{"id":3891,"date":"2026-06-18T11:20:41","date_gmt":"2026-06-18T14:20:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=3891"},"modified":"2026-06-18T11:34:32","modified_gmt":"2026-06-18T14:34:32","slug":"o-que-consumimos-nos-consome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/o-que-consumimos-nos-consome\/","title":{"rendered":"O que consumimos nos consome"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Enquanto a m\u00eddia transforma rela\u00e7\u00f5es abusivas em entretenimento, milhares de mulheres seguem enfrentando\u00a0 viol\u00eancia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Cre\u0301dito: Jarbas Oliveira<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O consumo de conte\u00fados culturais est\u00e1 presente desde os primeiros anos de vida e acompanha o desenvolvimento individual ao longo do tempo. Livros, filmes, m\u00fasicas e produ\u00e7\u00f5es digitais n\u00e3o apenas entret\u00eam, mas tamb\u00e9m influenciam diretamente a forma como as pessoas percebem o mundo. Aquilo que se consome com frequ\u00eancia tende a moldar repert\u00f3rios, opini\u00f5es e valores, criando familiaridade e, muitas vezes, aceita\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a determinados temas, o que \u00e9 um tema da Sociologia do Conhecimento estudada, dentre outros, por Berger e Luckmann desde a d\u00e9cada de 1960.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No que diz respeito \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher, os conte\u00fados sobre o tema s\u00e3o amplamente acess\u00edveis. Uma simples busca na internet revela in\u00fameros relatos, reportagens e obras de fic\u00e7\u00e3o que abordam essa realidade. No entanto, a quest\u00e3o central n\u00e3o est\u00e1 na quantidade de produ\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, mas na maneira como essa viol\u00eancia \u00e9 representada: com qual profundidade, responsabilidade e impacto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2024, o livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 assim que acaba<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, da autora norte-americana <em>Colleen Hoover,<\/em> tornou-se o mais vendido no Brasil, com mais de 43 mil exemplares comercializados no pa\u00eds, segundo<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">levantamento feito pela<em> PublishNews,<\/em> principal portal de not\u00edcias especializado no mercado editorial e na ind\u00fastria do livro no Brasil. Apesar de tratar de um tema urgente como a viol\u00eancia dom\u00e9stica, a obra foi alvo de cr\u00edticas por romantizar rela\u00e7\u00f5es abusivas, ao apresentar comportamentos violentos como manifesta\u00e7\u00f5es de ci\u00fames ou amor intenso, al\u00e9m de posicionar o agressor como uma poss\u00edvel escolha dentro de um tri\u00e2ngulo amoroso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Publicado originalmente em 2018, o livro ganhou nova proje\u00e7\u00e3o anos depois com o crescimento do chamado <em>\u201cBookTok\u201d<\/em>, comunidade de leitores no <em>TikTok<\/em> que impulsiona obras entre o p\u00fablico jovem. Em 2022, as vendas de livros decaiu em 5,8%, entretanto autores que tiveram seus t\u00edtulos divulgados no Tiktok registraram um aumento de 66% na venda de suas obras segundo a <em>NPD BookScan,<\/em> padr\u00e3o ouro na ind\u00fastria editorial para rastrear vendas de livros f\u00edsicos no varejo. Com isso, o fen\u00f4meno ampliou o alcance da narrativa e contribuiu para sua adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, estrelada por atores populares como Blake Lively e Justin Baldoni. Ainda assim, o debate gerado em torno da obra acabou se desviando de seu tema central. Quest\u00f5es relacionadas \u00e0 est\u00e9tica, figurino, elenco e bastidores passaram a ocupar mais espa\u00e7o do que a discuss\u00e3o sobre a viol\u00eancia sofrida pela protagonista, o que foi muito criticado nas redes sociais (<em>TikTok<\/em> e X\/<em>Twitter)<\/em>, e logo foram reportadas por ve\u00edculos como <\/span><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2024\/08\/16\/movies\/it-ends-with-us-controversy-blake-lively-justin-baldoni.html\"><span