Hexacampeã do JOIA PG e bicampeã do Campeonato Nacional da União Brasileira de Cheerleaders, Asas Negras completa 12 anos de criação
Arquivo pessoal: Asas Negras
O cheerleading é um esporte de alta performance que combina acrobacias, flexibilidade, força e sincronização. A modalidade vai além dos pompons e da imagem popular de líderes de torcidas normalmente vistos em séries e filmes. Trata-se de um esporte com regras próprias, categorias por nível técnico e competições regionais, nacionais e internacionais. Em Ponta Grossa, aquilo que começou como um sonho distante, 12 anos depois virou movimento e virou identidade.
As equipes trabalham com cinco elementos: stunts (elevações), tumbling (acrobacias de solo), jumps (saltos), pirâmide (stunts coletivos elevados e conectados) e dance (dança) que exigem precisão e treino constante. Segundo a Confederação Brasileira de Cheerleading e Dança (CBCD), o cheerleading cresce no Brasil em número de atletas todos os anos. Em uma cidade onde o esporte não era valorizado, o cheerleading tornou-se parte da cultura universitária.
Dentro do esporte, existem dois tipos mais comuns de equipes: all star e universitário. As equipes all star são independentes, sem vínculo com instituições de ensino e costumam ter treinos voltados para o desempenho competitivo com foco em campeonatos de grande porte. Já o cheerleading universitário reúne atletas que representam suas respectivas atléticas universitárias, em que o esporte funciona também como parte da vida acadêmica e da identidade estudantil. Enquanto os times all star podem reunir atletas de idades diversas e níveis específicos, as equipes universitárias seguem regulamentos da Liga de Cheerleading de Ponta Grossa e costumam equilibrar performance esportiva com atividades de integração e representação institucional. Ambos os formatos compartilham a mesma base técnica, mas possuem culturas, rotinas e objetivos distintos dentro do chamado “cheer”.
De acordo com os dados da Liga de Cheerleading de Ponta Grossa (LCPG) apresentados à Secretaria de Esportes em 2024, Ponta Grossa fica atrás apenas de Curitiba, no estado, em quantidade de times universitários. O cheerleading na cidade iniciou em 2014. Atualmente com 13 equipes, o cheerleading universitário segue em crescimento constante. A equipe Asas Negras, que representa os cursos de engenharias da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), foi uma das pioneiras do esporte na cidade. Criado por Bárbara Silva, conhecida como Babi, o Asas Negras foi fundado em 26 de agosto de 2014, junto com mais seis atletas. O time era apenas um sonho que se tornou um dos maiores times universitários de Ponta Grossa.
Apesar das dificuldades enfrentadas pela equipe, como a limitação do número de atletas, o Asas Negras já chegou a treinar com apenas cinco integrantes em 2014. Em abril de 2026, o time contava com 11 atletas, número considerado pequeno para um time de cheerleading. Com conquistas como a primeira colocação na competição de cheerleading dos Jogos Inter Atléticas de Ponta Grossa (JOIA PG) em 2015, a equipe se consolidou com uma sequência de vitórias conforme os anos: o time universitário é hexacampeão do JOIA PG (2015, 2016, 2017, 2019, 2022 e 2025), campeões do Engenharíadas Paranaense (2022), bicampeão paranaense (2022 e 2023) e do Campeonato Nacional da União Brasileira de Cheerleaders (UBC) (2016 e 2019). Em 2019, no campeonato da UBC, o time conquistou a maior pontuação entre as equipes universitárias e conquistou o Grand Champion da categoria universitária, o título mais alto que um time pode conquistar dentro de um campeonato.

Apresentação resultante na primeira medalha de ouro do time no JOIA PG 2015
Arquivo pessoal: Asas Negras
Julio Cesar Braga Martins, atleta desde 2017 e atual coach da equipe, destaca que o “’cheer’’ é um esporte muito novo no Brasil e apresentá-lo na universidade não é uma tarefa fácil. O cheerleading, apesar de receber apoio de algumas instituições, como a Secretaria de Esportes da cidade, e da própria universidade, ainda enfrenta problemas estruturais. Para a equipe Asas Negras, a UTFPR disponibiliza locais para treinos, como os ginásios da instituição. Julio menciona que esse apoio é fruto de uma constante insistência e busca de valorização do time. O atleta comenta que o cheerleading enfrenta invalidações por pessoas que acreditam que é apenas entretenimento e não uma modalidade esportiva de alto rendimento. Ele destaca que o esporte deveria ter mais visibilidade e presença em eventos e comemorações na cidade.
Apesar das dificuldades, Julio ressalta a união do grupo. “É sobre se sentir pertencente, encontrar o seu lugar em meio ao caos e saber que as pessoas que estão ali vão fazer o possível e impossível por você. É literalmente minha segunda família’’.
Coreografias
O head coach é o técnico responsável pela criação da coreografia apresentada nas competições. No time do Asas Negras, o responsável por essa função é Dilan Kayne. Atleta de cheerleading há mais de 10 anos, contratado pelo conjunto.
O Asas Negras coloca em prática, nas suas rotinas, tatames comprados com dinheiro arrecadado pelo próprio time através de rifas, vendas de produtos e realização de eventos viabilizam o treino da equipe.
O time treina durante os fins de semana no Rebellion Arena, ginásio esportivo de alto nível localizado no bairro Ronda, em Ponta Grossa, e durante a semana, no horário de almoço, no ginásio da UTFPR.
A coreografia, ou “rotina”, gíria utilizada pelos atletas da modalidade, dura em média dois minutos, e possui quadros específicos: stunts, duplas, saltos, pirâmides e dança. Em cada quadro, os atletas buscam demonstrar por meio dos movimentos (skills), níveis de dificuldade para alcançar a melhora na somatória de pontos para o resultado final.
Gabriel Olszewski iniciou a sua trajetória no cheerleading universitário no Asas Negras e, para ele, a palavra que melhor define a equipe é ‘’família’’. O atleta diz que encontrou no esporte o suporte para superar dificuldades pessoais. Entretanto, o time demanda tempo e, muitas vezes, cobranças fazem com que pense em desistir. Mesmo com as dificuldades, Gabriel destaca a resiliência. “O stunt pode cair uma, duas, três, ou diversas vezes, mas você não pode desistir, porque uma hora vai dar certo’’.
Gabriel relata que o Asas Negras foi essencial para conhecer novas pessoas e ajudou na melhora de sua timidez e autoconfiança. “Isso é uma carta aberta ao Asas Negras, meu primeiro time competitivo, em que conquistei minha primeira medalha. Posso dizer que é o esporte em que eu me encaixei”.
Esta reportagem integra uma coletânea de livro-reportagem investigativo. Este capítulo trata da equipe Asas Negras. Acompanhe no Periódico as próximas publicações.
Ficha técnica
Produção: Lucas Jolondek
Supervisão de produção: Hendryo Anderson André
Edição e publicação: Maria Vitória da Cunha Machado, Giulia Neves, Dimitri de Souza e Amanda Rafaella
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado
