Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Penélope nunca esteve sozinha, mas milhões de mulheres estão
Quando Christopher Nolan decidiu adaptar A Odisseia, de Homero, a expectativa naturalmente recaiu sobre as batalhas, os monstros e a longa jornada de Odisseu.
No entanto, existe outra história paralelamente: uma muito menos épica aos olhos da tradição, mas talvez mais próxima da realidade de milhões de mulheres.
Enquanto Odisseu atravessa mares tentando voltar para casa, Penélope permanece em Ìtaca criando Telêmaco praticamnte sozinha. Ela administra o reino, educa o filho e resiste à pressão daqueles
que desejam ocupar o lugar do marido desaparecido. A narrativa costuma celebrá-la como símbolo de fidelidade, mas raramente questiona o peso de passar duas décadas sustentando uma casa e um filho sem saber se o pai voltará.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, existem cerca de 7,8 milhões de mulheres sem cônjuge vivendo com filhos no Brasil.
Entre os domicílios com responsáveis e filhos, 29% são chefiados por mulheres sem companheiro, enquanto apenas 4,4% têm homens na condição. No Paraná, o índice é de 24,9%, o que significa que uma em cada quatro famílias com filhos é sustentada apenas pela mãe.
Crédito: Divulgação
Em Ponta Grossa, o Cadastro Único é o principal instrumento de identificação das famílias em situação de vulnerabilidade social e na cidade, cerca de 51.899 famílias estão cadastradas. Relatórios do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mostram que muitas famílias do município dependem de programas sociais e têm uma mulher como responsável familiar.
A diferença entre Penélope e as mães solo brasileiras está justamente naquilo que Homero nunca precisou narrar. Penélope esperava o retorno de Odisseu. Muitas mães solo de hoje convivem com um abandono definitivo, transformando a própria sobrevivência em uma verdadeira odisseia.
Serviço: O filme “Odisseia” de Christopher Nolan possui 2h 53m e não é indicado para menores de 14 anos. Entre o elenco estão presentes nomes como Anne Hathaway, Charlize Theron, Elliot Page, Lupita Nyong, Matt Damon, Mia Goth, Robert Pattinson, Tom Holland, Zendaya, entre outros.
Por Naty Stupp

Invernada Cultural valoriza música autoral em PG
Festival reúne bandas e artistas independentes da região
Desde da primeira edição, em 2023, o festival Invernada Cultural organizado pelo Lambrequim Cultural se consolidou como um espaço de Ponta Grossa dedicado à valorização da produção musical autoral. Realizado anualmente em agosto, o festival reúne música, poesia, artes visuais e outras manifestações culturais, com uma programação que prioriza artistas independentes da cidade e do Paraná.
Nas últimas edições o festival contou principalmente com bandas de Rock, pop e musica popular brasileira. A edição 2026 mantém a proposta ao reunir nomes como Maria Paraguaya e a banda Escambau, a ponta-grossense Chave de Mandril, o grupo Tukuma e a banda de surf rock Comanches, todos com repertório próprio. A escolha das atrações contrasta com a realidade da cena musical local, onde bares e casas de shows costumam priorizar bandas cover e DJs, que têm público, mas acabam reduzindo o espaço para músicos que apresentam composições próprias.

Crédito: Divulgação Invernada Cultural / Carlos Bauer
Outro aspecto que merece destaque é a acessibilidade. O passaporte para a Invernada permaneceu na mesma faixa de preço desde a primeira edição, custando R$30 em 2023 e 2024 e R$ 25 em 2025 e 2026. Com três dias de programação neste ano, o ingresso sai por pouco mais de R$ 8 por dia, tornando o festival uma opção cultural acessível.
Em uma cidade onde a programação musical privilegia covers e DJs, o Invernada Cultural cumpre um papel importante ao oferecer espaço para a música autoral, democratizando o acesso tanto para artistas quanto para o público.
Serviço:
Invernada Cultural
Ingresso e mais informações disponíveis em: lambrequim.lojavirtualnuvem.com.br
Por Pietra Gasparini

‘As Ligações Perigosas’ no teatro destaca relação de poder
Uma ambição que revela ressentimentos com amores passados e o desejo de vingança. Essa é a narrativa que consolida-se na peça de teatro As Ligações Perigosas, do Grupo de Teatro de Ponta Grossa (GTPG). Com direção de Carlos Alexandre de Andrade, a trama é inspirada no clássico romance do escritor de Laclos, publicado em 1782.
Com 15 personagens, os destaques são Ana de Merteuil, interpretada por Maria Malucelli, e João Pedro de Valmont, interpretado por Gabriel Vernek. Ana busca João Pedro a fim de executar uma vingança e o que ele não sabe, é que o plano dela envolvia uma vingança contra ele também. Uma parte filosófica da obra é abordada na peça através do papel do Juíz, por Leonardo Lopes, que traz reflexões sobre a ambição presente na narrativa.

