{"id":646,"date":"2022-09-12T10:38:58","date_gmt":"2022-09-12T13:38:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=646"},"modified":"2022-09-12T10:38:58","modified_gmt":"2022-09-12T13:38:58","slug":"o-imperio-das-imagens-por-53-anos-cine-imperio-agradava-a-todos-os-gostos-da-setima-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/o-imperio-das-imagens-por-53-anos-cine-imperio-agradava-a-todos-os-gostos-da-setima-arte\/","title":{"rendered":"O Imp\u00e9rio das imagens: por 53 anos, Cine Imp\u00e9rio agradava a todos os gostos da s\u00e9tima arte"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Aos olhares de quem chegou recentemente a Ponta Grossa, um terreno de largas dimens\u00f5es no centro da cidade pode instigar curiosidade. Localizado na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, ao lado do Edif\u00edcio Princesa, o espa\u00e7o chama a aten\u00e7\u00e3o pelo tamanho e, tamb\u00e9m, pela evid\u00eancia de seu vazio ao lado de constru\u00e7\u00f5es de porte avantajado. A surpresa no olhar de quem descobre o que ali havia \u00e9, na maioria dos casos, imediata: \u201caqui existia um cinema\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Inaugurado em setembro de 1939, o Cine Imp\u00e9rio funcionou por longos e ininterruptos 53 anos. Segundo Nelson Silva J\u00fanior, professor do Departamento de Artes Visuais da UEPG, o Imp\u00e9rio foi o cinema mais popular da cidade. Al\u00e9m do valor acess\u00edvel dos ingressos, o Imp\u00e9rio tamb\u00e9m proporcionava a sess\u00e3o chamada \u201cp\u00e3o duro\u201d. O nome \u00e9 autoexplicativo, com um \u00fanico ingresso, \u00e0s quarta-feiras, a pessoa poderia assistir a v\u00e1rias sess\u00f5es. \u201cFoi um cinema caracter\u00edstico de faroestes e pequenas produ\u00e7\u00f5es, al\u00e9m dos filmes de Mazzaropi. Por sua proximidade com o Col\u00e9gio Regente Feij\u00f3, era comum a cena de alunos que matavam aula no cinema sendo retirados pela dire\u00e7\u00e3o da escola\u201d, diz J\u00fanior.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Erguido por Giuseppe Pierri e posteriormente administrado por sua esposa Let\u00edcia, o Cine Imp\u00e9rio tinha a infelicidade de correr em suas profundezas o arroio Pil\u00e3o de Pedra, o que contribuiu para o comprometimento do pr\u00e9dio a longo prazo. Quando encerrou suas atividades, 1992, exibia apenas filmes pornogr\u00e1ficos, como v\u00e1rios outros cinemas de rua no Brasil. Se os \u00faltimos anos de servi\u00e7o n\u00e3o foram dos mais gloriosos, as d\u00e9cadas anteriores proporcionaram boas lembran\u00e7as para quem o frequentou.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_649\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-649\" class=\"wp-image-649\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/interna-imperio-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/interna-imperio-300x212.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/08\/interna-imperio.jpg 359w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-649\" class=\"wp-caption-text\">Palco e tela do Cine Imp\u00e9rio. Acervo de Luiz Carlos Kloster<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quem costumava apreciar as exibi\u00e7\u00f5es do Cine Imp\u00e9rio em seus \u00e1ureos tempos era a professora de hist\u00f3ria Zil\u00e1 DalCol. Lembro que quando a conheci, h\u00e1 11 anos, j\u00e1 convers\u00e1vamos sobre cinemas de rua da cidade. Depois de anos sem a ver, tive a felicidade de encontr\u00e1-la, por coincid\u00eancia, em frente ao terreno onde ficava o Cine Imp\u00e9rio. Acompanhada do filho e da nora em uma caminhada matinal, Zil\u00e1 recebeu ali mesmo o convite para falar sobre suas lembran\u00e7as do cinema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Zil\u00e1 embarcou em suas mem\u00f3rias ao ponto de me entregar um rico e vasto depoimento que responderia ainda mais do que eu pensasse em perguntar. O Imp\u00e9rio a fez gostar da s\u00e9tima arte. \u201cEle me fez gostar de cinema. A Pra\u00e7a Bar\u00e3o era como o terminal central de \u00f4nibus da cidade, pois ali convergiam todas as linhas. A gente descia ali e j\u00e1 entrava na fila da bilheteria. Aquilo pra mim j\u00e1 era um mundo m\u00e1gico\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A mem\u00f3ria de Zil\u00e1 foi capaz, inclusive, de mencionar a quantidade de degraus para descer \u00e0 bomboniere, a cor das poltronas acolchoadas (o que n\u00e3o era comum em cinemas mais baratos) e a m\u00fasica que tocava no momento em que se apagavam as luzes e eram abertas as cortinas do palco. \u201cVoc\u00ea entrava e via a tela fechada, com cortinas enormes, vermelhas com franjas. Quando elas se abriam, tocava a m\u00fasica tema do filme \u2018Os Canh\u00f5es de Navarone\u2019 e eu sabia que o show ia come\u00e7ar. Para mim era um ambiente encantado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para ler outras hist\u00f3rias do Cine Imp\u00e9rio, confira a vers\u00e3o impressa da revista Nuntiare<\/span><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\n<strong>Reportagem:<\/strong> C\u00e1ssio Murilo<br \/>\n<strong>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> C\u00e1ssio Murilo<br \/>\n<strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Marcos Zibordi<br \/>\n<strong>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> C\u00e2ndida de Oliveira e Muriel E. P. Amaral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos olhares de quem chegou recentemente a Ponta Grossa, um terreno de largas dimens\u00f5es no centro da cidade pode instigar curiosidade. 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