Crítica de Ponta #172

Crítica de Ponta

Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Retratos do trabalho de cuidado da colonização até a modernidade

Documentário discute a vida de milhares de mulheres brasileiras 

 

O documentário “Babás” da diretora Consuelo Lins aborda a realidade do trabalho de cuidado no Brasil, desde a época da colonização até o século XXI. Produzida em 2010, a obra reflete sobre a relação da babá com a criança, a jornada de trabalho e a invisibilidade desse esforço. O longa debate os limites entre exploração e afeto, mas sem vilanizar as mães que necessitam desse apoio.

Mulheres dedicam quase 10 horas semanais a mais ao trabalho de cuidado não remunerado que os homens, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD IBGE, 2023). O trabalho de cuidado sempre foi um pilar da sociedade ao longo da história do país, desde as amas de leite escravizadas na colonização até hoje em dia, quando as babás deixam de cuidar dos próprios filhos para cuidar de outras crianças. Fiel à realidade, o documentário problematiza questões trabalhistas, de gênero e de raça. As crianças não lembram e os pais podem não registrar, mas o trabalho das babás está presente no desenvolvimento de milhões de crianças por todo o Brasil.

Crédito: Divulgação

Apesar da realidade dura, é preciso reconhecer que o problema está no modelo de maternidade que a sociedade impõe. Em meio a rotina capitalista de divisão do trabalho doméstico e trabalho produtivo, as mães se veem obrigadas a deixar seus filhos em creches ou com cuidadores. A criança não deve ser responsabilidade apenas da mãe e das mulheres à sua volta, mas sim de políticas públicas de apoio do Estado.

Por: Amanda Los

Crescer, lembrar e retribuir o cuidado familiar

Cantora transforma memórias familiares em canção sobre afeto

 

Giana Althaus, traz uma abordagem sensível sobre a relação entre pais e filhos a partir das experiências do cotidiano. A letra fala as lembranças de hábitos comuns, como encontrar uma cartinha em casa sempre quando chega, ouvir conselhos ou rezar antes de refeições. O que reforça a ideia de que o amor familiar está presente em ações simples e repetidas. Logo no início, quando ela imagina como seria viver sem os pais, aparece um sentimento de vazio, como ela cita na música “Pôr do sol perdendo a cor”, que mostra o quanto essas relações têm um espaço importante em sua vida.

Crédito: Giana Althaus

Ao longo da música, a cantora utiliza vivências afetivas e metáforas para representar essa conexão, como no verso “Quando eu te olho, eu olho um espelho me olhando”, que deixa no imaginário a identificação entre gerações. O refrão  “carinho de Deus” expressa esse amor familiar de algo sagrado e protetor. O final da música apresenta uma mudança: Giana deixa de ocupar apenas o lugar de quem recebeu cuidado e passa a se colocar disponível para retribuí-lo, “Se um dia precisar de amor em dobro, eu me desdobro Pode me chamar de colo”. Dessa forma, a canção mostra como os laços familiares permanecem presentes mesmo com a mudança da rotina.

Por: Marina Ranzani

Memória feminina transformada em arte

Exposição de Michelle Fiorucci usa xilogravura para contar histórias de mulheres da família

 

Você já parou para pensar na história das mulheres da sua família? A exposição Vou falar sobre elas, da artista Michelle Fiorucci, transforma memórias em arte através de 14 xilogravuras inspiradas em avós e mulheres da família da autora. As obras foram produzidas durante a pandemia de Covid-19, como uma forma de aproximação afetiva em meio ao isolamento.A mostra emociona justamente pela simplicidade.

Crédito: Michele Fiorucci

Mais do que retratar rostos, Michelle resgata histórias, afetos e lembranças que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano. A exposição também faz o público refletir sobre suas próprias origens e sobre as mulheres que ajudaram a construir quem somos hoje.A exposição segue até 1º de junho, com entrada gratuita, no Anexo do Cine Teatro PAX, em Ponta Grossa. É uma experiência sensível, íntima e necessária que vale a pena conferir! 

Por: Ingrid Muller

Fotojornalismo pontagrossense não acompanha novas lógicas e dinâmicas da profissão

A busca pelos cliques e a transição para as redes sociais colaboram para a precarização da práticas nos portais de Ponta Grossa

 

A imagem tem função essencial na compreensão de notícias e informações. Ela complementa o texto, exemplifica o acontecimento e é capaz de impactar o leitor. A noção de fotojornalismo surgiu na Alemanha no início do século XX. Com a popularização das redes sociais, é possível acompanhar com frequência o trabalho de fotojornalistas contemporâneos. Fotorreportagens e galerias fotojornalísticas vêm ganhando espaço nas redes e até mesmo por meio de concursos de fotografia e prêmios de literatura. Isso se tornou uma forma de sobrevivência da área nos dias de hoje. Afinal, uma imagem também é um meio de comunicação, que informa visualmente o leitor e explora a subjetividade do fotógrafo.

Crédito: João Pimentel

Porém, na realidade pontagrossense, essa prática cultural e social da profissão nem sempre é valorizada. Não é raro ver fotografias creditadas como “divulgação”, “reprodução”, ou até mesmo sem créditos.  É claro que a rotina da redação exige esse tipo de estratégia, afinal as empresas estão cada vez mais escassas de profissionais e assumindo outras dinâmicas. Isso vêm pela lógica de publicação nas redes sociais, que, por vezes, colabora na precarização da prática e prioriza os “cliques”.

