{"id":5226,"date":"2026-11-03T14:36:18","date_gmt":"2026-11-03T17:36:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=5226"},"modified":"2026-11-03T14:36:18","modified_gmt":"2026-11-03T17:36:18","slug":"buscamos-culpados-e-sempre-trazemos-o-sentimento-para-nos-mesmos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/buscamos-culpados-e-sempre-trazemos-o-sentimento-para-nos-mesmos\/","title":{"rendered":"\u201cBuscamos culpados e sempre trazemos o sentimento para n\u00f3s mesmos\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">O desaparecimento de Greg\u00f3rio Lopes, de 81 anos, mobiliza familiares e volunt\u00e1rios em Foz do Igua\u00e7u<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pais, filhos, primos, toda a fam\u00edlia convivem e frequentam as casas um dos outros nunca pensaram que um dia passariam pela ang\u00fastia do desaparecimento de um ente querido pela espera de informa\u00e7\u00f5es. Em abril de 2026, Greg\u00f3rio Lopes, de 81 anos de idade, saiu de casa trajando uma camisa cinza, uma cal\u00e7a jeans e, nos p\u00e9s, um t\u00eanis azul escuro e, at\u00e9 agora, n\u00e3o foi visto mais, ao menos por ningu\u00e9m conhecido. \u201cH\u00e1 pouco mais de dez anos, n\u00f3s temos o laudo de Alzheimer dele.\u00a0 Ele sempre foi um homem muito trabalhador, estudioso e brincalh\u00e3o\u201d, afirma L\u00edlian Moraes, uma das quatro filhas dele que faz do desaparecimento do pai uma bandeira para viver.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antes dos sintomas da doen\u00e7a aparecerem, Greg\u00f3rio prezava pela liberdade, era um esp\u00edrito livre. Al\u00e9m da mem\u00f3ria, o Alzheimer tamb\u00e9m levou o vigor. \u201cN\u00f3s n\u00e3o deix\u00e1vamos ele sair muito, e se saia era sempre acompanhado, sem o freio social ele acabava ficando inconveniente\u201d. L\u00edlian enfatiza que o pai tinha acompanhamento m\u00e9dico e o tratamento auxiliava para regress\u00e3o mais lenta. \u201cO \u00fanico problema era realmente a quest\u00e3o da mem\u00f3ria, ele esquecia as coisas, ele j\u00e1 estava regredindo para uma adolesc\u00eancia\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No dia em que L\u00edlian foi levar a m\u00e3e para a fisioterapia, o port\u00e3o ficou co<\/span>m o cadeado sem chave e foi nesse momento em que Greg\u00f3rio saiu. Foram apenas cinco minutos, mas suficientes para sair sem destino. \u201cQuando eu voltei, elemuito esperto, deixou o quarto com a porta semi aberta, j\u00e1 que n\u00e3o tinha tranca e fechou as cortinas. Eu entrei e falei: poxa, o pai est\u00e1 dormindo!\u201d. Greg\u00f3rio tinha problemas para dormir, ent\u00e3o L\u00edlian deixou que descansasse, at\u00e9 perceber que o pai n\u00e3o estava l\u00e1.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aquela n\u00e3o foi a primeira vez que ele arriscou sair sem acompanhante. Desde o diagn\u00f3stico, h\u00e1 10 anos, ele ia ao mesmo lugar: o Banco do Brasil,onde trabalhava. Assim foi em tr\u00eas epis\u00f3dios. Em outra ocasi\u00e3o, o destino foi o shopping a tr\u00eas quadras da sua resid\u00eancia. \u201cEu sei que ele foi no shopping, porque ele ia muito no shopping aqui, perto de casa\u201d, lembra L\u00edlian<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como o idoso n\u00e3o tinha freio social, brigou com um dos guardas. Ap\u00f3s isso, a fam\u00edlia <\/span>pediu para que ligassem caso a situa\u00e7\u00e3o ocorresse novamente. \u201c N\u00f3s deixamos o telefone e se n\u00e3o quisessem ligar, poderiam ligar para a pol\u00edcia, mas n\u00e3o que deixassem ele na rua\u201d. Os guardas o colocaram para fora e ele seguiu para um caminho que n\u00e3o costumava ir, a BR-277, que vai em dire\u00e7\u00e3o ao Paraguai.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os irm\u00e3os de L\u00edlian foram at\u00e9 o Paraguai em busca do pai. O irm\u00e3o, que mora junto a ela, e a outra veio de Salvador tamb\u00e9m chegou. \u201cPassamos nas prefeituras, hospitais, assist\u00eancias sociais de todas as cidades no caminho at\u00e9 Assun\u00e7\u00e3o, na cidade de Coronel Oviedo. A chefe de assist\u00eancia social e imprensa falaram que divulgar\u00e3o a foto do pai nos lares de idosos e abrigos\u201d. Os irm\u00e3os passaram por um hospital em Coronel Oviedo que auxiliou na distribui\u00e7\u00e3o de cartazes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das caracter\u00edsticas do Alzheimer \u00e9 a mente voltar no tempo, e para Gegr\u00f3rio,as buscas <\/span>se concentram nos locais que ele frequentava na adolesc\u00eancia. \u201cSab\u00edamos que ele gostava muito de ir \u00e0 beira de rio para pescar. Ele tinha muitos amigos ind\u00edgenas. Meu av\u00f4 era e tinha filhos adotivos que eram ind\u00edgenas tamb\u00e9m\u201d. A experi\u00eancia de viver na cidade que faz tr\u00edplice fronteira facilitou o conhecimento de mais duas l\u00ednguas: o espanhol e o guarani.