style=\"font-weight: 400\">The New York Times<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/article\/2024\/aug\/20\/blake-lively-it-ends-with-us-colleen-hoover\"><span style=\"font-weight: 400\">The Guardian<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As controv\u00e9rsias se intensificaram com rumores de conflitos e den\u00fancias envolvendo a <\/span><a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/entretenimento\/entenda-a-polemica-envolvendo-o-elenco-de-e-assim-que-acaba\/\"><span style=\"font-weight: 400\">produ\u00e7\u00e3o do filme<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, al\u00e9m de disputas judiciais e forte exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. Novamente, o foco se deslocou, e um tema que exige reflex\u00e3o foi, em muitos momentos, tratado como entretenimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pr\u00f3pria condu\u00e7\u00e3o da obra por sua autora tamb\u00e9m gerou questionamentos. Em 2022, foi lan\u00e7ada uma continua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e, no ano seguinte, chegou a ser anunciado nas redes sociais da autora, um livro de colorir inspirado na narrativa, posteriormente cancelado ap\u00f3s cr\u00edticas <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de problemas sociais como forma de fazer dinheiro.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> A proposta foi amplamente rejeitada pelos f\u00e3s da obra por transformar uma hist\u00f3ria sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica em um produto l\u00fadico, esvaziando a gravidade do tema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Diante desse cen\u00e1rio, surgem questionamentos importantes: como o p\u00fablico interpreta essas narrativas? De que forma essas representa\u00e7\u00f5es influenciam a compreens\u00e3o sobre rela\u00e7\u00f5es abusivas? E at\u00e9 que ponto contribuem para a naturaliza\u00e7\u00e3o de comportamentos violentos?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esse questionamento \u00e9 ainda mais fomentado por movimentos como o \u201c<em>Red Pill<\/em>\u201d. Inserido no contexto da &#8220;machosfera&#8221;, como s\u00e3o chamadas as comunidades on-line que incentivam comportamentos agressivos de homens, inclui movimentos que defendem a superioridade masculina, a submiss\u00e3o feminina e a misoginia. A ideologia prega que os homens vivem em uma sociedade manipulada pelo feminismo e que, ao tomarem a &#8220;p\u00edlula vermelha&#8221;, estariam &#8220;acordando&#8221; para uma suposta realidade onde as mulheres objetificam e prejudicam os homens. A ideia surgiu a partir do filme <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Matrix <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1999), onde o protagonista escolhe a p\u00edlula vermelha para ver a verdade cruel, em vez da azul, que o manteria em uma ilus\u00e3o confort\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Paralelamente, observa-se o crescimento expressivo do subg\u00eanero conhecido como<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> \u201c<\/span><\/i><a href=\"https:\/\/medium.com\/@elementosfundantes2025\/dark-romance-como-funcionam-a-viol%C3%AAncia-e-crimes-nas-produ%C3%A7%C3%B5es-2905af778f09\"><i><span style=\"font-weight: 400\">dark romance<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u201d no Brasil, ap\u00f3s a pandemia com a populariza\u00e7\u00e3o das<em> fanfics<\/em>, ou fic\u00e7\u00e3o de f\u00e3s. Essa an\u00e1lise se baseia em dados de plataformas digitais, relat\u00f3rios de tend\u00eancias de consumo e reportagens editoriais publicadas entre 2024 e 2025. Impulsionado pelas redes sociais e plataformas digitais de leitura, esse tipo de narrativa tem se consolidado entre os mais populares, especialmente entre o p\u00fablico jovem. Marcado por temas intensos, como rela\u00e7\u00f5es abusivas, viol\u00eancia, poder, vingan\u00e7a e din\u00e2micas de domina\u00e7\u00e3o, o g\u00eanero evidencia a necessidade de refletir sobre os limites entre fic\u00e7\u00e3o e realidade e sobre o impacto do consumo cultural na constru\u00e7\u00e3o de valores