{"id":4470,"date":"2026-08-20T10:44:35","date_gmt":"2026-08-20T13:44:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=4470"},"modified":"2026-08-20T10:49:17","modified_gmt":"2026-08-20T13:49:17","slug":"4470-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/4470-2\/","title":{"rendered":"O que permanece quando o sil\u00eancio atravessa gera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Entre mem\u00f3rias interrompidas, heran\u00e7as culturais e conflitos de pertencimento, o escritor paranaense Oscar Nakasato transforma a experi\u00eancia da imigra\u00e7\u00e3o japonesa em literatura e revisita uma identidade constru\u00edda entre o Jap\u00e3o e o Brasil<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O deslocamento \u00e9 uma for\u00e7a que move n\u00e3o apenas vidas, mas tamb\u00e9m saudades e lembran\u00e7as. Um sil\u00eancio atravessando mesas de jantar, fotografias antigas, sotaques interrompidos e gestos que nunca precisavam ser explicados dentro das fam\u00edlias nipo-brasileiras. Foi nesse espa\u00e7o, entre o que era dito e aquilo que permanecia guardado, que o escritor paranaense Oscar Nakasato cresceu. Filho de imigrantes japoneses, ele nasceu em Maring\u00e1 e aprendeu desde cedo que existir entre duas culturas tamb\u00e9m significa carregar conflitos dif\u00edceis de nomear.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O Paran\u00e1 possui uma das maiores comunidades nipo-brasileiras do pa\u00eds, segundo a <\/span><a href=\"https:\/\/www.br.emb-japan.go.jp\/itpr_pt\/ano-intercambio-amizade-jp-br-mensagem.html\"><span style=\"font-weight: 400\">Embaixada do Jap\u00e3o no Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. A imigra\u00e7\u00e3o japonesa para o estado se intensificou principalmente a partir da d\u00e9cada de 1930, impulsionada pela expans\u00e3o agr\u00edcola do norte paranaense. Fam\u00edlias japonesas chegaram a cidades como Londrina, Maring\u00e1, Assa\u00ed e Ura\u00ed para trabalhar, principalmente nas lavouras que se tornaram uma das identidades do norte do estado. Mas a hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o japonesa, no Brasil, come\u00e7a antes. Em 1908, o navio Kasato Maru atracou no porto de Santos trazendo os primeiros imigrantes japoneses ao pa\u00eds. O movimento acontecia em um contexto de crise econ\u00f4mica e excesso populacional no Jap\u00e3o, enquanto o Brasil buscava m\u00e3o de obra ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo da conversa, o escritor Nakasato fala baixo, pausadamente, como quem organiza as palavras antes de solt\u00e1-las. A impress\u00e3o \u00e9 de que a escrita de Nakasato nasce exatamente desse movimento: observar durante muito tempo algo aparentemente comum at\u00e9 perceber o peso hist\u00f3rico escondido nele. \u201cA mem\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o japonesa nunca foi algo distante para mim\u201d, comenta. \u201cEla estava dentro de casa.\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Para a pesquisadora da imigra\u00e7\u00e3o japonesa da Universidade Federal do Paran\u00e1, <\/span><a href=\"https:\/\/scholar.google.com\/citations?user=MHTKmykAAAAJ&amp;hl=pt-BR\"><span style=\"font-weight: 400\">M\u00f4nica Setuyo Okamoto<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, existe uma tend\u00eancia hist\u00f3rica de romantizar a experi\u00eancia dos japoneses no Brasil, apagando conflitos importantes dessa trajet\u00f3ria. \u201cMuitas vezes se construiu uma ideia da imigra\u00e7\u00e3o japonesa associada apenas ao trabalho, disciplina e sucesso econ\u00f4mico\u201d, explica. \u201cMas existiram rupturas, discrimina\u00e7\u00f5es e dificuldades profundas de pertencimento\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo ela, os primeiros imigrantes chegaram ao Brasil carregando valores sociais extremamente r\u00edgidos, como ordem e disciplina, que foram constru\u00eddos em um Jap\u00e3o fortemente nacionalista do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. \u201cMuitos vieram acreditando que retornariam ao Jap\u00e3o depois de enriquecer\u201d. A perman\u00eancia definitiva em territ\u00f3rio brasileiro, para v\u00e1rias fam\u00edlias, n\u00e3o