{"id":1920,"date":"2025-08-20T14:15:03","date_gmt":"2025-08-20T17:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=1920"},"modified":"2025-08-20T14:15:03","modified_gmt":"2025-08-20T17:15:03","slug":"quando-o-parto-se-torna-luta-historias-de-enfrentamento-a-violencia-obstetrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/quando-o-parto-se-torna-luta-historias-de-enfrentamento-a-violencia-obstetrica\/","title":{"rendered":"Quando o parto se torna luta: hist\u00f3rias de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia obst\u00e9trica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Profissionais que passaram pela viol\u00eancia obst\u00e9trica, hoje apoiam e orientam outras mulheres | Foto: Isabele Machado<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A m\u00e3e de tr\u00eas filhos, Ruth Rodrigues, \u00e9 advogada especialista em viol\u00eancia obst\u00e9trica h\u00e1 10 anos. Ela tamb\u00e9m atua como presidente do Coletivo Nacional de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia Obst\u00e9trica Nascer Direito, presidente da Primeira Comiss\u00e3o de Combate \u00e0 Viol\u00eancia Obst\u00e9trica do OAB, do Distrito Federal e p\u00f3s-graduada na preven\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia obst\u00e9trica pelo Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina (CESUSC). Ruth passou por uma ces\u00e1rea e dois partos domiciliares, no qual um teve uma intercorr\u00eancia e precisou ser transferida para um hospital, onde sofreu diversas viol\u00eancias obst\u00e9tricas, e foi da\u00ed que surgiu a motiva\u00e7\u00e3o para seu primeiro livro, a hist\u00f3ria de seu parto e como conheceu a viol\u00eancia obst\u00e9trica, que foi publicado em 2018.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde ent\u00e3o, come\u00e7ou a trabalhar com o tema, levando o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es sobre o direito para as mulheres no Instagram. \u201cFoi a\u00ed que eu comecei a notar que havia uma defici\u00eancia na assist\u00eancia jur\u00eddica a essas v\u00edtimas \u201d, relata. Em abril de 2022, lan\u00e7ou o eBook <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u2018Parto sem Viol\u00eancia\u2019<\/span><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> um manual simples e did\u00e1tico para ensinar as mulheres\u00a0 o que \u00e9 a viol\u00eancia obst\u00e9trica (VO), quais s\u00e3o seus direitos e como tentar garanti-los. Ambos os e-books s\u00e3o pagos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A advogada recebe em m\u00e9dia, por semana, duas a tr\u00eas mulheres que buscam os seus direitos. Segundo Ruth, o processo exige uma an\u00e1lise cuidadosa, pois as a\u00e7\u00f5es da VO s\u00e3o mais delicadas. \u201cViol\u00eancia obst\u00e9trica n\u00e3o \u00e9 erro m\u00e9dico, s\u00e3o coisas diferentes, o erro m\u00e9dico \u00e9 mais f\u00e1cil de ser provado, j\u00e1 a viol\u00eancia obst\u00e9trica a gente ainda precisa lutar muito\u201d. Para Rodrigues, \u00e9 irrelevante ter uma puni\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para esse tipo de viol\u00eancia no c\u00f3digo penal. \u201cN\u00e3o \u00e9 criminalizando que vamos resolver o problema, precisamos utilizar as leis que j\u00e1 temos a favor das mulheres\u201d, relata.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por \u00faltimo, Ela tamb\u00e9m participou do livro \u2018Maternar\u2019 com coautoria de 27 mulheres, onde escreveu o cap\u00edtulo 25, que fala da viol\u00eancia (in)vis\u00edvel, publicado em 2025 pela editora Chave Mestra. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m j\u00e1 participou de outras obras jur\u00eddicas.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1940\" style=\"width: 832px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/quando-o-parto-se-torna-luta-historias-de-enfrentamento-a-violencia-obstetrica\/foto_-violenciaobstetrica_ruth_instagram\/\" rel=\"attachment wp-att-1940\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1940\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-1940\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Foto_-violenciaobstetrica_ruth_Instagram--300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"822\" height=\"548\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Foto_-violenciaobstetrica_ruth_Instagram--300x200.