
Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

PG Não Sei Se Te Amo: histórias que não se conectam
Longa valoriza cenários urbanos de Ponta Grossa, mas apresenta narrativas pouco aprofundadas
O filme Ponta Grossa, Não Sei Se Te Amo, composto por cinco curtas, apresenta histórias sobre cotidiano e relações entre jovens, mostrando os personagens em deslocamento por pontos centrais da cidade.

Foto: divulgação
A obra tem como um dos seus principais elementos o uso da cidade como cenário narrativo. Locais como o Ponto Azul e o Parque Ambiental aproximam o espectador da realidade dos personagens. No entanto, esse cuidado não se repete na construção das histórias, que em vários momentos ficam superficiais por não desenvolverem os conflitos apresentados.
No segundo episódio, um dos personagens, João retorna para Ponta Grossa e reencontra Margot, que o convida para o evento, Sexta às Seis, no Ponto Azul. No local, conhece Cecília, estudante de Jornalismo que realiza um trabalho com fotografia. A partir do encontro, os dois circulam pelo espaço enquanto ela tira fotos. Ao longo do curta a atuação da personagem soa artificial, com falas que soam forçadas e pouco naturais, prejudica a construção das cenas.
Já o quarto episódio, acompanha personagens como Paulo, Bia e João, também estudantes de Jornalismo, a narrativa combina conflitos pessoais com suspense. Enquanto o grupo lida com a possível saída de Bia da cidade, uma mulher de vermelho aparece em diferentes momentos sendo filmada por Paulo. Isso cria um suspense ao longo da história, como se tivesse algo maior por trás dela. Mas, nas cenas finais, a explicação é que ela gosta de registrar o que vê. Por isso, o mistério criado durante o episódio acaba sendo maior do que é mostrado no final.
Por: Yasmin Salgado
Serviço:
Ponta Grossa Não Sei Se Te Amo – longa composto por cinco curtas.
Direção: Torres, Gabriel Chemim, Carol Müller, Gabriel Borges e Victor Bussolini.
Disponível no Youtube: https://youtu.be/kYNG3FbJoL8?si=MBed4RiPz-cUsBsi
Duração: 90 minutos.

Um potencial de cinema público em cartaz
Cine PG exibe filmes gratuitos e que geram debate, mas frequência deixa a desejar
O Cine PG, cinema público de Ponta Grossa inaugurado em julho de 2025, acontece no Centro de Cultura Cidade de Ponta Grossa com a proposta de uma programação diferente dos cinemas comerciais. O projeto visa a exibição gratuita de filmes fora do circuito comercial, promovendo debates e valorização de produções locais. O auditório, com capacidade para 170 pessoas, reúne elementos clássicos de um cinema de rua, como as cadeiras vermelhas e a ambientação com estrelas do cinema nas paredes, além de equipamentos modernos e climatização.

Foto: Pietra Gasparini.
Mas será que o Cine PG tem, de fato, cumprido o papel proposto? Os números mostram um cenário ainda tímido. De acordo com dados divulgados pela Secretaria Municipal de Cultura nas redes sociais, em 2025 foram realizadas 23 sessões. Em 2026, até o momento, ocorreram apenas 3 exibições. A baixa frequência levanta dúvidas sobre o real funcionamento da iniciativa. A divulgação da programação também parece ser limitada, feita principalmente pelo Instagram e pelo site da Secretaria de Cultura, canais que nem sempre alcançam toda a população.
Os filmes exibidos cumprem a proposta de gerar debate e formação. No mês da consciência negra, por exemplo, foram exibidos filmes relacionados ao tema, com debates entre professores e especialistas. Após a condenação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco, o documentário Marielle também foi exibido e debatido. Esses exemplos mostram que o Cine PG, quando está na ativa, atende ao objetivo proposto com potencial evidente, mas que o problema está na frequência irregular e na falta de divulgação.
Por: Pietra Gasparini
Serviço:
Cine Pg está localizado no Centro de Cultura, na Rua Dr. Colares, número 436, no Centro da cidade. Para reservar o auditório é necessário entrar em contato pelo telefone (42) 3220-1000 – ramal 2043.

