{"id":1514,"date":"2025-06-09T16:45:30","date_gmt":"2025-06-09T19:45:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=1514"},"modified":"2025-06-11T13:54:58","modified_gmt":"2025-06-11T16:54:58","slug":"implementacao-do-modelo-de-ensino-medio-de-2022-amplia-desigualdades-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/implementacao-do-modelo-de-ensino-medio-de-2022-amplia-desigualdades-sociais\/","title":{"rendered":"Implementa\u00e7\u00e3o do modelo de ensino m\u00e9dio de 2022 amplia desigualdades sociais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Alunos de escolas p\u00fablicas t\u00eam menos itiner\u00e1rios formativos do que de escolas privadas. Foto: Gabriele Proen\u00e7a<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\u201cOs alunos que optavam por exatas cursaram a mat\u00e9ria Desenvolvimento Sustent\u00e1vel na minha antiga escola\u201d, conta Bruna Favaro, ex-estudante do Col\u00e9gio Sant\u2019ana. \u201cEssa mat\u00e9ria, sem d\u00favidas \u00e9 importante por\u00e9m n\u00e3o ajuda no desempenho do vestibular\u201d. Era 2022, ano em que a reforma do ensino m\u00e9dio come\u00e7ava a se espalhar pelas escolas p\u00fablicas do Brasil. A promessa era ousada: oferecer aos jovens mais liberdade de escolha e prepar\u00e1-los para os desafios do s\u00e9culo XXI. Na pr\u00e1tica, no entanto, a dist\u00e2ncia entre o discurso e a realidade cresceu com rapidez.<br \/>\nA implementa\u00e7\u00e3o do modelo de ensino m\u00e9dio nas escolas p\u00fablicas contou com a adi\u00e7\u00e3o de novas mat\u00e9rias, chamadas de itiner\u00e1rios formativos. Em escolas p\u00fablicas de Ponta Grossa os itiner\u00e1rios s\u00e3o Projeto de vida, Pensamento computacional, Educa\u00e7\u00e3o financeira, Empreendedorismo, entre outras.<br \/>\nO tempo destinado ao ensino das mat\u00e9rias da Forma\u00e7\u00e3o Geral B\u00e1sica (FGB) durante o ensino m\u00e9dio, como portugu\u00eas, ingl\u00eas, artes, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, matem\u00e1tica, ci\u00eancias da natureza (biologia, f\u00edsica, qu\u00edmica) e ci\u00eancias humanas (filosofia, geografia, hist\u00f3ria, sociologia), passou de 800 para 600 horas anuais. Confira as principais mudan\u00e7as da reforma do ensino m\u00e9dio no primeiro cap\u00edtulo dessa s\u00e9rie de reportagens <a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/os-impactos-da-reformulacao-do-novo-ensino-medio-na-educacao\/\">aqui<\/a>.<br \/>\nSegundo Bruna Favaro, disciplinas decisivas para os exames de ingresso nas universidades perderam espa\u00e7o. \u201cAlgumas mat\u00e9rias tiveram a carga hor\u00e1ria muito reduzida para abrir espa\u00e7o para os itiner\u00e1rios. E o conte\u00fado dessas novas aulas, muitas vezes, n\u00e3o acrescenta em nada para os vestibulares.\u201d<br \/>\nBruna tamb\u00e9m recorda a disciplina &#8220;Projeto de Vida&#8221;. Apesar da inten\u00e7\u00e3o de estimular o autoconhecimento e o planejamento de futuro, os alunos n\u00e3o davam muita import\u00e2ncia para a mat\u00e9ria. \u201cAs aulas muitas vezes eram somente um descanso no meio da grade hor\u00e1ria exaustiva\u201d, diz.<\/p>\n<div id=\"attachment_1526\" style=\"width: 669px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1526\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1526\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/IMG_3219-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"659\" height=\"494\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/IMG_3219-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/IMG_3219-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/IMG_3219-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/IMG_3219-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/IMG_3219-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/IMG_3219-1232x924.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/IMG_3219-1440x1080.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 659px) 100vw, 659px\" \/><p id=\"caption-attachment-1526\" class=\"wp-caption-text\">Mat\u00e9rias de Forma\u00e7\u00e3o Geral B\u00e1sica (FGB) diminu\u00edram 25% sua carga hor\u00e1ria anual. Foto: Gabriele Proen\u00e7a<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left\">Nas escolas privadas \u00e9 comum encontrar maior variedade de itiner\u00e1rios formativos nas \u00e1reas de linguagens, ci\u00eancias da natureza, ci\u00eancias humanas e matem\u00e1tica, al\u00e9m de forma\u00e7\u00f5es voltadas para o mercado de trabalho e uso de tecnologias. J\u00e1 nas escolas p\u00fablicas, oferecem apenas um ou dois itiner\u00e1rios, frequentemente limitados \u00e0 \u00e1rea de linguagens ou humanas, por falta de professores especializados, estrutura e recursos financeiros. Isso acaba aprofundando a desigualdade de oportunidades entre os dois sistemas.