{"id":2405,"date":"2025-11-22T22:49:12","date_gmt":"2025-11-23T01:49:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=2405"},"modified":"2025-11-22T22:57:06","modified_gmt":"2025-11-23T01:57:06","slug":"mais-de-30-da-populacao-sofre-com-algum-grau-de-burnout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/mais-de-30-da-populacao-sofre-com-algum-grau-de-burnout\/","title":{"rendered":"Mais de 30% da popula\u00e7\u00e3o sofre com algum grau de burnout"},"content":{"rendered":"<div>Falta de ar. Dor no peito. Tremores. Confus\u00e3o mental. Esse \u00e9 o cen\u00e1rio comum descrito por trabalhadores diariamente em Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS). O senso comum e a preocupa\u00e7\u00e3o sempre apontam para infarto.<\/div>\n<div>Na realidade? Tais sintomas s\u00e3o causados por crises de p\u00e2nico, ansiedade, burnout e depress\u00e3o. \u00c9 esse o relato da formanda em Enfermagem, Gabrielly da Silva. A estudante realizou est\u00e1gios em Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade e no Hospital Universit\u00e1rio (HU), e afirma que a neglig\u00eancia da sa\u00fade mental em prol do trabalho acarreta diferentes problemas que podem afetar a integridade f\u00edsica da popula\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por conta da jornada de trabalho muitas pessoas acabam por n\u00e3o conseguirem realizar visitas ao m\u00e9dico ou exames \u201cCom medo de serem demitidos, n\u00e3o se vacinam, n\u00e3o fazem exames ou terapia. \u00c9 ainda pior se tratando de sa\u00fade mental, muitos acham frescura, e quando chegam, j\u00e1 est\u00e3o em est\u00e1gios\u00a0 preocupantes\u201d, reitera a formanda. A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), desde 2016, aponta que aproximadamente dois milh\u00f5es de pessoas morrem por causas relacionadas ao trabalho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em rela\u00e7\u00e3o a sa\u00fade mental, \u201cos sintomas mais comuns s\u00e3o a ins\u00f4nia, a falta de apetite ou o excesso de apetite, a agita\u00e7\u00e3o, falta de ar, dor de cabe\u00e7a, suor frio e s\u00e3o facilmente confundidos com sintomas de infarto\u201d,\u00a0 explica a formanda. No aspecto f\u00edsico, Les\u00e3o por Esfor\u00e7o Repetitivo (LER), h\u00e9rnia de disco, les\u00f5es musculares e dor na coluna s\u00e3o ocorr\u00eancias di\u00e1rias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Sinais de risco<\/strong><\/div>\n<div>Luis Alberto Bastos, que atuou como m\u00e9dico do trabalho em uma concession\u00e1ria de rodovias, comenta sobre os primeiros sinais de esgotamento \u201cNormalmente \u00e9 o isolamento, n\u00e9? Ent\u00e3o o isolamento, faltas seguidas do trabalho, isso a\u00ed sem d\u00favida nenhuma \u00e9 uma das coisas\u201d, afirma Bastos. Nacionalmente, mais de 30% dos trabalhadores sofrem com a s\u00edndrome de burnout, aponta a Associa\u00e7\u00e3o Nacional da Medicina do Trabalho (ANAMT).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) define o burnout como \u201cum dist\u00farbio emocional com sintomas de exaust\u00e3o extrema, estresse e esgotamento f\u00edsico resultante de situa\u00e7\u00f5es de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade\u201d. De acordo com Gabrielly, a popula\u00e7\u00e3o em geral carece do letramento necess\u00e1rio para reconhecer que a carga de trabalho excessiva pode causar problemas de sa\u00fade.\u201cA maioria chega com queixas isoladas que podem ser muitas coisas. No meio da conversa, soltam que est\u00e3o passando por uma fase dif\u00edcil no trabalho, ou foram demitidos, ou com muito estresse, enfrentando dificuldades, preocupa\u00e7\u00f5es etc\u201d, discorre Gabrielly. Segundo a formanda de Enfermagem, a cren\u00e7a popular \u00e9 de que tais circunst\u00e2ncias n\u00e3o s\u00e3o o bastante para justificar o sofrimento ps\u00edquico e f\u00edsico.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>O pior cen\u00e1rio e sua causa<\/strong><\/div>\n<div>A Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta um aumento anual de 3,7% na taxa de suic\u00eddios, e 21% nos casos de autoles\u00e3o n\u00e3o-suicida, entre 2011 e 2021. Uma cartilha de epidemiologia do trabalho produzida pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e publicada pelo MS, traz que o trabalho, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 o maior fator de adoecimento, e sim a falta de higiene ocupacional e cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que protejam o trabalhador.