{"id":1928,"date":"2025-08-20T14:14:37","date_gmt":"2025-08-20T17:14:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=1928"},"modified":"2025-10-06T16:15:39","modified_gmt":"2025-10-06T19:15:39","slug":"passado-ponta-grossense-deixa-tracos-visiveis-na-arquitetura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/passado-ponta-grossense-deixa-tracos-visiveis-na-arquitetura\/","title":{"rendered":"Passado ponta-grossense deixa tra\u00e7os vis\u00edveis na arquitetura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Av. Baldu\u00edno Taques antigamente e atualmente. Montagem: Ester Roloff<\/em><\/p>\n<p>Caminhando pelas ruas de Ponta Grossa \u00e9 poss\u00edvel observar lojas, casas e\u00a0 pr\u00e9dios, alguns modernos e outros singelos, mas cada um com uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s de suas fachadas. Os pr\u00e9dios e constru\u00e7\u00f5es antigas trazem do passado mais do que uma arquitetura antiga, eles guardam mem\u00f3rias da cidade, algumas que at\u00e9 hoje est\u00e3o presentes na sociedade.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de uma cidade pode ser percebida atrav\u00e9s de algo t\u00e3o mundano quanto as ruas que comp\u00f5em os bairros e as vias urbanas, em Ponta Grossa n\u00e3o \u00e9 diferente. O especialista em hist\u00f3ria republicana do Brasil, Edson Silva, \u00e9 doutor e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), ele estuda a hist\u00f3ria regional da cidade e a forma\u00e7\u00e3o de identidade da popula\u00e7\u00e3o. \u201cNos \u00faltimos anos, as tend\u00eancias historiogr\u00e1ficas valorizaram mais as grandes explica\u00e7\u00f5es do que o registro e a precis\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o de fatos e personagens\u201d, relata. Ele afirma que para uma maior compreens\u00e3o da sociedade \u00e9 preciso olhar tanto para as fundamenta\u00e7\u00f5es\u00a0 hist\u00f3ricas quanto para os personagens que as comp\u00f5em. \u201cAs explica\u00e7\u00f5es devem ser fundamentadas em personagens e fatos, se n\u00e3o passam a ser apenas conceitos te\u00f3ricos, sem entendimento humanidade por tr\u00e1s dos acontecimentos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O escritor, Peter Lapezak, \u00e9 autor do livro \u2018500 Ruas de Ponta Grossa\u2019, no qual traz mini-biografias dos personagens hist\u00f3ricos que deram origem aos nomes das ruas da cidade. \u201cParte das vidas escritas no livro nasceram nos s\u00e9culos XVIII e XIX, e na \u00e9poca o modo como escolhiam o sobrenome era diferente, muitas vezes era dado o sobrenome do padrinho ao afilhado ou demorava-se meses para registrar o nascimento de uma crian\u00e7a\u201d, conta. Mesmo com a dificuldade em identificar algumas pessoas e grupos familiares, Peter encontrou fam\u00edlias inteiras nas ruas da cidade. \u201cPais e filhos, irm\u00e3os, irm\u00e3s, av\u00f4 e neto, marido e esposa, todos colocados juntos no livro\u201d, cita.<\/p>\n<p>O livro foi lan\u00e7ado em novembro de 2024, e o professor de hist\u00f3ria Edson, amigo do escritor, participou da cria\u00e7\u00e3o da obra. \u201cAs biografias relembram um ambiente que n\u00e3o existe mais, mas que, atrav\u00e9s de hist\u00f3rias e mem\u00f3rias, continua presente no modo de ser ponta-grossense\u201d, acrescenta o professor Edson sobre o livro.<\/p>\n<p><b>A forma\u00e7\u00e3o de Ponta Grossa<\/b><\/p>\n<p>A lenda que conta sobre a constru\u00e7\u00e3o da catedral de Ponta Grossa, local onde daria in\u00edcio a forma\u00e7\u00e3o do povoado da cidade, fala sobre a diverg\u00eancia entre fazendeiros que queriam que a constru\u00e7\u00e3o fosse perto da pr\u00f3pria fazenda. Como solu\u00e7\u00e3o, eles soltaram duas pombas brancas, atadas com fitas vermelhas nas patas, e no local onde pousassem seria feita a constru\u00e7\u00e3o da igreja. As pombas pousaram na Pra\u00e7a Marechal Floriano, em frente foi constru\u00edda a catedral, na colina mais alta que marca o ponto zero da constru\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_1941\" style=\"width: 853px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1941\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-1941\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Estacao-Ferroviaria-de-Ponta-Grossa-nos-anos-1909.