{"id":2615,"date":"2025-10-22T15:03:11","date_gmt":"2025-10-22T18:03:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=2615"},"modified":"2025-10-22T15:03:11","modified_gmt":"2025-10-22T18:03:11","slug":"esgotamento-cronico-compromete-saude-mental-dos-trabalhadores-e-resulta-na-sindrome-de-burnout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/esgotamento-cronico-compromete-saude-mental-dos-trabalhadores-e-resulta-na-sindrome-de-burnout\/","title":{"rendered":"Esgotamento cr\u00f4nico compromete sa\u00fade mental dos trabalhadores e resulta na S\u00edndrome de Burnout"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Pessoas entre 35 e 49 anos s\u00e3o as mais afetadas\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rotinas exaustivas, longas jornadas de trabalho, press\u00f5es que demandam alta responsabilidade ou competitividade, inseguran\u00e7as e conflitos entre a vida pessoal e profissional. Esses s\u00e3o alguns dos caminhos que levam uma pessoa at\u00e9 a S\u00edndrome de Burnout, caracterizada pela exaust\u00e3o extrema, estresse e esgotamento f\u00edsico e mental resultante no ambiente de trabalho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O burnout envolve sofrimentos psicol\u00f3gicos e problemas f\u00edsicos. Traduzido do ingl\u00eas &#8220;burn&#8221;, quer dizer queima, e &#8220;out&#8221; exterior, desde do in\u00edcio de 2025, a s\u00edndrome foi inclu\u00edda na lista de doen\u00e7as ocupacionais (enfermidades causadas ou agravadas pelo trabalho) na Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID) da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). No Brasil, foram notificados 1.458 casos entre 2014 e 2024. A maior parte dos registros se concentrou na regi\u00e3o Sudeste (52,81%), logo ap\u00f3s o Nordeste (29,77%), Sul (12,35%), Centro-Oeste (2,88%) e Norte (2,19%). Os dados s\u00e3o de um <\/span><a href=\"https:\/\/rbmt.org.br\/Content\/pdf\/v14n2a15.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">estudo da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">com base numa coleta de informa\u00e7\u00f5es na plataforma DATASUS.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nas estradas e rodovias h\u00e1 17 anos, o caminhoneiro Jaciel F\u00e9lix enfrentou algumas situa\u00e7\u00f5es estressantes em decorr\u00eancia da rotina pesada. \u201cO estresse \u00e9 muito por causa da press\u00e3o, tem que faturar, fazer m\u00e9dia, cuidar de onde parar para n\u00e3o ser assaltado.Tem posto que n\u00e3o pode estacionar mesmo pagando o p\u00e1tio\u201d. Ele tamb\u00e9m relata que durante sua trajet\u00f3ria como motorista profissional, j\u00e1 chegou a trabalhar cerca de 12 a 16 horas por dia. \u201cNunca tive outro emprego que trabalhasse tanto como nessa \u00e1rea\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O caminhoneiro de 47 anos diz que nunca teve nenhum problema relacionado \u00e0 sa\u00fade mental, mas que h\u00e1 cansa\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho. \u201c\u00c9 uma rotina puxada, j\u00e1 estive em situa\u00e7\u00f5es de ficar 65 dias trabalhando, sem folgas e, quando consegui pegar, foram apenas 4 dias e j\u00e1 tive que viajar.\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psicanalista Luana Trentin, explica que o burnout est\u00e1 relacionado ao esgotamento e ao estresse cr\u00f4nico, mas que \u00e9 dif\u00edcil de ser identificado. \u201cEm algumas estat\u00edsticas, est\u00e1 listado como outra situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental. \u00c9 complicado detectar qual foi o motivo que causou.\u201d Ela tamb\u00e9m diferencia o\u00a0 burnout da depress\u00e3o e ansiedade. O burnout \u00e9 um fen\u00f4meno ocupacional e que n\u00e3o existe fora do ambiente de trabalho, j\u00e1 a depress\u00e3o e a ansiedade s\u00e3o casos cl\u00ednicos amplos, pois podem acontecer em qualquer ambiente. \u201cO estresse normal n\u00e3o chega a atrapalhar a produ\u00e7\u00e3o, mas com o burnout n\u00e3o tem, o trabalho \u00e9 o fator que deixa deprimido\u201d. A psicanalista entende que sintomas depressivos e ansiosos podem fazer parte da s\u00edndrome, mas que ela n\u00e3o faz parte da depress\u00e3o e da ansiedade porque s\u00e3o tipos diferentes de sintomas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">o estresse e o cansa\u00e7o excessivo podem indicar o in\u00edcio da doen\u00e7a, por\u00e9m, a psicanalista refor\u00e7a que h\u00e1 outros sintomas que envolvem o burnout e que o principal deles \u00e9 o cinismo. \u201cA pessoa fica meio debochada, meio c\u00ednica com tudo que acontece e as rela\u00e7\u00f5es dela se alteram por causa disso.