{"id":2041,"date":"2025-08-27T14:18:37","date_gmt":"2025-08-27T17:18:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=2041"},"modified":"2025-08-27T14:44:39","modified_gmt":"2025-08-27T17:44:39","slug":"novo-ensino-medio-compromete-preparacao-para-vestibulares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/novo-ensino-medio-compromete-preparacao-para-vestibulares\/","title":{"rendered":"Novo ensino m\u00e9dio compromete prepara\u00e7\u00e3o para vestibulares"},"content":{"rendered":"<p><em>Cr\u00e9dito: Gabriele Proen\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nas escolas, os alunos aprendem sobre projeto de vida e o mundo de trabalho. Nos vestibulares, eles precisam saber das f\u00f3rmulas, interpreta\u00e7\u00f5es, tabela peri\u00f3dica e guerras mundiais. Como seguir o sonho de entrar em uma universidade p\u00fablica sem aprender o conte\u00fado necess\u00e1rio para passar nos vestibulares? Esse \u00e9 o dilema enfrentado pelos adolescentes brasileiros, que cursam o novo ensino m\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os alunos t\u00eam procurado\u00a0 cursinhos pr\u00e9-vestibulares porque a grade curricular do novo ensino m\u00e9dio n\u00e3o garante o estudo dos conte\u00fados das provas usadas para a entrada em universidades p\u00fablicas. A nova proposta educacional busca tornar a educa\u00e7\u00e3o mais flex\u00edvel e conectada aos interesses dos estudantes. No entanto, reduziu a carga hor\u00e1ria destinada \u00e0s disciplinas tradicionais, como Matem\u00e1tica, Hist\u00f3ria, F\u00edsica, Qu\u00edmica e Biologia, mat\u00e9rias da Forma\u00e7\u00e3o Geral B\u00e1sica (FGB). Essas s\u00e3o as mat\u00e9rias mais cobradas nos vestibulares e em provas como o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (<\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\/areas-de-atuacao\/avaliacao-e-exames-educacionais\/enem\"><span style=\"font-weight: 400\">Enem<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">), a principal\u00a0 forma de entrada dos estudantes no ensino superior atualmente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No lugar das mat\u00e9rias da FBG surgiram m\u00f3dulos que, embora relevantes para a forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, n\u00e3o dialogam diretamente com a l\u00f3gica dos vestibulares. E, nesse jogo, quem pode paga cursinho. Quem n\u00e3o pode, torce para aprender o m\u00e1ximo poss\u00edvel nas poucas aulas restantes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tayla Gabrieli de Lima, estudante do terceiro ano do ensino m\u00e9dio no Col\u00e9gio Estadual Rio d\u2019Areia, localizado na regi\u00e3o rural de Teixeira Soares, sempre teve o sonho de cursar ensino superior e vai fazer os vestibulares esse ano. Para ela, o impacto na hora de fazer a prova que vai decidir seu futuro acad\u00eamico \u00e9 grande. \u201cvou ter que estudar por fora as mat\u00e9rias que n\u00e3o s\u00e3o ofertadas na escola\u201d, desabafa. Na realidade de muitos dos alunos, pagar um cursinho pr\u00e9-vestibular para estudar por fora n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. Para aqueles que conseguem, talvez, uma bolsa de estudos em algum curso ou programa apoiado pelo governo, \u00e9 trabalhoso conciliar a rotina de estudos do col\u00e9gio e para o vestibular.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_2054\" style=\"width: 1037px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2054\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2054\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-27-at-14.33.38-1-300x272.jpeg\" alt=\"\" width=\"1027\" height=\"931\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-27-at-14.33.38-1-300x272.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-27-at-14.33.38-1-768x696.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-27-at-14.33.38-1.jpeg 888w\" sizes=\"(max-width: 1027px) 100vw, 1027px\" \/><p id=\"caption-attachment-2054\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Amanda Stafin<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2025, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (<\/span><a href=\"https:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php\"><span style=\"font-weight: 400\">MEC<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">), lan\u00e7ou a Rede Nacional de Cursinhos Populares (<\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/cpop\"><span style=\"font-weight: 