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As buscas mobilizam a fam\u00edlia, amigos e a cidade de Foz do Igua\u00e7u para tornar um reencontro poss\u00edvel. \u201cO povo parou de trabalhar, parou de fazer as coisas que tinham pra fazer. N\u00f3s fizemos\u00a0 uma panfletagem na rua mais movimentada de Foz, mas nunca conseguimos pistas\u201d, L\u00edlian explica sobre as mobiliza\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m foram feitas nas redes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em meio \u00e0 incerteza e divididos entre a fronteira, a fam\u00edlia trabalha com os poucos rastros que tem. \u201cAs \u00fanicas pistas reais que temos s\u00e3o as c\u00e2meras que conseguimos e de um c\u00e3o farejador\u201d. Uma c\u00e2mera de seguran\u00e7a flagrou o idoso e, a partir d<\/span>a\u00ed, com aux\u00edlio do c\u00e3o farejador Caleb, foi tra\u00e7ado o caminho at\u00e9 um ponto da BR-277, \u00faltimo local onde se tem conhecimento da passagem de Greg\u00f3rio.<\/p>\n<div id=\"attachment_5228\" style=\"width: 220px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5228\" class=\"wp-image-5228 size-medium\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-2-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-2-210x300.jpg 210w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-2-718x1024.jpg 718w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-2-768x1095.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-2-1077x1536.jpg 1077w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-2-757x1080.jpg 757w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-2.jpg 1122w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><p id=\"caption-attachment-5228\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lilian Moraes<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p><b>A culpa que ecoa<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E se o port\u00e3o n\u00e3o estivesse aberto? A quest\u00e3o permanece, mas a culpa foi um processo sentido em cada uma das\u00a0 vertentes. \u201cMinha m\u00e3e sentia muita culpa no come\u00e7o, de eu ter que sentar com ela o tempo todo, conversar com ela, muita, muita culpa\u201d. A fam\u00edlia, que atuava como cuidadora, sentiu a dor atravessar. Desde sempre Greg\u00f3rio gostava de fazer as coisas sozinho, no seu pr\u00f3prio es<\/span>pa\u00e7o, em nome da liberdade de transitar. No entanto, a condi\u00e7\u00e3o mental dele j\u00e1 n\u00e3o permitia. \u201cEu levei ele a um jogo de futebol e ele queria ir embora logo, porque n\u00e3o estava sozinho\u201d. Na pr\u00f3pria solid\u00e3o, ele encontrava a companhia, n\u00e3o por avers\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia ou amigos, mas por permitir se encontrar nas mem\u00f3rias que ainda restavam e na liberdade que ainda persiste ap\u00f3s o laudo.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A m\u00e3e de L\u00edlian carregou o sentimento de culpa por muito tempo. \u201cEla sentiu culpa porque acha que foi ela quem d<\/span><span>eixou o port\u00e3o aberto. N\u00e3o, m\u00e3e, fui eu\u201d. L\u00edlian tamb\u00e9m passou pelo processo necess\u00e1rio para superar a culpa, e encontrou ref\u00fagio na espiritualidade. \u201cVoc\u00ea come\u00e7a a pensar o que eu devia ter feito para ele ter aproveitado mais e n\u00e3o querer fugir, mas \u00e9 <\/span><span>uma pessoa que tem altera\u00e7\u00e3o mental,<\/span> <span>\u00e9 uma dem\u00eancia, e voc\u00ea n\u00e3o tem o que fazer\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pensar outros desfechos a partir de medidas que n\u00e3o foram tomadas faz que a culpa aumente e n\u00e3o apazigua a ang\u00fastia vivida. Assim foi no caso de Ivanise Esperidi\u00e3o, assim \u00e9 na quest\u00e3o de Greg\u00f3rio e nos muitos casos de desaparecimentos mundo afora. A culpa inicial ecoa mais alto, ela perdura nos dias mais dif\u00edceis e toma conta da cabe\u00e7a de quem vive a situa\u00e7\u00e3o. Cada pessoa tem sua forma de organizar os sentimentos, nunca existir\u00e1 um passo a passo do que fazer, mas diferentes maneiras de suprir u<\/span>m sentimento que permanece.