{"id":1990,"date":"2025-08-20T15:17:15","date_gmt":"2025-08-20T18:17:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=1990"},"modified":"2025-08-20T15:17:15","modified_gmt":"2025-08-20T18:17:15","slug":"parana-lidera-casos-de-cyberbullying-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/parana-lidera-casos-de-cyberbullying-no-brasil\/","title":{"rendered":"Paran\u00e1 lidera casos de cyberbullying no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\">Crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o as principais v\u00edtimas do cyberbullying. No Paran\u00e1, o problema \u00e9 grave e a subnotifica\u00e7\u00e3o dificulta ainda mais o enfrentamento. Foto Julia Almeida<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Paran\u00e1 foi o estado com o maior n\u00famero de casos de cyberbullying registrados no Brasil em 2024, segundo dados do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2025. Foram 103 ocorr\u00eancias notificadas formalmente \u00e0s autoridades, o que representa quase um quarto dos 452 registros feitos em todo o pa\u00eds. Embora os n\u00fameros ainda sejam baixos para a propor\u00e7\u00e3o do problema, especialistas alertam que a subnotifica\u00e7\u00e3o continua sendo um dos principais obst\u00e1culos no enfrentamento da viol\u00eancia virtual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O cyberbullying \u00e9 uma forma de agress\u00e3o que ocorre por meio de redes sociais, aplicativos, jogos online ou qualquer outro ambiente digital. Coment\u00e1rios ofensivos, amea\u00e7as, dissemina\u00e7\u00e3o de imagens vexat\u00f3rias e apelidos pejorativos s\u00e3o algumas das pr\u00e1ticas mais frequentes , principalmente entre adolescentes. Apesar de ter caracter\u00edsticas semelhantes ao bullying tradicional, ele se diferencia pela amplitude, velocidade e perman\u00eancia dos ataques na internet.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A professora Zilda Mara Consalter, especialista em Direito e docente da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira define tanto o bullying quanto o cyberbullying como formas de viol\u00eancia classificadas sob o termo \u201cintimida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica\u201d. Zilda complementa que a principal diferen\u00e7a est\u00e1 no meio em que ocorrem. \u201cSe a conduta for praticada por redes sociais, jogos online ou aplicativos, passa a configurar o cyberbullying, com as mesmas caracter\u00edsticas de crueldade, repeti\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de motivo aparente\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, a pr\u00e1tica tem sido potencializada pelo uso de tecnologias como a intelig\u00eancia artificial, que permite a cria\u00e7\u00e3o de imagens falsas, conhecidas como deep fakes, para humilhar v\u00edtimas. Essas novas formas de ataque preocupa juristas, que veem na IA um agravante no cen\u00e1rio da viol\u00eancia digital, ainda pouco regulamentado e de dif\u00edcil controle.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com uma pesquisa da Intel Security, feita com 507 crian\u00e7as e adolescentes brasileiros entre 8 e 16 anos em 2024, 66% disseram j\u00e1 ter presenciado ataques na internet. Entre os entrevistados, 21% afirmaram ter sofrido cyberbullying e 24% admitiram ter praticado algum tipo de agress\u00e3o digital. As justificativas mais comuns foram a sensa\u00e7\u00e3o de vingan\u00e7a, o desgosto pela v\u00edtima ou o desejo de acompanhar o comportamento de outros colegas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A professora Zilda destaca que a legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 prev\u00ea puni\u00e7\u00f5es severas para algumas formas de ciberviol\u00eancia. Um exemplo \u00e9 a indu\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio ou \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o por meio da internet, que hoje \u00e9 considerado crime hediondo. Ainda assim, muitas v\u00edtimas deixam de denunciar por vergonha, medo de retalia\u00e7\u00e3o ou falta de confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Como a restri\u00e7\u00e3o dos celulares nas escolas pode impactar nesse cen\u00e1rio?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No ambiente escolar, a restri\u00e7\u00e3o ao uso de celulares, como a determinada pela lei 15.100 sancionada em 2025 no Paran\u00e1, pode ajudar a reduzir epis\u00f3dios de cyberbullying durante o hor\u00e1rio de aula. No entanto, a professora Zilda alerta que ainda n\u00e3o h\u00e1 dados conclusivos sobre a efetividade da medida. \u201c\u00c9 uma iniciativa importante, mas n\u00e3o resolve o problema por completo, j\u00e1 que os ataques podem continuar fora da escola\u201d, pontua.