{"id":883,"date":"2022-12-06T12:03:23","date_gmt":"2022-12-06T15:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/?p=883"},"modified":"2022-12-06T12:51:39","modified_gmt":"2022-12-06T15:51:39","slug":"deficit-arborizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/deficit-arborizacao\/","title":{"rendered":"Falta sombra em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Proje\u00e7\u00e3o indica d\u00e9ficit de quase 35 mil \u00e1rvores na \u00e1rea urbana da cidade<\/em><\/p>\n<p>Quem caminha pela regi\u00e3o central de Ponta Grossa enfrenta um desafio: as cal\u00e7adas estreitas. Uma das consequ\u00eancias da falta de espa\u00e7o \u00e9 a aus\u00eancia de \u00e1rvores. Em uma tarde ensolarada, com term\u00f4metros marcando 26 \u00baC, caminhei pelas ruas Senador Pinheiro Machado e Santana, um trecho de aproximadamente 2 km. A ideia era contar quantas \u00e1rvores havia nas cal\u00e7adas, trabalho que n\u00e3o foi t\u00e3o complicado, j\u00e1 que n\u00e3o encontrei nenhuma. As \u00fanicas estavam nas pra\u00e7as Alfredo Pedro Ribas, pr\u00f3ximas ao antigo Pronto Socorro; Marechal Floriano Peixoto, em frente \u00e0 Catedral, e Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, em frente ao Col\u00e9gio Regente Feij\u00f3. Para quem caminha por ali, esses tr\u00eas pontos s\u00e3o o\u00e1sis no asfalto (confira o trajeto no mapa abaixo).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n<!-- iframe plugin v.4.5 wordpress.org\/plugins\/iframe\/ -->\n<iframe width=\"100%\" height=\"576\" src=\"https:\/\/maphub.net\/embed_h\/ce3JyBcuKoCNKuEC?autoplay=1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"yes\" class=\"iframe-class\"><\/iframe>\n\n<p style=\"text-align: center\">Mapa: Matheus Gaston<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No trajeto, a \u00fanica sombra dispon\u00edvel \u00e9 formada pelos edif\u00edcios. No entanto, a disponibilidade ainda depende da posi\u00e7\u00e3o do sol. Se a inten\u00e7\u00e3o era cruzar com \u00e1rvores pelo caminho, tudo deu errado; encontrei postes e placas de sinaliza\u00e7\u00e3o. Como se n\u00e3o bastassem as cal\u00e7adas estreitas, alguns desses equipamentos est\u00e3o amontoados, o que dificulta ainda mais a passagem das pessoas. Em levantamento do Laborat\u00f3rio de Estudos Socioambientais (LAESA), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), foram mapeadas 28.925 \u00e1rvores em vias urbanas. Ou seja, aquelas que foram plantadas nos passeios p\u00fablicos. O mapeamento do grupo, que foi criado em 2013 e integra o Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia (PPGGEO), foi feito a partir de pesquisa de campo e imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>Ainda que o n\u00famero obtido pelo levantamento seja alto, LAESA projeta d\u00e9ficit de quase 35,2 mil \u00e1rvores em Ponta Grossa. De acordo com o estudo, a cidade possui um potencial para arboriza\u00e7\u00e3o de aproximadamente 64 mil \u00e1rvores. O c\u00e1lculo leva em considera\u00e7\u00e3o a soma da extens\u00e3o de todas as vias urbanas e medidas recomendadas por pesquisadores da \u00e1rea, como o plantio a uma dist\u00e2ncia de no m\u00ednimo cinco metros de esquinas, placas e postes. O laborat\u00f3rio refor\u00e7a que o n\u00famero pode ser menor, j\u00e1 que o dado sobre a largura das cal\u00e7adas n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel. Na rua Senador Pinheiro Machado, por exemplo, a maioria dos passeios t\u00eam pouco mais de um metro, o que impossibilita o plantio. No Centro, a pesquisa contabiliza 970 \u00e1rvores. O bairro est\u00e1 entre os menos arborizados, atr\u00e1s apenas de Olarias (831) e Neves (726). Enquanto isso, Chapada e Contorno s\u00e3o as localidades com os maiores n\u00fameros, tendo 3.101 e 3.461 \u00e1rvores mapeadas, respectivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img class=\" wp-image-889 