Crédito: Emanuelle Pasqualotto
Em meio a mentiras, manipulações e telefonemas, a peça se passa em 2 cenários fixos, que mudam conforme a iluminação, o cenário principal da trama e as duas laterais do palco, onde estão localizados os telefones. A ocupação do palco com as cenas prende o espectador. Mesmo silenciosa em alguns momentos, a trama instiga o público a saber o desfecho. A música presente em momentos pontuais é tocada por um violinista que compõe o fundo do cenário.
A classificação indicativa é 16 anos, e a linguagem utilizada é mais trabalhada, com o intuito de ficar semelhante à época da nobreza francesa. Em duas horas de duração, mesmo que considerada longa, a trama consegue não se dispersar do foco principal e da construção narrativa. A peça teve como entrada solidária a doação de um agasalho, o que incentiva o público a buscar cultura de maneira acessível e ajuda as pessoas que necessitam. O público presente no palco B do Cine-Teatro Ópera na primeira sessão foi de aproximadamente 50 espectadores.
Serviço:
As Ligações Perigosas
Direção: Carlos Alexandre de Andrade
Elenco: Ana de Merteiul – Mariele Zanin
João Pedro de Valmont – Gabriel Vernek
Isadora de Tourvel – Maria Malucelli
Gregório Baptiste – Vicco Dallenare
Cecília Volanges – Yan
Eduardo Danceny – João Serafim
Antônia de Volanges – Ana Gambassi
Irmã Luísa – Amanda Nass
Irmã Doroty – Luane Spak
Cartomante Safhira – Melu do Brasil
Castilho – Arthur DeGeus
Juíz – Leonardo Lopes
Rony – Raylan Marinho
Emily – Jamille Missaky
Madame Frez – Larissa Brandão
Produção: Grupo de Teatro de Ponta Grossa
Por Emanuelle Pasqualotto

Exposição ressalta falta de pluralidade religiosa em Ponta Grossa
“Fé e Devoção” possui 23 obras expostas na Galeria do Ponto Azul
Você é uma pessoa religiosa? Aqui em Ponta Grossa, a VI Mostra de Cultura Religiosa trouxe a exposição Fé e Devoção, que ressalta por meio da arte, representações religiosas de diferentes manifestações de fé ou de diferentes crenças presentes na cidade. Mas afinal, será que existe pluralidade de crenças nessas obras? Com 23 criações artísticas, 13 delas fazem alusão ao cristianismo e ao catolicismo, enquanto apenas quatro são de religiões de matrizes africanas, já as outras seis são apenas figuras de anjos e de tradições cristãs como a função das Ancila em servir os padres e bispos.
No total, quatro salas foram fechadas para sediar a mostra. Cada obra é feita por um artista diferente, O conjunto reúne peças feitas em telas, pinturas a óleo e em tinta acrílica, entalhes em madeira, canetas esferográficas, canetas marcadoras, estatuetas em biscuit e técnicas mistas, entre outras. Cada criação possui uma singularidade e traços nos quais é possível identificar o empenho do artista, a maneira como as figuras religiosas são retratadas, como as crenças transmitem e da maneira como o criador da obra retrata.

Crédito: Lucas Jolondek
Afinal, será que a exposição evidência apenas uma baixa representatividade para o que se espera de um evento que ressalta diferentes tradições religiosas, ou apenas expõe a falta de espaço para religiões fora do cristianismo em Ponta Grossa? A mostra Fé e Devoção está disponível na galeria do Ponto Azul, no Centro de Ponta Grossa.
Serviço
Exposição: Fé e Devoção
Abertura: 20 de julho (segunda-feira)
Fechamento: 30 de agosto (sexta-feira)
Local: Galeria do Ponto Azul
Entrada: Gratuita
Por Lucas Jolondek