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Foto_-violenciaobstetrica_ruth_Instagram--1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Foto_-violenciaobstetrica_ruth_Instagram--768x512.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Foto_-violenciaobstetrica_ruth_Instagram--1232x821.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Foto_-violenciaobstetrica_ruth_Instagram--272x182.jpg 272w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Foto_-violenciaobstetrica_ruth_Instagram-.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 822px) 100vw, 822px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1940\" class=\"wp-caption-text\">A advogada Ruth Rodrigues durante o lan\u00e7amento do livro Maternar, no qual assina o cap\u00edtulo sobre viol\u00eancia obst\u00e9trica. | Foto: Arquivo pessoal<\/p><\/div>\n<p><b>Relatos de uma doula\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Doulas s\u00e3o profissionais que auxiliam as\u00a0 gestantes de forma f\u00edsica, emocional e informativa. A hist\u00f3ria de Juliane Carrico, come\u00e7a em 2018, quando conheceu uma doula e descobriu o que era a viol\u00eancia obst\u00e9trica, \u00e9poca em que nem pensava em ser m\u00e3e. Aquela conversa lhe despertou curiosidade sobre a profiss\u00e3o. \u201cLembro que brinquei falando que eu queria fazer um curso de enfermagem, ou medicina para poder atuar dentro do cen\u00e1rio, mas sem entender mesmo o que a doula fazia\u201d, comenta. Em 2020 ela engravidou, e a partir da\u00ed conheceu outras profissionais da \u00e1rea, em seu parto tamb\u00e9m teve a presen\u00e7a de uma doula, onde, teve uma experi\u00eancia 98% positiva, por\u00e9m, ainda foi v\u00edtima da viol\u00eancia obst\u00e9trica. Foi preciso dois anos para Juliane identificar o que havia acontecido e realizar a den\u00fancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje Juliane faz parte do <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Coletivo de Doulas de Ponta Grossa<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, onde s\u00e3o realizadas rodas de conversa, prepara\u00e7\u00e3o para gestantes e familiares, auxilio p\u00f3s-parto, pintura gestacional, acompanhamento do parto, cuidados com o rec\u00e9m nascido, oficinas e workshops. Juliane conta que em sua primeira atua\u00e7\u00e3o, foi proibida de entrar na maternidade. Um parto de 32 semanas que precisou ser inibido, ou seja, foi necess\u00e1rio atrasar ou impedir o in\u00edcio do trabalho de parto e por isso a presen\u00e7a de Juliane n\u00e3o foi permitida, foi o que alegaram os profissionais da sa\u00fade. \u201cFoi uma experi\u00eancia dif\u00edcil para ela e para mim, mas me ensinou a lidar com a prematuridade. Em outras situa\u00e7\u00f5es em que isso aconteceu, eu bati o p\u00e9 e entrei\u201d, afirma Juliane.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Juliane relata que j\u00e1 presenciou muitas cenas de viol\u00eancia obst\u00e9trica nas maternidades da cidade. Segundo ela, n\u00e3o cabe a doula <\/span><span style=\"font-weight: 400\">dizer \u00e0 fam\u00edlia que isso aconteceu se esta n\u00e3o tiver identificado, visto que pode acabar corrompendo a experi\u00eancia do nascimento da crian\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem. Este cap\u00edtulo traz a experi\u00eancia de mulheres que tiveram seus direitos violados durante o parto. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><b>Ficha T\u00e9cnica\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Isabele Machado\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b>Emanuely Almeida, Fabr\u00edcio Zvir, <span style=\"font-weight: 400\">Giovana Guarneri, Gabrieli Mendes e Rafaela Conrado.<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Hendryo Andr\u00e9\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aline Rosso e Kevin Furtado<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais que passaram pela viol\u00eancia obst\u00e9trica, hoje apoiam e orientam outras mulheres | Foto: Isabele Machado A m\u00e3e de tr\u00eas filhos, Ruth Rodrigues, \u00e9 advogada especialista em viol\u00eancia obst\u00e9trica h\u00e1 10 anos. 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