aligncenter\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/INFO-SITE-1-300x140.png\" alt=\"\" width=\"888\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/INFO-SITE-1-300x140.png 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/INFO-SITE-1-1024x477.png 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/INFO-SITE-1-768x358.png 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/INFO-SITE-1-1536x715.png 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/INFO-SITE-1-2048x954.png 2048w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/INFO-SITE-1-1232x574.png 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/INFO-SITE-1-1920x894.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 888px) 100vw, 888px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo que dois bairros tenham mais de 3 mil \u00e1rvores cada, a mestranda em Geografia da UEPG e integrante do LAESA, B\u00e1rbara Macedo, explica que tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio se atentar \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o das plantas pelo territ\u00f3rio analisado. \u201cPonta Grossa possui, em m\u00e9dia, 22,5 \u00e1rvores por quil\u00f4metro de rua, o que \u00e9 considerado baixo pelos estudiosos. A m\u00e9dia ideal \u00e9 de mais de 100 plantas por quil\u00f4metro\u201d. Com 2.465 \u00e1rvores, o Car\u00e1-Car\u00e1 possui a maior \u00e1rea territorial do munic\u00edpio. No entanto, a regi\u00e3o tem o menor \u00edndice de distribui\u00e7\u00e3o, com 4 \u00e1rvores por km de via. O local com a melhor m\u00e9dia \u00e9 o Ronda, com aproximadamente 42 arv\/km.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o do verde urbano<\/strong><br \/>\nAs \u00e1rvores t\u00eam diferentes fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas como a ameniza\u00e7\u00e3o das temperaturas, sombreamento, infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo &#8211; que diminui o risco de enchentes e inunda\u00e7\u00f5es &#8211; e o consumo de g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera. Al\u00e9m de colorir a paisagem, elas tamb\u00e9m trazem benef\u00edcios econ\u00f4micos, como a valoriza\u00e7\u00e3o de bairros com mais verde.<\/p>\n<p>Com amplia\u00e7\u00e3o do processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, as coberturas vegetais dentro das cidades perdem espa\u00e7o, seja para a constru\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es ou para a abertura de ruas. Outro fator que contribui para a redu\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de planejamento urbano. Com a inten\u00e7\u00e3o de priorizar o fluxo de carros, algumas ruas e avenidas foram alargadas ao longo dos anos. Com isso, as cal\u00e7adas foram encurtadas e se tornaram impr\u00f3prias para projetos de arboriza\u00e7\u00e3o. \u201cEm alguns locais, mesmo sendo quase nula a arboriza\u00e7\u00e3o, se torna mais preocupante quando voc\u00ea v\u00ea que n\u00e3o h\u00e1 um potencial para o plantio\u201d, lamenta Sandra Tadenuma, mestra em Gest\u00e3o do Territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Em alguns locais, a falta de planejamento \u00e9 evidente. Um exemplo apresentado por Sandra \u00e9 a rua Aldo Vergani, no Jardim Europa. A via possui um canteiro central que j\u00e1 teve \u00e1rvores de grande porte, mas foram cortadas por oferecerem risco. O espa\u00e7o recebeu novas plantas, mas algumas delas est\u00e3o pr\u00f3ximas dos postes. \u201cUma rua importante, com canteiro central, que seria algo positivo, n\u00e3o tem fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nas cal\u00e7adas, mas sim no canteiro. Isso atrapalha o plantio\u201d, diz a mestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_886\" style=\"width: 879px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-886\" class=\" wp-image-886\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/20221030_171448-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"869\" height=\"489\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/20221030_171448-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/20221030_171448-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/20221030_171448-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/20221030_171448-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/20221030_171448-1-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/20221030_171448-1-1232x693.