{"id":4498,"date":"2026-08-25T14:08:48","date_gmt":"2026-08-25T17:08:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=4498"},"modified":"2026-08-25T14:44:07","modified_gmt":"2026-08-25T17:44:07","slug":"a-leitura-nem-sempre-e-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/a-leitura-nem-sempre-e-para-todos\/","title":{"rendered":"A leitura, nem sempre, \u00e9 para todos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\">Foto: Pedro Moro<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Com altos pre\u00e7os, leitores recorrem a sebos e \u00e0 pirataria para garantir a leitura<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O h\u00e1bito de leitura n\u00e3o diz respeito apenas ao prazer pelo contato com as palavras, mas tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado a quest\u00f5es econ\u00f4micas. O 2\u00ba Painel do Varejo de Livros no Brasil, divulgado pelo <\/span><a href=\"https:\/\/snel.org.br\/2026\/04\/02\/mercado-editorial-brasileiro-mantem-crescimento-solido-no-inicio-de-2026\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, aponta que o setor iniciou 2026 com crescimento de 14,9% no volume de vendas, totalizando 4,8 milh\u00f5es de exemplares comercializados. Enquanto o faturamento alcan\u00e7ou R$ 268,7 milh\u00f5es, alta de 11,6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. O crescimento continuou no primeiro trimestre, de acordo com divulgados pelo <\/span><a href=\"https:\/\/www.publishnews.com.br\/materias\/2026\/04\/30\/varejo-de-livros-no-brasil-registra-altas-nos-tres-primeiros-meses-de-2026\"><span style=\"font-weight: 400\">PublishNews<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, com base na pesquisa da Nielsen BookData e do Sindicato Nacional dos Editores de Livro (SNEL).<\/span><\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th><b>Indicador<\/b><\/th>\n<th><b>1\u00ba trimestre 2026<\/b><\/th>\n<th><b>Crescimento<\/b><\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">Exemplares vendidos<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">16,4 milh\u00f5es<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">+16,2%<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">Faturamento<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">R$ 892,6 milh\u00f5es<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">+14,5%<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">3\u00ba per\u00edodo\/trimestre \u2013 vendas<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">5,9 milh\u00f5es<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">+20,2%<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">3\u00ba per\u00edodo\/trimestre \u2013 receita<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">R$ 306,3 milh\u00f5es<\/span><\/td>\n<td><span style=\"font-weight: 400\">+23,5%<\/span><\/p>\n<p><b>Fonte: 2\u00b0Painel do Varejo de Livros do Brasil<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Cr\u00e9dito: Yasmin Aguilera<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Se por um lado, o mercado editorial est\u00e1 a todo vapor, o h\u00e1bito de leitura ainda esbarra em empecilhos como o alto valor por exemplar. De acordo com o relat\u00f3rio do <\/span><a href=\"https:\/\/www.publishnews.com.br\/materias\/2026\/04\/30\/varejo-de-livros-no-brasil-registra-altas-nos-tres-primeiros-meses-de-2026\"><span style=\"font-weight: 400\">Painel do Varejo de Livros no Brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> referente ao 3\u00ba per\u00edodo de 2026, o pre\u00e7o m\u00e9dio do livro chegou a R$ 52,11, com alta de 2,8%. Embora abaixo do pico observado em 2024, quando o valor m\u00e9dio ultrapassou os R$54, o custo continua sendo um obst\u00e1culo para parte dos leitores, especialmente para estudantes e fam\u00edlias com renda mais baixa. Para ter um panorama mais pr\u00f3ximo da realidade local, o Portal Peri\u00f3dico identificou a realidade municipal ao realizar uma pesquisa por amostragem com 35 pessoas participantes, entre os dias 25 de maio e 02 de julho, de forma virtual. O diagn\u00f3stico aponta que os pre\u00e7os pesam no bolso dos leitores. A maioria dos entrevistados foram jovens de 19 a 25 anos de idade (75%) e estudantes da rede p\u00fablica (75%). Metade dos entrevistados considera os livros &#8220;muito caros&#8221; e outros 44,4% os avaliam como &#8220;um pouco caro&#8221;. O reflexo desses valores aparece no h\u00e1bito de consumo: 91,7% afirmaram que o pre\u00e7o j\u00e1 foi motivo de desistir da compra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u200bAl\u00e9m disso, o levantamento sinaliza uma poss\u00edvel mudan\u00e7a importante no comportamento do leitor brasileiro, a fic\u00e7\u00e3o tornou-se uma das principais for\u00e7as do crescimento editorial, impulsionada por clubes de leitura, redes sociais e criadores de conte\u00fado liter\u00e1rio. Obras recomendadas em plataformas digitais passaram a ocupar espa\u00e7o relevante nas vendas e ajudaram a aproximar novos p\u00fablicos da literatura.