Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Marcas de um ‘novo dia’ com pressões de trabalho cotidiano
Novo filme de Homem Aranha retrata casos de estresse e burnout por exageros no serviço
Qual o tema que pauta uma das mais recentes produções do cinema mundial, que também entrou nas telas de PG? Homem Aranha: um novo dia está em cartaz nos cinemas de todo o mundo desde o final de julho. Na trama, Peter Parker enfrenta uma rotina exaustiva, onde vive o tempo todo apenas como super-herói, sem dar atenção à vida pessoal. Ao longo do filme, o personagem enfrenta a solidão extrema, ataques de ansiedade e picos de estresse, que resultam em acidentes, até Peter ser temporariamente afastado das ruas como homem-aranha.
Dados do Ministério da Previdência mostram que o Paraná teve mais de 12 mil afastamentos de trabalho por depressão e ansiedade em 2025. O estado é o sexto no País com mais casos de afastamentos por saúde mental, e o dado revela que o Brasil vive uma crise de saúde mental com impacto direto na vida de trabalhadores e de empresas.

Créditos: Divulgação
A Síndrome de Burnout é um distúrbio emocional de esgotamento físico e mental causado por estresse crônico no ambiente de trabalho. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, ela se manifesta por exaustão extrema, falta de motivação e queda drástica de rendimento profissional. A síndrome foi reconhecida recentemente, o que dificultou que trabalhadores fossem diagnosticados.
O filme Homem-Aranha: Um Novo Dia arrecadou um total global de US$ 1,67 bilhão até a primeira semana de agosto, tornando-se uma das produções mais rápidas a alcançar essa marca, e conquistando a maior bilheteira do mundo em 2026.
Serviço: O filme está em exibição em cinemas de Ponta Grossa, legendado e dublado, nos shoppings da cidade, com 2h25min, dirigido Destin Daniel Kretton
Eduarda Leal

Arte em locais com estrutura inadequada
Em 2025, a galeria municipal passou por reformas internas, porém que não refletem a disposição
Goteiras e falta de identificação. O Acervo Municipal de Artes de Ponta Grossa, com mais de 650 obras de arte, possui um problema estrutural: a infiltração. O espaço localizado no porão do Centro de Cultura, possui logo na entrada a exposição temporária, atualmente “Calderari: amar, além do mar”, do artista Fernando Calderari, que segue aberta para visitação até novembro deste ano.
Ao adentrar é possível identificar uma variedade de trabalhos, porém a maioria sofre do mesmo impasse, a falta de identificação dos autores. Com uma ampla gama de estilos artísticos, a dificuldade em saber quem criou determinada obra é evidente, pois não há assinatura exposta, as quais muitas vezes estão no verso.

Créditos: Emanueli Garcia
O que surpreende é a quantidade de goteiras. É possível encontrar baldes espalhados pelo espaço, contendo a água que respinga das paredes e do teto. Um funcionário do local aponta falhas na estrutura da construção, que registra a infiltração. Ele alega que o ambiente não é adequado para o acervo. De acordo com pesquisas a respeito dos espaços públicos de PG, a indicação até 2012 era a construção de uma pinacoteca municipal, ao lado do Centro de Música e da Biblioteca Pública. No entanto, a pinacoteca nunca saiu do projeto.
De acordo com apuração do Crítica de Ponta, a expectativa é de implantar identificação a partir de leitores de QR code nas obras. Porém, para o problema da infiltração, a Prefeitura Municipal não possui nenhum projeto para que seja resolvido.
No atual acervo, as obras, distribuídas em cinco salas amplas, foram adquiridas ao longo do tempo a partir de concursos, editais, prêmio aquisições e, principalmente, por doações. Com entrada gratuita, a visitação pode ser feita com ou sem agendamento prévio.
Serviço: Rua Augusto Ribas 722 – Centro, Ponta Grossa PR.
Horário de funcionamento: de segunda a sexta das 9h às 21h; sábados das 9h às 18h.
Emanueli Garcia

Entre o choque e o boletim de ocorrência
Cobertura regional do caso do cão morto em frente à UPA de Castro oscilou entre a exposição sem filtro e o relato da versão policial
Um cachorro comunitário foi morto a tiro em frente à UPA de Castro (PR). O disparo foi feito por um policial de folga que tinha ido buscar a filha, estagiária no local. Segundo relatos, o policial foi cercado por três cães de grande porte na entrada principal e tentou afastá-los com meios não letais antes de atirar. O animal era cuidado pela comunidade local com os outros dois. Ele era castrado, tinha as vacinas em dia e não demonstrava sinais de raiva, segundo moradores. Cerca de uma semana depois do ocorrido, a Polícia Civil concluiu o inquérito sem indiciar o policial, alegando “estado de necessidade”
A morte do animal expos os dois lados opostos de uma cobertura regional. De um lado, o jornal PáginaUm, de Castro, publicou nas redes sociais, sem qualquer censura, o vídeo do animal ferido e uma foto do mesmo morto. Uma escolha que parece alimentar cada vez mais o engajamento, gerando “cliques” apenas por curiosidade,o que não informa com a devida responsabilidade. A imagem chocante sobressai a apuração, o que fica na memória do leitor é o choque.

