{"id":4369,"date":"2026-08-04T16:38:46","date_gmt":"2026-08-04T19:38:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=4369"},"modified":"2026-08-09T23:21:42","modified_gmt":"2026-08-10T02:21:42","slug":"rompeu-os-ligamentos-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/rompeu-os-ligamentos-e-agora\/","title":{"rendered":"Rompeu os ligamentos? E, agora?!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m do tratamento do corpo, a atleta que rompe o LCA tamb\u00e9m deve ter acompanhamento psicol\u00f3gico<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O campo de futebol n\u00e3o pode ser compreendido como um espa\u00e7o de dor e sofrimento. Mesmo com todas as adversidades causadas pelo rompimento do Ligamento Cruzado Anterior (LCA), h\u00e1 meios de prevenir e tratamentos eficazes para enfrentar as les\u00f5es, principalmente entre as mulheres, que t\u00eam de duas a oito vezes mais chances de sofrer a les\u00e3o quando comparadas aos homens. At\u00e9 abril de 2026, oito jogadoras da S\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro sofreram a ruptura do ligamento. Na dupla Gre-Nal, por exemplo, a meio-campista Jordana, a lateral-esquerda Eskerdinha, a zagueira Iza e a atacante Julia Martins ficam comprometidas pela les\u00e3o. E engana-se que as les\u00f5es atingem apenas mulheres maduras, no cap\u00edtulo anterior conhecemos a hist\u00f3ria de <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/mae-pai-eu-quero-ser-jogadora-de-futebol\/\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c1gatha<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, jovem de apenas 14 anos, que tamb\u00e9m foi v\u00edtima da les\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_4374\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4374\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4374\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/1-FEED-INSTA-PERIODICO-1-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" data-wp-editing=\"1\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/1-FEED-INSTA-PERIODICO-1-240x300.jpg 240w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/1-FEED-INSTA-PERIODICO-1-819x1024.jpg 819w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/1-FEED-INSTA-PERIODICO-1-768x960.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/1-FEED-INSTA-PERIODICO-1-864x1080.jpg 864w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/1-FEED-INSTA-PERIODICO-1.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><p id=\"caption-attachment-4374\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Conforme a ortopedista e m\u00e9dica do esporte Ana Pierin, de Curitiba, o rompimento do LCA \u00e9 multifatorial, n\u00e3o tem um \u00fanico motivo. Quest\u00f5es anat\u00f4micas, hormonais e de prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica impactam as atletas. Uma dessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 o joelho valgo [alinhado para dentro], que pode interferir nas entorses. \u201cQuando h\u00e1 o movimento de salto, de rota\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo para desacelerar no futebol, acaba causando um pouco mais de les\u00f5es\u201d, explica. Al\u00e9m disso, os horm\u00f4nios femininos, como estrog\u00eanio e relaxina, tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de afetar as taxas de les\u00f5es. \u201cA quest\u00e3o da frouxid\u00e3o ligamentar \u00e9 mais comum em mulheres e pode alterar a biomec\u00e2nica do joelho\u201d, detalha a m\u00e9dica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o relat\u00f3rio da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol Associado (FIFA) de 2023, o n\u00famero de mulheres que praticam futebol de forma organizada aumentou 24% desde 2019. Hoje, ao redor do mundo, s\u00e3o cerca de 16,6 milh\u00f5es de jogadoras distribu\u00eddas pelos seis continentes. S\u00f3 no Brasil, o fator de crescimento alcan\u00e7ou 5.500%. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo com a expans\u00e3o da pr\u00e1tica do futebol feminino sendo realidade, as investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas acerca do LCA ainda d\u00e3o seus primeiros passos. Em 2025, a FIFA financiou um estudo pela Universidade de Kingston cujo objetivo \u00e9 averiguar poss\u00edvel conex\u00e3o entre o ciclo menstrual e a incid\u00eancia dessas les\u00f5es. A pesquisa, por ora, deve se estender por um ano. \u201c\u00c9 interessante a gente avaliar as atletas nesse sentido para poder otimizar o tratamento e a prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica de acordo com cada fase do ciclo menstrual\u201d, avalia Pierin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Dependendo do n\u00edvel da les\u00e3o e do progresso do tratamento, a jogadora pode ficar at\u00e9 um ano fora dos gramados. Al\u00e9m da interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, o processo de recupera\u00e7\u00e3o implica a