{"id":2517,"date":"2025-10-08T15:01:18","date_gmt":"2025-10-08T18:01:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=2517"},"modified":"2025-10-08T15:01:18","modified_gmt":"2025-10-08T18:01:18","slug":"reformulacao-do-novo-ensino-medio-em-2025-promete-corrigir-erros-do-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/reformulacao-do-novo-ensino-medio-em-2025-promete-corrigir-erros-do-passado\/","title":{"rendered":"Reformula\u00e7\u00e3o do novo ensino m\u00e9dio em 2025 promete corrigir erros do passado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">O modelo aumenta a carga hor\u00e1ria das disciplinas tradicionais, mas especialistas apontam incertezas na aplica\u00e7\u00e3o. Foto: Gabriele Proen\u00e7a<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No come\u00e7o do pr\u00f3ximo ano letivo, milh\u00f5es de estudantes brasileiros v\u00e3o abrir seus cadernos diante de um curr\u00edculo refeito, mais uma vez. A reformula\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio de 2025 \u00e9 uma proposta cheia de expectativas, discursos oficiais e tamb\u00e9m d\u00favidas. Um novo cap\u00edtulo de uma longa novela da educa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quem atravessar os port\u00f5es das escolas p\u00fablicas ver\u00e1 mudan\u00e7as discretas no quadro de hor\u00e1rios: aulas das disciplinas tradicionais, como portugu\u00eas, matem\u00e1tica, hist\u00f3ria, filosofia, e qu\u00edmica. Elas estar\u00e3o mais presentes no dia a dia escolar. Em 2017, a forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica (FGB)que havia diminu\u00eddo as disciplinas\u00a0 para 1,8 mil horas durante os tr\u00eas anos, agora volta a ocupar espa\u00e7o: s\u00e3o 2,4 mil horas obrigat\u00f3rias, quase 80% da jornada. Ainda assim, restam 600 horas para que os jovens escolham suas mat\u00e9rias com os chamados itiner\u00e1rios formativos.A cena parece simples. Mas, na pr\u00e1tica, \u00e9 como se o estudante fosse colocado diante de um card\u00e1pio de possibilidades, tendo de escolher entre aprofundar-se em \u00e1reas do conhecimento ou em cursos t\u00e9cnicos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Estela Viante sabe bem o peso que uma reforma pode ter na vida de um estudante. Quando come\u00e7ou o ensino m\u00e9dio no Col\u00e9gio C\u00edvico-Militar S\u00e3o Judas Tadeu, em Palmeira, no interior do Paran\u00e1, estava animada com as possibilidades, que prometiam ajudar no futuro. No primeiro ano, come\u00e7ou a cursar o ensino m\u00e9dio com o t\u00e9cnico em Desenvolvimento de Sistemas. Mas logo percebeu que as aulas pouco dialogavam com o que precisava para passar no vestibular, algo muito importante para ela, ent\u00e3o, escolheu mudar para o ensino m\u00e9dio regular.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No segundo ano, a escola ofereceu duas op\u00e7\u00f5es de itiner\u00e1rio formativo, que estavam dentro da formula\u00e7\u00e3o do novo ensino m\u00e9dio de 2022: humanas ou exatas. Como s\u00f3 havia uma turma, a escolha, que deveria ser de cada estudante, foi feita em vota\u00e7\u00e3o coletiva. A sala de Estela escolheu o itiner\u00e1rio de humanas, e as mat\u00e9rias tradicionais come\u00e7aram a sumir do quadro de hor\u00e1rios. Qu\u00edmica, f\u00edsica e matem\u00e1tica cediam espa\u00e7o a disciplinas experimentais. \u201cNo segundo ano tivemos mais itiner\u00e1rios e menos as b\u00e1sicas, consequentemente no terceiro tamb\u00e9m, justo quando mais precis\u00e1vamos delas para o Enem e outros vestibulares\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando chegou a hora de fazer as provas do vestibular, a frustra\u00e7\u00e3o se confirmou. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o estudasse em casa, sozinho, n\u00e3o iria bem. O vestibular cobra todos os conte\u00fados e a gente n\u00e3o teve durante os tr\u00eas anos. Com muito estudo, Estela Viante passou no vestibular e atualmente cursa Engenharia de Alimentos na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e ainda sofre as consequ\u00eancias de um ensino m\u00e9dio que deixou muitos espa\u00e7os em branco na sua forma\u00e7\u00e3o. \u201cMuitas mat\u00e9rias b\u00e1sicas que os professores dizem na faculdade que aprendemos no ensino m\u00e9dio\u2026 eu nunca tive. Para alguns colegas \u00e9 s\u00f3 revis\u00e3o. Para mim, \u00e9 come\u00e7ar do zero\u201d, desabafa Estela.<\/span><\/p>\n<h3><b>As cicatrizes da reforma de 2017<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O desenho de 2025 nasce das cr\u00edticas ao modelo implantado em 2017, quando a carga hor\u00e1ria para mat\u00e9rias, principalmente de humanas, como filosofia, sociologia, artes e outras, foi diminu\u00edda. \u00c0 \u00e9poca, o discurso oficial falava em moderniza\u00e7\u00e3o, flexibilidade e aproxima\u00e7\u00e3o com o mercado de trabalho. O que se viu foi uma onda de protestos: estudantes reclamaram da redu\u00e7\u00e3o de disciplinas tradicionais, professores denunciaram a falta de estrutura e muitos pais se sentiram perdidos. Em 2023, escolas foram ocupadas em <\/span><a href=\"https:\/\/www.portalcomunicare.com.br\/estudantes-de-curitiba-participam-de-protesto-nacional-pelo-fim-do-novo-ensino-medio\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Curitiba<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (PR), <\/span><a href=\"https:\/\/www.ubes.org.br\/2023\/estudantes-vao-as-ruas-em-ato-nacional-contra-o-novo-ensino-medio-nem\/#:~:text=Carregando%20faixas%20e%20cartazes%2C%20os,forte%20na%20pauta%20pol%C3%ADtica%20brasileira.