sociais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2022, as vendas de romances impulsionados pelo <em>BookTok<\/em> cresceram 50% nos Estados Unidos, com o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">dark romance<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> representando 30% desse aumento. No Brasil, editoras como a <em>Harlequin<\/em> relataram um aumento de 40% nas vendas de romances com temas sombrios entre 2020 e 2026, segundo dados da Circana, empresa l\u00edder global em pesquisa de mercado, an\u00e1lise de dados e tecnologia<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e9tricas do <em>Tiktok<\/em> apontam que a<em> hashtag #darkromance<\/em> ultrapassou 1,5 milh\u00e3o de v\u00eddeos publicados em 2024, acumulando mais de 8,4 bilh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No artigo <\/span><a href=\"https:\/\/ri.ufs.br\/bitstream\/riufs\/1952\/1\/ViolenciaDomesticaLiteraturaBrasileira.pdf\"><i><span style=\"font-weight: 400\">A viol\u00eancia dom\u00e9stica na literatura brasileira<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, de Carlos Magno Gomes e Maria Juliana De Jesus Santos, \u00e9 discutido como a viol\u00eancia contra mulher tem uma facilidade muito grande em ultrapassar a fic\u00e7\u00e3o, principalmente dentro de casa. \u201cNa sociedade brasileira, durante muito tempo, essa quest\u00e3o foi aceita como algo comum ao cotidiano da fam\u00edlia. Como dizia o ditado, \u2018em briga de marido e mulher, n\u00e3o se mete a colher\u2019\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A problem\u00e1tica do artigo \u00e9 a naturalidade retratada pela sociedade em rela\u00e7\u00e3o a um assunto que deveria ser tratado como preocupa\u00e7\u00e3o. Segundo pesquisa do <\/span><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2025\/11\/24\/datasenado-violencia-de-genero-atinge-3-7-milhoes-de-brasileiras\"><span style=\"font-weight: 400\">DataSenado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, cerca de 3,7 milh\u00f5es de mulheres sofreram algum tipo de viol\u00eancia de g\u00eanero em 2025. No mesmo ano, foi registrado o maior n\u00famero de feminic\u00eddios em 10 anos no pa\u00eds, com cerca de 1.568 mulheres assassinadas por raz\u00f5es de g\u00eanero, um recorde em n\u00famero, mas de algo que n\u00e3o deve ser comemorado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Produ\u00e7\u00f5es que abordam a viol\u00eancia contra a mulher com responsabilidade se tornam ainda mais necess\u00e1rias. Mais do que expor o problema, as obras devem contribuir para a compreens\u00e3o de suas complexidades e consequ\u00eancias. Essa \u00e9 a import\u00e2ncia de conte\u00fados produzidos e feitos para o p\u00fablico feminino, que tratem com seriedade e deem a devida relev\u00e2ncia para assuntos necess\u00e1rios para as mulheres, pois sem a presen\u00e7a de conte\u00fados assim, a perspectiva da sociedade continua focada em uma vis\u00e3o patriarcal. Exemplos de obras que seguem essa tem\u00e1tica com o cuidado necess\u00e1rio s\u00e3o as s\u00e9ries <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Big Little Lies<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\"><em>,<\/em> que mostra viol\u00eancia dom\u00e9stica de forma crua e psicol\u00f3gica; <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Maid<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, que destaca depend\u00eancia financeira, emocional e estrutural; <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Ni una m\u00e1s<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\"><em>,<\/em> que mostra viol\u00eancia sexual, ass\u00e9dio, persegui\u00e7\u00e3o mas de forma que existam consequencias para os abusadores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quando a viol\u00eancia vira estat\u00edstica<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2024, o Brasil registrou 1.450 casos de feminic\u00eddio. O n\u00famero, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 alarmante, mas ganha outra dimens\u00e3o quando pensamos que esse n\u00famero tem crescido de forma expressiva. Quando traduzida, a informa\u00e7\u00e3o revela uma preocupa\u00e7\u00e3o: aproximadamente quatro