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2022\/11\/20221030_171448-1-1920x1080.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 869px) 100vw, 869px\" \/><p id=\"caption-attachment-886\" class=\"wp-caption-text\">Trecho da rua Aldo Vergani, no Jardim Europa | Foto: Matheus Gaston<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com a professora coordenadora do LAESA, Silvia M\u00e9ri Carvalho, a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas para arboriza\u00e7\u00e3o reflete no sumi\u00e7o do verde urbano. Ainda que existam legisla\u00e7\u00f5es que contemplem a quest\u00e3o ambiental, elas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para resolver o problema. Para a professora, a cria\u00e7\u00e3o de um Plano Municipal de Arboriza\u00e7\u00e3o Urbana, que est\u00e1 em desenvolvimento, pode ser um caminho para tra\u00e7ar diretrizes e estrat\u00e9gias que aumentem a cobertura vegetal em Ponta Grossa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m falta informa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nUma curiosidade pessoal que surgiu durante a apura\u00e7\u00e3o foi entender como fa\u00e7o para plantar uma \u00e1rvore na minha cal\u00e7ada. Como um cidad\u00e3o comum, liguei na Secretaria de Meio Ambiente e fiz esse questionamento. Por\u00e9m, n\u00e3o tive a resposta que esperava. Para come\u00e7ar, o funcion\u00e1rio que me atendeu parecia n\u00e3o ter conhecimento sobre arboriza\u00e7\u00e3o e encaminhava as perguntas a outra pessoa. Ainda que tenha ligado no \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela gest\u00e3o ambiental do munic\u00edpio, as informa\u00e7\u00f5es que obtive foram que n\u00e3o preciso de autoriza\u00e7\u00e3o para plantar, posso fazer o plantio de qualquer esp\u00e9cie e que o munic\u00edpio n\u00e3o fornece mudas. A recomenda\u00e7\u00e3o recebida foi para evitar \u00e1rvores de porte grande, j\u00e1 que podem comprometer a rede el\u00e9trica.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia da falta de informa\u00e7\u00e3o adequada \u00e9 o predom\u00ednio de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas nas vias urbanas. De acordo com dados do LAESA, nos bairros onde ocorreram os mapeamentos, quase 60% das \u00e1rvores n\u00e3o s\u00e3o nativas. As mais presentes s\u00e3o as esp\u00e9cies ligustro e extremosa, sendo que a primeira \u00e9 considerada invasora e seu fruto pode intoxicar p\u00e1ssaros. \u201cNo caso das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, normalmente n\u00e3o h\u00e1 um predador. Como ela \u00e9 de outro lugar, ela vai se sobressair em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais, tomando espa\u00e7o das esp\u00e9cies nativas\u201d, explica Silvia M\u00e9ri.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, as duas \u00e1rvores eram recomendadas para plantio por serem de porte baixo e de r\u00e1pido crescimento. Denny Jobbins, mestrando e membro do LAESA, esclarece que n\u00e3o h\u00e1 problema em plantar esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, desde que elas n\u00e3o predominem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nativas. \u201cNem toda \u00e1rvore ex\u00f3tica \u00e9 ruim. Algumas se adaptam bem ao meio urbano, como as goiabeiras. Por\u00e9m, \u00e9 preciso um equil\u00edbrio entre elas e as nativas, para que haja biodiversidade\u201d. De acordo com o pesquisador, a variedade de esp\u00e9cies \u00e9 vantajosa para o meio ambiente, pois atrai