{"id":855,"date":"2022-10-25T11:17:35","date_gmt":"2022-10-25T14:17:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=855"},"modified":"2022-10-25T11:39:53","modified_gmt":"2022-10-25T14:39:53","slug":"o-legado-de-hipnos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/o-legado-de-hipnos\/","title":{"rendered":"O legado de Hipnos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo sendo pr\u00e1tica cient\u00edfica, a hipnose pode ser praticada por a\u00e7\u00f5es n\u00e3o reconhecidas pela ci\u00eancia<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, a sociedade sempre encontrou formas de tentar explicar fatos e fen\u00f4menos que iam al\u00e9m da compreens\u00e3o l\u00f3gica da vida. Foi a partir deste prop\u00f3sito que surgiram os primeiros mitos e lendas criados na Antiguidade com o prop\u00f3sito de sanar quest\u00f5es que os seres humanos ainda n\u00e3o haviam encontrado respostas. Um exemplo disso \u00e9 a narrativa de Hipnos, Deus do sono para a mitologia grega.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hipnos vivia num pal\u00e1cio constru\u00eddo dentro de uma grande caverna, afastado de tudo e todos, numa regi\u00e3o t\u00e3o longe que sequer o sol era capaz de alcan\u00e7ar. O deus grego habitava em meio \u00e0 tranquilidade, paz e sil\u00eancio de seu reino, t\u00e3o solit\u00e1rio que conversava apenas com o eco de sua voz na caverna. O pal\u00e1cio era cercado por Lete, o rio do esquecimento. Dizem as lendas que todo homem que passasse por suas margens e bebesse de sua \u00e1gua era inundado por uma sensa\u00e7\u00e3o de relaxamento, ocasionando um s\u00fabito e profundo sono.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria de Hipnos ganhou novos contornos e passou a fundamentar teorias cient\u00edficas sobre o controle da mente humana.\u00a0 Foi em 1842, com o m\u00e9dico e pesquisador James Braid, que o termo hipnose foi cunhado (jun\u00e7\u00e3o do grego <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hipnos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> = sono, e do latim <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">osis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> = a\u00e7\u00e3o, processo), referindo-se ao estado de consci\u00eancia reduzido a um ponto em que a mente est\u00e1 aberta a seguir sugest\u00f5es ou instru\u00e7\u00f5es de um emissor paralelo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Considerado at\u00e9 os dias atuais como o pai da hipnose cient\u00edfica, Braid foi um dos pioneiros a realizar experimentos de indu\u00e7\u00e3o ao processo hipn\u00f3tico na sociedade Ocidental. Contudo, conforme seus estudos avan\u00e7aram, ele mesmo concluiu que havia cometido um erro quanto \u00e0 nomenclatura aplicada ao procedimento, visto que nenhum de seus pacientes chegava a efetivamente dormir durante uma sess\u00e3o de hipnose. Mas nada poderia ser feito a partir de ent\u00e3o para mudar o passado: o termo j\u00e1 havia se popularizado e estourado a bolha da ci\u00eancia, sendo associado ao misticismo e, posteriormente, apropriado pelo charlatanismo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De relatos de pessoas que acreditam terem sido for\u00e7adas a falar ou fazer coisas por meio dos \u201cpoderes de um hipnotizador\u201d a shows de m\u00e1gica, filmes e s\u00e9ries que se utilizam de estere\u00f3tipos para abordar o tema, a hipnose se tornou cada vez mais mal vista aos olhos do grande p\u00fablico. Contudo, a ci\u00eancia aos poucos busca mostrar um outro lado deste campo de estudos da mente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a psic\u00f3loga Anna Luiza Portier, a pr\u00e1tica da hipnose, reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia no ano 2000, \u00e9 compreendida como terapia auxiliar. \u201cMesmo que muitos n\u00e3o acreditem, a hipnose tem mostrado efeitos positivos para pacientes atendidos em cl\u00ednicas que prestam atendimento psicol\u00f3gico. Quando feita por um profissional capacitado, e ap\u00f3s uma avalia\u00e7\u00e3o que comprove que o paciente reagiria positivamente a esta forma alternativa de tratamento, n\u00e3o vejo motivos para banalizar a pr\u00e1tica que traz somente benef\u00edcios\u201d, afirma.