{"id":539,"date":"2022-08-23T10:47:10","date_gmt":"2022-08-23T13:47:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=539"},"modified":"2022-08-23T10:47:43","modified_gmt":"2022-08-23T13:47:43","slug":"cogumelos-alucinam-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/cogumelos-alucinam-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Cogumelos alucinam em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Psilocybin_mushroom\"><img class=\"alignright wp-image-696 size-medium\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/cogumelo-300x267.png\" alt=\"cogumelo\" width=\"300\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/cogumelo-300x267.png 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/cogumelo-1024x911.png 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/cogumelo-768x683.png 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/cogumelo-1536x1366.png 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/cogumelo-1232x1096.png 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/cogumelo-1214x1080.png 1214w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/cogumelo.png 1680w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>\u00c9 poss\u00edvel comprar o produto secou ou in natura at\u00e9 por aplicativos de mensagem para tratamento de depress\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Um jovem entra em uma rede social e encomenda cinco gramas de cogumelos alucin\u00f3genos. Cada grama custa mais ou menos R$30 . O jovem que os comprou mora em Ponta Grossa. Na cidade, e provavelmente em muitas outras do Brasil, as pessoas est\u00e3o tendo cada vez mais acesso a alucin\u00f3genos diferentes das drogas comuns que a pol\u00edcia costuma apreender, como maconha, crack e coca\u00edna.<\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, os cogumelos s\u00e3o comercializados seco e in natura. Apesar de n\u00e3o ser proibido, a venda tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 escancarada, \u00e0 luz do dia. Por aplicativo de mensagem, \u00e9 poss\u00edvel comprar, por R$100, uma por\u00e7\u00e3o capaz de alucinar uma pessoa. A dose \u00e9 grande, e dependendo da cautela do interessado, pode ser dividida em duas.<\/p>\n<p>O cogumelo tamb\u00e9m pode ser usado na culin\u00e1ria, in natura. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, fazer uma salada ou estrogonofe alucin\u00f3geno. Ao ser comido seco, o processo de absor\u00e7\u00e3o \u00e9 mais lento e a alucina\u00e7\u00e3o demora mais. Se for feito um ch\u00e1, o efeito \u00e9 quase imediato. Mas nem tudo s\u00e3o campos de morango. Alguns podem experimentar os efeitos negativos dos cogumelos m\u00e1gicos, as chamadas &#8220;viagens ruins&#8221;, caracterizadas por p\u00e2nico, medo, del\u00edrio, paranoia e ansiedade.<\/p>\n<p>Se consumido em doses maiores do que o recomendado, ocorre profunda desconex\u00e3o com a realidade, mas, ao sentir os primeiros efeitos, o jovem lembra do que disse o comediante o norte-americano Bill Hicks: &#8220;Hoje um jovem sob efeito de \u00e1cido percebe que toda a mat\u00e9ria \u00e9 apenas energia condensada em uma vibra\u00e7\u00e3o lenta, que somos todos uma consci\u00eancia experimentando-se subjetivamente, n\u00e3o existe morte, a vida \u00e9 apenas um sonho, e n\u00f3s somos a imagina\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos \u201d.<\/p>\n<p>O jovem que ingeriu o cogumelo pensa em sair para rua e curtir a viagem. Percebe que o sol \u00e9 mais intenso, o barulho das ruas, maior. Ele presta aten\u00e7\u00e3o em detalhes que nunca percebeu, apesar de ter morado a vida toda na cidade. E uma imensa sensa\u00e7\u00e3o de paz interior faz ele pensar na grandeza do cosmos.<\/p>\n<p>Ele se sente uno com a exist\u00eancia ao ver que o mundo vibra na mesma frequ\u00eancia que ele, que somos todos parte de um mesmo organismo. Logo, a euforia provocada pela viagem faz rir. A sensa\u00e7\u00e3o de alegria toma conta do corpo que chora, l\u00e1grimas n\u00e3o de tristeza, mas de consci\u00eancia. Consci\u00eancia da responsabilidade que \u00e9 ser humano. Horas depois, em volta da fogueira, amigos ouvem m\u00fasica e comem aos peda\u00e7os mais cogumelos desidratados. O que desperta a lembran\u00e7a da conex\u00e3o com a natureza. Um chamamento de volta \u00e0 terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cogumelos contra a depress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, o cen\u00e1rio de uso de cogumelos \u00e9 diferente dos anos 60, em que os hippies se reuniam logo ap\u00f3s um dia de chuva para buscar, em pastos, especificamente nos excrementos de bois e vacas, cogumelos para degustar. Hoje, eles s\u00e3o cultivados na cidade em recipientes com substrato pr\u00f3prio para o desenvolvimento dos fungos. Cada esporo espec\u00edfico gera determinado tipo de cogumelo.