Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Pagode, anos 90 e a retratação audiovisual
Dividido em três episódios curtos, o documentário “Anos 90: A explosão do pagode” peca pela pressa. A minissérie da Globo retrata a ascensão do gênero de forma superficial, deixando de lado o mais importante, a música e como ela furou a bolha para dominar o país.
Para entender essa febre, basta olhar para Ponta Grossa nos anos 90. A tradicional danceteria Magic, conhecida pelos estilos eurodance, techno e pop precisou abrir um salão só para o estilo. Já o bar Sol de Verão tocava pagode sem parar e a conhecida München Fest trouxe na época o grupo Só Pra Contrariar, liderado por Alexandre Pires.

Crédito: Globoplay
Hoje, o pagode virou nostalgia na cidade. Bares como o Tuc’s trazem o ritmo apenas semestralmente, e o novo Sol de Verão busca resgatar essa época com shows de artistas clássicos. O pagode dos anos 90 foi gigante, e é uma pena que o documentário não tenha conseguido resgatar essa história.
Por: Pedro Moro

Estudantes do Clube de Ciências do CAIC levam sua identidade à Bienal de Curitiba
Como a arte pode conectar pessoas de diferentes lugares e ainda revelar quem somos? Essa é a proposta da obra “Espaço entre nós”, da artista japonesa Chiharu Shiota, que convidou pessoas a enviarem autorretratos para integrar uma grande obra coletiva na 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba. Entre os participantes estão os 15 estudantes do Clube de Ciências Camaradas do Cascudo, da Escola Estadual Professora Halia T. Gruba (CAIC/UEPG), que colocaram no papel suas memórias, sentimentoreés e identidade em forma de cartas, desenhos, colagens e textos.

Crédito: Simone Prado
A participação dos estudantes dialoga diretamente com a proposta do Clube de Ciências “Cultura Local – Histórias De Vida e Construção de Podcast”, voltada à valorização das histórias de vida e da cultura local, coordenado pela professora Simone Prado. A Bienal segue até 15 de novembro no Museu Oscar Niemeyer, que possui entrada de R$ 36 a inteira e meia de R$ 18 nos dias normais, mas é gratuita às quartas-feiras e no último domingo de cada mês. A obra convida o público a refletir sobre identidade e troca de histórias entre as pessoas.
Por: Marina Ranzani

Country, a moda dos Campos Gerais
Restaurante em Carambeí oferece aulas gratuitas de line dance, dança tradicional da cultura country americana
Já pensou em viver uma experiência country a cerca de 15 minutos de Ponta Grossa? Aberto há pouco mais de um ano, o restaurante temático Buffalo Ranch, toda sexta-feira entre 19h30 e 20h30 deixa de ser somente um point de música e comida country e traz a essência da cultura americana inspirada no Velho Oeste e no estilo de vida texano, com aula de line dance. O curso foca em passos simples para iniciantes.

Crédito: Divulgação
A line dance é uma das danças mais tradicionais dos Estados Unidos, segue a cultura country, em que as pessoas dançam em grupo, separados em linhas e seguindo uma coreografia de forma sincronizada. Para participar da aula, não precisa de inscrição prévia, qualquer pessoa, de diferentes faixas etárias, pode chegar e participar da experiência. O clima é embalado por clássicos country de nomes como Alan Jackson e Luke Combs, e reforçado pela estética texana de chapéus, botas, jeans, camisa xadrez, cintos e fivelas grandes, franjas e detalhes bordados compõem a imersão no universo do Texas.
Embora dançar não envolva custo, a gratuidade é relativa, quem se interessa precisa se deslocar até o local e, por se tratar de um restaurante, acaba sendo induzido a consumir. Os preços de lanches, pratos, porções e drinks variam de R$15 a R$280, evidenciando que a experiência gratuita tem, na prática, um custo embutido.
Serviço: O restaurante está localizado na PR-151, km 314, Carambeí – PR, 84145-000. Para mais informações acesse @buffaloranchbr no Instagram.
Por: Mafe Sperafico

Jornal Literário Mural: UEPG e Ponta Grossa em diálogo com a literatura
Começou como uma revista literária, uma ação social dos estudantes de letras da UEPG. Em menos de um ano, no final de 2024 se aprimorou para um jornal
O Jornal Literário Mural é uma iniciativa social idealizada por um coletivo de estudantes do curso de Letras da UEPG. A publicação se destaca por ser um espaço gratuito para os autores e autoras divulgarem seus textos, reforçando seu caráter democrático e de acesso, pensando na questão social. O projeto surgiu em abril de 2024, como uma revista literária.

