{"id":1529,"date":"2025-06-09T16:39:07","date_gmt":"2025-06-09T19:39:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=1529"},"modified":"2025-06-09T16:39:07","modified_gmt":"2025-06-09T19:39:07","slug":"artesanato-ganha-forca-no-parana-e-vira-tendencia-de-trabalho-e-consumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/artesanato-ganha-forca-no-parana-e-vira-tendencia-de-trabalho-e-consumo\/","title":{"rendered":"Artesanato ganha for\u00e7a no Paran\u00e1 e vira tend\u00eancia de trabalho e consumo"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social, o trabalho artes\u00e3o representa preserva\u00e7\u00e3o cultural do artista e das pe\u00e7as feitas \u00e0 m\u00e3o<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos feitos \u00e0 m\u00e3o tem crescido nos \u00faltimos anos no Paran\u00e1. Dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab) mostram que o n\u00famero de artes\u00e3os mais que dobrou entre janeiro e agosto de 2022, um crescimento que reflete uma tend\u00eancia em todo o pa\u00eds. Atualmente, a plataforma re\u00fane mais de 190 mil profissionais cadastrados. No Brasil, estima-se que existam cerca de 8,5 milh\u00f5es de artes\u00e3os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O artesanato surgiu no per\u00edodo Neol\u00edtico, por volta de 6000 a.C., quando os humanos passaram a utilizar materiais como pedras, ossos, fibras e madeira para produzir ferramentas e objetos para o dia a dia. No Brasil, os povos ind\u00edgenas j\u00e1 desenvolviam pr\u00e1ticas artesanais milhares de anos antes da chegada dos portugueses, em 1500. Arque\u00f3logos encontraram vest\u00edgios de artefatos cer\u00e2micos com mais de cinco mil anos, como os da regi\u00e3o tapaj\u00f4nica, na Amaz\u00f4nia, e os da cultura marajoara, na Ilha de Maraj\u00f3. Entre os trabalhos ind\u00edgenas, \u00e9 comum encontrar cestos, cer\u00e2micas e ornamentos feitos de penas e plumas, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia do artesanato como express\u00e3o cultural e de identidade desses povos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir da coloniza\u00e7\u00e3o, o saber artesanal se ampliou com a chegada dos portugueses e de outros povos que trouxeram consigo t\u00e9cnicas e conhecimentos das artes manuais. Esse interc\u00e2mbio cultural deu origem \u00e0 diversidade que caracteriza o artesanato brasileiro at\u00e9 hoje. Entre as t\u00e9cnicas mais comuns est\u00e3o o croch\u00ea, tric\u00f4, macram\u00ea, tear manual, bordado, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">patchwork<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e a costura criativa. Al\u00e9m disso, muitas pe\u00e7as s\u00e3o produzidas com argila, madeira e materiais reciclados, unindo tradi\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e gera\u00e7\u00e3o de renda para milhares de artes\u00e3os espalhados pelo pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em Ponta Grossa, a valoriza\u00e7\u00e3o do artesanato se materializa na Casa do Artes\u00e3o, criada em 29 de setembro de 1989 e considerada um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da cidade. O espa\u00e7o funciona como um centro cultural e comercial, onde se preserva e fortalece a tradi\u00e7\u00e3o artesanal local. Al\u00e9m de ser um ponto de venda, a Casa do Artes\u00e3o tamb\u00e9m oferece um ambiente de aprendizado e troca de saberes, permitindo que artes\u00e3os desenvolvam e aperfei\u00e7oem t\u00e9cnicas como croch\u00ea, macram\u00ea, bordado, entre outras. Localizada na Concha Ac\u00fastica na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, no centro da cidade, o local \u00e9 um elo entre a cultura popular, a mem\u00f3ria e a gera\u00e7\u00e3o de renda para a comunidade artesanal ponta-grossense.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1532\" style=\"width: 445px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1532\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-1532\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"435\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-300x201.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-768x514.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-1232x825.