Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Diferentes formas de fazer cinema em Ponta Grossa
Iniciativas utilizam de recursos públicos direcionados para a arte para entreter a população
Produzir cinema fora dos grandes centros ainda é um desafio, mas iniciativas como a do Coletivo Inajá, de Ponta Grossa, mostram que a produção audiovisual local pode ocupar diferentes espaços e experimentar novas narrativas. Os curtas Interlúdio e Poeira de Estrela, ambos de 2025 e produzidos com recursos da Lei Paulo Gustavo, apresentam histórias distintas, mas têm em comum personagens que enfrentam conflitos internos.
Em Interlúdio, dirigido por Paloma da Costa, uma jovem cantora retorna aos palcos enquanto enfrenta o próprio medo e o tumulto dos bastidores. Já Poeira de Estrela, dirigido por Gabriel Chemin, acompanha uma jovem durante uma viagem ao campo, na tentativa de revelar um segredo ao namorado, enquanto as percepções e emoções parecem ser afetadas pelo tempo. As duas produções utilizam o drama, o suspense e elementos psicológicos para abordar sentimentos como medo, insegurança e dificuldade de comunicação.

Crédito: Reprodução
A diversidade entre os filmes também chama atenção. Embora produzidos pelo mesmo coletivo em PG e na mesma cidade, eles não se limitam a uma única forma de fazer cinema. A variedade demonstra que o audiovisual produzido em Ponta Grossa pode explorar diferentes gêneros e histórias, inclusive aquelas que tratam de experiências universais, sem necessariamente se restringir a temas diretamente ligados à realidade local.
Interlúdio e Poeira de Estrela representam não apenas duas produções independentes, mas também o fortalecimento do cinema feito na cidade. O incentivo da Lei Paulo Gustavo demonstra a importância das políticas públicas para viabilizar iniciativas culturais e permitir que coletivos como o Inajá desenvolvam os projetos autorais. Mais do que contar histórias, os curtas ajudam a mostrar que Ponta Grossa também pode ser espaço de criação, experimentação e produção cinematográfica.
Por Maria Eduarda Leme

Entre sentimentos, escolhas e diferentes ritmos, uma Batida do Coração
Com oito faixas pareçam disco aborda diversos temas
O lançamento do álbum Batida do Coração, de Gui Augustto, apresenta ao público um trabalho que utiliza o pop como base e explora diferentes influências musicais, como soul, MPB e black music. Com oito faixas, o disco aborda temas como amor, conflitos, superação, liberdade, escolhas, família, amizade e questões sociais, incluindo o racismo.
A inspiração para as músicas parte de histórias ouvidas, experiências vividas e situações percebidas na sociedade. Cada faixa conta uma história diferente, apesar das diferenças entre os temas, as oito músicas foram construídas para conversar entre si e complementar ao longo do álbum.

Crédito: Divulgação
Logo na faixa-título, Batida do Coração, o álbum coloca as emoções no centro da proposta. A sequência passa por diferentes perspectivas em Caos de Emoções e Em Nossa Frente, enquanto Quem Manda apresenta uma abordagem afirmativa. Já Erga os Punhos amplia a temática do disco ao tratar de força e superação.
Em vez de estabelecer um único gênero para todo o álbum, cada música encontra uma sonoridade de acordo com a história que pretende contar. Uma composição pode seguir um caminho pop, enquanto outra pode se aproximar do soul ou da MPB. A escolha permite que as diferentes referências musicais convivam no mesmo projeto.
A variedade, não faz com que as faixas pareçam desconectadas. Os diferentes estilos acompanham a diversidade de histórias presentes no disco e ajudam a construir uma identidade musical marcada pela mistura. As músicas apresentam características próprias, entre si.
Nas letras, Gui Augustto divide a autoria com Gueg e Silvia Almeida. O álbum também conta com a participação de MC PA e com Lucas Alcântara nos backing vocals. As colaborações contribuem para ampliar as possibilidades do projeto e acompanham a proposta de reunir diferentes experiências e referências em um mesmo trabalho.
Erga os Punhos se diferencia das faixas mais voltadas aos relacionamentos ao trazer uma abordagem relacionada à superação. Nós Dois e Feitos para Amar retomam o universo das relações e dos sentimentos, enquanto Espelhos encerra o álbum dentro da proposta de percorrer diferentes experiências humanas.
O resultado é um trabalho construído a partir de diferentes histórias e estilos que se complementam. Entre o pop, a black music, o soul e a MPB, Batida do Coração transforma experiências relacionadas ao amor e à sociedade em oito faixas que se conectam entre entre si.
Por Ticyane Almeida