Portas fechadas e janelas abertas
“Forró Gostoso” é o primeiro single da Chave de Mandril
A música “Forró Gostoso’’, lançada pela banda Chave de Mandril em Abril , representa uma nova etapa na trajetória do grupo ao inaugurar seu primeiro single voltado às plataformas digitais, após mais de uma década de atuação. A faixa dialoga com Espuma ao Vento, de Accioly Neto, ao propor uma inversão da narrativa romântica. Na canção do pernambucano há a permanência da espera e a possibilidade de retorno de um amor passado com a porta sempre aberta, em Forró Gostoso essa porta se fecha. A composição não abandona a ideia de afeto: a janela permanece aberta, sugerindo a disposição para novo, para um maior ainda indefinido.

Foto: divulgação
Do ponto de vista sonoro, a música se ancora na tradição do forró nordestino, mostrando a identidade musical que a banda construiu ao longo dos anos. Essa influência não é recente; desde o projeto Chave Junina, realizado nos meses de junho e julho, o grupo já explorou ritmos como o forró, o xote e o baião, consolidando uma estética às festividades e a cultura popular nordestina.
Assim, “Forró Gostoso’’ não apenas reafirma as raízes da banda, como também sinaliza um movimento de atualização e inserção no ambiente digital, ampliando seu alcance e dialogando com novas formas de consumo musical.
Por: Ticyane Almeida
Serviço:
A música está disponível no Spotify.

Luzes acesas só em outubro
Apesar do sucesso do FENATA, produções autorais locais enfrentam baixa adesão e dificuldades para manter público ao longo do ano.
O Festival Nacional de Teatro (FENATA) de 2025 reuniu mais de 12 mil pessoas em Ponta Grossa. Se o maior festival de teatro da cidade atrai público, por que os artistas locais têm tanta dificuldade de lotar uma sala? Existe uma contradição evidente na forma como o teatro é consumido na cidade.

Foto: João Guilherme Pimentel.
Durante o festival, há interesse, há público, há engajamento. Mas, ao longo do resto do ano, esse movimento praticamente desaparece, principalmente quando se trata de produções autorais locais.
A atriz e diretora Bianca Almeida aponta que obras já conhecidas, como releituras de clássicos ou adaptações, conseguem atrair público com facilidade. Espetáculos inéditos, criados do zero, enfrentam resistência mesmo exigindo pesquisa, tempo e investimento. O problema não parece ser a falta de produção, nem a falta de qualidade. Produzir um espetáculo autoral é um processo complexo e, muitas vezes, arriscado. Ainda assim, essas produções encontram menos espaço e menos público.
Quem prestigia o FENATA demonstra interesse por obras inéditas, mas esse interesse diminui quando essas mesmas propostas vêm de artistas da própria cidade. O que vem de fora parece carregar mais legitimidade.
Essa lógica tem consequências diretas. O custo para locar um teatro é alto, podendo chegar a valores inviáveis diante de plateias pequenas. Sem público, não há retorno. E sem retorno, a continuidade do trabalho artístico fica comprometida. Diante disso, muitos artistas acabam sendo empurrados para um modelo seguro, baseado em obras já conhecidas. Não necessariamente por escolha, mas por necessidade.
O resultado é uma cena cultural que corre o risco de se tornar repetitiva. No fim, a pergunta que fica é simples. O problema está na produção local ou na forma como o público escolhe o que valorizar?
Por: Natalia Almeida
Serviço:
Das 149 apresentações do último FENATA, 141 foram gratuitas. Os ingressos das demais variaram entre R$15,00 e R$80,00.

