Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

“Ainda assim, eu me levanto”
Levante de Lilah Halla expõe realidade do direito ao aborto no Brasil
O primeiro filme da diretora de cinema brasileira Lillah Halla discute um dos temas da atualidade: o aborto. Dados do DATASUS 2021 apontam que para cada aborto legal realizado no Paraná, o SUS atende 279 mulheres por procedimentos malsucedidos. Uma mulher a cada dois dias morre por aborto inseguro no Brasil, e a criminalização não impede que um milhão de abortos induzidos ocorram todos os anos, segundo o Ministério da Saúde. ‘Levante’ de 2024 é um retrato fiel do problema nas classes mais baixas do país.

Foto: Divulgação/Festival do Rio
Sofia (Ayomi Domenica) é a estrela do time de vôlei C. Leste. Aos 17 anos, a jogadora recebe a notícia de que pode conseguir uma bolsa para jogar no Chile, o início de um futuro brilhante no esporte. No entanto, a descoberta de gravidez indesejada coloca o sonho em risco. A personagem não quer continuar com a gestação, mas é impossível interromper no Brasil sem ser caso de violência sexual, feto anencéfalo ou gravidez de risco.
O longa pontua a visão das minorias no acesso à saúde pública. Na história, é uma mulher negra (Zora Santos) que convence o pai de Sofia (Rômulo Braga) a ajudá-la no aborto e que doa uma quantidade significativa de dinheiro para a realização do procedimento. Já no hospital, é uma médica negra (Rejane Faria) que cuida da protagonista. Dados da Pesquisa Nacional de Aborto, realizada em 2021, mostram que pretas e pardas têm 46% mais chances de fazer aborto inseguro e estão mais expostas aos riscos decorrentes da criminalização. Com medo de represálias, muitas mulheres se recusam a procurar serviços de saúde em casos de complicações, levando a hemorragias, esterilização involuntária e até à morte.
Por Amanda Los
Serviço: Com duração de 1h 32m “Levante” é uma coprodução entre Brasil, França e Uruguai. Nos outros dois países, o aborto é legalizado. Levante ganhou o Prêmio Fipresci no Festival de Cannes e o troféu de Melhor Direção no Festival do Rio. O longa está disponível nos serviços de streaming Prime Video e Globoplay.

Amor ou abuso?
Crescimento do dark romance no Brasil levanta debates sobre a romantização da violência nas narrativas
Cresce o número de leituras dos brasileiros no âmbito digital. No último ano, segundo dados da Amazon, o país teve uma média de 1,7 bilhão de páginas consumidas por mês. O subgênero literário que lidera os rankings de leitura é o dark romance. De acordo com índices da Amazon Brasil, o subgênero ficou entre os mais lidos em 2025, tendo um livro da categoria como o mais consumido no país. Conforme os indicadores disponibilizados pela Câmara Brasileira do Livro, cerca de 93,4 milhões de leitores leram ao menos um livro nos últimos três meses de 2025.

Foto: Divulgação
Dark romance, ou romance sombrio, é um subgênero da literatura romântica que explora relações amorosas em contextos mais sombrios e, muitas vezes, moralmente complexos. A categoria aborda temas tabus, abusivos e moralmente questionáveis em uma narrativa de amor intenso que, com frequência, não é saudável integralmente para as protagonistas das tramas. Consumido pelo público jovem, a temática entra em debate por ilustrar a violência como algo justificável se feita em prol do amor.
Com uma percepção ambígua, o subgênero fica em uma linha tênue entre a romantização da cultura da violência e a exposição de uma realidade nada romântica. No primeiro semestre de 2025, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná, Ponta Grossa registrou 290 casos de violência contra a mulher. A violência de gênero, particularmente o feminicídio, tem apresentado taxas mais altas em municípios menores. No mesmo ano, segundo a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, 3,7 milhões de brasileiras declararam ter vivido episódios de violência doméstica ou familiar. Tais dados expõem uma realidade diferente do romance sombrio idealizado por esse subgênero.
Por Amanda Rafaella
Serviço: Para denunciar situações de violência contra mulher ligue 180 ou acesse o site da Polícia Civil do Paraná.

Sanguinária, feminismo entre o soprano e o contralto
Cantora ponta-grossense traz críticas sociais em músicas
Em um cenário em que existe o avanço do conservadorismo, artistas usam suas obras como um espaço de protesto e debate político. Mais Una Mulher, conhecida como “MUM” e pseudônimo de Gabriela Cordeiro de Paula, é uma das cantoras indie da cena local que faz parte desse desafio.