Crédito: Página 1 e ARede
Do outro lado, o jornal ARede, de Ponta Grossa, também comete equívocos ao informar a população sobre o acontecimento, eles apenas transcrevem a nota da Polícia Civil, citando artigos do Código Penal para justificar o “estado de necessidade” do policial ao atirar no cão. Não houve busca por moradores, por especialistas em bem-estar animal, nem qualquer tentativa de questionar a versão oficial. O boletim de ocorrência virou notícia por repetição, não por apuração.
Nos dois casos, falta o que deveria ser o papel do jornalismo diante de um episódio que envolve violência e uma autoridade do Estado: mediar, apurar e questionar.
Serviço: Confira o material do jornal ARede e PáginaUm
Sarah Brasil

De moeda em moeda, bebidas boas e baratas de PG
Container Bar oferece opções por menos de R$15,00
Um bar pensado para caber no bolso do universitário: ‘litrões’ baratos, combos especiais e promoções para estudantes. O Container, estabelecimento próximo ao Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), se popularizou por comercializar opções de bebidas agradáveis e com preços acessíveis aos estudantes.
Além das cervejas de 1L, vendidas a partir de R$11,00 para universitários, os drinks e caipirinhas são o destaque do local. Um copo do chamado kit universitário, que mescla vodka e energético, custa R$10,00. A bebida faz sucesso pela vasta gama de sabores, como maçã verde, melancia, pêssego, entre outros.

Créditos: Nathália Stüpp
Outro queridinho do público é o kit gin que, assim como o drink anterior, também é composto por álcool e energético. Neste caso, cada copo é vendido por R$12,00. As opções de caipirinhas não ficam para trás, o cardápio acompanha desde a acidez do limão até a doçura do vinho.
Para quem quer aproveitar e pagar menos, frequentar o espaço em dias de programação especial é uma boa escolha. Na ‘quintaneja’, por exemplo, dois kit gin podem custar R$16,00. As promoções variam conforme o dia e sempre são divulgadas no perfil do Instagram do Container.
Não espere nada de ‘refinado’ do local, pois a proposta é atender a um público específico da cidade. Se for ao local, esteja preparado para esperar na fila, sobretudo, nas quintas-feiras. O Container Bar é uma das oito franquias de uma rede sediada no Rio Grande do Sul.
Serviço: O Container Bar está localizado na Av. Bonifácio Vilela, 617 – Centro, Ponta Grossa – PR.
Giulia Neves

Existe moda vestuário inclusiva em PG?
26% mulheres brasileiras enfrentam algum nível de obesidade
A moda no vestuário deveria atender à diversidade de corpos, mas a realidade encontrada em muitas lojas de Ponta Grossa ainda está longe disso. Enquanto o mercado oferece inúmeras opções de modelos, cores e tendências para tamanhos considerados convencionais, o público feminino plus size frequentemente encontra uma seleção limitada, muitas vezes restrita a peças básicas e com poucas alternativas de estilo.
Segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2024), divulgado em 2026 pelo Ministério da Saúde, cerca de 60% das mulheres brasileiras estão acima do peso e 26% enfrentam algum nível de obesidade. O que mostra que existe um público que consome e tem necessidade de numeração maior do que o disponível.
Em levantamento inédito, a reportagem do Crítica de Ponta visitou quatro lojas de roupas de Ponta Grossa: duas no calçadão e duas em shoppings da cidade. O levantamento revelou que, das quatro, uma tem área específica com roupas maiores que as opções P, M e G. Nas outras três, apenas algumas peças têm números superiores que GG. A numeração de calças encontradas foi o 56 disponível em duas das quatro. E em todas as lojas visitadas as opções são poucas, sem variedade de estilos, cores chamativas ou opções de roupas curtas como o cropped, por exemplo.
A falta de variedade não é apenas uma questão comercial, mas de representatividade: mulheres de diferentes corpos também querem acompanhar tendências, experimentar estilos e encontrar roupas que expressem personalidades. Ao limitar as consumidoras a poucas opções, o mercado reforça uma ideia de que a moda não é pensada para todos os corpos, evidenciando uma prática exclusão que ainda precisa ser enfrentada pelo setor.
Amanda Rafaella
Ficha técnica
Autores: Eduarda Leal, Emanueli Paini, Sarah Brasil, Giulia Neves e Amanda Rafaella
Supervisão de produção: Sérgio Gadini
Edição e publicação: Nathália Stüpp
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral
Contato: periodico@uepg.br
