Crítica de Ponta #178

Crítica de Ponta

Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

 

Quanto espaço o cinema brasileiro ocupa em Ponta Grossa?

Em Ponta Grossa, a preferência por filmes estrangeiros não pode ser colocada apenas na conta do público. É necessário observar também aquilo que chega às telas e a forma como essas produções ocupam os cinemas. No primeiro semestre de 2026, 20 filmes brasileiros foram exibidos nos cinemas da cidade, contra 63 produções estrangeiras. Enquanto os títulos nacionais somaram 270 sessões e 3,9 mil espectadores, os estrangeiros alcançaram mais 100 mil espectadores. Ou seja, mesmo com pouco mais de três vezes o número de títulos, as produções estrangeiras reuniram cerca de 26 vezes mais público do que as nacionais.

O filme brasileiro com maior público foi O Agente Secreto, com 1,7 mil espectadores em 21 sessões. Impulsionada pela sua indicação ao Oscar, o longa chegou às salas com uma visibilidade que outras produções nacionais não conseguem alcançar. O reconhecimento internacional mostra como a atenção dada a uma obra pode mudar quando ela recebe o aval de uma das principais premiações do cinema mundial. Surge a questão: quanto do cinema brasileiro deixa de ser visto simplesmente porque não recebe a mesma visibilidade e investimento em divulgação? Essa lógica é comprovada, quando o segundo título mais assistido foi Velhos Bandidos com uma diferença de mais de 1,3 mil espectadores para o primeiro.

Crédito: autora

Mas por que o público prefere aquilo que vem de fora? A resposta não está apenas no gosto individual. Há décadas, Hollywood constrói uma imagem de espetáculo associada aos seus filmes, fazendo com que essas produções já cheguem às salas ocupando um lugar privilegiado no imaginário do público. 88,9% dos filmes estrangeiros exibidos nos cinemas de PG, eram produções norte-americanas.

Ao mesmo tempo, quando os cinemas oferecem uma programação majoritariamente estrangeira, essa preferência é reforçada. O público encontra mais filmes de uma determinada indústria, enquanto as produções nacionais têm menos espaço para disputar sua atenção. Assim, o que parece ser apenas uma escolha individual também é resultado de uma lógica de oferta.

Quando ler também é uma forma de liberdade

Iniciativa promove a leitura entre mulheres em privação de liberdade

Em tempos em que livros ocupam as redes sociais e clubes de leitura se multiplicam pela internet, ler parece estar mais popular do que nunca. Celebridades como Dua Lipa, Reese Witherspoon e Oprah Winfrey também transformaram o hábito em tendência, criando clubes literários que reúnem milhares de leitores.

Em Ponta Grossa, a popularização também pode ser percebida na existência de diferentes clubes de leitura. Entre eles, estão iniciativas voltadas a públicos específicos, mostrando que ler pode ser mais do que um hábito individual: pode ser uma experiência coletiva.

É nesse contexto que surge uma proposta especialmente significativa: um clube de leitura para mulheres em privação de liberdade. A iniciativa foi idealizada pela assistente social da Prestação de Serviços à Comunidade e por Sthefany Boiko, mas ainda não entrou em vigor.

Crédito: autora

Mais do que oferecer livros, a proposta coloca em discussão o próprio acesso à leitura. Em um espaço marcado por restrições de circulação, escolhas e contato com o mundo exterior, a literatura pode representar uma oportunidade de conhecer outras realidades, refletir sobre a própria experiência e estabelecer vínculos por meio da conversa.

Isso não significa romantizar o livro como solução para os problemas do sistema prisional. A leitura não substitui políticas públicas de educação, assistência ou ressocialização. Porém, limitar o acesso à cultura também significa limitar possibilidades de formação e expressão.

Democratizar a leitura não é apenas disponibilizar livros. É criar condições para que diferentes pessoas possam lê-los, discuti-los e participar da conversa que eles provocam. Para mulheres privadas de liberdade, a conversa pode representar não apenas acesso à cultura, mas uma pequena forma de liberdade. A expectativa é de que o projeto entre em vigor no segundo semestre de 2026.

Por Nathália Stüpp

Dança para adultos conquista espaço em PG

A dança para adultos vem ganhando espaço em Ponta Grossa. Ballet, jazz, dança de salão e outros ritmos mostram que não tem idade certa para começar. Mas ainda existe o estigma de que a dança deve ser aprendida apenas na infância. Normalmente, em espetáculos de dança, veem-se crianças e adolescentes, ou adultos que começaram a dançar ainda pequenos. Cenário que pode gerar insegurança ou vergonha em quem tem vontade de começar mais tarde.