mais p\u00e1ssaros e diminui o risco da propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e pragas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Plano de Arboriza\u00e7\u00e3o Urbana<\/strong><br \/>\nEm novembro do ano passado, a Prefeitura de Ponta Grossa iniciou a produ\u00e7\u00e3o do Plano de Arboriza\u00e7\u00e3o Urbana em parceria com os pesquisadores do LAESA. Desde 2013, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Paran\u00e1 (MP-PR) recomenda a produ\u00e7\u00e3o do documento, que deve orientar a\u00e7\u00f5es referentes ao diagn\u00f3stico, implanta\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e monitoramento da arboriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o MP-PR, dos 399 munic\u00edpios paranaenses, apenas 21 tiveram os planos aprovados e os planos de outras 233 cidades ainda necessitam de adequa\u00e7\u00f5es para serem aceitos. De acordo com o comit\u00ea respons\u00e1vel pela an\u00e1lise dos documentos, a aus\u00eancia de comprometimento, profissionais e gestores p\u00fablicos sem conhecimento t\u00e9cnico e a produ\u00e7\u00e3o de levantamentos inconsistentes s\u00e3o os principais motivos que levam \u00e0 reprova\u00e7\u00e3o dos documentos.<\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, o plano est\u00e1 na fase do invent\u00e1rio, que consiste na identifica\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores plantadas em vias p\u00fablicas. O trabalho de campo, que teve in\u00edcio em fevereiro, pelo bairro Uvaranas, \u00e9 realizado por membros do Laborat\u00f3rio de Estudos Socioambientais da UEPG e estagi\u00e1rios da Prefeitura. Nas ruas, os volunt\u00e1rios coletam cerca de 30 informa\u00e7\u00f5es quantitativas e qualitativas sobre cada \u00e1rvore encontrada, tais como nome, fam\u00edlia, localiza\u00e7\u00e3o, largura da cal\u00e7ada onde foi plantada, altura, risco de extin\u00e7\u00e3o e tipo de esp\u00e9cie. O mapeamento \u00e9 feito com equipamentos do LAESA. Al\u00e9m dos estagi\u00e1rios, a Prefeitura tamb\u00e9m cedeu um carro para transportar a equipe e dois tablets para armazenamento de dados. A previs\u00e3o \u00e9 que o invent\u00e1rio seja finalizado em at\u00e9 dois anos. A partir do conhecimento do patrim\u00f4nio arb\u00f3reo existente, ser\u00e1 poss\u00edvel saber o que, como e onde plantar de forma adequada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que d\u00e1 pra fazer?<\/strong><br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o ao d\u00e9ficit de \u00e1rvores, os pesquisadores do LAESA apontam a\u00e7\u00f5es que podem auxiliar no adensamento da arboriza\u00e7\u00e3o urbana em Ponta Grossa. Inicialmente, \u00e9 necess\u00e1rio que o poder p\u00fablico d\u00ea aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pesquisas e estudos feitos pela UEPG e por outros \u00f3rg\u00e3os. \u201cAlgumas prefeituras s\u00f3 se preocupam com \u00e1rvores quando elas oferecem algum risco, como queda, conflito com fia\u00e7\u00e3o e danos \u00e0s cal\u00e7adas\u201d, diz B\u00e1rbara Macedo. \u201c\u00c9 importante que os gestores ambientais vejam os dados dispon\u00edveis e planejem a\u00e7\u00f5es\u201d, completa Sandra Tadenuma.<\/p>\n<p>Quando realmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel plantar uma \u00e1rvore, seja por falta de espa\u00e7o ou por outras limita\u00e7\u00f5es, Denny Jobbins e Silvia M\u00e9ri sugerem que sejam feitas compensa\u00e7\u00f5es ambientais. Dessa forma, as esp\u00e9cies seriam plantadas em locais que possam suport\u00e1-las, como pra\u00e7as e parques urbanos, vias com potencial para arboriza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo nos jardins residenciais.