fazia parte dos planos iniciais. \u201cO Brasil era visto como um lugar de passagem\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Essa tentativa constante de preservar uma identidade japonesa aparece diretamente na obra de Oscar Nakasato. Em <\/span><a href=\"https:\/\/www.fosforoeditora.com.br\/produto\/nihonjin-70416\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihonjin<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, livro vencedor do Pr\u00eamio Jabuti na categoria Romance Liter\u00e1rio em 2012, o autor revisita a trajet\u00f3ria de fam\u00edlias japonesas que migraram para o Brasil carregando expectativas, traumas e dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o. O livro acompanha gera\u00e7\u00f5es diferentes, revelando conflitos entre pais e filhos, tradi\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e pertencimento. Embora seja fic\u00e7\u00e3o, a narrativa dialoga diretamente com experi\u00eancias hist\u00f3ricas da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Paran\u00e1 e no Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu escrevi muito a partir das mem\u00f3rias que ouvi durante a vida\u201d, conta Nakasato. \u201cN\u00e3o eram hist\u00f3rias organizadas, eram fragmentos.\u201d Ele lembra que cresceu cercado por relatos interrompidos, coment\u00e1rios sobre o Jap\u00e3o, lembran\u00e7as da guerra e hist\u00f3rias de deslocamento. Muitas vezes, por\u00e9m, existia tamb\u00e9m uma recusa em falar profundamente sobre o passado. \u201cOs imigrantes japoneses tinham uma rela\u00e7\u00e3o muito silenciosa com a dor.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">M\u00f4nica Okamoto explica que isso n\u00e3o era incomum. Segundo ela, muitas fam\u00edlias japonesas que chegaram ao Brasil carregavam experi\u00eancias traum\u00e1ticas decorrentes da guerra. \u201cExiste uma dimens\u00e3o emocional da imigra\u00e7\u00e3o que nem sempre aparece nos registros hist\u00f3ricos\u201d, afirma. \u201cMigrar n\u00e3o significa apenas mudar de territ\u00f3rio, significa abandonar refer\u00eancias, afetos e uma ideia de futuro\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo a pesquisadora, os japoneses encontraram um territ\u00f3rio desconhecido, dificuldades econ\u00f4micas e forte preconceito racial ao chegar ao Brasil. Durante a Segunda Guerra Mundial, a situa\u00e7\u00e3o se agravou ainda mais. Como o Jap\u00e3o fazia parte do Eixo, ao lado da Alemanha e da It\u00e1lia, fam\u00edlias japonesas passaram a ser perseguidas e vigiadas pelo governo brasileiro. Escolas japonesas foram fechadas, jornais censurados e o uso do idioma proibido em espa\u00e7os p\u00fablicos, causando muito preconceito aos imigrantes japoneses que residiam no Brasil. \u201cMuitos imigrantes viveram aquele per\u00edodo como uma ruptura violenta\u201d, explica Okamoto. \u201cEles j\u00e1 eram vistos como estrangeiros antes, mas durante a guerra passaram a ser tratados como inimigos\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nakasato comenta que a guerra ocupa um espa\u00e7o importante dentro da mem\u00f3ria coletiva nipo-brasileira justamente porque ela intensificou conflitos de identidade j\u00e1 existentes. \u201cOs filhos dos imigrantes cresceram entre duas culturas, mas sem se sentirem completamente pertencentes a nenhuma delas\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Essa sensa\u00e7\u00e3o aparece constantemente na literatura de Oscar Nakasato. Os personagens de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihonjin<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> vivem atravessados por expectativas familiares, cobran\u00e7as silenciosas e dificuldades emocionais herdadas de gera\u00e7\u00f5es anteriores. Existe uma sensa\u00e7\u00e3o permanente de deslocamento, mesmo para aqueles que j\u00e1 nasceram no Brasil. \u201cA imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o termina na gera\u00e7\u00e3o que atravessa o oceano,l\u00e1 continua sua literatura\u00a0 nos filhos e nos netos\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo da entrevista, Nakasato fala v\u00e1rias vezes sobre heran\u00e7a. N\u00e3o apenas heran\u00e7a material ou cultural, mas