-Foto_-acervo-da-cidade-300x188.jpeg\" alt=\"\" width=\"843\" height=\"528\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Estacao-Ferroviaria-de-Ponta-Grossa-nos-anos-1909.-Foto_-acervo-da-cidade-300x188.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/Estacao-Ferroviaria-de-Ponta-Grossa-nos-anos-1909.-Foto_-acervo-da-cidade.jpeg 500w\" sizes=\"(max-width: 843px) 100vw, 843px\" \/><p id=\"caption-attachment-1941\" class=\"wp-caption-text\">Ponta Grossa nos anos 1909. Foto: acervo da cidade.<\/p><\/div>\n<p>O historiador, Edson Silva, afirma que quando foi constru\u00edda a catedral Sant\u2019Ana, a capela Santa B\u00e1rbara j\u00e1 existia. \u201cNa realidade, foi a din\u00e2mica de circula\u00e7\u00e3o das tropas que determinou em que local surgiria o povoado\u201d, explica. Para o professor, o momento que determinou Ponta Grossa como munic\u00edpio foi, na realidade, a chegada da ferrovia. \u201cOs trens conectam a cidade com o restante do Estado, transformando-a em um centro urbano e comercial importante na regi\u00e3o\u201d, indica.<\/p>\n<p>O ex-maquinista, Marcelo Rocha, trabalhou por 29 anos na ferrovia de Ponta Grossa, antes na ALL (Am\u00e9rica Latina Log\u00edstica, que encerrou as atividades em 2015) e na empresa que atualmente est\u00e1 liderando a malha ferrovi\u00e1ria da cidade, Rumo Log\u00edstica. \u201cSempre foi um trabalho dif\u00edcil, sem hora certa para dormir ou acordar, todos os maquinistas que trabalhavam comigo tomavam rem\u00e9dio para dormir, eu tamb\u00e9m tomava, mas agora que aposentei estou tentando acabar com esse v\u00edcio\u201d, relata. Ele fala como a profiss\u00e3o foi se desvalorizando com o tempo. \u201cAntes t\u00ednhamos aposentadoria especial por conta do barulho dos trens, hoje j\u00e1 n\u00e3o existe mais, por\u00e9m n\u00e3o quer dizer que todos n\u00e3o existam outros agravantes na profiss\u00e3o\u201d, denuncia. A falta de um ciclo de sono adequado, o trabalho em turnos, afeta a sa\u00fade dos trabalhadores, causando estresse e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu entrei na ferrovia j\u00e1 existia um preconceito sobre os maquinistas, hoje em dia n\u00e3o acredito que tenha mudado muito\u201d, lamenta. Marcelo relembra a import\u00e2ncia dos trens para o desenvolvimento da cidade e afirma que mesmo com as dificuldades, amava o que fazia. \u201cNunca me vi trabalhando com mais nada, conduzir um trem \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o sem igual\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem investigativo. Este cap\u00edtulo trata\u00a0 dos tra\u00e7os vis\u00edveis na arquitetura de Ponta Grossa. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Ester Roloff<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> Amanda Stafin e Eloise da Silva<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Hendryo Andr\u00e9<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o:<\/strong> Aline Rosso e Kevin Furtado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Av. Baldu\u00edno Taques antigamente e atualmente. Montagem: Ester Roloff Caminhando pelas ruas de Ponta Grossa \u00e9 poss\u00edvel observar lojas, casas e\u00a0 pr\u00e9dios, alguns modernos e outros singelos, mas cada um com uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s de suas fachadas. 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