{"id":1578,"date":"2025-06-11T15:01:26","date_gmt":"2025-06-11T18:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=1578"},"modified":"2025-09-10T14:21:13","modified_gmt":"2025-09-10T17:21:13","slug":"violencia-obstetrica-a-dor-alem-do-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/violencia-obstetrica-a-dor-alem-do-parto\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia obst\u00e9trica: a dor al\u00e9m do parto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b><i>\u00a0<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">Levantamento da Fiocruz revela que mulheres pretas e pardas possuem maior risco de n\u00e3o terem seus direitos respeitados. Foto: Isabele Machado<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No Brasil, cerca de 45% das mulheres atendidas pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) passaram por algum tipo de viol\u00eancia obst\u00e9trica, enquanto no hospital privado a taxa de mulheres que sofreram maus tratos no parto \u00e9 de 30%,\u00a0 mostra o levantamento feito pela Fiocruz. A <\/span><a href=\"https:\/\/nascernobrasil.ensp.fiocruz.br\/?us_portfolio=nascer-no-brasil&amp;utm_source=chatgpt.com\"><span style=\"font-weight: 400\">pesquisa<\/span><\/a> <i><span style=\"font-weight: 400\">Nascer no Brasil: inqu\u00e9rito nacional sobre o parto e o nascimento<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, acompanhou quase 24 mil mulheres em estabelecimentos de sa\u00fade p\u00fablicos e privados entre fevereiro de 2011 e outubro de 2012. Ao todo foram 266 hospitais de 191 munic\u00edpios, onde 90 pu\u00e9rperas foram entrevistas em cada um dos estabelecimentos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com a <\/span><a href=\"https:\/\/www.defensoriapublica.pr.def.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/documento\/2022-10\/cartilha_violencia_obstetrica.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">cartilha digital<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> da Defensoria P\u00fablica, viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 qualquer ato realizado pela equipe de sa\u00fade que ofenda a integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica e sexual da gestante no pr\u00e9-parto, parto, p\u00f3s-parto e no per\u00edodo puerperal, ou seja, qualquer forma de desrespeito \u00e0 mulher e ao seu corpo. Pode ser manifestada por meio da viol\u00eancia verbal, f\u00edsica, sexual ou por procedimentos desnecess\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><b>Tipos de viol\u00eancia obst\u00e9trica<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tratar a gestante de forma agressiva, minimizar e zombar da sua dor e recriminar rea\u00e7\u00f5es emocionais ou f\u00edsicas como chorar, gritar e ter medo, s\u00e3o pr\u00e1ticas que configuram viol\u00eancia verbal e psicol\u00f3gica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m das agress\u00f5es verbais, a viol\u00eancia obst\u00e9trica tamb\u00e9m pode aparecer atrav\u00e9s de procedimentos m\u00e9dicos desnecess\u00e1rios e sem o consentimento da mulher \u2013 pr\u00e1ticas como a lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, cortar o per\u00edneo (episiotomia), a arriscada manobra de Kristeller, que \u00e9 quando a pessoa que est\u00e1 ajudando no parto empurra a barriga da gestante, cesarianas induzidas sob press\u00e3o, privar a parturiente de \u00e1gua e comida, entre outras coisas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Gesica Santos, m\u00e3e de tr\u00eas filhos, relata que em seus dois primeiros partos, realizados pelo SUS, sofreu diversos tipos de viol\u00eancia obst\u00e9trica. Ela conta que foi submetida \u00e0 manobra de Kristeller, quando a enfermeira pressionava sua barriga com for\u00e7a. \u201cA enfermeira vinha em cima de mim e apertava minha barriga, mas isso n\u00e3o ajudou em nada, s\u00f3 serviu para me machucar\u201d, lembra. Ela tamb\u00e9m passou por uma episiotomia sem consentimento, levou 12 pontos e n\u00e3o teve o direito a um acompanhante. Al\u00e9m disso, enfrentou complica\u00e7\u00f5es que resultaram na fratura da clav\u00edcula do beb\u00ea. \u201cEles me machucaram muito, nem me perguntaram se podiam me cortar, apenas fizeram\u201d, desabafa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em contraste, Gesica teve uma experi\u00eancia mais positiva em seu terceiro parto, realizado por cesariana em um hospital privado. Segundo ela, o tratamento foi mais humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Coletiva de Doulas de Ponta Grossa leva\u00a0 o tema da viol\u00eancia obst\u00e9trica para dentro de rodas de gestantes, onde muitas mulheres descobrem que j\u00e1 passaram por alguma forma de viol\u00eancia. Nesses casos, essas m\u00e3es s\u00e3o acolhidas e\u00a0 depois aconselhadas a fazer a den\u00fancia, mesmo que j\u00e1 tenha se passado muito tempo do ocorrido. \u201cSempre falamos que tanto a gestante quanto o acompanhante precisam estar bem preparados para a preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia obst\u00e9trica, mesmo que isso n\u00e3o garanta que ela n\u00e3o passe por essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta a doula e educadora popular Juliane Carrico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A advogada Ruth Rodrigues, especialista em viol\u00eancia obst\u00e9trica, explica que o primeiro passo para realizar a den\u00fancia \u00e9 pedir a c\u00f3pia do prontu\u00e1rio. Depois, fazer uma reclama\u00e7\u00e3o na ouvidoria do hospital, e, ent\u00e3o, procurar um advogado especialista. \u201cNem todos os casos precisar\u00e3o ir para a parte criminal, assim como nem todos ter\u00e3o solu\u00e7\u00f5es administrativas. \u00c9 preciso analisar estrategicamente cada caso\u201d, diz Ruth.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem. Este cap\u00edtulo trata da viol\u00eancia obst\u00e9trica no Brasil. Leia o cap\u00edtulo anterior <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/doulas-realizam-abaixo-assinado-para-a-regulamentacao-da-profissao\/\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui.<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Isabele Machado<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o: <\/strong>Anna Perucelli<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Hendryo Andr\u00e9<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Levantamento da Fiocruz revela que mulheres pretas e pardas possuem maior risco de n\u00e3o terem seus direitos respeitados. Foto: Isabele Machado No Brasil, cerca de 45% das mulheres atendidas pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) passaram por algum tipo de viol\u00eancia obst\u00e9trica, enquanto no hospital privado a taxa de mulheres que sofreram maus tratos no&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":805,"featured_media":1579,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1578"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/805"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1578"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1578\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2247,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1578\/revisions\/2247"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}