400\">CPOP<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">), para apoiar institui\u00e7\u00f5espr\u00e9-vestibulares no pa\u00eds. A CPOP foi regulamentada em mar\u00e7o de 2025, por meio do decreto n\u00ba 12.410\/2025, e promete beneficiar 5,2 mil jovens ainda este ano. O programa investe em cursinhos pr\u00e9-vestibulares populares e comunit\u00e1rios, com o objetivo de ampliar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para alunos da rede p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o professor de Filosofia do Col\u00e9gio Estadual Meneleu de Almeida Torres, John Endrew Gomes, o novo ensino m\u00e9dio restringe as possibilidades dos alunos. \u201cNo vestibular tem uma parte espec\u00edfica e uma geral. Se o aluno n\u00e3o tem contato de uma forma geral com as disciplinas de todas as \u00e1reas, ele vai ser prejudicado na hora de fazer a prova\u201d, analisa o professor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No primeiro ano do ensino m\u00e9dio, os estudantes decidem qual dos itiner\u00e1rios formativos querem cursar entre as \u00e1reas de Ci\u00eancias Humanas, Ci\u00eancias da Natureza, Linguagens ou Matem\u00e1tica, como contamos no <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/os-impactos-da-reformulacao-do-novo-ensino-medio-na-educacao\/\"><span style=\"font-weight: 400\">primeiro cap\u00edtulo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> dessa s\u00e9rie de reportagens. A legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o impede a mudan\u00e7a de itiner\u00e1rio formativo durante o ensino m\u00e9dio, por\u00e9m n\u00e3o assegura que isso seja vi\u00e1vel em todas as escolas. A possibilidade do estudante mudar a escolha do itiner\u00e1rio depende da estrutura de cada institui\u00e7\u00e3o, da disponibilidade dos professores e de quest\u00f5es log\u00edsticas, como o transporte escolar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Educadores alertam que o modelo, ao ser aplicado de forma desigual, penaliza alunos que precisam de apoio para descobrir seus interesses. Para John Endrew, os alunos ainda n\u00e3o est\u00e3o preparados para tomar a decis\u00e3o sobre qual \u00e1rea querem seguir. Outro problema \u00e9 a falta de estrutura das escolas. \u201c\u00c0s vezes, eles nem t\u00eam a possibilidade de ter uma ampla oferta dos quatro itiner\u00e1rios formativos e ficam restritos ao que a escola oferece\u201d. O professor tamb\u00e9m ressalta que, em algumas ocasi\u00f5es, o estudante tem que trocar de turno para fazer outro itiner\u00e1rio formativo, que \u00e9 algo que pode ser invi\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Jo\u00e3o Paulo Camargo, que \u00e9 professor de Geografia no Col\u00e9gio Estadual Meneleu de Almeida Torres, em Ponta Grossa, muitos professores realizam a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas para suprir as dificuldades e melhorar o desempenho dos estudantes nas avalia\u00e7\u00f5es externas, como processo seletivo seriados, vestibulares e Enem. \u201cO novo modelo de ensino m\u00e9dio enfatiza mais a prepara\u00e7\u00e3o para o mercado de trabalho do que para a continuidade dos estudos no ensino superior\u201d. O professor tamb\u00e9m aponta que \u00e9 importante que toda escola se comprometa com as duas dimens\u00f5es, o ensino superior e o mercado de trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem investigativo. Este cap\u00edtulo trata das dificuldades na prepara\u00e7\u00e3o dos estudantes para os vestibulares. Leia o cap\u00edtulo anterior <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/implementacao-do-modelo-de-ensino-medio-de-2022-amplia-desigualdades-sociais\/\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: Gabriele Proen\u00e7a<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Amanda Stafin, Gabriela Denkwiski, Rafaela Conrado<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Hendryo Andr\u00e9<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: Aline Rosso e Kevin Kossar<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00e9dito: Gabriele Proen\u00e7a Nas escolas, os alunos aprendem sobre projeto de vida e o mundo de trabalho. Nos vestibulares, eles precisam saber das f\u00f3rmulas, interpreta\u00e7\u00f5es, tabela peri\u00f3dica e guerras mundiais. Como seguir o sonho de entrar em uma universidade p\u00fablica sem aprender o conte\u00fado necess\u00e1rio para passar nos vestibulares? 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