“Florestas e economias”: equilíbrio ambiental e manutenção da vida

“Florestas e economias”: equilíbrio ambiental e manutenção da vida

Celebrado anualmente em 21 de março, o Dia Internacional das Florestas foi instituído em 2012 pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de chamar a atenção para a importância das florestas em todo o mundo. A data reforça a necessidade de preservação desses espaços, essenciais para o equilíbrio ambiental e para a manutenção da vida no planeta.

Neste ano, a ONU propôs o tema “Florestas e economias”, para celebrar o Dia Internacional das Florestas, destacando que a relevância das florestas vai além da conservação ambiental e está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico. As florestas desempenham papel estratégico ao movimentar desde grandes mercados globais até pequenas comunidades locais. Elas fornecem matéria-prima, impulsionam cadeias produtivas, sustentam a agricultura familiar e contribuem para o aumento da produtividade no campo. Além disso, são fundamentais na proteção de bacias hidrográficas, garantindo água de qualidade e contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas. As  florestas movimentam cerca de 44 trilhões de dólares, o que representa mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo dados do World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial). Também atuam como aliadas na redução dos impactos de desastres climáticos, fortalecendo a resiliência das economias. 

Recursos como madeira e bambu surgem como alternativas mais sustentáveis, capazes de substituir materiais mais poluentes, como aço e plástico, de acordo com a Organização Internacional do Bambu e do Rattan (INBAR). Florestas garantem subsistência para comunidades rurais, oferecendo alimento, renda e recursos essenciais, além de benefícios como a conservação do solo e a oferta de água limpa.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que preservar as florestas não é apenas uma questão ambiental, mas também um investimento direto no desenvolvimento econômico e na qualidade de vida da população, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O Brasil, detentor de uma das maiores áreas florestais do planeta, possui uma cobertura vegetal significativa. Cerca de 59% do território brasileiro é coberto por florestas, abrigando aproximadamente 12% das florestas do mundo, de acordo com a ONU, em estudos publicados pela National Geographic. A Floresta Amazônica representa a maior parte dessa cobertura vegetal, sendo um bioma de importância global.

Além da Amazônia, o país conta com outros biomas igualmente importantes que compõem as florestas brasileiras, como o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal. Essa rica diversidade de ecossistemas florestais confere ao Brasil uma posição estratégica nas discussões globais sobre clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável, ressaltando a responsabilidade do país na conservação desses recursos vitais para o planeta.

O desmatamento é, sem dúvida, um dos principais desafios ambientais enfrentados pelo Brasil. A perda de cobertura florestal tem impactos diretos na biodiversidade, no clima e nos serviços ecossistêmicos, comprometendo o desenvolvimento sustentável do país.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo monitoramento por satélite, a Amazônia registrou 5.796 km² de desmatamento entre 2024 e 2025. Este número representa uma queda de cerca de 11% em relação ao período anterior, indicando um esforço do País nas políticas de combate ao desmatamento. O monitoramento é realizado por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES), que acompanha a perda de vegetação na Amazônia Legal desde 1988, fornecendo informações cruciais para a formulação e avaliação de políticas ambientais. Nesse contexto, iniciativas como o Programa Bolsa Verde demonstram resultados positivos. 

Um estudo recente, com participação do INPE, apontou uma redução de cerca de 30% no desmatamento em áreas da Amazônia atendidas pelo Bolsa Verde entre 2012 e 2015, em comparação com áreas similares não beneficiadas. O programa, que oferece transferência de renda a famílias em situação de vulnerabilidade que vivem em áreas prioritárias para conservação, evitou a perda de aproximadamente 22,6 mil hectares de floresta e a emissão de 8,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), de acordo com o órgão.

 Essa abordagem, que combina proteção ambiental com inclusão social, reforça a importância de políticas públicas articuladas para o combate ao desmatamento e o avanço em direção à meta de desmatamento zero até 2030, atualizada pelo Governo Federal na COP30, no ano passado em Belém, no Pará.  

Por Isabella Meira e Valentina Bortoluzze, estudantes do 2º ano de Jornalismo UEPG e integrantes do serviço de extensão Pauta Ambiental. 

 

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