Entre a curiosidade e o desconforto
O principal mérito da exposição está justamente em não transformar a morte em espetáculo. O ambiente provoca curiosidade, mas também desconforto,uma reação quase inevitável diante de elementos reais do corpo humano. A restrição de idade, a proibição de fotografias e a necessidade de mediação demonstram que o conteúdo exige responsabilidade e preparo do visitante.
Mais do que mostrar como uma autópsia é realizada, a exposição apresenta a importância da ciência forense para compreender mortes e crimes. Nesse sentido, o espaço funciona como uma espécie de sala de aula sobre aquilo que poderia parecer apenas macabro, que ganha contexto histórico e científico.

Crédito: Divulgação
Por outro lado, justamente por lidar com restos humanos, a exposição poderia despertar discussões ainda mais profundas sobre ética, dignidade e a história das pessoas por trás daqueles corpos. É nesse ponto que “Aula de Anatomia” se torna mais interessante. Ao olhar para a morte, o visitante também é levado a pensar sobre a vida.
No fim, a exposição cumpre seu papel ao provocar mais perguntas do que respostas. É desconfortável, curiosa e acima de tudo educativa, uma experiência que transforma o medo da morte em oportunidade de conhecimento.
Serviço: O Museu Campos Gerais é um museu brasileiro localizado na cidade de Ponta Grossa, no estado do Paraná, sendo administrado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e está localizado na Rua Engenheiro Schamber, 654.
Por Nathalia Stüpp

Um Dia de Feira em PG
Com programação gratuíta, o evento abre espaço para artistas e produtores locais divulgarem seus trabalhos
O Dia de Feira, evento realizado mensalmente no Bar Taba Cabeça, é uma iniciativa cultural com entrada gratuita que reúne música, arte, gastronomia, artistas independentes e produtores locais.
Já na 11ª edição, o evento apresenta uma programação diferente a cada mês. Entre as atividades que passaram pelo espaço estão feira de economia criativa, flash tattoo, palestras e rodas de conversa, leitura de tarô, batalhas de rima, artesanato e apresentações musicais.
Realizado normalmente no último domingo de cada mês, o projeto surgiu há 11 meses a partir da dificuldade de movimentar a cena cultural e as vendas dos produtores locais no final do mês, período em que o movimento costuma diminuir. Desde então, o Dia de Feira já reuniu mais de 40 expositores independentes e recebeu mais de 20 apresentações musicais.

Crédito: Pietra Gasparini
As primeiras edições foram realizadas por iniciativa e com recursos do próprio bar. Na 11ª edição, o projeto passou a contar com o fomento do Programa Nacional dos Comitês de Cultura no Paraná, por meio do Ministério da Cultura, o que mostra também o reconhecimento da importância da iniciativa para a cena cultural local.
O evento merece uma divulgação maior, a comunicação acontece pelas redes sociais, o que limita o alcance a um público que já acompanha o bar. Uma alternativa seria levar a divulgação também para outros espaços da cidade, com cartazes e folhetos em universidades, comércios, centros culturais e outros pontos de circulação.
Ao longo das edições, o Dia de Feira tem se consolidado como um espaço de convivência, troca e fortalecimento da cena local. Para quem visita, a feira é uma oportunidade de conhecer artistas, produtos e atividades que nem sempre encontram espaço na programação cultural da cidade. Para quem expõe, funciona como uma vitrine e uma oportunidade de divulgar e vender a produção do trabalho, especialmente no final do mês.
Serviço
Dia de Feira
Local: Tabacabeça Bar e Cultura
Endereço: R. Júlio de Castilho, 755 – Centro, Ponta Grossa – PR, 84010-220
Por Pietra Gasparini