\"><span style=\"font-weight: 400\">S\u00e3o Paulo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (SP), Bras\u00edlia (DF) e outros munic\u00edpios brasileiros, com cartazes que pediam a \u201crevoga\u00e7\u00e3o do novo ensino m\u00e9dio\u201d.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-2519 size-large\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/novo-ensino-medio-2-1024x770.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"770\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/novo-ensino-medio-2-1024x770.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/novo-ensino-medio-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/novo-ensino-medio-2-768x577.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/novo-ensino-medio-2-1232x926.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/novo-ensino-medio-2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Estudantes se preparam para o vestibular no cursinho popular da UEPG. Foto: Gabriele Proen\u00e7a<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O professor da Universidade Fronteira Sul e doutor em Educa\u00e7\u00e3o, Regis Clemente, explica que a mudan\u00e7a foi feita de forma muito autorit\u00e1ria, e alterou o ensino m\u00e9dio por meio de uma lei provis\u00f3ria. \u201cQuando o governo toma essa decis\u00e3o em medida provis\u00f3ria, ele fere um princ\u00edpio b\u00e1sico, que seria fazer uma consulta, fazer audi\u00eancias para saber como e o que mudar\u201d, afirma. O especialista tamb\u00e9m ressalta que <\/span><span style=\"font-weight: 400\">na primeira vers\u00e3o de 2017 o projeto de lei que o implementou exclu\u00eda as disciplinas de filosofia, sociologia, artes, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e espanhol. Depois, essas mat\u00e9rias n\u00e3o foram exclu\u00eddas, mas deixaram de ser obrigat\u00f3rias nos tr\u00eas anos do ensino m\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A reforma sancionada em 2024 tenta costurar esse descontentamento. Volta-se a valorizar as disciplinas cl\u00e1ssicas, a filosofia e a sociologia voltam a ter a carga hor\u00e1ria que tinha antes da reforma de 2017, implementada em 2022.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A secret\u00e1ria geral do Sindicato dos Trabalhadores de Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Paran\u00e1 (APP-Sindicato), Andrea Rosane de Souza, afirma que ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de como ser\u00e1 a matriz curricular ofertada. \u201cDe acordo com o projeto, houve o retorno da carga hor\u00e1ria para \u00e1rea de humanas\u201d, explica Andrea. Ela tamb\u00e9m conta que a Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o do Estado do Paran\u00e1 (Seed\/PR) fez reuni\u00f5es em junho deste ano para apresentar o tema. Segundo Andrea, a Seed tamb\u00e9m fez uma consulta p\u00fablica \u201cmuito vaga\u201d sobre como ser\u00e3o as mudan\u00e7as. O Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) est\u00e1 trabalhando com as Diretrizes e Proposta Curricular at\u00e9 setembro\/outubro de 2025.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Entre promessas e desafios<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para o futuro, permanecem as quest\u00f5es pr\u00e1ticas: haver\u00e1 professores formados em quantidade suficiente para atender \u00e0s exig\u00eancias da nova lei? Como garantir que escolas em munic\u00edpios pequenos consigam oferecer mais de uma op\u00e7\u00e3o de itiner\u00e1rio? E, talvez a maior interroga\u00e7\u00e3o: esse novo formato vai, de fato, preparar os jovens para o Enem, para a universidade, para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Novo Ensino M\u00e9dio de 2025 chega como promessa de corre\u00e7\u00e3o de rumos. Mais carga hor\u00e1ria, mais disciplinas obrigat\u00f3rias, menos improviso. Mas tamb\u00e9m chega como convite \u00e0 paci\u00eancia: s\u00f3 em 2027, quando a primeira turma completar o ciclo, ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar os resultados. At\u00e9 l\u00e1, hist\u00f3rias como a de Estela permanecem como alerta: sem uma escola capaz de sustentar sonhos, o futuro segue sendo uma promessa adiada.<\/span><\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Gabriele Proen\u00e7a<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Amanda Stafin e Julia Almeida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Hendryo Andr\u00e9<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modelo aumenta a carga hor\u00e1ria das disciplinas tradicionais, mas especialistas apontam incertezas na aplica\u00e7\u00e3o. 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