O trabalho do repórter fotográfico ou jornalista visual, é indispensável no processo de produção noticiosa. O cotidiano dos portais e redações de Ponta Grossa não conseguem de forma efetiva valorizar e qualificar o trabalho do fotojornalista dentro da rotina das redações. Esses repórteres existem na cidade, porém, se veem obrigados a ocupar funções como assessoria de imprensa, fotografia independente ou freelancer

Por: João Pimentel

 Natureza privatizada: cachoeiras cobram entrada para acesso 

Leis declaram que o uso da água é de domínio público

 

Ponta Grossa possui diversas cachoeiras dentro ou ao redor do município, como por exemplo o Rio São Jorge, Buraco do Padre, Cachoeira Mariquinha e outras nove opções. Apesar das diversas paisagens naturais, o custo para acessá-las não condiz com a realidade de muitos ponta-grossenses. Os valores variam de R$ 15,00 a R$800,00 entre os espaços. Em uma matemática simples, uma visita completa com direito a foto ao Buraco do Padre, uma das cachoeiras mais requisitadas, pode custar até 36,67% do salário mínimo paranaense, que é R$2.236,22.

Crédito: João Pimentel

A lei 9.433/97 declara que a água é de domínio público e que a apropriação pública ou privada de cachoeiras deve ser justificada ou explicada. Entretanto existe uma brecha para tal lei e é ,a partir disso, que residentes perdem a oportunidade de usufruírem de espaços naturais que deveriam ser públicos. As leis brasileiras garantem a proteção da propriedade privada, mas se o terreno é privado, aparentemente, a cachoeira torna-se privada. O que fazer quando a própria legislação se contradiz? Difícil ter a resposta. Enquanto não sabemos, residentes e visitantes de Ponta Grossa desembolsam – em alguns locais – muito dinheiro para nadar em águas públicas. 

Por: Karine Santos

 

Entre sabor, tradição e fonte de renda a importância do pinhão no Paraná

Pinhão vai além de um prato típico da Região Sul

No inverno paranaense, poucos alimentos carregam tanto significado cultural quanto o pinhão. Mais do que um ingrediente versátil presente em receitas de bolos, farofas e sopas, a semente também marca presença nas festas juninas e nas tradicionais rodas de chimarrão nos dias frios. Ao longo dos anos, o pinhão se consolidou como símbolo da identidade regional do Paraná.

Crédito: Yasmin Taques

Além da importância cultural e gastronômica, o pinhão também representa uma fonte de renda para muitas famílias paranaenses. Durante o período da safra, pequenos produtores rurais, coletores e vendedores aproveitam a alta procura como um complemento à renda por meio da venda em feiras, mercados e às margens das rodovias. Mesmo sendo um símbolo do estado e patrimônio natural, muitos trabalhadores que vivem da coleta do pinhão ainda enfrentam dificuldades, como falta de incentivo e valorização. Ainda assim, o pinhão continua sendo um exemplo importante de alimento sustentável, já que sua coleta ajuda na preservação das araucárias e mantém viva uma das tradições mais fortes do Paraná.

Por: Larissa Didres

A beleza através do alternativo

Mais do que uma estética dark, um movimento em busca do diferente

 

Ao final dos anos 70, o estilo gótico surgiu com uma nova proposta estética dark. O que no início era apenas um movimento musical logo também se transformou em uma cultura ligada à moda. Esse gênero alternativo utiliza vestimentas escuras, maquiagem e símbolos com diferentes interpretações, criando uma imagem de mistério e individualidade. Onde muitos seguem essa atitude por acharem muito bonito e divertido.

Crédito: Leonardo Alexandre

Por conta dessa estética, surgiu o estereótipo de que todas as pessoas desse grupo são perigosas ou ruins apenas pela forma como se vestem, o que acaba gerando isolamento e preconceito por parte da sociedade. O estilo gótico vai além das roupas, ela representa tanto uma expressão cultural quanto a identidade pessoal de cada indivíduo. A qual não deve ser julgada se baseando apenas em aparência.

Por: Leonardo Alexandre

A era da atenção fragmentada

O uso exagerado das redes sociais tem diminuído a capacidade de concentração das novas gerações. Plataformas como Tik Tok, Instagram e YouTube incentivam o consumo rápido de vídeos curtos, fazendo com que as pessoas se acostumem com estímulos constantes. Uma pesquisa da Clutch mostrou que 88% das pessoas acreditam que um vídeo precisa chamar atenção em até 30 segundos. Esse hábito já afeta até momentos de lazer. Muitas pessoas não conseguem assistir a um filme inteiro sem mexer no celular ou olhar notificações. Um levantamento da GWI aponta que 8 em cada 10 pessoas usam o celular enquanto assistem TV ou filmes, dividindo a atenção entre duas telas.

Crédito: Lorena Santana

Além disso, os algoritmos das redes são feitos para manter o usuário conectado pelo maior tempo possível. Quanto mais tempo a pessoa passa rolando o feed, maior é o lucro das plataformas. Assim, o hiperestímulo das mídias digitais influencia o comportamento, reduz a concentração e muda a forma como as novas gerações consomem entretenimento e se relacionam.

Por: Lorena Santana

Ficha técnica

Autores: Ingrid Müller, João Pimentel, Larissa Didres, Leonardo Alexandre, Lorena Santana, Marina Ranzani, Karine Santos e Amanda Los.

Supervisão de produção: Paula Melani Rocha

Edição e publicação: Karine Santos e Marina Ranzani

Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral

Contato: periodico@uepg.br

 

Skip to content