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, a procura continua, um processo dif\u00edcil que exige calma e uma batalha interna que se estende dia ap\u00f3s dia, no entanto, pessoas chegam para deixar o caso mais leve. O cachorro Caleb acendeu uma ponta de esperan\u00e7a para a fam\u00edlia ap\u00f3s achar as pistas que podem levar a Greg\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O faro do encontro<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos casos de desaparecimento, a principal esperan\u00e7a que resta \u00e9 a do reencontro. O rastreamento \u00e9 feito por meio de mobiliza\u00e7\u00f5es, procuras e outras diversas formas de tentar encontrar algu\u00e9m, principalmente quando h\u00e1 chance desta pessoa ter cruzado a fronteira para outro pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma pessoa que cruza a fronteira, mas o pensamento de toda uma fam\u00edlia que fica \u00e0 espera das not\u00edcias, sem dar espa\u00e7o para a desist\u00eancia das buscas. O c\u00e3o farejador Caleb foi um dos alicerces durante as tentativas de encontro de Greg\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Caleb atuou como pe\u00e7a-chave para tra\u00e7ar caminhos que podem levar ao paradeiro do idoso. Leodair Corassa, bombeiro volunt\u00e1rio de 44 anos, \u00e9 o tutor de Caleb, um pastor belga malinois. \u201cDesde 2023 resido em Foz do Igua\u00e7u, o Caleb entrou na minha vida em 2020\u201d. Ainda quando morava no Rio Grande<\/span>\u00a0do Sul, Leodair se empenhava como volunt\u00e1rio no Corpo de Bombeiros em atividades de acompanhamento de pessoas desaparecidas.<\/p>\n<div id=\"attachment_5229\" style=\"width: 179px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5229\" class=\"wp-image-5229 size-medium\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-1-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-1-169x300.jpg 169w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-1-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-1-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-1-864x1536.jpg 864w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-1-608x1080.jpg 608w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-1.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><p id=\"caption-attachment-5229\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lilian Moraes<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNa \u00e9poca, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos nenhum cachorro pr\u00f3ximo que fizesse esse trabalho e nem recursos, sempre depend\u00edamos de cachorros que vinham de Porto Alegre\u201d. Foi assim que o bombeiro teve a iniciativa de desenvolver o projeto de treinar c\u00e3es para realizar esse trabalho. A partir de 2023, Caleb j\u00e1 estava apto para atuar. \u201cQuando me mudei para Foz do Igua\u00e7u, o Caleb ficou, mas n\u00e3o conseguiu se adaptar com nenhum outro condutor, ent\u00e3o trouxe ele no ano passado\u201d. Desde ent\u00e3o, trabalham em parceria com os bombeiros militares, Pol\u00edcia Civil e Militar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em dezembro de 2025, conseguiram localizar um corpo dentro do rio Paran\u00e1, e agora, atuam na busca por Greg\u00f3rio. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos a \u00faltima imagem de c\u00e2mera de seguran\u00e7a de um certo ponto da cidade, depois n\u00e3o havia mais informa\u00e7\u00e3o nenhuma\u201d, a partir da\u00ed foi poss\u00edvel montar um percurso por onde Greg\u00f3rio passo<\/span>u. Caleb \u00e9 um cachorro com forma\u00e7\u00e3o em buscas na mata, terreno rural, escombros e tamb\u00e9m localiza corpos submersos. \u201cEle \u00e9 totalmente mold\u00e1vel e se adaptou muito bem \u00e0 busca urbana, e ainda fazemos alguns trabalhos para a adapta\u00e7\u00e3o dele\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Do treinamento \u00e0 atua\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O processo do Caleb se inicia aos 55 dias de vida, quando foi feito um trabalho de diferencia\u00e7\u00e3o de perfis. \u201cO adestrador consegue