\u201d Para ela, \u00e9 importante procurar um profissional qualificado quando perceber algum sinal, seja um psic\u00f3logo, psicanalista ou psiquiatra. Ela defende que as empresas precisam mudar a cultura dentro das institui\u00e7\u00f5es e prestar aten\u00e7\u00e3o aos alertas. \u201c\u00c9 sobre preven\u00e7\u00e3o e treino dos gestores, para que eles consigam detectar sinais de sil\u00eancio e cinismo\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A t\u00e9cnica em seguran\u00e7a do trabalho Sheren Campos diz que as empresas devem fazer pausas programadas, rod\u00edzios de atividades, incentivo \u00e0 pr\u00e1ticas de autocuidado, realizar palestras sobre sa\u00fade mental e abrir espa\u00e7o para ouvir os trabalhadores. \u201cQuando olhamos para a seguran\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 prevenir acidentes f\u00edsicos, mas tamb\u00e9m criar um ambiente saud\u00e1vel, sem excesso de press\u00e3o e medo constante\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como prevenir e onde buscar ajuda?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">a melhor forma de prevenir a S\u00edndrome de Burnout s\u00e3o estrat\u00e9gias que ajudam a diminuir o estresse e a press\u00e3o no trabalho. Algumas das dicas envolvem realizar atividades f\u00edsicas, conversar sobre o que est\u00e1 sentindo, buscar momentos de lazer, fazer algo que \u201cfuja\u201d da rotina di\u00e1ria, e descansar adequadamente (pelo menos 8 horas di\u00e1rias). Em alguns casos, podem ser utilizados medicamentos com prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-2623 aligncenter\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/Ministerio-da-Saude-indica-quais-sao-os-principais-sintomas-apresentados-pela-Sindrome-de-Burnout-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/Ministerio-da-Saude-indica-quais-sao-os-principais-sintomas-apresentados-pela-Sindrome-de-Burnout-300x300.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/Ministerio-da-Saude-indica-quais-sao-os-principais-sintomas-apresentados-pela-Sindrome-de-Burnout-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/Ministerio-da-Saude-indica-quais-sao-os-principais-sintomas-apresentados-pela-Sindrome-de-Burnout-150x150.jpg 150w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/Ministerio-da-Saude-indica-quais-sao-os-principais-sintomas-apresentados-pela-Sindrome-de-Burnout-768x768.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/10\/Ministerio-da-Saude-indica-quais-sao-os-principais-sintomas-apresentados-pela-Sindrome-de-Burnout.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao levar em conta que h\u00e1 dificuldades para que alguns trabalhadores consigam seguir as recomenda\u00e7\u00f5es, justamente devido \u00e0 rotina pesada, existem locais que oferecem ajuda em casos de sa\u00fade mental, que tamb\u00e9m envolvem o burnout. Em Ponta Grossa, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">as unidades da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e os centros de aten\u00e7\u00e3o psicossocial (CAPS) s\u00e3o locais que fazem o acolhimento e primeira avalia\u00e7\u00e3o das pessoas com queixas de burnout.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Ficha t\u00e9cnica\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Fernanda Matos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Anna Perucelli e Larissa Oliveira<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Carlos Alberto de Souza<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Supervis\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoas entre 35 e 49 anos s\u00e3o as mais afetadas\u00a0 Rotinas exaustivas, longas jornadas de trabalho, press\u00f5es que demandam alta responsabilidade ou competitividade, inseguran\u00e7as e conflitos entre a vida pessoal e profissional. 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