{"id":2077,"date":"2025-09-01T16:04:38","date_gmt":"2025-09-01T19:04:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=2077"},"modified":"2025-09-01T16:04:38","modified_gmt":"2025-09-01T19:04:38","slug":"dentro-da-toca-dos-incels-como-funcionam-os-grupos-misoginos-que-transformam-frustracao-em-odio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/dentro-da-toca-dos-incels-como-funcionam-os-grupos-misoginos-que-transformam-frustracao-em-odio\/","title":{"rendered":"Dentro da toca dos incels: como funcionam os grupos mis\u00f3ginos que transformam frustra\u00e7\u00e3o em \u00f3dio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong><em>Grupos moldam pensamentos e dificultam buscas por ajuda<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu acreditava, de verdade, que ningu\u00e9m nunca ia me amar. E que a culpa era das mulheres\u201d. \u00c9 assim que come\u00e7a o relato de Paulo, 21 anos, que por quase dois anos esteve mergulhado em uma das comunidades mais t\u00f3xicas da internet: os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incels<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, abrevia\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">involuntary celibates<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ou celibat\u00e1rios involunt\u00e1rios, um submundo virtual onde homens se re\u00fanem para transformar inseguran\u00e7as e frustra\u00e7\u00f5es pessoais em \u00f3dio contra as mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que come\u00e7ou como busca por acolhimento virou combust\u00edvel para um ciclo de autodeprecia\u00e7\u00e3o, ressentimento e discursos mis\u00f3ginos. E Paulo n\u00e3o foi o \u00fanico. Na verdade, s\u00e3o milhares de jovens que, todos os dias, cruzam os port\u00f5es desses grupos digitais e, muitas vezes, n\u00e3o conseguem mais sair. Um estudo da organiza\u00e7\u00e3o Center for Countering Digital Hate (CCDH), de 2022, revelou que os maiores f\u00f3runs <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incels<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> somam, juntos, mais de 1,2 milh\u00e3o de membros ativos, com uma m\u00e9dia de 2,6 milh\u00f5es de acessos mensais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda segundo a pesquisa, nesses espa\u00e7os, h\u00e1 em m\u00e9dia um post mis\u00f3gino a cada 30 segundos. Mais grave: cerca de 89% dos usu\u00e1rios j\u00e1 discutiram temas ligados a viol\u00eancia, incluindo assassinatos, estupro ou suic\u00eddio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ponto de partida, segundo Paulo, foi a solid\u00e3o. Aos 18 anos, rec\u00e9m-sa\u00eddo do ensino m\u00e9dio, ele se via isolado. \u201cVia meus colegas namorando, saindo, se divertindo. E eu, nada. Eu me sentia invis\u00edvel\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Procurando respostas no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">YouTube<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ele come\u00e7ou assistindo v\u00eddeos sobre \u201ccomo ser mais confiante\u201d e \u201ccomo conquistar garotas\u201d, mas o algoritmo logo o levou para outro caminho: v\u00eddeos que falavam de \u201chipergamia feminina\u201d, a suposta tend\u00eancia das mulheres a escolher apenas os homens de maior status ou beleza. Curioso, Paulo clicou em um link na descri\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo que o levou a um f\u00f3rum. Foi ali que conheceu o universo dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incels<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_2082\" style=\"width: 717px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2082\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2082\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/Infografico--300x223.jpg\" alt=\"\" width=\"707\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/Infografico--300x223.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/Infografico--768x570.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/Infografico-.jpg 988w\" sizes=\"(max-width: 707px) 100vw, 707px\" \/><p id=\"caption-attachment-2082\" class=\"wp-caption-text\">F\u00f3runs incels ensinam que o sofrimento pessoal \u00e9 culpa das mulheres, criando um ciclo de ressentimento.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Arte: <span style=\"font-weight: 400\">Anna Perucelli<\/span><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como funcionam esses grupos?