<\/p>\n<p>A coordenadora do LAESA compartilha que, nas pesquisas de campo, percebe a boa inten\u00e7\u00e3o de moradores em plantar uma \u00e1rvore. Contudo, por falta de informa\u00e7\u00e3o, algumas esp\u00e9cies s\u00e3o plantadas de forma inadequada. \u201cA popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem que fazer sua parte, mas \u00e0s vezes n\u00e3o tem o conhecimento necess\u00e1rio para isso\u201d, observa Silvia. Os pesquisadores refor\u00e7am que o poder p\u00fablico deve fazer um trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental que, al\u00e9m de alertar sobre os benef\u00edcios da arboriza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m mostre os riscos do plantio inadequado. \u201cAl\u00e9m de incentivar o plantio de esp\u00e9cies, tamb\u00e9m \u00e9 preciso ensinar as pessoas sobre o que, como e onde plantar\u201d, pontua Denny.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Onde conseguir mudas?<\/strong><br \/>\nPara o morador que tem interesse em plantar uma \u00e1rvore, \u00e9 poss\u00edvel comprar mudas ou adquirir de forma gratuita. Um levantamento realizado pela reportagem em sete viveiros particulares de Ponta Grossa encontrou esp\u00e9cies de diferentes tamanhos e valores. A maioria das plantas \u00e9 nativa, como ip\u00ea, sibipiruna, ing\u00e1, canaf\u00edstula, dedaleiro, quaresmeira, jacarand\u00e1 e canelinha. Tamb\u00e9m s\u00e3o comercializadas \u00e1rvores ex\u00f3ticas n\u00e3o recomendadas para arboriza\u00e7\u00e3o de vias p\u00fablicas, como a aroeira-salsa e a extremosa. Os pre\u00e7os dependem do tamanho e da esp\u00e9cie. Em um dos viveiros consultados, a muda de ip\u00ea com 1,2 metros custa R$ 18. J\u00e1 o exemplar da esp\u00e9cie com 6 metros pode valer at\u00e9 3,8 mil reais.<\/p>\n<p>O Viveiro Florestal da UEPG \u00e9 uma das op\u00e7\u00f5es para adquirir plantas gratuitamente. Em parceria com o Col\u00e9gio Agr\u00edcola Augusto Ribas, o projeto de extens\u00e3o dos cursos de Agronomia e Biologia produz mudas com foco na arboriza\u00e7\u00e3o urbana e restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas degradados, al\u00e9m de sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o sobre o valor ambiental, econ\u00f4mico e social das florestas urbanas. Os estudantes tamb\u00e9m desenvolvem pesquisas acad\u00eamicas com esp\u00e9cies florestais, frut\u00edferas e ornamentais.<\/p>\n<p>Anualmente, o viveiro promove o evento \u201cArboriza Ponta Grossa\u201d, que distribui mudas de \u00e1rvores nativas para a comunidade em geral e apresenta orienta\u00e7\u00f5es sobre planejamento, plantio e manejo adequado dessas esp\u00e9cies. O projeto extensionista tamb\u00e9m divulga materiais informativos sobre arboriza\u00e7\u00e3o em seu perfil no Instagram (@viveiro_uepg).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Reportagem:\u00a0<\/strong>Matheus Gaston<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Muriel Amaral<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>C\u00e2ndida de Oliveira e Carlos Alberto de Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Proje\u00e7\u00e3o indica d\u00e9ficit de quase 35 mil \u00e1rvores na \u00e1rea urbana da cidade Quem caminha pela regi\u00e3o central de Ponta Grossa enfrenta um desafio: as cal\u00e7adas estreitas. Uma das consequ\u00eancias da falta de espa\u00e7o \u00e9 a aus\u00eancia de \u00e1rvores. Em uma tarde ensolarada, com term\u00f4metros marcando 26 \u00baC, caminhei pelas ruas Senador Pinheiro Machado e&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":515,"featured_media":892,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[10],"tags":[54,53,52,12],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/883"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/users\/515"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=883"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":908,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/883\/revisions\/908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/media\/892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/nuntiare\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}