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre os principais desafios est\u00e3o a identifica\u00e7\u00e3o dos agressores, o acolhimento \u00e0s v\u00edtimas e a conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade. Mudan\u00e7as repentinas no comportamento, isolamento social e medo de usar a internet s\u00e3o alguns dos sinais que pais e professores devem observar, segundo a professora da UEPG. A docente refor\u00e7a que muitos adultos ainda n\u00e3o compreendem a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 quem diga que \u00e9 \u2018s\u00f3 brincadeira\u2019, mas os impactos s\u00e3o profundos e, muitas vezes, invis\u00edveis\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p><b>Como o bullying afeta a vida dos adolescentes<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em Ponta Grossa, o relato de Ros\u00e2ngela ilustra os efeitos do bullying vivenciado no ambiente escolar. Sua filha, Bruna\u00a0 (nomes fict\u00edcios para preservar a identidade da fam\u00edlia), aluna de uma escola privada da cidade, enfrentou uma s\u00e9rie de agress\u00f5es verbais e atitudes discriminat\u00f3rias por parte de colegas de sala. \u201cMinha filha sempre foi uma crian\u00e7a diferente. Ela foi diagnosticada com autismo n\u00edvel 1. Apesar de ser loira, tem o cabelo muito crespo e tinha meninos que puxavam o cabelo dela e diziam que era nojento\u201d, conta a m\u00e3e.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Ros\u00e2ngela, os epis\u00f3dios eram recorrentes e sempre comunicados \u00e0 escola, que n\u00e3o tomava nenhuma provid\u00eancia. \u201cEles diziam que n\u00e3o viam nada ou que estava fora da al\u00e7ada deles\u201d, lembra. Aos 14 anos, Bruna era frequentemente exclu\u00edda. Em uma viagem escolar no 9\u00ba ano, foi alvo de deboche por parte de outras alunas. O desconforto foi t\u00e3o grande que ela decidiu voltar antes do fim da excurs\u00e3o, mesmo assim, o col\u00e9gio tratou a situa\u00e7\u00e3o como uma simples \u201cbrincadeira\u201d entre colegas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A m\u00e3e relata que o sofrimento da filha foi profundo. \u201cEla ficou muito fechada. Fiquei com medo de perder minha filha, de verdade. Ela estava muito deprimida e devastada com todas as agress\u00f5es verbais\u201d. A situa\u00e7\u00e3o\u00a0 s\u00f3 come\u00e7ou a mudar ap\u00f3s a transfer\u00eancia para uma nova escola, onde Bruna foi bem acolhida, fez amigos e passou a receber acompanhamento psicol\u00f3gico e psiqui\u00e1trico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Ros\u00e2ngela, o que sua filha viveu dentro da escola poderia facilmente ter migrado para o ambiente digital, como ocorre em muitos casos de cyberbullying. \u201cAs escolas precisam entender que elas precisam tomar provid\u00eancias\u00a0 em\u00a0 rela\u00e7\u00e3o aos comportamentos discriminat\u00f3rios, preconceituosos, mas que s\u00e3o tomadas por brincadeiras. Piadas machistas, racistas e homof\u00f3bicas n\u00e3o podem ser toleradas.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria de Bruna mostra como os limites entre bullying e cyberbullying podem ser dif\u00edceis de identificar. A agress\u00e3o pode come\u00e7ar presencialmente, mas se estender nos ambientes virtuais. O alerta serve para refor\u00e7ar a import\u00e2ncia de a\u00e7\u00f5es mais efetivas por parte das institui\u00e7\u00f5es de ensino e da sociedade como um todo. Afinal, tanto no mundo f\u00edsico quanto no digital, o impacto emocional causado \u00e0s v\u00edtimas \u00e9 real e profundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Ficha t\u00e9cnica\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Texto:<\/strong> Jo\u00e3o Foga\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Julia Almeida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/strong>Hendryo Andr\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Supervis\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o: <\/strong>Aline Rosso e Kevin Furtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o as principais v\u00edtimas do cyberbullying. No Paran\u00e1, o problema \u00e9 grave e a subnotifica\u00e7\u00e3o dificulta ainda mais o enfrentamento. Foto Julia Almeida O Paran\u00e1 foi o estado com o maior n\u00famero de casos de cyberbullying registrados no Brasil em 2024, segundo dados do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2025. 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