{"id":3852,"date":"2026-06-16T15:54:36","date_gmt":"2026-06-16T18:54:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=3852"},"modified":"2026-06-16T16:39:28","modified_gmt":"2026-06-16T19:39:28","slug":"o-eterno-espetaculo-do-cine-teatro-opera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/o-eterno-espetaculo-do-cine-teatro-opera\/","title":{"rendered":"O eterno espet\u00e1culo do Cine-Teatro \u00d3pera"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em><span style=\"font-weight: 400\">De cinema a patrim\u00f4nio cultural, o espa\u00e7o mant\u00e9m viva a hist\u00f3ria do entretenimento e das artes em Ponta Grossa<\/span><b><br style=\"font-weight: 400\" \/><\/b><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Foto: Ingrid Muller<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_3855\" style=\"width: 621px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3855\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3855 \" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.41-300x178.jpeg\" alt=\"\" width=\"611\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.41-300x178.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.41-768x455.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.41.jpeg 945w\" sizes=\"(max-width: 611px) 100vw, 611px\" \/><p id=\"caption-attachment-3855\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Acervo de Mois\u00e9s Francisco \/ Acervo Ponta Grossa Hist\u00f3rica<\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em Ponta Grossa, entre o cruzamento de duas vias que j\u00e1 pulsaram como art\u00e9rias do progresso urbano (as ruas XV de Novembro e Augusto Ribas), ergue-se um edif\u00edcio que n\u00e3o apenas ocupa espa\u00e7o f\u00edsico, mas tamb\u00e9m simb\u00f3lico na mem\u00f3ria coletiva da cidade: o Cine-Teatro \u00d3pera. Mais do que concreto, linhas geom\u00e9tricas e ornamentos em estilo art d\u00e9co, o \u00d3pera \u00e9 testemunha de uma \u00e9poca em que o futuro parecia caber dentro de uma sala escura iluminada por proje\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Constru\u00eddo em 1947, o pr\u00e9dio do Cine-Teatro \u00d3pera marcou o in\u00edcio de uma nova fase arquitet\u00f4nica na cidade. Em um per\u00edodo em que o Brasil urbano come\u00e7ava a se verticalizar, o edif\u00edcio foi pioneiro ao adotar esse modelo: seis pavimentos que combinavam, no t\u00e9rreo, a grandiosidade de um cine-teatro e, nos andares superiores, resid\u00eancias. Era, ao mesmo tempo, espa\u00e7o de moradia e de experi\u00eancia art\u00edstica, uma s\u00edntese da modernidade que se instalava. N\u00e3o por acaso, foi tamb\u00e9m o primeiro pr\u00e9dio da cidade a contar com elevador, algo que naquela \u00e9poca, foi considerado um s\u00edmbolo m\u00e1ximo de inova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A inaugura\u00e7\u00e3o oficial do Cine \u00d3pera ocorreu em 15 de setembro de 1950, sob a lideran\u00e7a de Elias Jos\u00e9 Curi. O evento n\u00e3o foi apenas a abertura de um cinema, mas a apresenta\u00e7\u00e3o de um novo estilo de vida. Com capacidade para cerca de 1,4 mil pessoas, o espa\u00e7o rapidamente se destacou pelo luxo e impon\u00eancia, tornando-se ponto de encontro da elite local. A primeira sess\u00e3o foi marcada pela exibi\u00e7\u00e3o do filme<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Carnaval de Fogo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, sucesso nacional e, segundo um telegrama publicado do jornal Di\u00e1rio dos Campos, havia \u201cpulverizado todos os recordes no Brasil\u201d. O entusiasmo era tanto que o pr\u00f3prio cinema adotava como lema ser o \u201corgulho de Ponta Grossa\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Contudo, o Cine \u00d3pera n\u00e3o surgiu isolado, ele foi parte de um movimento maior. O cinema, como fen\u00f4meno cultural, j\u00e1 vinha ganhando for\u00e7a na cidade desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, acompanhando transforma\u00e7\u00f5es como a chegada da estrada de ferro, da imprensa e da eletricidade. Antes dele, salas como o Cine Recreio (1906), o Cine Renascen\u00e7a (1911) e o Cine Imp\u00e9rio (1939) j\u00e1 haviam encantado gera\u00e7\u00f5es. O \u00d3pera, no entanto, elevou esse encanto a outro patamar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nos anos 1960, o cinema passou a integrar o circuito administrado por Jorge Miguel Ajuz, por meio da empresa