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Anna Luiza, se o paciente \u00e9 suscet\u00edvel \u00e0 indu\u00e7\u00e3o por meio da hipnose e se mostra disposto a tentar uma nova abordagem ao tratamento, o mesmo passa a ser atendido em sess\u00f5es de hipnoterapia, muito utilizada no acompanhamento de traumas ou v\u00edcios. A psic\u00f3loga destaca que, se ao longo das sess\u00f5es ocorrer uma evolu\u00e7\u00e3o no quadro cl\u00ednico do paciente, este \u00e9 um sinal de que muitos destes problemas podem ser atenuados durante o processo ou at\u00e9 mesmo desaparecer por conta da hipnoterapia. \u201cPor\u00e9m, isso n\u00e3o significa que uma pessoa, quando faz a hipnoterapia, perde o controle da pr\u00f3pria mente e nunca mais retornar\u00e1 a seus antigos h\u00e1bitos. O que altera em uma sess\u00e3o de hipnose \u00e9 somente o estado de consci\u00eancia em que o paciente se encontra, e \u00e9 por meio dessas altera\u00e7\u00f5es que \u00e9 poss\u00edvel conduzi-lo por caminhos que lhe permitam uma maior qualidade da sa\u00fade mental\u201d, diz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A vis\u00e3o positiva da pr\u00e1tica da hipnose se estende tamb\u00e9m aos fen\u00f4menos extra-sensoriais que n\u00e3o s\u00e3o contemplados nas pr\u00e1ticas cient\u00edficas. De acordo com o Instituto Nacional de Parapsicologia e Psicometafisica (INPP), apesar de trabalhar com a possibilidade de haver manifesta\u00e7\u00f5es sobrenaturais em nossa vida cotidiana e n\u00e3o utilizar de m\u00e9todos cient\u00edficos, a parapsicologia v\u00ea na hipnose a capacidade de descobrir poss\u00edveis gatilhos mentais que causam problemas na vida dos pacientes. Por meio de t\u00e9cnicas como a reprograma\u00e7\u00e3o mental, a regress\u00e3o da mem\u00f3ria e a mediunidade \u00e9 poss\u00edvel realizar diagn\u00f3sticos de doen\u00e7as mentais e f\u00edsicas, englobando desde ins\u00f4nia, potencializadas pelos sentimentos de culpa e medo, e ansiedade, associada \u00e0 falta de confian\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de ser um processo ainda em andamento, nota-se que o preconceito com a pr\u00e1tica da hipnose constr\u00f3i inclusive pelos pr\u00f3prios profissionais da psicologia. Somente em Ponta Grossa, em uma breve pesquisa das redes sociais, mais de vinte e cinco cl\u00ednicas prestam atendimentos hipnoterap\u00eauticos no munic\u00edpio. Talvez James Brain n\u00e3o estivesse totalmente equivocado em sua conex\u00e3o entre a hist\u00f3ria de Hipnos e os tratamentos psicol\u00f3gicos. Afinal, o que \u00e9 a hipnoterapia se n\u00e3o uma tentativa de dialogar com seu subconsciente, assim com o deus grego que conversava com o eco da pr\u00f3pria voz na caverna em que vivia?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Leia na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da Nuntiare os depoimentos de pessoas que passaram por sess\u00f5es de hipnose.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica:<\/b><\/p>\n<p><b>Reportagem: <\/b>Manuela Roque<\/p>\n<p><strong>Arte:<\/strong> Manuela Roque e Yasmin Orlowski<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o:<\/b> Larissa Godoy e C\u00e1ssio Murilo<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b> Muriel E. P. Amaral<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:<\/b>\u00a0Carlos Alberto de Souza, C\u00e2ndida de Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo sendo pr\u00e1tica cient\u00edfica, a hipnose pode ser praticada por a\u00e7\u00f5es n\u00e3o reconhecidas pela ci\u00eancia &nbsp; Ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, a sociedade sempre encontrou formas de tentar explicar fatos e fen\u00f4menos que iam al\u00e9m da compreens\u00e3o l\u00f3gica da vida. 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