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os f\u00f3runs <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incels<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> t\u00eam estruturas bem definidas, explica Paulo. H\u00e1 t\u00f3picos fixos com \u201cli\u00e7\u00f5es\u201d sobre beleza facial, padr\u00f5es est\u00e9ticos, hierarquias sociais e, sobretudo, teorias sobre como a sociedade estaria organizada para beneficiar as mulheres e punir homens como eles. \u201cL\u00e1 eles te dizem que, se voc\u00ea n\u00e3o nasceu bonito, alto, musculoso, voc\u00ea est\u00e1 fadado a ser rejeitado. E que isso nunca vai mudar, n\u00e3o importa o que voc\u00ea fa\u00e7a\u201d, relata. \u201cE o mais pesado \u00e9 que eles culpam diretamente as mulheres. Dizem que elas s\u00e3o frias, interesseiras, cru\u00e9is. Voc\u00ea come\u00e7a a acreditar\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A entrada nos grupos geralmente \u00e9 feita por convites escondidos em links, coment\u00e1rios ou descri\u00e7\u00f5es de v\u00eddeos e posts. H\u00e1 subf\u00f3runs para diferentes temas: desabafos, memes, teorias, suic\u00eddio e at\u00e9 discuss\u00f5es sobre viol\u00eancia, frequentemente moderado para n\u00e3o chamar aten\u00e7\u00e3o das plataformas, mas que ainda circula em espa\u00e7os privados como grupos no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Discord<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e canais no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Telegram<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Da frustra\u00e7\u00e3o \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga Amanda Soares, especialista em comportamento digital e viol\u00eancia de g\u00eanero, explica que esses grupos operam de maneira muito semelhante a seitas. \u201cEles oferecem uma explica\u00e7\u00e3o simples para uma dor muito complexa: a solid\u00e3o, a rejei\u00e7\u00e3o, a baixa autoestima. Em vez de ajudar essas pessoas a entenderem suas dificuldades, eles dizem que o problema est\u00e1 no outro, nas mulheres, nos homens bem-sucedidos, na sociedade\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Amanda, o ciclo \u00e9 previs\u00edvel: primeiro, o jovem encontra acolhimento, sente-se ouvido. Depois, \u00e9 bombardeado por conte\u00fados que refor\u00e7am sua vis\u00e3o negativa de si mesmo e do mundo. Por fim, \u00e9 levado a acreditar que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda a n\u00e3o ser aceitar o \u00f3dio ou, em casos extremos, a pr\u00f3pria morte. \u201cO que esses espa\u00e7os fazem \u00e9 uma lavagem emocional. Eles refor\u00e7am a impot\u00eancia, invalidam qualquer possibilidade de mudan\u00e7a e criam um ambiente onde o discurso mis\u00f3gino \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 aceito, mas celebrado\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><b>As regras n\u00e3o escritas do submundo incel<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dentro dos f\u00f3runs, existem c\u00f3digos e regras n\u00e3o declaradas. Linguagem pr\u00f3pria: termos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">chad<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (homem alfa), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">stacy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (mulher atraente), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">blackpill <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(aceita\u00e7\u00e3o do destino tr\u00e1gico) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">looksmaxxing<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (melhorias na apar\u00eancia, como cirurgia pl\u00e1stica ou uso de anabolizantes) s\u00e3o onipresentes. Hierarquia baseada no desespero: quanto mais algu\u00e9m demonstra pessimismo, niilismo ou \u00f3dio, mais respeito conquista no grupo. Censura interna: qualquer tentativa de discutir alternativas saud\u00e1veis, como terapia ou desenvolvimento pessoal, \u00e9 tratada como cope (autoengano) e ridicularizada. Conte\u00fado reciclado: memes, gr\u00e1ficos falsos e supostas \u201cprovas cient\u00edficas\u201d que refor\u00e7am o discurso de que mulheres s\u00f3 se interessam por homens de beleza extrema ou status econ\u00f4mico.