Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Quando o palco acaba, a música fica
Quatro anos após o fim da Cadillac Dinossauros, a memória da banda ainda ecoa em uma cena que busca espaço para continuar
Há bandas que terminam quando fazem o último show. A Cadillac Dinossauros não parece ter recebido esse privilégio. Quatro anos após deixar os palcos, o grupo ainda funciona como medida para pensar o rock de Ponta Grossa: não apenas pelo que fez, mas pelo vazio que a ausência causou.
Em 16 anos, a Cadillac construiu uma trajetória pouco confortável para a lógica de consumo rápido. Foram cinco álbuns, oito videoclipes e apresentações que levaram o nome da cidade para outros estados. Musicalmente, a banda nunca se limitou ao hard rock: misturou peso, groove, psicodelia, humor e crítica social sem transformar essas referências em fantasia de autenticidade.

Crédito: Reprodução
O mérito maior, porém, está fora da discografia. A Cadillac ajudou a provar que uma banda de Ponta Grossa poderia criar identidade sem pedir licença à capital. Seu fim, portanto, não representa apenas a perda de um grupo, mas evidencia a dificuldade de transformar talento local em trajetória sustentável.
É aí que a nostalgia deixa de ser suficiente. Relembrar a Cadillac é fácil; mais difícil é garantir que outras bandas tenham condições de construir os próprios 16 anos. Programas como o Sexta às Seis mostram que existe público e produção. O desafio é fazer do incentivo cultural uma continuidade, e não uma exceção.
Por Maria Gallinea

Ópera de portas abertas
Após um ano, o palco principal do Teatro Ópera reabre as portas
O cine-teatro Ópera abre as portas novamente, após mais de um ano de paralisação das atividades. A reabertura foi realizada no início de setembro, com um evento especial. Artistas e espectadores da cidade estão desde 2025 sem poder utilizar o principal palco do município.
A última grande restauração do Ópera foi concluída em 2005. 20 anos depois, a prefeitura apontou problemas no drywall da cobertura, além da necessidade de melhorias na acessibilidade, com a instalação de um novo elevador.
Os palcos B e C continuaram em funcionamento, mas o palco A, o principal, estava paralisado há um ano e nove meses. O Cine Teatro Ópera é o palco mais acessível de Ponta Grossa, com preços de locação que variam entre 700 e 4200 reais. No período em que esteve em reforma, o teatro perdeu público, chegando à cerca de 11 mil visitantes em 2025. Em comparação, o Ópera recebeu 85 mil espectadores em 2024.

Crédito: Arquivo
Um patrimônio cultural precisa de manutenção, a questão é que um espaço que deveria estar sempre disponível enfrenta problemas estruturais que paralisam as atividades. Quando as portas fecham, apresentações precisam ser remanejadas e artistas perdem um importante espaço de circulação.
A reabertura é motivo de celebração. No entanto, cuidar dos patrimônios da cidade não deve significar esperar os problemas acumularem para então agir. Depois de meses de espera, o público e os artistas merecem um espaço que volte reformado e preparado para permanecer aberto.
Por Amanda Los

Memorial Ponto Azul recebe a exposição “Sonho Lúcido”
Trabalhadora do Ponto Azul expõe obras que remetem Magia feminina
A Unidade Cultural do Memorial Ponto Azul está com a exposição “Sonho Lúcido”, de Nicolle Nicolau, disponível para visitação. As obras assinadas por Nic reúnem um conjunto de mais de 20 pinturas à óleo e desenhos de figuras femininas em telas e papel kraft. São mulheres delicadas com características marcantes como orelhas pontudas, cabelos longos e cacheados, sempre cercadas por elementos da natureza e animais. Algumas com asas, outras com caudas e em posições de costas ou de perfil.

Crédito: Mafe Sperafico
As orelhas pontudas e o cenário entre o humano e um mundo mágico das fadas lembram à “fairy art” britânica, diferente desta arte mais decorativa, Nicolle cria suas figuras com fundos em cores que remetem a sentimentos vividos dentro da personagem. De acordo com a artista, a exposição fica aberta para visitação até setembro. O Memorial Ponto Azul está localizado na Praça Barão do Rio Branco, as visitações são gratuitas e podem ser realizadas de segunda a sexta, das 8 às 18 horas.
Serviço
Praça Barão do Rio Branco, Av. Bonifácio Vilela – Centro, Ponta Grossa – PR
Por Mafe Sperafico

Mais horário e menos estrutura
Descaso com Patrimônio Cultural Imaterial do município prejudica a segurança de frequentadores. Esse é o Giro Cultural de Marina Ranzani
Há mais de quatro décadas, a Feira do Produtor ocupa a região central de Ponta Grossa. Criada em 1983, reúne cerca de 50 expositores e, desde 2025, é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município. Aos sábados a feira acontece das 07h às 13h e na quarta feira das 13h às 19h. O horário ajuda a permanência do público e produtores por mais tempo, mas também mostra problemas na estrutura do espaço.
A área não é destinada exclusivamente à feira, ela é atravessada por pedestres para “cortar caminho” e por ciclistas. À noite, a iluminação insuficiente e a ausência de um posto de segurança pública afetam quem trabalha e circula no local.