Em cidades menores da região, como Imbituva e Rebouças, as opções ao público adulto são mais limitadas. Uma das únicas modalidades encontradas é o FitDance, que conquistou público nos anos recentes. As aulas são voltadas principalmente para a atividade física e utilizam coreografias prontas, com menos espaço para a criação e a expressão artística, mas  podem ser uma porta de entrada para adultos que querem começar a dançar.

A dança, para muitos adultos, pode ser uma forma de enfrentar inseguranças e redescobrir o próprio corpo. As aulas cumprem um papel social ao proporcionar convivência, expressão artística e bem-estar, sem que a formação profissional ou o gasto calórico precisem ser objetivos principais.

Crédito: Lucas Jolondek

Em Ponta Grossa, existem turmas de dança para adultos em diferentes modalidades e escolas particulares, como Pró-Arte, Arqué e Escola de dança e teatro Bianca Almeida. Entre as iniciativas gratuitas estão as atividades da Universidade Aberta da Terceira Idade (UATI) e o projeto de extensão Dança UEPG. Já a Prefeitura de Ponta Grossa não oferece aulas contínuas de dança voltadas especificamente para adultos, de acordo com informações encontradas nos canais oficiais e obtidas por contato com a Secretaria Municipal de Esportes.

Apesar do avanço da dança para adultos em Ponta Grossa, é importante que existam opções acessíveis, para que a participação não fique limitada a quem consegue pagar mensalidades de escolas particulares. É necessário ampliar os espaços na região para tornar a dança acessível e democrática. E entender que não existe idade para dançar e se expressar.

Serviço: 

Inscrições DANÇA UEPG: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeeJY99T1VVhnBdUrkf8yyw5l7Y2j4A4t9RowqsfPSAbXCQxQ/viewform?pli=1&utm_source=ig&utm_medium=social&utm_content=link_in_bio

Universidade Aberta para a Terceira Idade
Campus Central – Bloco B
Praça Santos Andrade, 1
CEP 84010-919

E-mail:  uati@uepg.br
Fone:  (42) 3220 3377

Por Pietra Gasparini

 

Exposição lembra trajetória de pintor contemporâneo ponta-grossense

 

A Arte Contemporânea regional ocupa espaços limitados. Entre tintas e pincéis, o artista ponta-grossense João Pilarski enfrentou limitações desde a infância, decorrentes da paralisia infantil. Aos 12 anos de idade, ficou restrito ao movimento dos membros superiores e faleceu em 2004; A exposição “João Pilarski: a Arte Naif no Paraná” traz 29 obras que relembram a trajetória do pintor, descendente polonês, nascido no bairro da Ronda.

Os quadros são do período de 1977 a 1995, vindos de um trabalho da curadoria em busca de diferentes acervos. As obras retratam o que é a arte Naif: um artista que cria a partir da própria experiência cultural e vivências. No trabalho de João Pilarski é notável a liberdade artística, que é baseada nas memórias e no método criado e seguido pelo pintor, composto por 11 passos. 

Crédito: autora

Nas pinturas, é possível identificar elementos de repetição, como estradas, gatos, cotidiano rural, casas de madeira, entre outros. Cores vibrantes como verde, azul e amarelo tornam-se características. Em 1979, Pilarski realizou a primeira exposição individual, no Centro de Criatividade da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Hoje, as obras encontram-se na Pró-Reitoria de Extensão (Proex UEPG) até o dia 10 de setembro. João Pilarski tornou-se nome da galeria localizada no piso inferior do Centro de Cultura, que abriga a pinacoteca municipal.

Na etapa inicial da educação, por vezes, a falha é deixar o conhecimento de artistas regionais em segundo plano. Enquanto a história da arte na Europa é rememorada, artistas locais ficam esquecidos no tempo. Exposições que abrem as portas para mostrar a arte da própria cidade são um convite à população para que o conceito de arte seja difundido.

 

Serviço:

Exposição: João Pilarski: a Arte Naif no Paraná

Local: Praça Marechal Floriano Peixoto,129, Centro- Ponta Grossa

Horário: 08h às 12h e 13h30 às 17h30

Por Emanuelle Pasqualotto

 

Onde comer sem glúten em Ponta Grossa?