Foto: Divulgação/MUM
Visceral, o álbum “Sanguinária”, lançado em novembro de 2025, abre portas para questionar a santificação do sagrado feminino e o seu uso como forma de repressão contra as mulheres. Dor, angústia, raiva e revolta. São esses os elementos que constroem parte do cotidiano de uma mulher em uma sociedade que está adoecida pelo patriarcado; Mum faz a denúncia deles. É aí que surge a premissa “sanguinária”, que busca pela emancipação feminina. “No peito de quem se entregou à maré de azar, no rosto de quem sabe o que é ser mais uma mulher”. É aí que se encontra a tradução do sentimento de redução de gênero, de apenas ser considerada uma estatística aos moldes da sociedade.
É possível destacar que as composições seguem teor místico e se abraça o discurso de que “somos as bruxas que não conseguiram queimar”. Em virtude, a construção de um eu lírico profano e explícito ajudou a compor essa linguagem de maneira densa, e não de modo que fosse apenas um recurso para ser utilizado nas entrelinhas. O instrumental pesado, ou ora leve algumas vezes, é um componente que ajuda a expressar o âmago mais íntimo no vocal. Esta é a essência do álbum, que não apenas se agarra em acordes graves e melancólicos, e sim, na capacidade de mostrar versatilidade.
Por Bruna Sluzala
Serviço: O álbum possui 11 faixas e tem 34 minutos de duração. Ele está disponível nas plataformas digitais YouTube e Spotify. Atualmente, é o terceiro álbum da cantora e traz os singles “Mais uma Mulher”, “Parto para Não Voltar”, “Carcaça” e “Sangue”. Até o momento, “Mais uma Mulher” possui 44 mil streams no Spotify.

Arte de papelão com restos de tinta
Artista ponta-grossense usa restos de tinta em formas que evocam rostos
Sebastião Natálio utiliza o acaso como ponto de partida para a criação. Durante a limpeza de pincéis com nanquim, tinta escorre sobre papelão e forma traços que sugerem rostos e figuras. Os vestígios deixam de ser resíduos e passam a ser obras, em um processo que transforma restos que virariam lixos em imagens.

Foto: Raissa Pais
O trabalho continua a partir dos traços de tinta. “Comecei a ver rostos nas manchas”, explica o artista. Com caneta branca, formas são destacadas e reorganizadas, criando composições que equilibram acaso e construção consciente.
Jornalista e artista visual, Sebastião Natálio que já expôs em diversos lugares da cidade, como por exemplo, mais recentemente na galeria da PROEX e na Central de Salas na UEPG Uvaranas em Ponta Grossa, desenvolve desde a década de 1980 técnica de pintura em papelão baseada no reaproveitamento de materiais. O uso do papelão mantém relação direta com o processo, incorporando material descartado e aproximando a produção do cotidiano urbano.
Mas é justamente aí que aparece um ponto de crítica. Ao dar tanto destaque ao processo que origina as imagens, algumas obras acabam dependendo mais da história de criação do que da força visual que apresentam sozinhas. Em certos momentos, a imagem parece apenas acompanhar o que a mancha já indicava, sem avançar muito além disso. A tensão entre processo e resultado acaba se tornando uma característica dos trabalhos do artista.
Por Daniel Américo
Serviço: As obras foram apresentadas no dia 21 de março de 2026, durante o evento Museu no Pátio, no Museu Campos Gerais, com valores entre R$30 e R$100.

Dos requintes de Ponta Grossa
Bistrô ponta-grossense reconhecido pelo jantar, agora atende em horário de almoço
Já imaginou ir a um restaurante que existe a apenas seis anos no Paraná e já se encontra na lista dos 30 melhores do estado? O Tomate Seco Bistrô é distinto pelos vinhos, gastronomia italiana e principalmente pelas pizzas do forno a lenha. Em 2025 esteve presente na lista do prêmio Bom Gourmet, que, de acordo com a professora de Turismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Mirna de Lima Medeiros, é um reconhecido prêmio gastronômico do sul do país, que combina votação do público com votação de um júri técnico, e serve de guia ao consumidor na escolha de locais para visitar.

Foto: Emanueli Garcia
Com um cardápio variado que vai dos frutos do mar, até pizza napolitana, o restaurante possui pratos diversificados para o agrado do cliente, sendo os carros chefe as pizzas de sabores originais especiale e cebola caramelizada, além dos pratos de massa com destaque para os raviólis e nhoques. Porém para visitar o restaurante, o cliente deve ficar atento, pois mesmo com variações nos valores, deve estar preparado para os custos do estabelecimento, pois estima-se um valor médio de R$80,00 por pessoa.
Além de uma variedade de pratos, o local conta com uma adega diversificada, indo do Malbec argentino ao Alicante Bouchest de Portugal. Porém, aqueles que preferem apenas degustar de um Campo Largo adquirido no mercado, devem ficar atentos na cobrança de um valor de R$70,00 pela rolha.
O restaurante disponibiliza locais reservados para aqueles que procuram calma na hora de comer. Com salas para eventos familiares ou de trabalho, é possível realizar reservas antecipadas para ter acesso a locais mais espaçados.
No último mês, o bistrô passou a disponibilizar almoços de segunda a sábado, além da janta, de terça a domingo, que é a principal atração, recebendo quase 600 visitantes apenas no final de semana.
Por Emanueli Garcia
Serviço: Tomate Seco Bistrô, Rua Balduíno Taques 1029 – Estrela – Ponta Grossa PR.