Cicorel\u2013 Cine, Com\u00e9rcio e Representa\u00e7\u00f5es Ltda, consolidando-se como um dos principais polos de exibi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica da regi\u00e3o. Era uma \u00e9poca em que ir ao cinema n\u00e3o era apenas assistir a um filme, mas participar de um ritual social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">D\u00e9cadas depois, essa mem\u00f3ria ainda ecoa nas palavras de quem a vivenciou Kelli Cristine Muller, frequentadora ass\u00eddua entre os anos de 1987 e 1994, relembra com carinho: \u201cassisti a filmes como Ghost, produ\u00e7\u00f5es da Xuxa e dos Trapalh\u00f5es. As sess\u00f5es lotavam, era um evento ir ao cinema nos finais de semana, principalmente na sess\u00e3o das 19 horas\u201d. Ela descreve o ambiente com detalhes: cadeiras de madeira, uma bomboniere sempre movimentada (\u00e1rea de conveni\u00eancia do cinema, onde eram vendidos itens como pipoca, refrigerante, chocolates, balas e outros doces) e um espa\u00e7o que, apesar da simplicidade em alguns aspectos, era \u201cdeslumbrante\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Salas que tamb\u00e9m fizeram hist\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao mesmo tempo, surgiam compara\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis no cen\u00e1rio cultural da cidade. O Cine Inaj\u00e1, inaugurado em 1965 no cruzamento das ruas XV de Novembro e 7 de Setembro, apareceu como uma resposta ao vazio deixado pelo fechamento do tradicional Cine Renascen\u00e7a, inclusive ocupando o mesmo endere\u00e7o. Desde o in\u00edcio, destacou-se pela infraestrutura moderna e pelo conforto oferecido ao p\u00fablico, com poltronas estofadas que, \u00e0 \u00e9poca, representavam um verdadeiro diferencial, sendo considerado um dos cinemas mais bem equipados do pa\u00eds. O espa\u00e7o permaneceu em atividade por 36 anos, at\u00e9 encerrar suas atividades em setembro de 2001, e o pr\u00e9dio que abrigou sua hist\u00f3ria acabou indo a leil\u00e3o judicial em 2019.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_3856\" style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3856\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3856 \" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-1-300x228.jpeg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"389\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-1-300x228.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-1.jpeg 720w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><p id=\"caption-attachment-3856\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Acervo de Tabajara Macedo<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_3859\" style=\"width: 520px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3859\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3859 \" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"510\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-272x182.jpeg 272w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42.jpeg 960w\" sizes=\"(max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><p id=\"caption-attachment-3859\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Acervo Ponta Grossa Hist\u00f3rica<\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ainda assim, o \u00d3pera mantinha seu prest\u00edgio, sustentado n\u00e3o apenas pela estrutura, mas pelo valor afetivo que constru\u00eda junto ao p\u00fablico. \u201cTodo pontagrossense que viveu essa \u00e9poca tem uma hist\u00f3ria com o Cine \u00d3pera\u201d, afirma Kelli.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Indo para uma mem\u00f3ria ainda mais antiga, o relato de Maria Teresa Pontes ajuda a reconstruir um cap\u00edtulo importante da hist\u00f3ria do cinema em Ponta Grossa, antes mesmo do protagonismo absoluto do Cine Teatro \u00d3pera. Frequentadora do Cine Imp\u00e9rio entre os anos 60 e 70, ela guarda lembran\u00e7as que hoje resistem apenas na mem\u00f3ria, j\u00e1 que o espa\u00e7o f\u00edsico n\u00e3o teve o mesmo destino de preserva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Localizado na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, ao lado do Edif\u00edcio Princesa, o que resta do antigo cinema s\u00e3o ru\u00ednas quase silenciosas, um vazio urbano cercado por constru\u00e7\u00f5es imponentes que pouco revelam o que um dia existiu ali. Inaugurado em setembro de 1939, o Cine Imp\u00e9rio funcionou por 53 