mulheres s\u00e3o assassinadas todos os dias no pa\u00eds por raz\u00f5es de g\u00eanero. Os dados, apresentados pelo Relat\u00f3rio Anual Socioecon\u00f4mico da Mulher (Raseam) 2025, evidenciam apenas a face mais extrema de uma viol\u00eancia que assume muitas outras formas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antes de chegar ao assassinato, a viol\u00eancia contra a mulher costuma se manifestar de modos mais silenciosas, e que muitas vezes s\u00e3o invisibilizadas: agress\u00f5es psicol\u00f3gicas, controle patrimonial, abuso sexual, persegui\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio cotidiano e a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Estes s\u00e3o apenas alguns dos exemplos definidos pela Lei 11.340, a Lei Maria da Penha, e eles\u00a0 se manifestam em diferentes camadas, um mesmo fen\u00f4meno que evolui dentro de ambientes privados at\u00e9 se tornar irrevers\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa dimens\u00e3o estrutural fica ainda mais nos dados. Segundo a pesquisa <\/span><a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/relatorio-visivel-e-invisivel-5ed-2025.pdf?v=13-03\"><span style=\"font-weight: 400\">Vis\u00edvel e invis\u00edvel: a vitimiza\u00e7\u00e3o de mulheres no Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, cerca de 37% das brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de viol\u00eancia no \u00faltimo ano. Ainda assim, apenas uma em cada quatro v\u00edtimas formaliza den\u00fancia, de acordo com o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP). Entre o sil\u00eancio e as estat\u00edsticas, existe um abismo e \u00e9 nele que muitas hist\u00f3rias permanecem ocultas.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_3901\" style=\"width: 254px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3901\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3901\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Forum-de-Seguranc\u0327a-3-244x300.png\" alt=\"\" width=\"244\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Forum-de-Seguranc\u0327a-3-244x300.png 244w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Forum-de-Seguranc\u0327a-3-831x1024.png 831w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Forum-de-Seguranc\u0327a-3-768x946.png 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Forum-de-Seguranc\u0327a-3-877x1080.png 877w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Forum-de-Seguranc\u0327a-3.png 1061w\" sizes=\"(max-width: 244px) 100vw, 244px\" \/><p id=\"caption-attachment-3901\" class=\"wp-caption-text\">Foto: F\u00f3rum de Seguran\u00e7a<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O problema se distribui de forma desigual pelo pa\u00eds, mas \u00e9 generalizado. Estados como <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mt\/mato-grosso\/noticia\/2025\/07\/24\/mato-grosso-lidera-ranking-nacional-de-feminicidios-pelo-2-ano-seguido-aponta-anuario.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400\">Mato Grosso<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e Mato Grosso do Sul apresentam as maiores taxas proporcionais de feminic\u00eddio, chegando a 2,6 mortes por 100 mil mulheres. J\u00e1 S\u00e3o Paulo lidera em n\u00fameros absolutos, reflexo de sua popula\u00e7\u00e3o extensa, com mais de 200 casos registrados em 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No recorte da viol\u00eancia n\u00e3o letal, estados como Rio de Janeiro, Rond\u00f4nia e Amazonas concentram os maiores \u00edndices de mulheres que relatam agress\u00f5es dom\u00e9sticas ou familiares, segundo o <\/span><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/institucional\/datasenado\/materias\/pesquisas\/pesquisa-estadual-de-violencia-contra-a-mulher-2024\"><span style=\"font-weight: 400\">DataSenado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Os dados deixam claro que a viol\u00eancia de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 um epis\u00f3dio, ela \u00e9 estrutural e persistente.