<\/p>\n<p>Segundo Vendedores de Cogumelos An\u00f4nimos, o mais vendido \u00e9 o Psilocybe Cubensis, esp\u00e9cie de cogumelo alucin\u00f3geno com efeitos semelhantes a dietilamida do \u00e1cido lis\u00e9rgico (LSD), descoberto por acidente em 1939 pelo qu\u00edmico su\u00ed\u00e7o Albert Hoffmann.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do uso recreativo, micro doses se tornam um meio para tratar a depress\u00e3o. A psilocina e psilocibina, subst\u00e2ncias presentes nos cogumelos, altera o humor e abre as famosas \u201cportas da percep\u00e7\u00e3o\u201d. O conceito est\u00e1 presente nos versos de William Blake, que inspirou o livro \u201cPortas da Percep\u00e7\u00e3o\u201d de Aldous Huxley e que, por sua vez, d\u00e1 nome \u00e0 banda de The Doors, integrante da contracultura dos anos 60 e 70.<\/p>\n<p>De acordo com o antrop\u00f3logo, micologista e autoridade do g\u00eanero Psilocybe, Gast\u00f3n Guzm\u00e1n Huerta, a subst\u00e2ncia est\u00e1 presente em todos os continentes, mas nem sempre possui propriedades psicotr\u00f3picas. Ainda assim existem, ao menos, 145 esp\u00e9cies com efeitos alucin\u00f3genos classificadas no g\u00eanero Psilocybe.<\/p>\n<p>O trabalho <em>Mystical experiences occasioned by the hallucinogen psilocybin lead to increases in the personality domain of openness<\/em>, de Katherine A. MacLean, Matthew W. Johnson, and Roland R. Griffiths, publicado no Journal of Psychopharmacology, em 2011, indicou que as pessoas que usaram essa subst\u00e2ncia tornaram-se mais receptivas a novas experi\u00eancias. O pesquisador Jorge Luis Bandeira Souza, em <em>A psilocibina e o seu potencial terap\u00eautico em sa\u00fade mental&#8221;, <\/em>tamb\u00e9m argumenta a favor da subst\u00e2ncia no tratamento da depress\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Longa hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Conhecidos h\u00e1 mais de dois mil anos, os cogumelos alucin\u00f3genos fazem parte da cultura dos povos astecas, maias e outras tribos ind\u00edgenas ao redor do mundo. Est\u00e1tuas de cogumelos s\u00e3o encontradas no M\u00e9xico e na Guatemala. H\u00e1 outros registros manuscritos de cerim\u00f4nias de cogumelos m\u00e1gicos nas quais os astecas os combinavam com cacau para ser servido como uma bebida. Em outras cerim\u00f4nias, os cogumelos eram ingeridos sozinhos e seguidos do fruto, possivelmente para amplificar os efeitos psicoativos, pois o cacau cont\u00e9m inibidores que previnem a degrada\u00e7\u00e3o da psilocibina e modulam neurotransmissores, como a serotonina.<\/p>\n<p>Foram as altera\u00e7\u00f5es de humor causadas pela psilocibina que fizeram com que a subst\u00e2ncia se tornasse tema de pesquisas no combate \u00e0 depress\u00e3o. Todas essas sensa\u00e7\u00f5es acontecem pelo fato de que a psilocibina, um alucin\u00f3geno do tipo triptamina, ativa o corpo de receptores de serotonina no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Essa regi\u00e3o envolve a cogni\u00e7\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o e as altera\u00e7\u00f5es de humor. Quem usa a psilocibina para fins recreativos pode sentir sensa\u00e7\u00f5es como euforia, desinibi\u00e7\u00e3o e distor\u00e7\u00f5es sensoriais. Alguns entusiastas tamb\u00e9m relatam que as micro doses ajudam a aumentar a consci\u00eancia espiritual e melhorar os cinco sentidos.<\/p>\n<p>Existe ainda a teoria de que a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro humano aconteceu depois que nossos ancestrais ingeriram cogumelos com propriedades psicoativas. Trata-se da \u201cteoria do macaco chapado\u201d (em ingl\u00eas, <em>stoned ape theory<\/em>), segundo a qual o consumo da psilocibina presente nos cogumelos foi respons\u00e1vel por uma acelera\u00e7\u00e3o do desenvolvimento cerebral do homin\u00eddeo primitivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Reportagem e arte: <\/strong>Gabriel Clarindo Neto<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o: <\/strong>Gabriel Clarindo Neto<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Marcos Zibordi<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Candida de Oliveira e Muriel E. P. Amaral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel comprar o produto secou ou in natura at\u00e9 por aplicativos de mensagem para tratamento de depress\u00e3o Um jovem entra em uma rede social e encomenda cinco gramas de cogumelos alucin\u00f3genos. Cada grama custa mais ou menos R$30 . O jovem que os comprou mora em Ponta Grossa. 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