Crédito: Lucas Barbato
Em outubro de 2024, a revista se tornou um jornal, alterando o tamanho e o formato, conseguindo comportar mais espaços informativos sobre culturas na cidade de Ponta Grossa, cultura pop, música, filmes e resenha literária. Pensando em abranger mais da Universidade e da cidade.
O principal desafio enfrentado pelo jornal está relacionado à captação de recursos. Para viabilizar a impressão, o coletivo busca patrocínios, uma vez que não possui fins lucrativos. Dessa forma, o projeto prioriza o impacto social e cultural. A mudança ocorreu de forma coletiva, tudo o que é pensado para o jornal literário, é em conjunto para atender os jovens autores da cidade.
Por: Lucas Barbato

Quando sai da periferia vira tendência
A moda também se torna opressão a classes baixas no contexto brasileiro
A forma de se vestir funciona para muitos como uma forma de expressão pessoal e cultural. A moda da periferia, sobretudo, pode ser utilizada como uma forma de resistência ou revolta. No Paraná, o estilo de dança urbana “sarro” vem acompanhado de roupas características de quem costuma se expressar através da dança.
Essas roupas são de marcas consideradas de luxo, que cobram por uma camisa simples em torno de R$ 400,00 ou um acessório simples como uma carteira em torno de R$ 330,00. Porém quando utilizadas por pessoas que moram em regiões periféricas, elas se tornam alvo de estigmatizações e preconceitos.

Crédito: Reprodução
Mas, por outro lado, quando utilizadas por aqueles que são classe média alta, a moda se torna tendência, principalmente na internet. O “brazilian core”, um estilo de vida brasileiro romantizado viralizado nas redes sociais, se apega na ideia de valorizar a moda e a estética de periferias, entretanto com uma visão estereotipada.
Além do estilo sarro, o funk também utiliza a moda como forma de expressão cultural e da mesma forma que o sarro, ele também sofre com o preconceito. Nas favelas e bairros periféricos é feio, mas quando a classe média se apropria é moda.
Por: Karine Santos

Cafeteria Mudra Lab serve cinco sabores de focaccia de segunda a sábado
Chapeada e servida com três acompanhamentos, focaccias do Mudra difundem tradição milenar no cotidiano de Ponta Grossa
Você sabe o que é uma focaccia? A focaccia é considerada um dos pães mais antigos da história. O nome vem do latim panis focacius, que significa pão assado na lareira, já que era cozida sobre pedras ou cinzas quentes. Em Ponta Grossa, a cafeteria Mudra Lab serve focaccias individuais e para dividir nos valores de R$ 15 e R$ 30.

Crédito: Divulgação
Localizado na Paula Xavier, n° 937, no Centro, o estabelecimento oferece cinco sabores de pão, o que agrada desde os que buscam um almoço rápido até aqueles que querem um lanche da tarde agridoce. O principal destaque é para o sabor de mussarela de búfala, pesto e tomate cereja. Esses ingredientes misturados com a massa do pão criam uma harmonia agradável e marcante no paladar.
Vale ressaltar também que as focaccias são chapeadas antes de chegarem à mesa, o que cria uma crostinha e eleva ainda mais a experiência. Elas são servidas ainda com três acompanhamentos, uma geleia de abacaxi, molho de pimenta defumado e grãos de mostarda fermentados com mel. Ao apostar na produção artesanal e adotar o “locavorismo”, prática que valoriza e fortalece produtores locais, o Mudra não só respeita a receita milenar, mas também insere o prato no cotidiano ponta-grossense.
Por: João Pimentel