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_3902\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3902\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3902 size-medium\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-DataSenado-1-225x300.png\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-DataSenado-1-225x300.png 225w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-DataSenado-1.png 576w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><p id=\"caption-attachment-3902\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Data Senado<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No Paran\u00e1, o estado aparece entre os que mais registram feminic\u00eddios no pa\u00eds, ocupando a 4\u00aa posi\u00e7\u00e3o em 2024, com 109 casos, e a 5\u00aa posi\u00e7\u00e3o no in\u00edcio de 2025 com 87 casos no estado. O Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica aponta que o estado concentra um vasto n\u00famero de munic\u00edpios entre as maiores taxas de estupro e estupro de vulner\u00e1vel, com 12 cidades listadas: Guarapuava (8\u00aa no ranking nacional), Almirante Tamandar\u00e9 (9\u00aa), Colombo (20\u00aa), Arauc\u00e1ria (21\u00aa), Ponta Grossa (22\u00aa), Piraquara (31\u00aa), Fazenda Rio Grande (32\u00aa), Sarandi, Paranagu\u00e1, Toledo, Pinhais e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais. Apesar da gravidade, <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/03\/04\/parana-reduz-em-20-numero-de-feminicidios-mas-segue-entre-os-cinco-estados-com-mais-casos-no-brasil\/#:~:text=O%20Paran%C3%A1%20registrou%2087%20casos%20de%20feminic%C3%ADdio,Nacional%20de%20Informa%C3%A7%C3%B5es%20de%20Seguran%C3%A7a%20P%C3%BAblica%20(Sinesp).\"><span style=\"font-weight: 400\">o Paran\u00e1 demonstra uma mudan\u00e7a<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Entre 2024 e 2025, houve uma redu\u00e7\u00e3o de aproximadamente 20% nos casos de feminic\u00eddio no estado de acordo com o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Sinesp)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. A queda, embora significativa, n\u00e3o representa necessariamente uma solu\u00e7\u00e3o, mas levanta questionamentos sobre pol\u00edticas p\u00fablicas, subnotifica\u00e7\u00e3o e os limites da pr\u00f3pria estat\u00edstica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de constar com a 22\u00aa posi\u00e7\u00e3o de acordo com o Anu\u00e1rio, com registro de 79,4 casos por 100 mil habitantes posi\u00e7\u00e3o, Ponta Grossa tamb\u00e9m esteve presente em outro levantamento. De acordo com a pesquisa<\/span> <a href=\"https:\/\/share.google\/moILEW623MptTRKmQ\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Piores cidades para ser mulher<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> produzida pela consultoria ambiental Tew\u00e1 225, Ponta Grossa ocupa a d\u00e9cima posi\u00e7\u00e3o em uma an\u00e1lise nacional, o que evidencia como a viol\u00eancia de g\u00eanero se materializa de forma concreta no cotidiano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 nesse contexto que entram as vozes de quem atua diretamente no enfrentamento da viol\u00eancia. Cl\u00e1udia Kr\u00fcger, respons\u00e1vel pela delegacia da mulher de Ponta Grossa,\u00a0 destaca que, embora o trabalho das institui\u00e7\u00f5es policiais seja essencial no acolhimento e na responsabiliza\u00e7\u00e3o dos agressores, ele ainda atua de forma paliativa diante de um problema estrutural. Para a delegada, o enfrentamento efetivo da viol\u00eancia come\u00e7a muito antes da den\u00fancia.\u00a0 \u201cEu acredito na educa\u00e7\u00e3o como uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A fala de Cl\u00e1udia aponta para uma dimens\u00e3o mais profunda do problema, onde a viol\u00eancia de g\u00eanero n\u00e3o nasce isoladamente, mas inserida em um contexto cultural que naturaliza desigualdades e silencia abusos. Segundo Kr\u00fcger, muitas pessoas que crescem em ambientes violentos tendem a repetir a conduta em suas vidas, o que fomenta o ciclo de viol\u00eancia. