{"id":2424,"date":"2025-10-01T14:08:29","date_gmt":"2025-10-01T17:08:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=2424"},"modified":"2025-10-01T14:08:29","modified_gmt":"2025-10-01T17:08:29","slug":"professores-enfrentam-sobrecarga-com-politicas-do-novo-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/professores-enfrentam-sobrecarga-com-politicas-do-novo-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Professores enfrentam sobrecarga com pol\u00edticas do novo ensino m\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Modelo de ensino compromete o acesso ao ensino superior ao reduzir disciplinas e restringir o contato dos alunos com \u00e1reas fundamentais do conhecimento. | Foto: Gabriele Proen\u00e7a<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde a implementa\u00e7\u00e3o do novo ensino m\u00e9dio nas escolas brasileiras, em 2022, uma figura central do processo educacional passou a enfrentar novos desafios sem a devida prepara\u00e7\u00e3o: o professor. Com a chegada dos chamados itiner\u00e1rios formativos, aumentaram n\u00e3o s\u00f3 as atribui\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m a inseguran\u00e7a e a sobrecarga dos docentes, especialmente na rede p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas, afinal, o que s\u00e3o os itiner\u00e1rios formativos? S\u00e3o conjuntos de disciplinas, projetos, oficinas e n\u00facleos de estudo que os alunos podem escolher dentro da nova organiza\u00e7\u00e3o curricular. Eles fazem parte da proposta do novo ensino m\u00e9dio, que tem como objetivo flexibilizar o curr\u00edculo e permitir que o estudante aprofunde seus conhecimentos em \u00e1reas de maior interesse, como linguagens, Matem\u00e1tica, ci\u00eancias da natureza, ci\u00eancias humanas ou forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na pr\u00e1tica, no entanto, a implementa\u00e7\u00e3o desses componentes tem ocorrido de forma desigual pelo pa\u00eds. No Paran\u00e1, por exemplo, professores da rede estadual passaram a lecionar disciplinas dos itiner\u00e1rios como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Educa\u00e7\u00e3o Financeira<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Projeto de Vida<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00eddias e Tecnologias<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Empreendedorismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, muitas vezes sem terem recebido forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre os temas ou metodologias adequadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNo meu caso, me falaram que eram aulas de Filosofia e fiquei sabendo que era itiner\u00e1rio formativo apenas quando cheguei na escola\u201d, relata o professor de filosofia <\/span><span style=\"font-weight: 400\">John Endrew Gomes. O profissional declara que a diminui\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria de disciplinas consolidadas h\u00e1 anos \u00e9 uma falta de respeito com os profissionais da \u00e1rea, e afeta a fonte de renda dos professores dessa disciplina, mesmo quando responsabilizam-se por disciplinas dos itiner\u00e1rios formativos. \u201cN\u00e3o quer dizer que esses professores v\u00e3o conseguir manter a mesma carga hor\u00e1ria, ou mesmo que eles est\u00e3o dispostos a trabalhar com conte\u00fados que muitas vezes s\u00e3o diferentes do que eles estavam acostumados\u201d, analisa Gomes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m da falta de preparo, a sobrecarga tamb\u00e9m \u00e9 apontada como uma das principais queixas. Como os itiner\u00e1rios n\u00e3o seguem a l\u00f3gica tradicional das disciplinas, muitos professores precisam montar suas pr\u00f3prias aulas do zero e conciliar com as demais responsabilidades, como corre\u00e7\u00e3o de provas, planejamento, reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas e turmas regulares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Andrea Rosane de Souza, integrante do <\/span><a href=\"https:\/\/appsindicato.org.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Sindicato dos Trabalhadores de Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Paran\u00e1<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (APP-Sindicato), a sobrecarga e precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos professores s\u00e3o os maiores problemas enfrentados pelos docentes no novo ensino m\u00e9dio. \u201cTem colegas que, para manter sua jornada de 30 aulas, assumiram tr\u00eas ou quatro mat\u00e9rias diferentes em at\u00e9 cinco escolas\u201d, afirma. Ela tamb\u00e9m aponta a perda de carga hor\u00e1ria das disciplinas de humanas e o ac\u00famulo de \u00e1reas como fatores que afetam a qualidade do ensino. \u201cOutra dificuldade \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao objetivo da educa\u00e7\u00e3o: nossos estudantes ficaram sem oportunidade de contato e trabalho com todas as \u00e1reas do conhecimento, afastando ou prejudicando o acesso deles ao ensino superior\u201d, acrescenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o relat\u00f3rio final da <\/span><a href=\"https:\/\/anped.org.