Cadê o teatro negro que estava aqui?
Um dos maiores festivais de espetaculos do Brasil, não possuiu ao menos um roteiro com protagonismo negro
Quantas peças de teatro protagonizada por atores e atrizes negros, ou com a temática afrocentrada você já assistiu? Na última edição do Festival Nacional de Teatro (FENATA), realizado em Ponta Grossa, nenhuma peça tinha como enredo o protagonismo negro.

Foto: Emanuelle Pasqualotto
Apenas uma das 34 apresentações, nos 7 dias de festival, foi livremente inspirada nas poesias de Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil. A peça “À flor da pele” não teve como principal objetivo destacar a vida da autora ou a vivência de negros no país.
Além de não possuir apresentações dedicadas à população negra, poucos atores negros são encontrados nos locais de apresentação em Ponta Grossa. No Rio de Janeiro, Abdias Nascimento, ativista negro brasileiro, idealizou em 1944, o Teatro Experimental Negro (TEN) com o intuíto de valorizar social e culturalmente a população negra do Brasil através da arte. O TEN surgiu para contrapor a visão racista que existia em torno do teatro.
Historicamente a população negra sofreu diversos apagamentos culturais e de existência devido aos processos de colonização. Em 1944 já existiam ações de afirmação e pertencimento para negros e negras artistas, momento político e social completamente diferente do atual. Em 2025, um dos maiores eventos de teatro nacional, não possui ao menos uma apresentação que valorize a cultura afro-brasileira.
Por: Karine Santos
Serviço:
A 54º edição do Festival Nacional de Teatro acontece entre os dia 13 e 18 de novembro de 2026.

Entre a terra e a memória, a urgência de entender Sebastião Salgado
A exposição Terra, de Sebastião Salgado, lançada na programação do VII do Descomemorar Golpes, no Departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, não se limita a uma experiência estética, ela é, antes de tudo, um chamado ético.

Foto: Lucas Jolondek.
Organizada pelo projeto Lente Quente e pelo expositor Régis Clemente Costa, a mostra reúne 24 dos 45 quadros que compõem a série inspirada no livro Terra (1997), obra fundamental do fotojornalismo social brasileiro. Ao recortar essa seleção, a curadoria constrói uma narrativa fragmentada, mas ainda assim potente, sobre vida, luta e morte.
As imagens das famílias sem terra, dos corpos marcados pelo trabalho e da precariedade cotidiana não permitem ao espectador uma contemplação confortável. Há, em cada quadro, um incômodo persistente. O incômodo ganha força quando situado no contexto político da obra. Produzido em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o livro teve seus direitos autorais revertidos ao movimento, consolidando a posição de Salgado não apenas como observador, mas como agente engajado.
A exposição, no entanto, levanta uma questão importante: o quanto a ausência de parte significativa da série compromete a compreensão total da obra? Os 24 quadros expostos conseguem sugerir uma narrativa, mas deixam lacunas que exigem do público um repertório prévio ou uma mediação mais aprofundada. A mostra se apoia no contexto explicativo, seja pelo evento em que está inserida, seja pela figura do expositor.
Ao integrar a programação do Ciclo, a exposição ganha uma camada adicional de significado. Ela dialoga com a ideia de memória crítica, de resistência e de revisão histórica, temas centrais tanto para o evento quanto para a obra de Salgado. O cruzamento deixa de ser apenas uma homenagem e se torna um dispositivo político.
Por: Nathalia Stupp
Serviço:
Realização: Lente Quente.
Organização: VII Ciclo Descomemorar Golpes.
Informações: Redes sociais e site do projeto Combate a Desinformação.
Período: 6 a 13 de abril.
Local: Departamento de Jornalismo da UEPG.

Após meu café, eu acho que eu vi um gatinho
Já imaginou acariciar um gato após o café?
A ideia do restaurante com gatos surgiu no Japão, com a proposta de trazer um ambiente que garanta sociabilidade e bem-estar animal. O local busca facilitar a adoção dos gatos, que pode ser realizada após uma interação com o animal e análise do tutor.