Crédito: Marina Ranzani
Por mais que exista um posto policial do outro lado do Parque Ambiental, em frente ao shopping, a feira não tem uma estrutura semelhante. A pergunta que fica é: se a feira é mantida como uma alternativa para aproximar consumidores, o local é seguro para eles? O horário até as 19h deveria vir acompanhado de melhor iluminação e segurança.
Por Marina Ranzani

Do molho para a formatura: a venda de cachorro-quente que mobilizou a UEPG
Universitárias da terceira idade da UATI vendem cachorro-quente, bolos e roupas para arrecadar recursos
As alunas da Universidade Aberta Para a Terceira Idade da UEPG arrecadam dinheiro para realizar a formatura e uma viagem comemorativa. A presidente da comissão em conjunto com a turma decidiram vender cachorros-quentes, bolos e montar um bazar de roupas, sapatos e acessórios. A turma toda está envolvida, doando produtos e ajudando nos dias das vendas. O carro chefe das vendas é o cachorro-quente.
Eliziane Barbosa é a responsável pelo saboroso molho do cachorro quente. Ela destaca que em reuniões com a presidente realizaram pesquisas para tornar o preço acessível e com qualidade para todos. O valor do cachorro-quente custa R$5,00, e vem acompanhado de maionese e dois guardanapos. Porém agregaria na parte gastronômica, se tivesse junto com a batata palha, milho verde.

Crédito: Lucas Barbato
Ela conta que a preparação é feita em casa, mas o processo é segredo da cozinheira. Como é muita quantidade ela pede auxílio aos filhos. Tudo é feito de forma caseira. As vendas continuam, toda quarta-feira até a primeira quinzena de setembro.
Por Lucas Barbato

Da memória afetiva à tendência fashion
O crochê voltou às passarelas e às redes sociais, mas por trás da tendência existe memória afetiva, trabalho artesanal e uma discussão sobre o valor do feito à mão
O crochê voltou com força em 2026 e está muito além da moda praia. Aparece em vestidos, tops, saias, bolsas e até em produções urbanas. E não é só impressão, no Pinterest, as buscas por “crochê polo men” cresceram 108%. Mas, afinal, o crochê virou tendência ou a moda apenas redescobriu algo que sempre existiu?
O interessante é que o crochê carrega uma memória afetiva, muitas vezes ligada às peças feitas por mães e avós. Hoje, aquilo que era visto como “coisa de vó” ganhou status fashion e passou a ser vendido como exclusivo e sofisticado. E isso também explica o preço. Uma peça feita à mão pode custar mais caro, mas é preciso lembrar que existe tempo, material e principalmente mão de obra artesanal por trás dela.

Crédito: Ingrid Muller
O valor, portanto, não está apenas no fio utilizado, mas em todo o processo artesanal envolvido na produção. Para uma peça complexa, a costureira Maria Teresa Pontes leva cerca de 1 a 2 meses para confeccionar.
Então, talvez a verdadeira tendência não seja o crochê, mas a valorização do artesanal. A pergunta é: quando a moda transforma uma técnica tradicional em objeto de desejo, ela também está valorizando quem produz? Ou está apenas transformando uma memória afetiva em mais uma tendência de consumo?
Por Ingrid Muller

Soltem suas feras
Trends e dancinhas popularizadas na quarentena, em 2020, deixam marcas na dança popular até hoje
Do balé à gala, a dança está presente na sociedade há milhares de anos. O movimento e a expressão criam coreografias únicas usadas em diversas ocasiões e com diferentes propósitos. Nos últimos anos, essa cultura passa por mudanças radicais, principalmente influenciadas pela lógica das redes sociais.
As chamadas “dancinhas de tik tok” se popularizaram principalmente no contexto de quarentena da Covid-19, em 2020. Influenciadores e influenciadoras conhecidos pelas danças virais são populares até hoje e somam milhões de seguidores nas redes. Porém, esse “boom” trouxe também uma simplificação da dança popular como um todo. Movimentos simples que envolvem somente os ombros e os braços e a quase exclusão das pernas e pés criam um estilo próprio presente no dia a dia.

O breakdanc foi popularizado nos anos 80 e está quase em extinção nos dias atuais. Na foto, dançarino B.boy Índio no Museu Campos Gerais (MCG). Crédito: João Pimentel
Entre os jovens, nas festas e comemorações, as danças até o chão ou coladas com seu par são menos frequentes. A moda é fazer as dancinhas virais que vem das telas, gravar e postar nas redes. Por outro lado, é bom ver dançarinos, dançarinas e artistas divulgando cada vez mais outros tipos de dança. Porém, esses dificilmente terão as milhões de visualizações das trends popularizadas pelo tik tok.
Por João Pimentel
Ficha técnica
Autores: Amanda Los, Ingrid Müller, João Pimentel, Lucas Barbato, Mafe Sperafico, Maria Gallinea e Marina Ranzani
Supervisão de produção: Paula Melani Rocha
Edição e publicação no Periódico: João Pimentel e Larissa Didres
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral
Contato: periodico@uepg.br