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (ANPEd), entregue ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em junho de 2023, uma das principais fragilidades do novo ensino m\u00e9dio \u00e9 justamente a falta de preparo docente para lidar com os itiner\u00e1rios formativos. O documento aponta que muitos professores relatam sobrecarga de trabalho e aus\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, o que compromete a qualidade do ensino.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_2434\" style=\"width: 685px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/professores-enfrentam-sobrecarga-com-politicas-do-novo-ensino-medio\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6\/\" rel=\"attachment wp-att-2434\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2434\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2434 \" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6-768x576.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6-1232x924.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/4dbb4763-7012-4d10-861d-3f91ad51fec6-1440x1080.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2434\" class=\"wp-caption-text\">Professores lecionam novos temas, como Empreendedorismo, sem forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. | Foto: Gabriele Proen\u00e7a<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para o pedagogo Cassio Ajus da Silveira, a proposta dos itiner\u00e1rios formativos \u00e9 interessante, mas na pr\u00e1tica gera uma dificuldade para os professores, o que, consequentemente, impacta na qualidade do ensino. \u201cAlgumas mat\u00e9rias ficaram meio que para completar a carga hor\u00e1ria do professor. \u00c9 uma defici\u00eancia do novo ensino m\u00e9dio\u201d, avalia o pedagogo do Col\u00e9gio Estadual Regente Feij\u00f3. O especialista afirma que muitos professores perderam horas de trabalho que estavam em contrato e precisaram migrar para os itiner\u00e1rios formativos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desafios para alcan\u00e7ar a meta do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Taxa Ajustada de Frequ\u00eancia Escolar L\u00edquida (Tafel<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do ensino m\u00e9dio brasileiro foi de 75% em 2023, enquanto a evas\u00e3o escolar atingiu 5,7%, segundo dados da pesquisa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">S\u00edntese de indicadores sociais: uma an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira 2024<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Esses n\u00fameros acendem um alerta diante da Meta 3 do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), que tem como objetivo assegurar que, at\u00e9 2024, 85% da popula\u00e7\u00e3o de 15 a 17 anos esteja matriculada no ensino m\u00e9dio, na etapa adequada \u00e0 sua faixa et\u00e1ria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O PNE, institu\u00eddo pela lei 13.005\/2014, estabeleceu esse prazo como uma diretriz fundamental para ampliar o acesso e a perman\u00eancia dos jovens na escola. A um ano do encerramento do plano, os dados mostram que o pa\u00eds ainda enfrenta grandes desafios para garantir esse direito b\u00e1sico. Ainda segundo a pesquisa do IBGE, at\u00e9 2023, 9,1 milh\u00f5es de jovens de 15 a 29 anos n\u00e3o conclu\u00edram a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O MEC j\u00e1 anunciou ajustes na pol\u00edtica do novo ensino m\u00e9dio e prometeu investimentos em forma\u00e7\u00e3o continuada para docentes. Enquanto as promessas n\u00e3o se concretizam, muitos professores seguem no improviso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem investigativo sobre a reforma do ensino m\u00e9dio. Leia o cap\u00edtulo anterior <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/novo-ensino-medio-compromete-preparacao-para-vestibulares\/\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Gabriele Proen\u00e7a<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Amanda Stafin, Fabr\u00edcio Zvir, Maria Cec\u00edlia Mascarenhas e Jo\u00e3o Bobato.<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Hendryo Andr\u00e9<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modelo de ensino compromete o acesso ao ensino superior ao reduzir disciplinas e restringir o contato dos alunos com \u00e1reas fundamentais do conhecimento. | Foto: Gabriele Proen\u00e7a Desde a implementa\u00e7\u00e3o do novo ensino m\u00e9dio nas escolas brasileiras, em 2022, uma figura central do processo educacional passou a enfrentar novos desafios sem a devida prepara\u00e7\u00e3o: o&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":802,"featured_media":2432,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2424"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/802"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2424"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2424\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2446,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2424\/revisions\/2446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}