Germano Krüger: um patrimônio que Ponta Grossa ainda não abraçou
Mesmo disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, o Operário ainda enfrenta dificuldades para mobilizar a população de Ponta Grossa e ampliar sua base de sócios-torcedores.
O Estádio Germano Krüger é um dos principais símbolos de Ponta Grossa. Atualmente, o Operário Ferroviário disputa a Série B do Campeonato Brasileiro, uma das competições mais importantes do país, o que coloca o clube em evidência no cenário nacional. Ainda assim, esse destaque não se reflete no envolvimento da população com o time.

Crédito: Site Oficial
A diferença fica evidente no número de sócios-torcedores. O Operário possui cerca de 4 mil sócios, enquanto o Criciúma, que também disputa a Série B e representa uma cidade com população menor que Ponta Grossa, ultrapassa os 20 mil. Ter poucos sócios significa menos recursos financeiros, menor estabilidade para o clube e um vínculo mais frágil entre a equipe e sua comunidade.
Mais do que apoiar um time de futebol, fortalecer o Operário é valorizar a identidade e a história de Ponta Grossa. O Germano Krüger deveria ser ocupado de forma constante, e não apenas em partidas decisivas. Quando a população reconhece o clube como parte da cultura local, o esporte, a cidade e seus moradores saem fortalecidos.
Por: Ingrid Müller

A magia do som
Você já escutou os lançamentos recentes de artistas como Marina Sena, Nanda Tsunami e Anitta? São milhões de ouvintes mensais que consomem as músicas produzidas por essas cantoras. Mas o que elas têm em comum? O misticismo, bruxaria e as religiões de matriz africana como peça principal nas composições.
Em meio a melodias místicas, marcadas por tambores e outros instrumentos brasileiros, as letras citam de forma frequente as entidades da Umbanda e também a bruxaria, no sentido de proteção e orientação. As canções recitam orações e mantras baseados nas práticas religiosas. Além da música, o misticismo tem tomado conta de lojas de produtos religiosos e vitrines de livrarias. Em Curitiba, mais de cinco eventos relacionados à bruxaria e ao misticismo aconteceram no último ano, entre eles a Mystic Fair e o Festival das Bruxas de Curitiba.

Crédito: Divulgação
O número de adeptos a religiões de matriz africana triplicou no Brasil nos últimos 16 anos, subindo de 0,3% em 2010 para 1% da população em 2022, segundo dados do último Censo do IBGE. Em Ponta Grossa, a pesquisa aponta para cerca de 2500 praticantes. Já na bruxaria, a União Wicca do Brasil (UWB) reconhece cerca de 300 mil bruxos e bruxas no país. Esse crescimento no número de adeptos é refletido no número de ouvintes dos últimos álbuns lançados pelas três artistas. Os álbuns ‘Coisas Naturais’, de Marina Sena, ‘Equilibrium’, de Anitta e ‘É Disso Que Me Alimento’, de Nanda Tsunami, somam mais de 600 milhões de streams apenas na plataforma Spotify. Os álbuns foram lançados entre março de 2025 e abril de 2026.
A inclusão de religiões não-cristãs no mainstream musical brasileiro representa um avanço na tolerância religiosa no país. Apesar dessa realidade na área cultural, o Brasil registrou 3.853 violações de intolerância religiosa pelo Disque 100 em 2024, um aumento de mais de 80% comparado a 2023, com 2.128 casos. Essas músicas representam o movimento de minorias que ainda sofrem por falta de reconhecimento e respeito. Fora do meio musical e comercial, é preciso promover a diversidade religiosa e sua aceitação nos meios social e político.
Por: Amanda Los
Ficha técnica
Autores: Amanda Los, Ingrid Müller, João Pimentel, Karine Santos, Lucas Barbato, Mafe Sperafico, Marina Ranzani e Pedro Moro
Supervisão de produção: Paula Melani Rocha
Edição e publicação: Karine Santos
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral
Contato: periodico@uepg.br
