{"id":4436,"date":"2026-08-18T14:10:19","date_gmt":"2026-08-18T17:10:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=4436"},"modified":"2026-08-18T14:13:35","modified_gmt":"2026-08-18T17:13:35","slug":"diferentes-fases-da-vida-em-conflito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/diferentes-fases-da-vida-em-conflito\/","title":{"rendered":"Diferentes fases da vida em conflito"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-weight: 400\">Conhe\u00e7a a rotina de uma jovem adulta que tenta equilibrar estudos, trabalho e o cuidado familiar<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O trabalho de cuidado dificilmente \u00e9 uma escolha. Em sua maioria, a responsabilidade de cuidar chega de repente e com muitas exig\u00eancias. H\u00e1 nove meses, essa \u00e9 a realidade de Nicoly Sedlak (19), principal respons\u00e1vel pelos cuidados de sua bisav\u00f3, Anastacia Sutil (82). Por conta da idade e alguns problemas de sa\u00fade, Anastacia necessita de cuidados di\u00e1rios, que recaem totalmente sob sua bisneta. A cuidadora familiar n\u00e3o recebe nada pelo esfor\u00e7o cont\u00ednuo e sofre com a falta de reconhecimento do trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nicoly \u00e9 uma jovem estudante que est\u00e1 em busca de construir seu futuro. Ela cursa Jornalismo, de forma remota, em uma universidade particular de Ponta Grossa e trabalha como vendedora em um shopping da cidade. Al\u00e9m de suas obriga\u00e7\u00f5es do in\u00edcio da vida adulta, desde dezembro de 2025, a bisneta passou a morar com a bisav\u00f3 e dedicou todo seu tempo livre a ela.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anastacia come\u00e7ou a apresentar sinais de perda de mem\u00f3ria na metade do ano e, no come\u00e7o de 2026, teve um acidente vascular cerebral (AVC), o que debilitou sua for\u00e7a e movimentos. Ela possui dificuldade em realizar tarefas do dia a dia, como tomar os medicamentos de forma correta e realizar os afazeres dom\u00e9sticos. Na \u00e9poca, Nicoly se ofereceu para cuidar da bisav\u00f3 at\u00e9 que a fam\u00edlia encontrasse uma cuidadora profissional, o que n\u00e3o aconteceu at\u00e9 o momento da entrevista, quase oito meses depois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cDepois que a nossa fam\u00edlia viu que eu dava conta, eu me tornei cuidadora permanente e as responsabilidades aumentaram\u201d, relata. Segundo a bisneta, o combinado inicial com o restante da fam\u00edlia era que ela apenas tomaria conta da ministra\u00e7\u00e3o dos rem\u00e9dios de Anastacia, para que ela n\u00e3o esquecesse de tomar ou tomasse al\u00e9m do recomendado. Ap\u00f3s alguns meses, a jovem cuidadora se mudou para a casa da bisav\u00f3 e as tarefas aumentaram, incluindo o acompanhamento nas consultas m\u00e9dicas e os afazeres dom\u00e9sticos. Al\u00e9m da bisneta, o neto de Anastacia, tio de Nicoly, tamb\u00e9m mora com a av\u00f3, ele \u00e9 professor e doutorando. Na rotina de amparo, Nicoly precisa ministrar mais de 10 rem\u00e9dios diariamente para a bisav\u00f3, organizar a casa, a rotina e escrever relat\u00f3rios para avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Todas essas atividades precisam ser equilibradas com a vida pessoal da jovem, que precisa fazer muitos sacrif\u00edcios para cumprir com o dever imposto. \u201cO problema \u00e9 toda a responsabilidade ter ca\u00eddo sobre mim, \u00e9 como se eu n\u00e3o tivesse direito de viver al\u00e9m do cuidado\u201d. A jovem afirma sentir falta de sua pr\u00f3pria casa e de passar tempo com os amigos e outros membros da fam\u00edlia. \u201cO cuidado constante que eu preciso fazer sozinha limita o tempo de quaisquer outros afazeres\u201d. Nicoly exp\u00f5e que a principal dificuldade \u00e9 a falta de apoio do restante da fam\u00edlia. \u201cEu gostaria de dividir essa responsabilidade com outros familiares\u201d. De acordo com ela, a maior parte da fam\u00edlia enxerga seu trabalho como obriga\u00e7\u00e3o, o que desvaloriza o tempo gasto nessa rotina. Ela afirma que essa forma de pensar tamb\u00e9m afeta sua vida. \u201cEu me ofereci para cuidar da minha bisav\u00f3 por afei\u00e7\u00e3o a ela, mas boa parte do que me mant\u00e9m nesse trabalho \u00e9 o senso de obriga\u00e7\u00e3o perante ela e meus familiares\u201d. Segundo a jovem, ela seria mal vista se desistisse do cuidado por cansa\u00e7o ou pela vontade de dedicar-se a outras \u00e1reas\u00a0 de sua vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A estudante, agora tamb\u00e9m cuidadora familiar, reconhece que sua hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 um caso isolado, mas sim a heran\u00e7a de uma sociedade regida pelo patriarcado e pela falta de reconhecimento do trabalho dom\u00e9stico, principalmente realizado por mulheres. Mesmo que a bisav\u00f3 more tamb\u00e9m com seu neto, o cuidado \u00e9 responsabilidade apenas de uma das mulheres da fam\u00edlia. Ela conta que a outra op\u00e7\u00e3o era que Anastacia fosse morar com a filha, mas ela \u00e9 respons\u00e1vel pelos cuidados com a prima de Nicoly. A m\u00e3e da jovem cuidadora tamb\u00e9m j\u00e1 foi e \u00e9 respons\u00e1vel por diferentes cuidados com os familiares. \u201c\u00c9 um papel heredit\u00e1rio, tratado como inerente \u00e0s mulheres da minha fam\u00edlia\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na vis\u00e3o da jovem, existem algumas alternativas de cuidados com a bisav\u00f3 que deveriam ser consideradas pela fam\u00edlia. A principal seria a contrata\u00e7\u00e3o de uma cuidadora profissional, que possui forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, experi\u00eancia profissional e seria remunerada pelo trabalho. \u201cMeu trabalho come\u00e7ou provisoriamente e agora sou cobrada todos os dias e tenho cada vez mais responsabilidades\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0O que era para ser uma ajuda tempor\u00e1ria, tornou-se obriga\u00e7\u00e3o. De acordo com a entrevistada, n\u00e3o foi por falta de recursos financeiros que a fam\u00edlia n\u00e3o contratou uma cuidadora, mas sim porque se acostumaram a atribuir o cuidado \u00e0 bisneta, mesmo que isso signifique mudar toda a sua rotina. \u201cSinto que a minha vida fora do cuidado \u00e9 desconsiderada\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Amanda Los<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Lucas Barbato,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Maria Eduarda Leme, Nat\u00e1lia Almeida, Roberto Indzejczak, e Yasmin Aguilera<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Hendryo Andr\u00e9<\/span><\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aline Rosso e Muriel Em\u00eddio Amaral<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a a rotina de uma jovem adulta que tenta equilibrar estudos, trabalho e o cuidado familiar O trabalho de cuidado dificilmente \u00e9 uma escolha. 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