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio educar as nossas crian\u00e7as para que elas passem a n\u00e3o aceitar aquilo que desvaloriza a mulher, \u00e9 um processo de n\u00e3o naturaliza\u00e7\u00e3o que deve ser criado desde a inf\u00e2ncia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, fatores como depend\u00eancia financeira, v\u00ednculos familiares e at\u00e9 quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade mental contribuem para a perman\u00eancia dessas mulheres em rela\u00e7\u00f5es abusivas. \u201cA depend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 financeira, mas o emocional tamb\u00e9m \u00e9 muito forte. Muitas vezes a pessoa n\u00e3o quer a puni\u00e7\u00e3o, ela quer a mudan\u00e7a de comportamento\u201d, afirma a delegada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao destacar a educa\u00e7\u00e3o como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o, Cl\u00e1udia Kr\u00fcger chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de repensar, de forma estrutural, as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. \u201cEssa carga n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nossa. Existem \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de puni\u00e7\u00e3o? Sim, e muitos. A delegacia da mulher est\u00e1 crescendo cada vez mais. Mas pode ter um milh\u00e3o, e os casos v\u00e3o continuar existindo, por causa de outros fatores que infelizmente ainda persistem.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria da viol\u00eancia contra mulher no Brasil n\u00e3o \u00e9 recente, ela surge h\u00e1 anos, a partir de uma constru\u00e7\u00e3o patriarcal, machista e sexista. Al\u00e9m de uma quest\u00e3o estrutural hist\u00f3rica, a quest\u00e3o se torna<\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1F4SN0eCfBRu8o6tJuon_gWDLOPzCe2ZB\/view?usp=sharing\"><span style=\"font-weight: 400\"> cultural.<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> Ela est\u00e1 enraizada desde a coloniza\u00e7\u00e3o e \u00e9 perpetuada por profundas desigualdades sociais, impunidade e pela normaliza\u00e7\u00e3o de conflitos nas intera\u00e7\u00f5es cotidianas. Essa vis\u00e3o tende a ficar submersa, interpretada com naturalidade mesmo tratando-se de vidas, porque \u00e9 isso que elas s\u00e3o. Essa \u00e9 a hist\u00f3ria das v\u00edtimas de viol\u00eancia do Brasil, que antes de n\u00fameros, tiveram nomes. Antes de serem casos, eram (e ainda s\u00e3o) hist\u00f3rias interrompidas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>&#8220;A vida come\u00e7a quando a viol\u00eancia acaba&#8221; \u2013 Maria da Penha<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um exemplo \u00e9 a Lei Maria da Penha, que surgiu em 7 de agosto de 2006, fruto da luta da biofarmac\u00eautica Maria da Penha Maia Fernandes, que ficou parapl\u00e9gica ap\u00f3s duas tentativas de feminic\u00eddio pelo marido em 1983. Ap\u00f3s quase 20 anos de impunidade, o caso foi denunciado \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da OEA. A partir disso, o Brasil criou uma legisla\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia contra a mulher, que apesar de ajudar a proteger, ainda n\u00e3o impede que casos de viol\u00eancia ocorram contra as v\u00edtimas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Atr\u00e1s da porta fechada<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cForam cinco anos desse jeito: viol\u00eancia, xingamentos e agress\u00f5es. Eu n\u00e3o podia contrari\u00e1-lo, n\u00e3o tinha coragem\u201d. Fernanda Souza iniciou seu relacionamento aos 14 anos e se casou aos 15 com o homem que, mais tarde, se tornaria seu agressor. Segundo ela, os sinais j\u00e1 existiam no namoro. \u201cAntes mesmo de eu me casar, essa pessoa j\u00e1 demonstrava algum tipo de viol\u00eancia, primeiro com palavras\u201d, relata. O comportamento autorit\u00e1rio e agressivo, no entanto, parecia suport\u00e1vel diante das expectativas religiosas e familiares que envolviam a uni\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para quem observava de fora, o relacionamento parecia tranquilo. O casamento tradicional, realizado na Igreja cat\u00f3lica, n\u00e3o levantava suspeitas entre os familiares. Eduarda Souza, irm\u00e3 de Fernanda, conta que as agress\u00f5es come\u00e7aram poucos meses ap\u00f3s a cerim\u00f4nia. \u201cNo come\u00e7o o marido dela era tranquilo. Foi depois de cinco meses de casados que