Ascensão do Streaming provoca queda de público nos cinemas
A espera por filmes nas plataformas torna-se mais recorrente do que a ida ao cinema
O número de espectadores do cinema caiu cerca de 10% em Ponta Grossa de 2024 para 2025, o dado é da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Atualmente, a cidade conta com um cinema em funcionamento, no Shopping Palladium. Outra unidade será aberta no Shopping Plaza Campos Gerais ainda no primeiro semestre de 2026.

Foto: Divulgação
No mercado, o Streaming já ultrapassou os 100 bilhões de dólares, segundo a plataforma de dados Statista. O relatório anual mostra a quantidade de assinantes das maiores plataformas: Netflix com 260 milhões, Amazon Prime Video 200 milhões e Disney com 150 milhões de usuários. Uma pesquisa da Nexus aponta que 7 a cada 10 brasileiros das classes alta, média e baixa consomem algum streaming.
O cinema já não é a primeira opção para assistir filmes. O filme “O Agente Secreto” reuniu aproximadamente 500 espectadores durante novembro de 2025 em todas as exibições na cidade, segundo a Ancine. A média de preço da entrada inteira em Ponta Grossa é R$46,60 e a meia entrada R$23,30. Enquanto isso, o plano mais básico da Netflix está disponível por R$20,90 por mês.
Em média, 35% dos brasileiros gastam até R$50,00 com streamings de vídeo, o que equivale a cerca de duas assinaturas. O ato de esperar os filmes serem lançados no streaming já se tornou algo comum entre as pessoas, eles representam 81% dos produtos mais assistidos nas plataformas.
Isso muda a forma como os filmes são valorizados, a ida ao cinema não é mais um evento, mas sim, a espera de um filme no catálogo. A desvalorização cinematográfica impacta a cultura desde os números das bilheterias até a forma de como o conteúdo é consumido.
Por Emanuelle Pasqualotto
Serviço: Hábito de (não) ir ao cinema em PG, cerca de 500 pessoas assistiram O Agente Secreto.

A volta da cintura baixa: nostalgia ou armadilha?
O estilo Y2K conquistou a nova geração e se espalhou pelas redes, mas trouxe consigo a volta da pressão estética
A tendência anos 2.000 está de volta a todo vapor, e com ela as icônicas calças cintura baixa voltaram às ruas. O que era vestimenta do dia a dia ou até mesmo considerado “brega” agora é chamada de estilo Y2K pela geração Z. A procura pela calça teve um grande aumento, tanto em lojas online quanto físicas, mas o grande protagonismo fica para a procura em brechós. Em Ponta Grossa, a peça em brechós tem um preço variável de no máximo R$100.

Foto: Reprodução/Instagram @marimenezees_
A calça que lançava tendência em revistas e em looks de grandes estrelas, como Britney Spears, Christina Aguilera, Beyoncé, e Paris Hilton, agora é item indispensável no guarda roupa do público feminino. A calça também é figurinha carimbada em vídeos virais no TikTok e Instagram, onde influenciadoras têm mostrado novas formas de usar a peça.
A cintura baixa passou por algumas atualizações como as modelagens mais amplas e as novas variações, como cargo e wide leg, o que traz um visual mais moderno e urbano. Com sua cara nova, grifes como Diesel, Coperni e Miu Miu já estão mostrando essa tendência nas passarelas.
Mas para caber nessa calça um padrão foi estabelecido. Não foi apenas a cintura baixa que voltou direto dos anos 2.000, mas com ela o padrão inalcançável da magreza voltou a ser normalizado. A barriga “chapada” se tornou um pré-requisito para vestir a calça.
Ultimamente em premiações, tapetes vermelhos e redes sociais o emagrecimento em massa se tornou normal e algo esbanjado. Assim os corpos reais viraram piada on-line e foram fortemente proibidos de usar a calça, fazendo as barriguinhas virarem tabu. Essa onda de magreza traz em foco o uso de remédios, dietas extremas e restrição alimentar como sinônimo de beleza.
Por Sarah Brasil
Serviço: Em Ponta Grossa, as calças podem ser encontradas em brechós, como a Dig For Fashion, por preços que chegam, em média, até R$100.

