A busca por uma vida melhor

 Oportunidades econômicas levam brasileiros a migrar a regiões como Sul e Centro-Oeste

Foto: Arisson Marinho/Correio

Um sonho e um objetivo: mudar de vida e conseguir alcançar a tão desejada estabilidade financeira. Porém, algo impede esse percurso e é a razão para as pessoas decidirem sair do meio rural e irem para o urbano.

A migração é um fenômeno que persiste no Brasil. O movimento de migração ocupou a maior parte da história brasileira dos anos 1930 a 1960, com estimativa de 1 milhão a 1,5 milhão de pessoas saindo da região Nordeste com destino ao Centro-Oeste do país, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por conta de condições climáticas desfavoráveis.

Essa busca é representada no livro Vidas secas, de Graciliano Ramos, que aborda o tema em seu clássico. A história apresenta uma família humilde do Nordeste, que vive na pele a exploração social, em busca de viver de maneira digna ao migrarem para São Paulo. Porém, o caminho para o sonho é conturbado e repleto de desafios que mudam a perspectiva das personagens, que desistiram da esperança de uma nova vida e abraçam a morte.

No Paraná, a migração inter-regional se destaca, com mais de 300 mil habitantes da população vindos de outros estados e países, como aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conforme dados do censo demográfico de 2022. Grande parte dos migrantes vem do Centro-Oeste e do extremo sul do Brasil. O deslocamento se deve principalmente às transformações econômicas relacionadas à agricultura, que são impulsionados no país desde 1950. De outra perspectiva, o movimento migratório reverso, do Sul para o Centro-Oeste, ocorre por conta da expansão agrícola e pelo baixo custo de terras na região.

As mudanças relacionadas à migração se iniciaram na segunda metade do século XXI. Até a década 1980 se via o fluxo de pessoas do interior para o meio urbano. Em pesquisa sobre migração interna, o pesquisador Fausto Brito, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), argumenta que a migração não pode ser entendida como uma decisão individual. “Não é um indivíduo isolado que migra, mas são milhares de pessoas, conjuntos sociais com seus valores e normas que se transferem do espaço rural para o urbano”.Nos anos 1970, propagandas políticas que visavam fortalecer a produção de café na região sul fez com que o número de trabalhadores na região aumentasse drasticamente. Em dissertação de mestrado em Demografia defendida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em 2019, o pesquisador João Gomes aponta que o trabalho está entre os principais fatores que impulsionam os fluxos migratórios no Brasil. “Os deslocamentos populacionais são entendidos, em parte, como a oferta de força de trabalho que atende à demanda do capital, sendo que essa força de trabalho, se distribui de maneira diferenciada nos diversos territórios do país, notadamente devido às desigualdades regionais”.

Esta reportagem integra uma coletânea de livro-reportagem investigativo. Este capítulo trata das transformações econômicas e sociais que influenciam o deslocamento de brasileiros entre diferentes regiões do país. Acompanhe no Periódico as próximas publicações.

Ficha técnica

Produção: Roberto Indzejczak

Supervisão de produção: Janaíne Kronbauer

Edição e publicação: Larissa Didres, Matheus Leônidas, Yasmin Salgado, Marina Ranzani e Pedro Moro

Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado

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