Rodízios de petiscos inclui opção vegetariana em PG
Os rodízios de petiscos têm conquistado cada vez mais espaço entre os bares de Ponta Grossa, tornando-se uma estratégia para atrair clientes em busca de variedade custo-benefício. Além da experiência gastronômica, a divulgação também interfere. Informações claras sobre preços, horários, cardápio e diferenciais tornam-se fatores determinantes na opção de clientes.
Entre os estabelecimentos analisados, o Seu Barzin oferece o rodízio mais completo em quantidade de opções. Disponível todos os dias da semana, o serviço custa R$59,00 de segunda a quinta-feira e aos domingos, passando para R$65,00 às sextas e sábados. O rodízio inclui pizzas, massas, carnes e sobremesas, ampliando a proposta para além dos aperitivos. O local também conta com área kids e crianças de até sete anos pagam meia entrada. Para o público vegetariano, há alternativas como pizzas, batata frita, polenta, pastéis, sopas e frios.
Já o Boa Gastrobar aposta no preço como diferencial competitivo. O rodízio custa R$29,99 de terça a quinta-feira e aos domingos, chegando a R$34,99 às sextas e sábados, praticamente metade do valor cobrado pelo Seu Barzin. Embora apresente mais de 20 opções no cardápio, o estabelecimento oferece alternativas vegetarianas menos convencionais, como dadinho de tapioca, bolinho de milho e anéis de cebola, além de mandioca, fritas e polenta. Assim como o concorrente, possui área kids e oferece meia entrada para crianças de até sete anos.

Crédito: Boa Gastrobar
O Botiquim Original, por sua vez, ocupa uma posição intermediária tanto no preço quanto na proposta. O rodízio acontece de terça a quinta-feira, das 17:00 até as 23:00, pelo valor de R$49,50. O cardápio reúne 16 opções, incluindo sobremesas, seis delas voltadas ao público vegetariano, como fritas, polenta, pasteis e caldinho de feijão. Diferentemente dos demais estabelecimentos, não possui área destinada às crianças. Característica que pode influenciar a escolha de famílias que procuram um ambiente mais adequado para o público infantil.
A comparação evidencia que cada estabelecimento utiliza uma estratégia distinta para atrair consumidores. Um aspecto relevante é a presença de opções vegetarianas em todos os rodízios, demonstrando que esse público vem sendo considerado pelos bares da cidade, ainda que em diferentes níveis de variedade.
Serviços:
Seu barzin: Rua Riachuelo, 500 – Centro, Ponta Grossa – PR. Telefone: (42) 99931-6069
Boa gastrobar: Avenida Dom Geraldo Pellanda, 195, no bairro Uvaranas. Telefone: (42) 99833-5123
Botequim original: R. Quinze de Novembro, 492 – Centro, Ponta Grossa – PR. Telefone: (42) 3027-1501
Por Maria Eduarda Leme

Do cigarro ao vape: a estética da dependência
Por décadas, fumar era um comportamento quase indissociável da vida universitária. Foi no fim dos anos 1980 e início dos anos 90 que o cenário começou a mudar e ganhou força a partir dos anos 2000, devido às políticas antitabagismo. Mas, na década atual, a nicotina encontrou uma nova embalagem. Com sabor de frutas e mentol, o cigarro eletrônico virou moda entre os jovens e ganhou os pátios das universidades.
Em um levantamento inédito produzido pelo crítica de ponta, estima-se que quase 30% dos estudantes no campus central da UEPG já fumaram ou fumam cigarro eletrônico. O ambulatório central da UEPG e a pró-reitoria foram procurados para informar sobre a comunidade acadêmica, porém não possuem os dados.
O cigarro eletrônico, vape ou pod, chega como uma alternativa ao cigarro convencional e conquista espaço. Sem o cheiro forte que impregna roupas e ambientes, design moderno e sabores adocicados, o eletrônico passou a ser percebido como uma versão menos “incômoda”.

Crédito: Natalia Almeida
Enquanto as campanhas antitabagismo transformaram o cigarro em um hábito cada vez menos aceito, as redes sociais e os influenciadores fizeram o caminho inverso com o vape. É comum assistir vídeos onde o item aparece quase como um objeto de estilo de vida, que faz parte de momentos de lazer, festas e convivência. O que passou a ser refletido nos intervalos entre as aulas das universidades.
As campanhas de saúde pública levaram décadas para transformar o cigarro em algo indesejável, bastou alguns anos de vídeos na internet e influenciadores compartilhando um dispositivo colorido e moderno para transformar a dependência em tendência. Se antes a indústria do tabaco vendia o glamour do cigarro, hoje as redes sociais fazem o trabalho de forma eficiente, não vendem apenas um produto, vendem um comportamento.
Serviço: A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 855/2024 da Anvisa mantém a proibição da fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de cigarros eletrônicos no Brasil. A resolução também proíbe a venda de refis e acessórios destinados ao funcionamento desses dispositivos.
Por Natalia Almeida
Ficha técnica
Autores: Emanuelle Pasqualotto, Lucas Jolondek, Maria Eduarda Leme, Nathália Stüpp, Natalia Almeida e Pietra Gasparini
Supervisão de produção: Sérgio Gadini
Edição e publicação: Lucas Barbato
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral
Contato: periodico@uepg.br