identificar se ele tem perfil para faro, ataque, busca de armas, drogas ou explosivos e odor espec\u00edfico, que \u00e9 o caso do Caleb. Ele foi classificado como farejador com um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">drive<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> para odores espec\u00edficos\u201d. Primeiramente, s\u00e3o feitos os trabalhos de obedi\u00eancia e, depois, os trabalhos com cheiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNo in\u00edcio foram feitos pequenos percursos, oferecemos um odor para ele, a pessoa se esconde e ele vai encontrar\u201d, sempre que conclu\u00eda com \u00eaxito, o cachorro era premiado com um petisco, carinho e aplausos. Ap\u00f3s a evolu\u00e7\u00e3o do treinamento, o c\u00e3o trabalha hoje com pistas de 35 a 40 dias, se uma pessoa passar por um local e a equipe entrar daqui um m\u00eas, o Caleb ainda consegue localizar o odor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Leodair explica como as buscas de mata funcionam. <\/span>\u201cColetamos uma evid\u00eancia, uma roupa dessa pessoa, que \u00e9 oferecida para ele, que cheira e busca, ignorando todos os odores que existem no entorno dele\u201d. No Rio Grande do Sul, Caleb ficou cerca de 15 dias trabalhando em outra modalidade, o de c\u00e9lulas vivas.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O c\u00e3o conseguiu fazer a procura em soterramentos a partir do odor emitido por c\u00e9lulas vivas, com a busca de Caleb localizou um corpo soterrado na regi\u00e3o de Roca Sales, juntamente com duas equipes de bombeiros volunt\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje em dia, Caleb mora na casa de Leodair. \u201cTem que estar 24 h<\/span>oras com ele, tem que realmente gostar de cachorro, o treinamento te faz entender qualquer mudan\u00e7a de comportamento no animal\u201d, Leodair afirma que Caleb consegue entend\u00ea-lo e isso mostra o v\u00ednculo e a confian\u00e7a necess\u00e1ria para a atua\u00e7\u00e3o do c\u00e3o farejador nas buscas.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A atua\u00e7\u00e3o de Caleb se conecta com a hist\u00f3ria de Greg\u00f3rio ao tra\u00e7ar um caminho que traz luz para a fam\u00edlia que perdeu algu\u00e9m para o desaparecimento. Ambas as hist\u00f3rias se unem por uma causa s\u00f3.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_5227\" style=\"width: 179px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5227\" class=\"wp-image-5227 size-medium\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-169x300.jpg 169w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-864x1536.jpg 864w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes-608x1080.jpg 608w, https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2026\/11\/Foto_-Lilian-Moraes.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><p id=\"caption-attachment-5227\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lilian Moraes<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esta reportagem integra uma colet\u00e2nea de livro-reportagem. Este cap\u00edtulo trata de desaparecimentos. Leia o cap\u00edtulo anterior <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/espero-que-deus-nao-me-leve-sem-uma-resposta-da-minha-filha\/\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acompanhe no Peri\u00f3dico as pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desaparecimento de Greg\u00f3rio Lopes, de 81 anos, mobiliza familiares e volunt\u00e1rios em Foz do Igua\u00e7u &nbsp; Pais, filhos, primos, toda a fam\u00edlia convivem e frequentam as casas um dos outros nunca pensaram que um dia passariam pela ang\u00fastia do desaparecimento de um ente querido pela espera de informa\u00e7\u00f5es. Em abril de 2026, Greg\u00f3rio Lopes,&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":951,"featured_media":5227,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-5226","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5226","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/951"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5226"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5226\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5235,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5226\/revisions\/5235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5227"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}