7\u00e3o que prioriza a reabilita\u00e7\u00e3o do paciente, dialogando com sua inser\u00e7\u00e3o social e priorizando as pol\u00edticas brasileiras de sa\u00fade mental.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Celso depende do CAPS para os cuidados com o transtorno. Elaine comenta que seu filho frequenta o grupo terap\u00eautico toda semana, al\u00e9m das consultas mensais com o psiquiatra. \u201cAjuda bastante ele a sair do isolamento. Ajuda na intera\u00e7\u00e3o social. Se fosse por ele, n\u00e3o sairia para lugar nenhum\u201d, discorre Elaine.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apesar do papel fundamental do CAPS na inclus\u00e3o social de pessoas que sofrem com o diagn\u00f3stico, o sistema apresenta limita\u00e7\u00f5es. Jefferson Palh\u00e3o explica que as dificuldades est\u00e3o relacionadas \u00e0 falta de profissionais. \u201cQuanto mais especializado for o profissional da sa\u00fade, mais caro ele \u00e9. Ent\u00e3o tem uma dificuldade de contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e9dico psiquiatra\u201d, afirma. Camila Lima compartilha da mesma vis\u00e3o. Al\u00e9m disso, a psic\u00f3loga afirma que existe uma defasagem no atendimento. \u201cA gente acaba priorizando os casos bem mais graves, porque s\u00e3o os casos que a gente precisa ter uma aten\u00e7\u00e3o maior e direcionar as nossas a\u00e7\u00f5es\u201d. De acordo com a psic\u00f3loga, para uma popula\u00e7\u00e3o de 358 mil habitantes em Ponta Grossa, segundo dados do Censo de 2022 do IBGE, seria necess\u00e1rio pelo menos mais dois CAPS voltados a transtornos mentais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O estigma em torno da esquizofrenia prov\u00e9m da falta de informa\u00e7\u00e3o sobre o transtorno, al\u00e9m da vis\u00e3o midi\u00e1tica que reafirma que pessoas com esquizofrenia s\u00e3o violentas. De acordo com Gabriela Aparecido. \u201cMuitas [pessoas com esquizofrenia] acabam internalizando o preconceito que sofrem, deixando de se aceitar e at\u00e9 recusando o diagn\u00f3stico\u201d, explica. Esses fatores acarretam no aumento do isolamento e intensificam a sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A vis\u00e3o daquele sujeito incontrol\u00e1vel dificulta muito no entendimento das pessoas o que de fato \u00e9 um transtorno mental e tamb\u00e9m no acesso dessas pessoas aos servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, relata a psic\u00f3loga. A estigmatiza\u00e7\u00e3o do transtorno tamb\u00e9m acarreta no abandono familiar. Gabriela Aparecido realizou, em 2019, uma pesquisa com 12 pacientes diagnosticados com esquizofrenia. Sete deles sentiram afastamento da fam\u00edlia ap\u00f3s o diagn\u00f3stico.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><b>Reportagem: <\/b>Mariana Borba<\/p>\n<p><strong>Foto:<\/strong> Mariana Borba<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o:<\/b> Loren Leuch e Joyce Clara<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b>\u00a0Manoel Moabis e Aline Rios<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A esquizofrenia ainda imp\u00f5e barreiras para que pessoas diagnosticadas possam exercer autonomia e ocupar espa\u00e7os sociais. Mesmo com avan\u00e7os na luta antimanicomial e na cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os substitutivos aos antigos manic\u00f4mios, a inclus\u00e3o segue distante da realidade de muitos pacientes e de suas fam\u00edlias. 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