Memória em alicerce: patrimônio cultural e arquitetura em Ponta Grossa

(Crescimento de 17% na venda de imóveis de Ponta Grossa enfatiza conflito entre patrimônio sociocultural e mercado imobiliário)

A cidade de Ponta Grossa vive um crescimento industrial e imobiliário, com mais de R$4 bilhões de reais investidos somente em 2025, segundo a Prefeitura Municipal. Em contrapartida, cerca de dez patrimônios históricos e culturais do município já foram demolidos com o objetivo de iniciar novas construções. Especialistas em arquitetura e patrimônio da cidade discutem os impactos destes números na preservação da memória arquitetônica da cidade.

‘’Casas pós-modernas não são preservadas por conta do mercado imobiliário acelerado”, observa a sócio-fundadora da Associação Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural (APPAC), Nisiane Madalozzo. Ela defende a importância de inventariar imóveis e dá-los a chance de se tornar memória. “Não deveria ser definido institucionalmente, mas a partir do entendimento de determinada comunidade”, avalia Madalozzo. Ela observa também a necessidade de formulação de estratégias para que o patrimônio cultural e o mercado imobiliário não sejam conflitantes: “é preciso deixar cristalizar novas memórias antes de substituir um imóvel pensando apenas na economia”.

A arquiteta e urbanista Giovana Paganini ressalta o apagamento de construções pós-modernistas na cidade. Segundo ela,  construções dos anos 1990 e 2000 são constantemente demolidas em busca da verticalização. Giovana afirma a importância dos patrimônios para a história da cidade . “O patrimônio cultural trata-se da identidade de um grupo de pessoas em um espaço e tempo”, avalia.

Na Sessão Pública de Tombamento de seis de outubro de 2025, oito imóveis foram analisados e votados para reconhecimento histórico, social e cultural. A sessão teve como objetivo discutir e deliberar a preservação de  imóveis considerados relevantes para a memória e identidade local. Apenas quatro dos oito edifícios analisados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) foram tombados e oficialmente reconhecidos. O residencial da família Ribas, um dos quatro imóveis não reconhecidos, foi demolido no dia seguinte para a construção de um prédio. “Apesar da maioria dos votos dos conselheiros presentes a favor da residência, o número não chegou aos 70% previsto por lei para autorizar o tombamento”, observa o secretário municipal de cultura, Alberto Portugal.  De acordo com o Alberto, existem cerca de 70 imóveis tombados no município.

A lei ordinária nº 14.524, de dezembro de 2022, aprova o parcelamento, edificação ou utilização compulsório do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado do município de Ponta Grossa. A lei exclui da obrigatoriedade apenas os terrenos ou lotes de interesse do patrimônio cultural tombados por órgão competente.

 

Ficha técnica

Produção: Amanda Los, Eduarda Leal e João Pimentel

Roteiro: Amanda Los

Ano: 2026

Edição e publicação: Luiz Cruz e Matheus de Lara

Supervisão de produção: Aline Rosso 

Supervisão Técnica: Athon Gallera 

Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado

Contato: periodico@uepg.br

 

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