{"id":2323,"date":"2025-09-17T15:00:58","date_gmt":"2025-09-17T18:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=2323"},"modified":"2025-09-17T15:00:58","modified_gmt":"2025-09-17T18:00:58","slug":"com-dificuldades-fieis-mantem-viva-tradicao-das-capelinhas-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/com-dificuldades-fieis-mantem-viva-tradicao-das-capelinhas-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Com dificuldades, fi\u00e9is mant\u00eam viva tradi\u00e7\u00e3o das capelinhas em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Sem as antigas prociss\u00f5es, o movimento se adapta a rotina dos moradores e continua presente em centenas de lares da cidade. Foto: Eder Carlos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Final de tarde, pouco antes das 18 horas, uma movimenta\u00e7\u00e3o diferente acontece em algumas das ruas dos bairros de Ponta Grossa. As capelinhas com a imagem de Nossa Senhora deixam a casa em que permaneceram por 24 horas e seguem para outra resid\u00eancia, onde ficar\u00e3o pelo mesmo per\u00edodo. O hor\u00e1rio, embora n\u00e3o seja obrigat\u00f3rio, coincide com a \u00faltima hora do <i>Angelus<\/i> em que, tradicionalmente, se reza a Ave Maria em louvor \u00e0 m\u00e3e de Jesus, como forma de agradecimento pelos cuidados recebidos ao longo do dia.<\/p>\n<p>O movimento pode passar despercebido, pois j\u00e1 perdeu muito da visibilidade que tinha em anos anteriores. Maria Sprankoski, de 76 anos, coordena o movimento das capelinhas da Par\u00f3quia Nossa Senhora do Perp\u00e9tuo Socorro, no bairro \u00d3rf\u00e3s. Ela lembra que, nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980,\u00a0 era comum o costume de uma pequena prociss\u00e3o acompanhar a imagem de uma casa para outra. As pessoas carregavam velas e rezavam ou cantavam durante o lento trajeto. A tradi\u00e7\u00e3o foi se perdendo com o tempo. Hoje o translado ocorre de forma mais r\u00e1pida e discreta, muitas vezes dentro de um carro, sem que ningu\u00e9m perceba.<\/p>\n<p>O movimento das capelinhas \u00e9 antigo. Sua origem, conforme conta a hist\u00f3ria, foi em 1888, no Equador. Surgiu com o objetivo de levar a imagem de Nossa Senhora aos lares dos fi\u00e9is, incentivar a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 santa e despertar voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. No Brasil, a tradi\u00e7\u00e3o chegou cerca de 30 anos mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial. Em Curitiba, o movimento est\u00e1 completando 88 anos. J\u00e1 em Ponta Grossa, n\u00e3o h\u00e1 registro exato de quando a pr\u00e1tica foi institu\u00edda, mas fi\u00e9is recordam que j\u00e1 acontecia nos anos 1950 ou at\u00e9 antes, podendo ter a mesma idade que o movimento da capital paranaense.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: uma pequena capela de madeira, com a imagem de Nossa Senhora, peregrina entre os lares dos fi\u00e9is e retorna a cada casa num per\u00edodo aproximado de 30 dias. Existe um conjunto de condutas religiosas, chamado liturgia, que orienta os devotos nos procedimentos de recep\u00e7\u00e3o, perman\u00eancia e despedida da capelinha de cada lar. Ela deve permanecer aberta, com a imagem da santa exposta e com uma vela acesa diante dela. Os moradores devem manter um clima de culto e respeito \u00e0 santa. Mas tamb\u00e9m existe liberdade para que outros momentos de devo\u00e7\u00e3o sejam realizados. Segundo Joelma Karpstein, zeladora da capelinha da Par\u00f3quia Nossa Senhora do Perp\u00e9tuo Socorro, a liturgia \u00e9 apenas uma orienta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma imposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Franciele da Silva Ribeiro, receber a capela em sua casa \u00e9 uma grande honra. Recebendo h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, ela define a visita da santa como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para o lar. Ela afirma que a expectativa pelo retorno da imagem ao seu lar \u00e9 grande e, quando a data da visita se aproxima, come\u00e7am os preparativos. Franciele conta que quando a imagem chega, todos os presentes fazem o sinal da cruz e acendem uma vela. Quando estabelecida dentro de casa, ela e suas filhas fazem uma ora\u00e7\u00e3o pedindo a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora para o lar.