anos e foi, durante muito tempo, o cinema mais popular da cidade, conquistando o p\u00fablico n\u00e3o pelo luxo, mas pela acessibilidade dos valores do ingresso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Maria Teresa relembra de uma forma nost\u00e1lgica sua primeira experi\u00eancia naquele espa\u00e7o: assistir ao filme Django (1966). A partir dali, o h\u00e1bito de frequentar o cinema se tornou parte de sua rotina. \u201cO Cine Imp\u00e9rio tinha muito disso, sabe? Era um lugar onde todo mundo podia ir. Passava faroeste, passava filmes mais simples, tinha os filmes do Mazzaropi\u2026 era diferente dos outros cinemas mais sofisticados, mas tinha um encanto pr\u00f3prio\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Entre as caracter\u00edsticas mais marcantes estava a famosa \u201csess\u00e3o p\u00e3o duro\u201d, uma estrat\u00e9gia que tornava o cinema ainda mais acess\u00edvel. \u201c\u00c0s quartas-feiras, com um \u00fanico ingresso, voc\u00ea podia assistir a v\u00e1rias sess\u00f5es. Era uma oportunidade para quem n\u00e3o tinha tanto dinheiro, mas queria aproveitar o cinema ao m\u00e1ximo\u201d, explica. A pr\u00e1tica n\u00e3o apenas atra\u00eda p\u00fablico, mas criava um ambiente coletivo, em que a experi\u00eancia de assistir filmes se estendia por horas, quase como um ritual compartilhado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cFoi um cinema que me marcou muito. \u00c9 triste demais saber que hoje \u00e9 um local que as pessoas passam na frente e mal sabem que ali existiu um cinema com uma hist\u00f3ria t\u00e3o importante para a cidade\u201d, relata Maria Teresa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O Cine Imp\u00e9rio, embora menos luxuoso que o \u00d3pera, cumpriu um papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao cinema. E \u00e9 justamente atrav\u00e9s de relatos como o de Maria Teresa que ele continua existindo, n\u00e3o mais em paredes ou cadeiras, mas naquilo que talvez seja ainda mais duradouro: a mem\u00f3ria de quem viveu.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_3858\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3858\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-3858\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-3-300x217.jpeg\" alt=\"\" width=\"529\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-3-300x217.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-3-768x557.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-3.jpeg 1024w\" sizes=\"(max-width: 529px) 100vw, 529px\" \/><p id=\"caption-attachment-3858\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Acervo de Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura de Ponta Grossa \/ Acervo Ponta Grossa Hist\u00f3rica<\/em><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_3857\" style=\"width: 534px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3857\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-3857\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-2-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-2-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-2-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-2-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-2-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-2-1232x821.jpeg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-2-272x182.jpeg 272w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-15.43.42-2.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><p id=\"caption-attachment-3857\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Acervo de ARede \/ Acervo Ponta Grossa Hist\u00f3rica<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Do sil\u00eancio das telas \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o do palco<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Voltando para a hist\u00f3ria do \u00d3pera, o cinema passou pelo maior inimigo de todos: o tempo. Com o passar dos anos, especialmente a partir da d\u00e9cada de 80 a 90 o h\u00e1bito de frequentar grandes salas de cinema de rua entrou em decl\u00ednio. A populariza\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o, seguida pelo videocassete e, posteriormente, pelos multiplex em shopping centers, contribuiu para o esvaziamento desses espa\u00e7os tradicionais. O Cine \u00d3pera n\u00e3o escapou desse processo, suas sess\u00f5es foram sendo reduzidas at\u00e9 a sua desativa\u00e7\u00e3o como cinema.