emocional. Para ele, muitos descendentes de japoneses cresceram tentando corresponder a uma ideia r\u00edgida de comportamento constru\u00edda pelos pr\u00f3prios imigrantes. \u201cExistia muito a ideia do esfor\u00e7o, do sil\u00eancio e da obriga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A pesquisadora M\u00f4nica Okamoto explica que parte dessa l\u00f3gica vinha de valores trazidos do Jap\u00e3o do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Entre eles, conceitos ligados ao bushid\u00f4, c\u00f3digo moral associado aos samurais, e \u00e0 chamada \u201cmoral japonesa\u201d, ensinada nas escolas japonesas durante o per\u00edodo imperial. \u201cEsses valores foram reinterpretados no Brasil como forma de construir \u2018bons cidad\u00e3os\u2019 nipo-brasileiros\u201d, afirma. \u201cA disciplina, a obedi\u00eancia e o autocontrole passaram a ser vistos como virtudes centrais dentro da comunidade\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo ela, esses comportamentos tamb\u00e9m funcionavam como mecanismo de prote\u00e7\u00e3o diante do preconceito racial enfrentado no Brasil. \u201cMuitos imigrantes acreditavam que precisavam demonstrar excel\u00eancia moral e profissional para serem aceitos socialmente\u201d. Ainda assim, a preserva\u00e7\u00e3o desses valores nem sempre acontecia sem conflitos. Filhos e netos de japoneses cresceram tentando equilibrar expectativas familiares com a realidade brasileira ao redor deles.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nakasato observa que essa cobran\u00e7a atravessou gera\u00e7\u00f5es. \u201cMuitos descendentes cresceram tentando corresponder a expectativas muito altas\u201d, diz. Para ele, a literatura surge justamente como espa\u00e7o para questionar esses sil\u00eancios e contradi\u00e7\u00f5es. \u201cEscrever foi uma forma de compreender coisas que eu vivi sem entender completamente\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O escritor comenta que, durante dois s\u00e9culos, a imigra\u00e7\u00e3o japonesa foi narrada quase exclusivamente atrav\u00e9s do sucesso econ\u00f4mico e da disciplina. Pouco se falava sobre sofrimento emocional, solid\u00e3o ou conflitos familiares. \u201cExiste uma tend\u00eancia de transformar os imigrantes japoneses em um modelo idealizado, mas eram pessoas atravessadas por medo, frustra\u00e7\u00e3o e dificuldades como qualquer outro grupo imigrante\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Apesar do reconhecimento nacional, o escritor mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o muito \u00edntima com o Paran\u00e1. \u00c9 imposs\u00edvel separar sua trajet\u00f3ria pessoal do contexto hist\u00f3rico da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no estado. Maring\u00e1, Londrina e outras cidades do norte paranaense aparecem n\u00e3o apenas como cen\u00e1rio, mas como espa\u00e7os simb\u00f3licos de constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria. \u201cO Paran\u00e1 tem uma presen\u00e7a japonesa muito forte, o que\u00a0 molda a cultura local de v\u00e1rias maneiras\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Okamoto, o norte do Paran\u00e1 foi fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o das comunidades japonesas no Brasil. A expans\u00e3o agr\u00edcola da regi\u00e3o, especialmente ligada ao caf\u00e9, permitiu que muitas fam\u00edlias japonesas criassem redes comunit\u00e1rias, escolas e associa\u00e7\u00f5es culturais. \u201cEsses espa\u00e7os ajudavam a preservar a identidade japonesa,\u00a0 e a criar ambientes de forte cobran\u00e7a interna\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ela afirma que muitos descendentes cresceram entre duas press\u00f5es distintas: a necessidade de se adaptar ao Brasil e a obriga\u00e7\u00e3o de preservar valores da cultura japonesa. \u201cA identidade nikkei (palavra em kanji que descreve imigrantes japoneses e pessoas que nasceram fora do Jap\u00e3o) foi constru\u00edda nesse espa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o constante.