 

Encontrar um lugar para comer fora de casa  pode ser uma escolha rápida para a maioria das pessoas. Para quem precisa evitar o glúten, a busca envolve cardápio, horário e o próprio tipo de estabelecimento. Em Ponta Grossa, a estimativa é de cerca de mil pessoas celíacas, segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (FENACELBRA). Uma pesquisa realizada pelo projeto Elos do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) encontrou, em supermercados do município, preços de alimentos sem glúten, em média, 233% maiores que os convencionais.

 Além dos supermercados, há seis estabelecimentos que comercializam produtos sem glúten. Desses, três permitem o consumo no próprio local.  O Que Tal Sem Glúten, na Vila Estrela, concentra a oferta em bolos, além de pães, doces e salgados. Os preços encontrados variam de R$ 20 a R$ 80. O espaço funciona principalmente durante o dia, com atendimento até as 20h nos dias de semana e até as 14h aos sábados.

No Centro, a Juli&Ana  apresenta uma proposta mais próxima de uma padaria tradicional. Pães, doces e salgados dividem espaço com pizzas, empadão e coxinha, além de opções congeladas. Os preços ficam entre R$ 20 a R$ 40. Apesar da variedade maior de produtos, o estabelecimento também cqoncentra o atendimento durante o dia, encerrando as atividades às 19h durante a semana e às 16h aos sábados.

Já o Emporium Gluten Free, em Oficinas, se diferencia pela oferta de refeições, com pizzas e hambúrgueres, além de bolos e tortas. Os preços variam de R$ 40 a R$ 100. O estabelecimento funciona todos os dias, das 10h às 22h, e também oferece delivery. M.l l..  m.ampliando a possibilidade de consumo no período noturno

A questão, portanto, não é somente encontrar comida sem glúten, mas encontrar uma opção que combine tipo de refeição e horário. Para quem procura um bolo, pão ou salgado, há alternativas durante o dia. Já para uma refeição fora de casa à noite, a oferta é mais restrita.

 

Serviço

Que Tal Sem Glúten: Rua Silva Jardim, 769 – Oficinas

Juli&Ana Padaria saudável sem glúten  Rua General Carneiro, 1186 – Centro

Emporium Glúten Free Rua Thaumaturgo de Azevedo, 455 – Oficinas

Por Yasmin Salgado

Homens encontram dificuldades para comprar em brechós em PG

O mercado de brechós cresceu 32% este ano, mas os homens ainda sofrem para achar roupas de segunda mão. O motivo? A própria atitude masculina na hora de desapegar. 

Dados divulgados pelo Sebrae mostram que o mercado de brechós no Brasil cresceu, com mais de 2.500 novos negócios. Os resultados apresentam um movimento consolidado de consumo consciente e oportunidade econômica. No entanto, o segmento masculino enfrenta uma dificuldade cultural, a escassez de peças nas araras.

Embora os homens já representam 20% do faturamento nacional do setor, eles encontram pouca variedade nas lojas. O problema não está na distribuição comercial, mas na característica cultural. O homem brasileiro não costuma colocar as roupas para circular.

Crédito: divulgação

Enquanto a renovação do armário feminino é mais dinâmica, o vestuário masculino cumpre um ciclo utilitário até o fim da vida útil. “A camisa vira roupa de ficar em casa, depois farda de pesca ou reforma e, por fim, pano de chão. Quando não é destruída pelo uso, a peça é doada no circuito informal para familiares ou amigos.” Relata Ana Karina Monteiro proprietária do brechó Ana K Vintage. 

A roupa masculina raramente chega ao brechó enquanto ainda tem valor de revenda ou boa apresentação estética. O consumidor masculino quer encontrar opções seminovas em bom estado, mas não abastece a ponta inicial dessa engrenagem. Enquanto ele encara a roupa como um bem vitalício, o mercado de moda sustentável continua limitado para atender ao público. 

SERVIÇO: Ana K Vintage –  Rua General Carneiro, 557 – Ponta Grossa, PR (unissex)

Brechó Preta Pretinha – Avenida Ana Rita, 162 – Ponta Grossa, PR (unissex) 

Sr Achado – Rua Coronel Francisco Ribas, 75 – Ponta Grossa, PR (exclusivamente masculino) 

Por Pedro Moro

Ficha técnica

Autores: Nathália Stüpp, Natalia Almeida, Roberto Indzejczak, Pedro Moro e Yasmin Salgado.

Supervisão de produção: Sérgio Luiz Gadini

Edição e publicação: Sarah Brasil

Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral

Contato: periodico@uepg.br

 

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