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No entanto, diferentemente de outros, ele n\u00e3o desapareceu. O edif\u00edcio foi ressignificado. Ap\u00f3s um per\u00edodo de fechamento e desgaste estrutural, passou por um processo de restaura\u00e7\u00e3o que resultou\u00a0 em sua reinaugura\u00e7\u00e3o em 2005 como teatro. Assim, o antigo cinema deu lugar ao atual teatro, mantendo viva sua voca\u00e7\u00e3o cultural e adaptando-se \u00e0s novas demandas art\u00edsticas da cidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o apagou o passado, ao contr\u00e1rio, o incorporou. Elementos como as antigas cadeiras de madeira foram preservados como rel\u00edquias. Hoje, algumas delas podem ser encontradas na Escolinha da Mem\u00f3ria, localizada na <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/o-misterioso-casarao-no-centro-de-ponta-grossa\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Mans\u00e3o Vila Hilda<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, e no Centro de Cultura, onde \u00e9 realizado o projeto CinePG &#8211;\u00a0 cinema p\u00fablico e gratuito de Ponta Grossa, localizado no pr\u00e9dio hist\u00f3rico do <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Centro de Cultura. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Outras ganharam destinos ainda mais pessoais. \u00c9 o caso de Luciana Martins, apreciadora das artes, que adquiriu uma dessas cadeiras durante o processo de reestrutura\u00e7\u00e3o. Para ela, o objeto vai al\u00e9m da materialidade: \u00e9 uma \u201crel\u00edquia temporal\u201d, uma forma concreta de manter viva uma experi\u00eancia coletiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Atualmente, o Cine Teatro \u00d3pera \u00e9 tombado como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, reconhecido n\u00e3o apenas por sua arquitetura, mas por tudo o que representa. Seus palcos j\u00e1 receberam incont\u00e1veis apresenta\u00e7\u00f5es, de pe\u00e7as teatrais a concertos, de festivais a eventos comunit\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Neste ano, 2026, saiu a <\/span><a href=\"https:\/\/dcmais.com.br\/ponta-grossa\/pg-seleciona-empresa-que-fara-reforma-de-r-289-mil-no-teatro-opera\/\"><span style=\"font-weight: 400\">licita\u00e7\u00e3o para novas obras<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> com o or\u00e7amento de mais de 280 mil reais, menor que o previsto inicialmente no edital com 317 mil, focando na reestrutura\u00e7\u00e3o do telhado e forro<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O Cine Teatro \u00d3pera permanece, assim, como um elo entre os tempos. Um lugar onde o passado n\u00e3o est\u00e1 congelado, mas em constante di\u00e1logo com o presente. E talvez seja exatamente isso que o torna t\u00e3o essencial: n\u00e3o apenas o que ele foi, mas o que continua sendo: um palco onde as mem\u00f3rias das pessoas que passaram por ali, ainda se mant\u00eam vivas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem. Este cap\u00edtulo trata de Cine-Teatro \u00d3pera. Leia o cap\u00edtulo anterior <a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/o-misterioso-casarao-no-centro-de-ponta-grossa\/\">aqui<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Ingrid Muller<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Leonardo Alexandre, Lucas Barbato e Eduarda Leal<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Hendryo Andr\u00e9<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/span><\/p>\n<p><br style=\"font-weight: 400\" \/><br style=\"font-weight: 400\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De cinema a patrim\u00f4nio cultural, o espa\u00e7o mant\u00e9m viva a hist\u00f3ria do entretenimento e das artes em Ponta Grossa Foto: Ingrid Muller &nbsp; Em Ponta Grossa, entre o cruzamento de duas vias que j\u00e1 pulsaram como art\u00e9rias do progresso urbano (as ruas XV de Novembro e Augusto Ribas), ergue-se um edif\u00edcio que n\u00e3o apenas ocupa&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":936,"featured_media":3860,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3852"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/936"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3852"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3884,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3852\/revisions\/3884"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}