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A formanda em Psicologia e estagi\u00e1ria no Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS), Angelina Degraf defende: \u201cN\u00e3o tem como a gente falar em sa\u00fade mental, se voc\u00ea n\u00e3o tem um m\u00ednimo de dignidade, voc\u00ea n\u00e3o tem o m\u00ednimo para voc\u00ea viver bem. Ent\u00e3o, se voc\u00ea n\u00e3o tem horas livres para voc\u00ea ter horas com a sua fam\u00edlia, para voc\u00ea fazer o que gosta, n\u00e3o tem sa\u00fade.\u201d A formanda ainda adiciona que essa escala, sem d\u00favidas, contribui para uma piora no quadro de sa\u00fade mental nacional e, por consequ\u00eancia, o aumento no n\u00famero de suic\u00eddios.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quanto a abusos no ambiente de trabalho, Angelina diz que j\u00e1 presenciou casos de ass\u00e9dio moral em todos os lugares onde j\u00e1 estagiou, e que n\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o simples para o problema, que \u00e9 sist\u00eamico. \u201cO trabalhador muitas vezes n\u00e3o tem para onde sair. Ent\u00e3o, para quem eu denuncio? Vou para a pol\u00edcia? Ser\u00e1 que se eu denunciar, v\u00e3o me levar a s\u00e9rio? Ser\u00e1 que se eu fizer uma den\u00fancia de olha, t\u00f4 trabalhando mais do que deveria, t\u00f4 fazendo fun\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o minhas atribui\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que eu digo, \u00e9 estrutural, j\u00e1 n\u00e3o tem vida fora do trabalho.&#8221; discorre Angelina.<\/div>\n<div>Gabrielly ressalta que profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade s\u00e3o igualmente trabalhadores e, por consequ\u00eancia, tamb\u00e9m est\u00e3o sujeitos a abusos. A pr\u00f3pria estudante relata que j\u00e1 vivenciou situa\u00e7\u00f5es, vindas de pacientes e supervisores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao notar que, para al\u00e9m da sa\u00fade f\u00edsica, paciente e acompanhante estavam com o emocional abalado, Gabrielly procurou atuar com uma abordagem mais humanizada e, por isso, foi duramente repreendida. \u201cA mesma alegou que eu n\u00e3o tinha autoridade para nada e n\u00e3o havia a menor necessidade de fazer algo nesse sentido, era s\u00f3 fazer o procedimento e pronto. Me senti impotente e humilhada. Quando falei sobre, apesar de me darem raz\u00e3o, ouvi de outros profissionais: \u2018se acostume, ainda vai ouvir muito isso na sua vida\u2019.\u201d, relata a formanda<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>A higiene ocupacional<\/strong><\/div>\n<div>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) aponta que, no Brasil, os afastamentos relacionados \u00e0 sa\u00fade mental aumentaram em 134% de 2022 para 2024. Luis Alberto, para explicar medidas necess\u00e1rias para garantir a sa\u00fade do trabalhador, fala sobre higiene ocupacional: \u201cSempre estar vigilando o seu local de trabalho. Ent\u00e3o, sempre tem que ter pessoas, se conectando com os trabalhadores.\u201d O m\u00e9dico ainda pontua que, atualmente, todas as empresas precisam passar pelo Programa M\u00e9dico de Sa\u00fade Ocupacional (PCMSO), onde s\u00e3o feitas visitas de fiscaliza\u00e7\u00e3o para assegurar de que o ambiente de trabalho n\u00e3o \u00e9 abusivo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><b>Reportagem: <\/b>Victor Schinato<\/p>\n<p><strong>Foto:<\/strong> Victor Schinato<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o:<\/b> Vit\u00f3ria Schrederhof e Joyce Clara<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b>\u00a0Manoel Moabis e Aline Rios<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta de ar. Dor no peito. Tremores. Confus\u00e3o mental. Esse \u00e9 o cen\u00e1rio comum descrito por trabalhadores diariamente em Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS). O senso comum e a preocupa\u00e7\u00e3o sempre apontam para infarto. Na realidade? 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