{"id":1874,"date":"2025-08-11T16:41:34","date_gmt":"2025-08-11T19:41:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=1874"},"modified":"2025-08-11T16:41:34","modified_gmt":"2025-08-11T19:41:34","slug":"a-luta-de-mulheres-com-endometriose-pelo-diagnostico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/a-luta-de-mulheres-com-endometriose-pelo-diagnostico\/","title":{"rendered":"A luta de mulheres com Endometriose pelo diagn\u00f3stico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i>Demora cerca de 4 a 10 anos para mulheres serem diagnosticadas ap\u00f3s o in\u00edcio dos sintomas<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ser mulher com endometriose \u00e9 enfrentar uma dor persistente, muitas vezes invis\u00edvel e incompreendida, e ainda assim se manter firme. A fase mais dif\u00edcil dessa jornada \u00e9 o diagn\u00f3stico, marcado por incertezas, exames invasivos e a frustra\u00e7\u00e3o de tentar explicar uma dor profunda que, na maioria das vezes, \u00e9 minimizada ou desacreditada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Marilia Rodrigues, maquiadora de 33 anos, convive com a endometriose desde os 24. J\u00e1 s\u00e3o nove anos enfrentando dores constantes, passando por diversos exames e tratamentos em busca de um diagn\u00f3stico definitivo. Entre os procedimentos realizados est\u00e3o o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica da pelve e a histerossalpingografia. Marilia relata que, apesar da invasividade de cada exame e da dor, acabou se acostumando com eles , o que reflete a rotina desgastante que as\u00a0 mulheres com endometriose enfrentam para receber o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A professora Thaiury Cristina de Campos, de 25 anos, foi diagnosticada com endometriose em julho do ano passado, mas acredita conviver com a doen\u00e7a desde os 18, quando os primeiros sintomas come\u00e7aram a surgir. Em 2021, realizou o mapeamento da endometriose por meio de um ultrassom transvaginal, mas nenhum foco da doen\u00e7a foi identificado. Na \u00e9poca, a m\u00e9dica que a acompanhava descartou a possibilidade de endometriose, o que adiou o diagn\u00f3stico. Apenas anos depois, com a persist\u00eancia dos sintomas e uma nova abordagem, Thaiury realizou uma resson\u00e2ncia magn\u00e9tica da pelve, ou seja, um exame mais detalhado, o qual confirmou a presen\u00e7a da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Exames n\u00e3o invasivos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O diagn\u00f3stico da endometriose pode ser feito por\u00a0 meio de exames f\u00edsicos (por meio de consultas) e complementares (exames de imagem). Os exames complementares s\u00e3o considerados os mais invasivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os exames n\u00e3o invasivos, o mais comum \u00e9 a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal. \u00c9 um exame de menor custo, bastante utilizado, que pode identificar cistos nos ov\u00e1rios (chamados endometriomas), ader\u00eancias p\u00e9lvicas e casos de endometriose profunda. No entanto, ele nem sempre consegue detectar todas as les\u00f5es, especialmente as mais pequenas ou em regi\u00f5es espec\u00edficas. Tamb\u00e9m considerado n\u00e3o invasivo mas importante, \u00e9 a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica da pelve. Apesar de ser mais caro, oferece imagens detalhadas e tem maior sensibilidade na detec\u00e7\u00e3o de endometriose profunda e endometriomas.<\/p>\n<div id=\"attachment_1849\" style=\"width: 518px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1849\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-1849\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/ultrassonografia-intravaginal--300x209.jpeg\" alt=\"\" width=\"508\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/ultrassonografia-intravaginal--300x209.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/ultrassonografia-intravaginal--1024x712.jpeg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/ultrassonografia-intravaginal--768x534.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/ultrassonografia-intravaginal--1536x1068.jpeg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/ultrassonografia-intravaginal--2048x1424.jpeg 2048w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/ultrassonografia-intravaginal--1232x856.jpeg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/ultrassonografia-intravaginal--1554x1080.jpeg 1554w\" sizes=\"(max-width: 508px) 100vw, 508px\" \/><p id=\"caption-attachment-1849\" class=\"wp-caption-text\">Exame transvaginal, utilizado para detectar a endometriose<\/p><\/div>\n<p><b>Exames invasivos\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo <a href=\"https:\/\/sbendometriose.com.br\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Endometriose<\/a>, exames s\u00e3o classificados como invasivos quando envolvem instrumentos, cirurgias ou inje\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos, e minimamente invasivos quando causam algum desconforto, mas n\u00e3o exigem cortes ou anestesia. Alguns exames incluem:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify\"><b>Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal<\/b>: Usado para detectar cistos nos ov\u00e1rios e focos de endometriose. Pode causar desconforto e nem sempre encontra todas as les\u00f5es.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\"><b>Histerossalpingografia<\/b>: Exame invasivo, introduz contraste no \u00fatero para verificar obstru\u00e7\u00f5es nas trompas. Usado em casos de infertilidade, pode mostrar sinais indiretos de endometriose e causar dor.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\"><b>Laparoscopia<\/b>: Procedimento cir\u00fargico com pequenas incis\u00f5es, usado para ver e tratar diretamente a endometriose. Tem recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida que cirurgias tradicionais.