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_4511\" style=\"width: 644px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4511\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4511\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/grafico-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"634\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/grafico-300x169.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/grafico-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/grafico-768x432.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/grafico-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/grafico-1232x693.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/08\/grafico.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 634px) 100vw, 634px\" \/><p id=\"caption-attachment-4511\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico: Yasmin Aguilera<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo com os altos pre\u00e7os, h\u00e1 sa\u00eddas. Quase metade dos pesquisados pela reportagem recorrem aos exemplares comercializados em sebos e quase 94,4% dos consultados acreditam que estes espa\u00e7os podem democratizar a leitura. Essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 vivenciada por Ademir Iglesias, propriet\u00e1rio de um sebo em Ponta Grossa. \u200bPara Ademir, o espa\u00e7o funciona como um ponto de inclus\u00e3o e um respiro diante do ritmo fren\u00e9tico da atualidade. \u200b&#8221;O sebo disp\u00f5e de um acervo variado com pre\u00e7os bem acess\u00edveis, o cliente pode fazer trocas para aquisi\u00e7\u00e3o de novos livros, dando oportunidades a todos ao acesso \u00e0 leitura&#8221;, avalia. \u200bO p\u00fablico, segundo ele, \u00e9 plural, englobando desde crian\u00e7as at\u00e9 idosos que buscam a leitura por escolha pr\u00f3pria ou que frequentam o ambiente atra\u00eddos pelo garimpo de CDs e discos de vinil e, claro, de livros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A possibilidade dos sebos serem mais acess\u00edveis e democr\u00e1ticos\u00a0 foi o que motivou L\u00edbia Cosati a frequent\u00e1-los. Professora de matem\u00e1tica da rede estadual, ela reconhece que o valor dos exemplares podem pesar no or\u00e7amento familiar de seus alunos. \u200b&#8221;Para muitas fam\u00edlias, um livro de R$ 50 ainda pesa no or\u00e7amento. Mesmo quando existe interesse, muitas vezes h\u00e1 outras prioridades financeiras&#8221;, pontua. Para a professora, o h\u00e1bito de leitura favorece tamb\u00e9m na interpreta\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es de Matem\u00e1tica e tamb\u00e9m nos relacionamentos escolares. &#8220;J\u00e1 presenciei situa\u00e7\u00f5es em que alunos demonstraram frustra\u00e7\u00e3o ou inseguran\u00e7a por terem mais dificuldade para acompanhar atividades de leitura e interpreta\u00e7\u00e3o. Alguns acabam ficando mais quietos, evitando participar ou expondo menos suas d\u00favidas por vergonha&#8221;, relata L\u00edbia.<\/span><\/p>\n<p><b>Por outros caminhos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Que os pre\u00e7os de livros s\u00e3o altos, talvez n\u00e3o seja novidade, e que os sebos s\u00e3o possibilidades para driblar essa realidade, \u00e9\u00a0 uma ideia quase un\u00e2nime. Entretanto,\u00a0 existem caminhos n\u00e3o muito seguros, e que\u00a0 podem ferir os direitos autorais, como a pirataria. Dados da <\/span><a href=\"https:\/\/snel.org.br\/2024\/11\/05\/indice-de-pirataria-de-livros-outubro-de-2024\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Direitos Reprogr\u00e1ficos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> estimam que a pirataria editorial gerou preju\u00edzo de R$ 1,2 bilh\u00e3o ao setor em 2024. No cen\u00e1rio local mapeado por esta reportagem, a pirataria digital aparece como ferramenta de acesso para 33,3% dos respondentes. Quando questionados sobre o principal motivo para o consumo de c\u00f3pias ilegais, a barreira financeira foi a principal dos participantes, 61,1% apontaram o pre\u00e7o como fator determinante, enquanto 16,7% indicaram a falta de acesso por vias tradicionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A reportagem n\u00e3o quer condenar, acusar qualquer pessoa ou participante da pesquisa, todavia abre para reflex\u00e3o sobre para quem destina a leitura. Se os pre\u00e7os s\u00e3o altos e o acesso nem sempre \u00e9 poss\u00edvel, h\u00e1 quem escolha poss\u00edveis sa\u00eddas para manter a leitura e engrandecer a experi\u00eancia com a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade.<\/span><\/p>\n<p><b>Ficha t\u00e9cnica<\/b><\/p>\n<p><b>Produ\u00e7\u00e3o: <\/b>Yasmin Aguilera<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: <\/b>Jana\u00edne Kronbauer dos Santos<\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/b>Pedro Moro, Luis Cruz, Matheus de Lara e Marina Ranzani<\/p>\n<p><b>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Aline Rosso e Muriel Em\u00eddio Pessoa do Amaral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Pedro Moro Com altos pre\u00e7os, leitores recorrem a sebos e \u00e0 pirataria para garantir a leitura O h\u00e1bito de leitura n\u00e3o diz respeito apenas ao prazer pelo contato com as palavras, mas tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado a quest\u00f5es econ\u00f4micas. 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