Uma procura (paranaense) de café especial
Cafeteria em Ponta Grossa aposta na torrefação artesanal de cafés especiais e oferece aos clientes uma experiência que une gastronomia e turismo
As buscas por “café especial” aumentaram 180% e o termo “café gourmet” registrou alta de 160%, os dados são de um levantamento do Google Trends. O café, além do alto consumo pelo brasileiro, tornou-se um espaço com apelo turístico. Na última década, o Paraná especializou a produção em cafés gourmet. Cerca de 30% do café produzido no estado é do tipo especial. A saca comum é negociada por volta de R$ 400, já o valor do café especial varia de R$ 800 a mais de R$ 1.000 a saca. Em Ponta Grossa, o Lúmen Café é um exemplo que une a produção de café especial e, ao mesmo tempo, se configura como um espaço de visitação.
A cafeteria existe desde 2019, e é pioneira na torrefação artesanal. Os grãos verdes são torrados na própria loja e podem ser consumidos em até 5 dias e a moagem acontece na hora e com técnicas diferentes em cada preparo, que evita a oxidação. O processo é feito em pequenos lotes e dura cerca de 15 minutos com monitoramento digital. Assim, o cliente que busca um café especial pode ter a experiência de um preparo que preserva aromas e frescor. No entanto, os cafés são servidos em uma xícara de cerâmica sem alça, o que pode deixar o consumidor desconfortável na hora de consumir as bebidas quentes

Crédito: Tripadvisor
O Lúmen Café está localizado abaixo do hotel Planalto, na Rua XV de novembro, que guarda a tradição da cidade, tendo hospedado figuras como Getúlio Vargas. Além do consumo do tradicional cafezinho, os clientes do local podem conferir a história do hotel, o que configura o Lúmen como um espaço além de especializado em café, mas também, que abriga uma tendência turística. O Lúmen torna-se opção para diversos turistas, além da decoração com luzes, que torna-se atrativa, o cliente ainda pode realizar um tour pelos processos de torrefação do local.
Serviço
Lúmen Café: Rua XV de novembro, 221, Centro
Horário: 07h às 22h de segunda a sexta, 08h às 22h aos sábados e 15h às 22h aos domingos.
Por Emanuelle Pasqualotto
Entre festas, fantasias e preconceitos com uma festa popular
Por trás dos doces e das fantasias, halloween levanta questões sobre valorização das lendas brasileiras
Todo ano, quando outubro chega, as bruxas saem dos filmes e invadem festas, escolas e lojas. Mas, junto com elas, também aparece um velho conhecido: o preconceito. Para alguns, o Halloween ainda é visto como uma celebração “do mal” ou incompatível com a religião. Mas será que conhecer a origem da festa não seria oportuno ao invés de simplesmente condená-la?
O Halloween tem raízes em tradições antigas, especialmente em festivais celtas, uma das versões, surgiu no século 9, associado à passagem entre o fim do verão e o início do inverno. Com o tempo, diferentes culturas e tradições religiosas transformaram a data até ela chegar ao atual formato popular.

Crédito: Reprodução
E se existe uma figura que merece destaque na história, é a bruxa. Durante séculos, mulheres consideradas diferentes, independentes ou fora dos padrões impostos pela sociedade foram associadas à bruxaria e perseguidas. Transformar a bruxa em fantasia também pode ser uma forma de ressignificar a imagem da mulher que, antes era temida por não se encaixar, e agora ocupa espaços de liberdade e autonomia. E talvez seja justamente aí que o feminismo encontre a festa.
Mas por que, quando se pensa em Halloween, quase sempre se imagina vampiros, zumbis, bruxas europeias e personagens norte-americanos? Onde estão as lendas brasileiras? O Brasil tem o Saci, Cuca, Iara, Curupira e tantos outros personagens que poderiam ocupar as festas de outubro. Talvez o problema não seja comemorar o Halloween, mas festejar esquecendo que o Brasil também possui lendas e expressões de uma cultura plural.
No fim, entre doces e travessuras, talvez a maior provocação do Halloween seja justamente questionar o que se aprende na escola, inclusive os próprios preconceitos.
Serviço
Halloween (31 de outubro)
Por Lucas Jolondek
Ficha Técnica
Autores: Emanuelle Pasqualotto, Lucas Jolondek, Maria Eduarda Leme, Nathália Stüpp, Pietra Gasparini e Ticyane Almeida
Supervisão de Produção: Paula Melani Rocha e Sérgio Luiz Gadini
Edição e publicação no Periódico: Emanueli Paini e Yasmin Salgado
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral
Contato: periodico@uepg.br