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify\"><b>Laparotomia<\/b>: Cirurgia mais invasiva, com um corte maior no abd\u00f4men, indicada em casos espec\u00edficos. A recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais lenta e exige mais tempo de interna\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Relatos Marilia Rodrigues<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mar\u00edlia compartilha que, no in\u00edcio, sentia desconforto, ela percebeu uma diferen\u00e7a no atendimento de alguns profissionais. Enquanto muitos explicam detalhadamente o processo de cada exame, houve uma vez em que ela sentiu desconforto. &#8220;O m\u00e9dico estava em sil\u00eancio, n\u00e3o me explicava nada e\u00a0 mexia a ponteira do ultrassom de forma brusca&#8221;, conta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1875 aligncenter\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Marilia-Rodrigues-275x300.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Marilia-Rodrigues-275x300.jpg 275w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Marilia-Rodrigues-938x1024.jpg 938w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Marilia-Rodrigues-768x838.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Marilia-Rodrigues-990x1080.jpg 990w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Marilia-Rodrigues.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 275px) 100vw, 275px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A maquiadora afirma que realiza todos os tratamentos e exames recomendados, mas destaca que, em nenhum momento, foi cogitada a possibilidade de cirurgia que n\u00e3o foi devidamente explicada. Al\u00e9m da endometriose, ela tamb\u00e9m enfrenta a dificuldade de engravidar, o que torna ainda mais desafiador o desejo de ser m\u00e3e. \u201c\u00c9 uma doen\u00e7a complicada, que limita muito a nossa vida\u201d, relata. Ela destaca que o acompanhamento psicol\u00f3gico foi essencial para lidar com o impacto da condi\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00f3 consegui enfrentar tudo isso depois que comecei a fazer terapia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mar\u00edlia precisou passar por cirurgias para retirar um cisto no ov\u00e1rio provocado pela endometriose. O \u00faltimo exame indicou que a doen\u00e7a evoluiu para um est\u00e1gio mais avan\u00e7ado. Para as mulheres que est\u00e3o passando pela fase do diagn\u00f3stico, Marilia deixou um recado. \u201c\u00c9 importante entender cada processo dos exames, mas mantenha a cabe\u00e7a no lugar e n\u00e3o desespere, n\u00e3o acredite em tudo o que falam, mas sim no profissional que est\u00e1 acompanhando\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Relato Thaiury Cristina<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Thaiury Cristina afirma que n\u00e3o considerou o exame de ultrassonografia transvaginal invasivo, mas que as pacientes n\u00e3o s\u00e3o preparadas para estes exames. \u201cNem mesmo o ginecologista me preparou, ele apenas me encaminhou para a cl\u00ednica, onde recebi um papel extenso explicando os processos e preparos, mas como era minha primeira vez eu acabei n\u00e3o entendendo\u201d. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, ela relata ter se sentido desconfort\u00e1vel, tanto pelo preparo pr\u00e9vio quanto por precisar passar por v\u00e1rios profissionais at\u00e9 obter o resultado final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao receber o diagn\u00f3stico, sentiu um al\u00edvio por finalmente entender o que estava acontecendo e poder iniciar o tratamento. \u201cFoi um misto de incertezas e d\u00favidas, principalmente porque sonho em ser m\u00e3e no futuro, mas tamb\u00e9m pela minha sa\u00fade&#8221;. No caso dela, a cirurgia n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a endometriose est\u00e1 aderida \u00e0s trompas, uma regi\u00e3o mais delicada e de dif\u00edcil interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A professora gostaria que os profissionais que a atenderam tivessem ido al\u00e9m, pois, em todas as consultas, ela ouviu apenas que os sintomas n\u00e3o eram normais, mas em nenhum momento foi sugerido um exame mais aprofundado. As solu\u00e7\u00f5es propostas foram apenas mudar o anticoncepcional e tomar rem\u00e9dios para a dor. \u201cTalvez se eles tivessem esta posi\u00e7\u00e3o de investigar melhor e dar mais aten\u00e7\u00e3o para a paciente, adiantaria o diagn\u00f3stico e o tratamento\u201d, reflete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um estudo recente, publicado na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/humrep\/article\/40\/2\/270\/7932209\"><i>Human Reproduction<\/i><\/a> mostrou que um novo exame de sangue pode ajudar a detectar a endometriose de forma eficaz. A pesquisa analisou 805 mulheres, divididas entre aquelas com diagn\u00f3stico confirmado e outras com sintomas parecidos, mas sem a doen\u00e7a. O teste teve 99,7% de precis\u00e3o nos casos mais graves e mais de 85% de efic\u00e1cia nos est\u00e1gios iniciais. Com isso, surge como uma alternativa menos invasiva aos m\u00e9todos tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem investigativo a respeito da endometriose. O segundo cap\u00edtulo conta a hist\u00f3ria de duas mulheres que possuem a doen\u00e7a. Leia o cap\u00edtulo anterior <a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/diagnosticos-de-endometriose-no-brasil-aumentam-76-desde-2022\/\">aqui<\/a>. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica:<\/strong><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o: <\/b>Yasmin Taques<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b>Gabriela Denkwiski e Jo\u00e3o Foga\u00e7a<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b>Hendryo Andr\u00e9<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o: <\/b>Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Demora cerca de 4 a 10 anos para mulheres serem diagnosticadas ap\u00f3s o in\u00edcio dos sintomas Ser mulher com endometriose \u00e9 enfrentar uma dor persistente, muitas vezes invis\u00edvel e incompreendida, e ainda assim se manter firme. A fase mais dif\u00edcil dessa jornada \u00e9 o diagn\u00f3stico, marcado por incertezas, exames invasivos e a frustra\u00e7\u00e3o de tentar&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":812,"featured_media":1867,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1874"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/812"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1874"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1874\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1876,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1874\/revisions\/1876"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}