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-1613x1080.jpg 1613w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/06\/Mesmo-que-o-artesao-repita-um-modelo-pequenas-variacoes-tornam-cada-peca-unica-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><p id=\"caption-attachment-1532\" class=\"wp-caption-text\">Mesmo que o artes\u00e3o repita um modelo, pequenas varia\u00e7\u00f5es tornam cada pe\u00e7a \u00fanica. Foto: Larissa Oliveira.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A presidente da Casa do Artes\u00e3o, Marluce Meira, explica que o trabalho artesanal vem sendo cada vez mais valorizado e reconhecido. \u201cO interesse por croch\u00ea, do ano passado para c\u00e1, disparou. Procura-se, principalmente, por pe\u00e7as de vestu\u00e1rio e acess\u00f3rios\u201d. O interesse das pessoas \u00e9 por\u00a0 pe\u00e7as\u00a0 \u00fanicas e exclusivas. Cada produ\u00e7\u00e3o artesanal, observa Marluce, \u00e9 constitu\u00edda por identidade e criatividade. S\u00e3o esses tra\u00e7os caracter\u00edsticos os mais marcantes e valorizados pela clientela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Reflexo dessa valoriza\u00e7\u00e3o crescente do artesanato \u00e9 o trabalho de Elis Fernanda, propriet\u00e1ria de uma loja online no Instagram. Ela produz pe\u00e7as exclusivas em croch\u00ea e percebeu um aumento significativo na procura nos \u00faltimos anos, especialmente ap\u00f3s a pandemia. \u201cO interesse pelo artesanato voltou. Nos anos 2000, era uma febre. Assim como a moda resgata tend\u00eancias de tempos em tempos, o croch\u00ea \u00e9 um bom exemplo disso\u201d, destaca Elis, que une tradi\u00e7\u00e3o e criatividade na produ\u00e7\u00e3o de suas pe\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vanderli Santos, artes\u00e3 que integra a Casa do Artes\u00e3o de Ponta Grossa, refor\u00e7a a import\u00e2ncia de manter viva a tradi\u00e7\u00e3o artesanal. Ela destaca que o espa\u00e7o oferece oficinas regulares, com o objetivo de transmitir o conhecimento e as t\u00e9cnicas para as novas gera\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 fundamental divulgar e repassar o saber do artesanato. Estamos sempre promovendo oficinas abertas \u00e0 comunidade\u201d, afirma. As atividades atraem pessoas de diferentes idades e demonstram o crescente interesse da popula\u00e7\u00e3o em aprender e valorizar o trabalho manual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Durante muito tempo, o artesanato foi associado majoritariamente a pessoas mais velhas, especialmente mulheres idosas. Isso se deve a um contexto cultural em que as t\u00e9cnicas eram transmitidas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o dentro das fam\u00edlias \u2014 atividade comum entre av\u00f3s que produziam colchas, toalhas e roupas de beb\u00ea. Atualmente, essa realidade vem se transformando. O p\u00fablico \u00e9 cada vez mais diverso, e muitos jovens t\u00eam buscado n\u00e3o s\u00f3 adquirir pe\u00e7as artesanais, mas tamb\u00e9m aprender as t\u00e9cnicas, mantendo viva essa tradi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m de seu valor cultural, o trabalho artesanal tem sido reconhecido como uma poderosa ferramenta de bem-estar e sa\u00fade mental. Pr\u00e1ticas como o croch\u00ea, o bordado e outras t\u00e9cnicas manuais s\u00e3o frequentemente associadas \u00e0 arteterapia, pois promovem benef\u00edcios como a redu\u00e7\u00e3o da ansiedade, o al\u00edvio do estresse, o aumento da autoestima, o desenvolvimento da concentra\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a melhoria da express\u00e3o emocional. Ao participar de oficinas e grupos, muitas pessoas tamb\u00e9m encontram no artesanato uma oportunidade de socializa\u00e7\u00e3o, fortalecendo v\u00ednculos e construindo redes de apoio.<\/span><\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Larissa Oliveira\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Anna Perucelli, Maria Cec\u00edlia Mascarenhas e Diego Santana<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Carlos Alberto de Souza<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social, o trabalho artes\u00e3o representa preserva\u00e7\u00e3o cultural do artista e das pe\u00e7as feitas \u00e0 m\u00e3o A valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos feitos \u00e0 m\u00e3o tem crescido nos \u00faltimos anos no Paran\u00e1. 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