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao falar sobre pertencimento, Nakasato hesita por alguns segundos. Existe algo de parecido entre suas reflex\u00f5es e as falas de outros descendentes de imigrantes relatadas em artigos: a percep\u00e7\u00e3o de que identidade nunca \u00e9 algo totalmente resolvido. \u201cEu sou brasileiro\u201d, mas tamb\u00e9m existe uma mem\u00f3ria japonesa que faz parte da forma como eu vejo o mundo, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">M\u00f4nica Okamoto acredita que essa dualidade continua presente mesmo entre gera\u00e7\u00f5es mais jovens. \u201cN\u00e3o se trata de escolher entre ser japon\u00eas ou brasileiro\u201d, essas experi\u00eancias coexistem\u201d. Para ela, descendentes de japoneses frequentemente vivem uma esp\u00e9cie de pertencimento h\u00edbrido, no qual diferentes refer\u00eancias culturais se misturam dentro do cotidiano brasileiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Essa coexist\u00eancia aparece tamb\u00e9m na pr\u00f3pria linguagem de Nakasato. Seus textos costumam carregar um ritmo contido, econ\u00f4mico, quase silencioso. H\u00e1 sempre a sensa\u00e7\u00e3o de que algo importante permanece nas entrelinhas. \u201cEu acho que isso vem muito da experi\u00eancia da comunidade japonesa\u201d, nem tudo \u00e9 dito diretamente, comenta\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A pr\u00f3pria escolha da literatura como linguagem tamb\u00e9m parece atravessada por essa tentativa de evidenciar sil\u00eancios familiares. Nakasato explica que escrever sobre imigra\u00e7\u00e3o nunca foi apenas revisitar o passado, \u00e9 tamb\u00e9m falar sobre o presente. \u201cO Brasil continua sendo um pa\u00eds atravessado por migra\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Nakasato. Ao olhar para movimentos migrat\u00f3rios contempor\u00e2neos, como os de venezuelanos e haitianos, ele reconhece din\u00e2micas parecidas \u00e0s vividas pelos japoneses d\u00e9cadas atr\u00e1s. \u201cMudam os contextos hist\u00f3ricos, mas permanecem a tentativa de pertencimento e os conflitos de identidade.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Para ele, a literatura de imigra\u00e7\u00e3o ajuda a compreender o Brasil de maneira mais profunda. \u201cA hist\u00f3ria brasileira \u00e9 feita de deslocamentos&#8221;, diz. Entender essas trajet\u00f3rias significa tamb\u00e9m compreender como diferentes grupos ajudaram a construir o pa\u00eds e como essas mem\u00f3rias atravessam gera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No fim da conversa, ao ser questionado sobre mem\u00f3ria, o escritor permanece alguns segundos em sil\u00eancio antes de responder. Talvez para ele, nunca tenha sido apenas lembran\u00e7as. \u00c9 heran\u00e7a, conflito e continuidade. \u201cExiste muita coisa que desaparece quando uma gera\u00e7\u00e3o vai embora, mas tamb\u00e9m existe aquilo que permanece mesmo sem ser dito&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Talvez seja exatamente nesse espa\u00e7o, entre o sil\u00eancio e a perman\u00eancia, que a literatura de Oscar Nakasato continua existindo. N\u00e3o apenas como registro da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Paran\u00e1 e no Brasil, mas como tentativa de compreender aquilo que atravessa gera\u00e7\u00f5es sem nunca desaparecer completamente<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Ficha t\u00e9cnica:\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Maria Gallinea e Dimitri de Souza<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Hendryo Andr\u00e9<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Emanueli Garcia, Jo\u00e3o Pimentel, Larissa Didres, Leonardo Alexandre, Roberto Indzejczak e Sarah Brasil<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Aline Rosso e Muriel Em\u00eddio do Amaral<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre mem\u00f3rias interrompidas, heran\u00e7as culturais e conflitos de pertencimento, o escritor paranaense Oscar Nakasato transforma a experi\u00eancia da imigra\u00e7\u00e3o japonesa em literatura e revisita uma identidade constru\u00edda entre o Jap\u00e3o e o Brasil O deslocamento \u00e9 uma for\u00e7a que move n\u00e3o apenas vidas, mas tamb\u00e9m saudades e lembran\u00e7as. 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