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que o \u00f3dio alimenta<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Paulo admite que chegou perto do abismo. N\u00e3o foi de uma hora para outra. A sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o foi se acumulando em sil\u00eancios, olhares desviados e\u00a0 rejei\u00e7\u00f5es mal digeridas. \u201cEu comecei a pensar que n\u00e3o fazia sentido viver assim\u201d, conta. \u201cE, sim, passei a achar que elas, as mulheres, eram as culpadas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que come\u00e7ou como uma frustra\u00e7\u00e3o contida logo se transformou em raiva. Isolado no quarto, passava horas consumindo v\u00eddeos e f\u00f3runs em quem que outros homens repetiam aquilo que ele sentia, com palavras mais afiadas, mais cru\u00e9is. A raiva ganhou corpo, e com ela vieram os coment\u00e1rios mis\u00f3ginos, a agressividade velada que , por vezes, n\u00e3o era t\u00e3o escondida assim. Por fim, a dist\u00e2ncia cada vez maior entre ele e o mundo. Amigos se afastaram. A m\u00e3e, preocupada, passou a bater \u00e0 porta com mais frequ\u00eancia. Um tio, com quem ele costumava conversar sobre futebol, parou de aparecer. \u201cEu estava me tornando algu\u00e9m que eu mesmo n\u00e3o reconhecia mais\u201d, confessa\u00a0 Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ponto de virada veio depois de uma discuss\u00e3o intensa com a irm\u00e3. Foi a primeira vez que ela chorou na frente dele. \u201cEla disse que tinha medo de mim. Aquilo me destruiu por dentro\u201d, desabafa. No dia seguinte, com a ajuda da m\u00e3e, Paulo agendou a primeira sess\u00e3o de terapia. O atendimento foi feito em um centro comunit\u00e1rio da cidade, onde ele encontrou um espa\u00e7o de escuta segura. Um\u00a0 lugar em que, pela primeira vez em muito tempo, sentiu que podia ser vulner\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cFoi a\u00ed ent\u00e3o que eu procurei ajuda. Comecei a frequentar a terapia\u201d, relembra. No come\u00e7o, o desconforto era quase insuport\u00e1vel. Havia medo de ser julgado, vergonha do que pensava, dificuldade em encontrar palavras. Mas, com o tempo, Paulo passou a se abrir. O processo foi conduzido com base em exerc\u00edcios de autoconhecimento e reestrutura\u00e7\u00e3o de pensamentos, algo comum na abordagem cognitivo-comportamental.\u201cA cada sess\u00e3o, eu come\u00e7ava a perceber padr\u00f5es no meu jeito de pensar. Eu generalizava tudo. Se uma mulher me rejeitava, eu achava que todas fariam o mesmo. Se algu\u00e9m n\u00e3o gostava de mim, eu conclu\u00eda que ningu\u00e9m nunca ia gostar. E a\u00ed eu comecei a perceber o quanto isso era injusto \u2014 com elas, e comigo tamb\u00e9m\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um dos momentos mais marcantes para ele foi escrever uma carta para si mesmo, como se estivesse falando com um amigo querido. \u201cEu nunca tinha falado comigo com gentileza. Foi ali que comecei a entender o quanto eu me machucava..<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A terapia tamb\u00e9m o ajudou a encarar com mais consci\u00eancia o conte\u00fado que consumia online. Em vez de apenas desligar os v\u00eddeos e fingir que n\u00e3o existiam, passou a analis\u00e1-los, a identificar padr\u00f5es de manipula\u00e7\u00e3o, distor\u00e7\u00f5es e discursos de \u00f3dio disfar\u00e7ados de conselhos. \u201cCom o tempo eu percebi que estava afastando pessoas que me amavam e que as coisas s\u00f3 pioraram quando eu consumia esse tipo de conte\u00fado\u201d, desabafa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, Paulo ainda faz acompanhamento, mas j\u00e1 reconstruiu muito do que havia perdido. \u201cFoi um processo muito dif\u00edcil, mas necess\u00e1rio. A cada encontro com a terapeuta, eu desmontava um pouco daquela armadura que me fazia acreditar que sentir era sinal de fraqueza\u201d. Ele completa: \u201ceu percebo o qu\u00e3o errado esses tipos de pensamentos s\u00e3o. E mais do que isso: entendo de onde eles v\u00eam. Foi preciso reaprender a me olhar com mais honestidade para conseguir mudar\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_2083\" style=\"width: 748px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2083\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2083\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/20250608_184301-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"738\" height=\"553\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/20250608_184301-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/20250608_184301-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/20250608_184301-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/20250608_184301-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/20250608_184301-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/20250608_184301-1232x924.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/09\/20250608_184301-1440x1080.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 738px) 100vw, 738px\" \/><p id=\"caption-attachment-2083\" class=\"wp-caption-text\">Termos como chad, stacy e blackpill ajudam a refor\u00e7ar estere\u00f3tipos e hierarquias t\u00f3xicas entre os membros.