<\/p>\n<p>Na congrega\u00e7\u00e3o do bairro \u00d3rf\u00e3s, ao todo, s\u00e3o 27 capelinhas, que atendem grupos de 16 a 30 casas, o que significa que quase 700 fam\u00edlias recebem a visita da santa uma vez por m\u00eas. Mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil como antes encontrar quem quer receber a imagem, diz Maria Sprankoski. Segundo ela, casais mais novos descrevem dificuldades em participar do movimento, principalmente em fun\u00e7\u00e3o da falta de tempo e dos hor\u00e1rios de trabalho. \u201cHoje n\u00e3o \u00e9 como antes, quando se trabalhava apenas durante o dia e no fim da tarde todos j\u00e1 estavam em casa\u201d, recorda Maria.<\/p>\n<p>A falta de tempo e de sincronia de hor\u00e1rios tamb\u00e9m explica, segundo Maria, a aus\u00eancia das tradicionais prociss\u00f5es que acompanhavam as capelas de uma resid\u00eancia a outra. Ela conta que hoje existem capelinhas que circulam apenas dentro de edif\u00edcios ou condom\u00ednios, o que tamb\u00e9m explica a pouca visibilidade do movimento nas ruas.<\/p>\n<p>Para Solange Canuto, respons\u00e1vel pelo movimento na Par\u00f3quia Santo Ant\u00f4nio, no Jardim Carvalho, a tradi\u00e7\u00e3o das capelinhas n\u00e3o est\u00e1 se perdendo, mas se readequando \u00e0 realidade que vivemos. Como tudo se transforma, a devo\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m recebeu mudan\u00e7as para continuar existindo. Ela descreve a dificuldade em colocar a visita da imagem nos novos lares que se formam, mas lembra que tamb\u00e9m h\u00e1 muitos que permanecem fi\u00e9is e que, se n\u00e3o conseguem ter a santa em sua casa, v\u00e3o realizar o\u00a0 culto na resid\u00eancia de familiares ou amigos.<\/p>\n<p>Solange tamb\u00e9m enfatiza o esfor\u00e7o que as coordenadoras e zeladoras do movimento empreendem para manter viva a tradi\u00e7\u00e3o. Com isso, nem todos os grupos conseguem completar o m\u00eas, ou seja, 30 fam\u00edlias envolvidas com uma das capelas. Mais que uma tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um momento de culto e ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, destaca a coordenadora.<\/p>\n<p>As duas zeladoras s\u00e3o un\u00e2nimes em dizer que h\u00e1 um grande esfor\u00e7o\u00a0 no intuito de conseguir que novos lares participem da devo\u00e7\u00e3o. Por outro lado, elas tamb\u00e9m concordam que a Igreja Cat\u00f3lica vem perdendo fi\u00e9is para as igrejas evang\u00e9licas e isso reduz o n\u00famero de lares dispon\u00edveis. A coordenadora da Par\u00f3quia Nossa Senhora do Perp\u00e9tuo Socorro conta que, neste ano, cerca de dez fam\u00edlias deixaram o catolicismo e migraram para denomina\u00e7\u00f5es protestantes e, com isso, abandonaram o h\u00e1bito de receber a capela.<\/p>\n<p>Maria relata que outra dificuldade \u00e9 conseguir novas coordenadoras e zeladoras. Segundo ela, este \u00e9 um trabalho que normalmente \u00e9 feito por pessoas de mais idade, como ela. \u201cAs pessoas mais novas geralmente est\u00e3o envolvidas com estudo, trabalho e filhos pequenos, e n\u00e3o querem assumir mais este compromisso\u201d, diz. Por outro lado, idosos tamb\u00e9m t\u00eam suas particularidades, como problemas de sa\u00fade ou dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o. Com isso, visitas aos lares se tornam dif\u00edceis de realizar com a regularidade em que deveriam acontecer, o que tamb\u00e9m leva fam\u00edlias a se afastar do movimento. Ainda assim, destaca Maria, a equipe vai continuar trabalhando para que a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora e a ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixem de existir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o:<\/b> Eder Carlos<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o:<\/b> Eduarda Gomes<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b> Carlos Alberto de Souza<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:<\/b> Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem as antigas prociss\u00f5es, o movimento se adapta a rotina dos moradores e continua presente em centenas de lares da cidade. Foto: Eder Carlos &nbsp; Final de tarde, pouco antes das 18 horas, uma movimenta\u00e7\u00e3o diferente acontece em algumas das ruas dos bairros de Ponta Grossa. 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