<br \/>\nOs professores que ensinam os itiner\u00e1rios formativos, principalmente nas escolas p\u00fablicas, muitas vezes n\u00e3o recebem preparo para isso, ou s\u00e3o professores de outras disciplinas. Segundo o professor de filosofia e de projeto de vida do col\u00e9gio Estadual Meneleu de Almeida Torres, John Endrew Gomes, a diminui\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria \u00e9 uma falta de respeito com os profissionais dessas \u00e1reas: \u201cVoc\u00ea muda a carga hor\u00e1ria de disciplinas que est\u00e3o consolidadas h\u00e1 anos e afeta diretamente a fonte de renda desses professores dessas disciplinas\u201d.<br \/>\nEle ainda avalia que o novo modelo parte do pressuposto de que \u00e9 preciso modernizar a escola e tornar o curr\u00edculo mais atraente para os estudantes, mas que n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o problemas estruturais que o col\u00e9gio j\u00e1 enfrenta. \u201cA falta de investimento, de estrutura, de concurso e valoriza\u00e7\u00e3o dos professores e os problemas que a escola enfrenta para evitar a evas\u00e3o escolar\u201d, s\u00e3o algumas das dificuldades que os col\u00e9gios t\u00eam, aponta John.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">O \u00faltimo concurso p\u00fablico para contrata\u00e7\u00e3o de novos professores e pedagogos no Paran\u00e1 aconteceu em 2023. De acordo com o portal Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o (Seed) em N\u00fameros, de 65.391 pedagogos e professores contabilizados em maio de 2023, 42% foram admitidos atrav\u00e9s de Processo Seletivo Simplificado (PSS). A contrata\u00e7\u00e3o via PSS \u00e9 feita por meio de contratos tempor\u00e1rios e n\u00e3o assegura direitos que promovem a valoriza\u00e7\u00e3o e incentivo ao docente.<br \/>\nDe acordo com o cat\u00e1logo de escolas do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira) existem 54 escolas com oferta de ensino m\u00e9dio na cidade de Ponta Grossa. Destas, 35 s\u00e3o p\u00fablicas (entre estadual, federal e municipal) e 19 s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es privadas.<br \/>\nEnquanto muitas institui\u00e7\u00f5es privadas conseguiram adaptar rapidamente a estrutura, oferecendo muitos itiner\u00e1rios, professores especializados e infraestrutura adequada, a maioria das escolas p\u00fablicas enfrentou dificuldades para garantir o m\u00ednimo previsto pela reforma. Problemas como falta de recursos, aus\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o adequada para os docentes e limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas impedem que os alunos da rede p\u00fablica tenham acesso ao mesmo n\u00edvel de diversidade e qualidade de ensino oferecido na rede privada.<br \/>\nO pedagogo do Col\u00e9gio Estadual Regente Feij\u00f3, Cassio Ajus da Silveira, explica que, por exemplo, para dar aulas da mat\u00e9ria de projeto de vida n\u00e3o \u00e9 exigida uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, o profissional formado em qualquer licenciatura pode ensinar. \u201cMuitos professores que acabaram perdendo aulas que estavam no seu contrato tiveram que migrar para essas outras disciplinas, como a de projeto de vida\u201d, para o pedagogo, essa \u00e9 uma grande quest\u00e3o da maneira como a reforma do ensino m\u00e9dio de 2022 foi conduzida. \u201cAlguns deram certo, outros n\u00e3o, algumas mat\u00e9rias ficaram apenas para completar a carga hor\u00e1ria do professor\u201d. De acordo com Cassio, essa \u00e9 uma defici\u00eancia do novo ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>\u201cFormar ou treinar? Os caminhos do novo ensino m\u00e9dio\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem investigativo. Este cap\u00edtulo trata sobre a desigualdade na implementa\u00e7\u00e3o do novo ensino m\u00e9dio. Leia o cap\u00edtulo anterior <a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/os-impactos-da-reformulacao-do-novo-ensino-medio-na-educacao\/\">aqui<\/a>. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Ficha T\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Gabriele Proen\u00e7a<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b>Giovana Guarneri, Juliane Goltz, Mariana Krankel, Rafaela Tzaskos e Eduarda Gomes<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b>Hendryo Andr\u00e9<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o: <\/b>Aline Rosso e Kevin Furtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alunos de escolas p\u00fablicas t\u00eam menos itiner\u00e1rios formativos do que de escolas privadas. Foto: Gabriele Proen\u00e7a \u201cOs alunos que optavam por exatas cursaram a mat\u00e9ria Desenvolvimento Sustent\u00e1vel na minha antiga escola\u201d, conta Bruna Favaro, ex-estudante do Col\u00e9gio Sant\u2019ana. \u201cEssa mat\u00e9ria, sem d\u00favidas \u00e9 importante por\u00e9m n\u00e3o ajuda no desempenho do vestibular\u201d. 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