come\u00e7aram as agress\u00f5es verbais e f\u00edsicas\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fernanda chegou a se separar do companheiro. Entretanto, a dist\u00e2ncia n\u00e3o durou muito. Um ano depois, movida pela esperan\u00e7a de mudan\u00e7a, decidiu reatar o relacionamento. \u201cNo in\u00edcio, eu tive a impress\u00e3o de que ele tinha mudado um pouco. Achei que ele pudesse mudar\u201d, relembra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A viol\u00eancia, por\u00e9m, tornou-se cada vez mais intensa. Eduarda descreve situa\u00e7\u00f5es marcadas por crueldade e humilha\u00e7\u00e3o. \u201cEle colocava ela para dormir no ch\u00e3o, sem coberta, no inverno. Puxava o cabelo dela, empurrava, e os xingamentos eram constantes\u201d, afirma. Quando Fernanda engravidou, acreditando que a chegada de um filho pudesse transformar o comportamento do marido, a situa\u00e7\u00e3o piorou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o podia acontecer nada com o meu filho ou ele me culparia\u201d, conta. Doen\u00e7as, quedas ou qualquer situa\u00e7\u00e3o envolvendo a crian\u00e7a tornavam-se justificativas para novas agress\u00f5es. O abuso verbal voltou com ainda mais for\u00e7a e, logo, a viol\u00eancia f\u00edsica tamb\u00e9m se intensificou. \u201cEle n\u00e3o me batia para deixar marcas, porque sabia que minha fam\u00edlia iria intervir\u201d, exp\u00f5e.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m das agress\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, havia a depend\u00eancia financeira. Fernanda havia abandonado os estudos, n\u00e3o trabalhava e dependia completamente do companheiro. \u201cIsso me segurou por muito tempo\u201d. O agressor utilizava essa vulnerabilidade como forma de controle, repetindo constantemente que ela \u201cn\u00e3o tinha onde cair morta\u201d e que sobrevivia gra\u00e7as ao dinheiro dele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com o passar dos anos, o controle aumentou. Fernanda era mantida trancada dentro de casa enquanto o marido sa\u00eda para trabalhar. \u201cEle cadeava a porta por fora para eu n\u00e3o sair\u201d, lembra. Foram cinco anos vivendo entre amea\u00e7as, humilha\u00e7\u00f5es e agress\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A situa\u00e7\u00e3o chegou ao limite quando Fernanda decidiu fugir. Eduarda recorda o momento em que a irm\u00e3 apareceu chorando na casa da fam\u00edlia, dizendo que n\u00e3o suportava mais continuar naquele casamento, mas ainda n\u00e3o encontrava coragem para sair. Aproveitando a aus\u00eancia do agressor, as duas retornaram \u00e0 resid\u00eancia para buscar roupas e documentos. \u201cPeguei s\u00f3 o b\u00e1sico necess\u00e1rio. Peguei meu filho e literalmente fugi dele\u201d. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, ele tentou reatar o casamento v\u00e1rias vezes, mas Fernanda\u00a0 n\u00e3o cedeu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O homem passou a fazer amea\u00e7as de suic\u00eddio diante da crian\u00e7a, que tinha apenas tr\u00eas anos na \u00e9poca. \u201cEle dizia na frente do meu filho que ia dar um tiro na cabe\u00e7a\u201d, lembra Fernanda. Para ela, aquela tamb\u00e9m era uma forma de viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar das marcas deixadas pelo relacionamento abusivo, Fernanda conseguiu reconstruir a pr\u00f3pria vida. Aos 20 anos, come\u00e7ou a trabalhar, retomou sua independ\u00eancia e, anos depois, formou uma nova fam\u00edlia. Hoje, afirma viver um relacionamento saud\u00e1vel e baseado no respeito. \u201cNenhuma mulher merece viver com algu\u00e9m que n\u00e3o a valorize. Tem solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso ter for\u00e7a e coragem para sair antes que as coisas piorem\u201d, defende.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ela tamb\u00e9m afirma que, se tivesse acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es e mecanismos de prote\u00e7\u00e3o existentes atualmente, teria denunciado o agressor. \u201cNaquela \u00e9poca quase n\u00e3o se falava sobre a Lei Maria da Penha ou delegacias da mulher. Hoje eu denunciaria\u201d, garante.