Foto: Roberto Indzejczak.
O trabalho de adoção é realizado com a ajuda do Grupo de Auxílio aos Resgatinhos de Ponta Grossa (GAR). Vale ressaltar que o GAR não realiza trabalhos de resgate de animais, por conta da infraestrutura, questões financeiras e até mesmo sanitárias, portanto a proposta do Cat a Coffee é o segundo lar para os resgatinhos.
Em Ponta Grossa a cafeteria foi inaugurada em novembro de 2025. O segundo andar do local é para os clientes com um único acesso por escadas. O cardápio é variado e apresenta comidas doces e salgadas, além de bebidas quentes ou geladas, todas com nomes que remetem a personagens que são gatos em desenhos e filmes.
O café espresso Goose dose simples custa seis reais, um preço médio do centro da cidade, porém servido em uma xícara pequena. O Pão de Queijo Gato Amarelo, também com o custo de seis reais, é borrachudo e sem crocância, com sabor industrializado. O pudim Yuumi, de R$25, que atrai a atenção dos clientes por ter formato de gato, é gostoso apenas para os olhos. O pudim por si só é sem sabor, a experiência é mais agradável com a geleia, de morango ou uva, que acompanha o pedido.
Para atrair mais clientes e tornar a proposta de adoção mais chamativa, não basta apenas um ambiente bonito, mas também qualidade em seus produtos que, querendo ou não, são os destaques de um café com ou sem gatos.
Por: Roberto Indzejczak
Serviço:
O Cat a Coffee está localizado na Rua Visconde de Nacar, 490, A cafeteria abre de Segunda a Sexta-feira das 10h às 19h, nos sábados abre às 14h.

O preço do desejo e o fenômeno Farm Rio no Paraná
O consumismo como aliado de vendas e impulsionado por tendências
O consumo de vestuário cresceu 42% em 25 anos no Brasil. O dado é de um estudo realizado pelo Inteligência de mercado (IEMI). A tendência do momento reflete nas plataformas digitais: brasilidade e vestidos estampados. As Farm Girls, ou garotas da Farm, como são chamadas, atendem aos requisitos. A Farm Rio é uma marca com mais de 100 lojas espalhadas pelo Brasil.

Arte: Emanuelle Pasqualotto.
No Paraná existem quatro lojas físicas da marca, duas em Curitiba, uma em Londrina e uma em Maringá. A tendência carrega, além da venda das peças de roupa, a venda do desejo. A marca se estabilizou como uma necessidade no guarda-roupa feminino. O consumo passa a ser tão guiado pelo desejo que se torna viável desembolsar, em média, R$ 700,00 em uma única peça de roupa.
As roupas da marca ultrapassam facilmente os R$ 1.000,00. Atualmente, os itens mais caros do site são uma bolsa e um vestido, ambos por R$ 2.298,00. A necessidade causada pelo apelo do ‘guarda-roupa Farm’ tenta normalizar o gasto de mais de um salário mínimo em uma única peça. Este preço não é apenas pelo que se veste, mas sim, pela idealização criada em torno da Farm.
Em Ponta Grossa, as peças da marca podem ser encontradas em dois locais. Na boutique OU.Z Concept, é possível ter acesso à algumas roupas, já que Farm Rio é uma das marcas que eles trabalham. No brechó Dig For Fashion também é recorrente o encontro das peças, com um preço médio de R$ 100,00. Réplicas por um preço mais acessível podem ser encontradas em sites como Shein.
Por: Emanuelle Pasqualotto.
Serviço:
A OU.Z Concept está localizada na Rua Dr. Leopoldo Guimarães da Cunha, 234- sala 212 e a Dig For Fashion fica na Rua Balduíno Taques, 203.
Ficha técnica
Autores: Emanuelle Pasqualotto, Karine Santos, Natalia Almeida, Nathalia Stupp, Ticyane Almeida, Pietra Gasparini, Roberto Indzejczak e Yasmin Salgado
Supervisão de produção: Sérgio Gadini
Edição e publicação: Natalia Almeida
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado
Contato: periodico@uepg.br