\u00a0 \u00a0 \u00a0 Foto: <span style=\"font-weight: 400\">Anna Perucelli<\/span><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Um problema que n\u00e3o fica s\u00f3 na internet<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga Amanda alerta que os impactos desse tipo de radicaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficam restritos ao mundo virtual. \u201cQuando voc\u00ea tem milhares de jovens cultivando \u00f3dio diariamente, voc\u00ea tem um problema de sa\u00fade p\u00fablica. Porque esse discurso n\u00e3o se limita \u00e0 tela. Ele molda como eles se relacionam na escola, no trabalho, nas fam\u00edlias e, em casos extremos, leva \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica.\u201d Ela explica que, para muitos, esses grupos s\u00e3o a porta de entrada para outros ambientes extremistas, como movimentos masculinistas, antifeministas e at\u00e9 discursos supremacistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o s\u00e3o poucos os casos em que a ideologia <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incel <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">ultrapassou a barreira do online e virou trag\u00e9dia no mundo real. Segundo dados da Pol\u00edcia Montada do Canad\u00e1, desde 2014, pelo menos cinco atentados foram diretamente ligados \u00e0 ideologia <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, incluindo o ataque de Alek Minassian, que matou dez pessoas em Toronto em 2018 ao jogar uma van contra pedestres. O autor do crime, em sua declara\u00e7\u00e3o,disse que estava \u201ciniciando a rebeli\u00e3o incel\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O FBI (sigla em ingl\u00eas para <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Federal Bureau of Investigation<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que em portugu\u00eas significa Departamento Federal de Investiga\u00e7\u00e3o, principal ag\u00eancia de aplica\u00e7\u00e3o da lei e intelig\u00eancia do Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos), em relat\u00f3rio de 2020, j\u00e1 classificou comunidades <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> como uma amea\u00e7a crescente de terrorismo dom\u00e9stico, citando o potencial de radicaliza\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Paulo hoje e o caminho de volta<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, depois de quase um ano em acompanhamento psicol\u00f3gico, Paulo se mant\u00e9m afastado dos grupos e tenta reconstruir sua vida social. \u201cEu ainda luto com minha autoestima, n\u00e3o vou mentir. Mas, hoje, eu entendo que n\u00e3o sou uma v\u00edtima da sociedade, nem das mulheres. E que aquele mundo s\u00f3 me levava para um buraco cada vez mais fundo\u201d. Ele compartilha sua hist\u00f3ria na esperan\u00e7a de alertar outros jovens. \u201cSe algu\u00e9m est\u00e1 lendo isso e acha que n\u00e3o tem sa\u00edda, tem. Mas n\u00e3o vai encontrar resposta nesses grupos. Vai encontrar em si mesmo, com ajuda, com terapia. D\u00e1 pra sair\u201d..<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O submundo dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incels<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> continua ativo, nas sombras da internet. Mas hist\u00f3rias como a de Paulo provam que h\u00e1 caminho de volta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem investigativo. Este cap\u00edtulo trata da din\u00e2mica de grupos incels e mis\u00f3ginos. Leia o cap\u00edtulo anterior <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/adolescentes-sem-supervisao-online-enfrentam-seducao-da-misoginia-digital\/\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: Anna Perucelli<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Amanda Grzebielucka, Eduarda Gomes e Maria Cec\u00edlia Mascarenhas\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Hendryo Andr\u00e9<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupos moldam pensamentos e dificultam buscas por ajuda \u201cEu acreditava, de verdade, que ningu\u00e9m nunca ia me amar. E que a culpa era das mulheres\u201d. \u00c9 assim que come\u00e7a o relato de Paulo, 21 anos, que por quase dois anos esteve mergulhado em uma das comunidades mais t\u00f3xicas da internet: os incels, abrevia\u00e7\u00e3o de involuntary&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":798,"featured_media":2080,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2077"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/798"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2077"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2093,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2077\/revisions\/2093"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}