redu\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o do joelho, o ganho progressivo de mobilidade e o fortalecimento muscular. E o fator mental \u00e9 determinante para um bom retorno. \u201cPrecisa ter esse acompanhamento no retorno para n\u00e3o ficar com receio de apoiar no membro, de jogar e machucar de novo, para n\u00e3o mudar biomecanicamente a corrida desse atleta\u201d, detalha a m\u00e9dica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><i>Do corpo \u00e0 mente<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao romper o LCA, reeducar somente o corpo da atleta n\u00e3o basta. Ao falar da pr\u00e1tica esportiva, manter o lado emocional em dia \u00e9 uma sa\u00edda a ser praticada. A psic\u00f3loga do esporte Aline Lima, de Maring\u00e1, refor\u00e7a que para al\u00e9m da otimiza\u00e7\u00e3o do desempenho ou acelera\u00e7\u00e3o do processo de recupera\u00e7\u00e3o, o atleta precisa se conhecer de forma consciente. \u201c\u00c9 importante o atleta fazer esse acompanhamento psicol\u00f3gico para cuidar da sa\u00fade mental para se conhecer. N\u00e3o \u00e9 nem para se tornar mais forte mentalmente, para se curar mais r\u00e1pido de uma les\u00e3o, seria mais at\u00e9 para entender o que essa les\u00e3o est\u00e1 dizendo para mim de mais profundo\u201d, defende.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Apesar dos avan\u00e7os, ainda existem estigmas e mitos que permeiam a procura por assist\u00eancia psicol\u00f3gica. \u201cAcho que o principal mito \u00e9 de que fazer acompanhamento psicol\u00f3gico \u00e9 por fraqueza ou porque voc\u00ea n\u00e3o aguenta, porque voc\u00ea est\u00e1 doente\u201d, diz. Ela salienta que a presen\u00e7a de atletas na m\u00eddia reiterando os benef\u00edcios da terapia \u00e9 capaz de fazer a diferen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em les\u00f5es, de modo particular, as atletas passam por uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica de rotina e, assim, o desgaste e o estresse tornam-se problemas constantes. \u201cImagina um atleta cheio de energia, muito ativo, vive ali, o corpo \u00e9 o palco de repente, esse corpo se v\u00ea tendo que ficar parado, precisando da ajuda de outras pessoas. \u00c9 desesperador!\u201d, descreve Lima.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo a especialista, cada esportista encontra seu jeito de enfrentar a situa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m ter paci\u00eancia com o corpo, mente e com o pr\u00f3prio processo de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial. \u201cUm ponto muito importante \u00e9 a flexibilidade e a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 uma cirurgia, e diante de qualquer les\u00e3o, \u00e9 muito imprevis\u00edvel. A gente tem alguns par\u00e2metros: voc\u00ea vai se recuperar em tanto tempo, vai precisar ficar tanto tempo parado, mas a realidade \u00e9 que a gente nunca sabe\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ela enfatiza tamb\u00e9m que o principal erro que a atleta pode cometer \u00e9 acelerar o processo e n\u00e3o respeitar o tempo do pr\u00f3prio corpo. \u201cA les\u00e3o j\u00e1 mostra isso, tem alguma coisa ali que est\u00e1 precisando ser ouvida\u201d, relata. Ela aconselha, a partir da pr\u00f3pria experi\u00eancia com les\u00f5es, fazer o caminho inverso da adrenalina para relaxar. Para al\u00e9m do tratamento, o acompanhamento emocional tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de preven\u00e7\u00e3o. \u201cSe estou lidando com estresse muito grande, seja sobre o esporte ou n\u00e3o, em vez de descontar no treino sobrecarregando meu corpo, lido com isso atrav\u00e9s das palavras ou da forma como vier ali na terapia, dando um sentido mais direcional ali\u201d, elucida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><i>De dentro do campo<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Esta \u00e9 a terceira reportagem da s\u00e9rie <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De dentro do campo: As viv\u00eancias das \u201cGurias do Sul\u201d no futebol brasileiro, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">que ao longo deste ano ir\u00e1 retratar a trajet\u00f3ria e as experi\u00eancias que permeiam a carreira de mulheres que se dedicam ao futebol feminino no Sul do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Giulia Neves<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Hendryo Andr\u00e9<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Dimitri de Souza, Eduarda Leal e Mafe Sperafico<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aline Rosso e Muriel Em\u00eddio do Amaral<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m do tratamento do corpo, a atleta que rompe o LCA tamb\u00e9m deve ter acompanhamento psicol\u00f3gico O campo de futebol n\u00e3o pode ser compreendido como um espa\u00e7o de dor e sofrimento. 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