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u201cN\u00e3o sou a \u00fanica\u201d<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria de Fernanda est\u00e1 longe de ser um caso isolado. Dados do <\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/MAwvwLk7gLxqtMRHw\"><span style=\"font-weight: 400\">DataSenado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> apontam que 17% das mulheres v\u00edtimas de agress\u00f5es graves cometidas por homens ainda convivem com o agressor. Al\u00e9m disso, a <\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/MzA3COFihvb5fwgyW\"><span style=\"font-weight: 400\">Pesquisa Nacional de Viol\u00eancia contra a Mulher<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> estima que 3,7 milh\u00f5es de brasileiras sofreram algum tipo de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar em 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As consequ\u00eancias da viol\u00eancia tamb\u00e9m atingem as crian\u00e7as. Entre as mulheres que sofreram viol\u00eancia no \u00faltimo ano, 71% afirmaram que os epis\u00f3dios ocorreram na presen\u00e7a de menores, muitas vezes filhos e filhas das pr\u00f3prias v\u00edtimas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ambiente dom\u00e9stico, que deveria representar prote\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos espa\u00e7os mais perigosos para as mulheres brasileiras. Segundo o <\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/ursfdL1oBMQX0BAkf\"><span style=\"font-weight: 400\">F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, a maioria dos feminic\u00eddios no pa\u00eds acontece dentro de casa.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_3903\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3903\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3903\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Delegacia-da-mulher-300x200.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Delegacia-da-mulher-300x200.png 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Delegacia-da-mulher-768x512.png 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Delegacia-da-mulher-272x182.png 272w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/06\/Co\u0301pia-de-Delegacia-da-mulher.png 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-3903\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Nath\u00e1lia St\u00fcpp<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os nomes das fontes apresentadas nesta reportagem foram alterados por quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Ainda assim, os relatos reproduzem apenas uma pequena parcela da realidade enfrentada diariamente por milhares de mulheres brasileiras v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem. Este cap\u00edtulo trata da representa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero em conte\u00fados midi\u00e1ticos e liter\u00e1rios. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Autores:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Nath\u00e1lia St\u00fcpp<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Jana\u00edne <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Kronbauer<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Giulia Neves e Pietra Gasparini<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a m\u00eddia transforma rela\u00e7\u00f5es abusivas em entretenimento, milhares de mulheres seguem enfrentando\u00a0 viol\u00eancia Cre\u0301dito: Jarbas Oliveira O consumo de conte\u00fados culturais est\u00e1 presente desde os primeiros anos de vida e acompanha o desenvolvimento individual ao longo do tempo. Livros, filmes, m\u00fasicas e produ\u00e7\u00f5es digitais n\u00e3o apenas entret\u00eam, mas tamb\u00e9m influenciam diretamente a forma como&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":925,"featured_media":3895,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3891"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/925"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3891"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3911,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3891\/revisions\/3911"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}