{"id":705,"date":"2025-04-09T16:53:23","date_gmt":"2025-04-09T19:53:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=705"},"modified":"2025-05-12T15:45:09","modified_gmt":"2025-05-12T18:45:09","slug":"arquitetura-hostil-delimita-acesso-a-espacos-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/arquitetura-hostil-delimita-acesso-a-espacos-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Arquitetura hostil delimita acesso a espa\u00e7os em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i>A regi\u00e3o central da cidade apresenta elementos que impedem a perman\u00eancia de vulner\u00e1veis em locais p\u00fablicos e privados<\/i><\/p>\n<p>Estrat\u00e9gias do design urbano procuram restringir o acesso das pessoas a determinados espa\u00e7os de repouso, que se tornaram comuns em grandes metr\u00f3poles e j\u00e1 podem ser vistas em Ponta Grossa. A arquitetura hostil procura dificultar o acesso e a perman\u00eancia delas nesses locais, especialmente daqueles que vivem nas ruas da cidade.<\/p>\n<p>Objetos pontiagudos, grades e pedras s\u00e3o alguns dos obst\u00e1culos colocados para evitar a presen\u00e7a daquelas pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. A proposta \u00e9 impedi-las de dormir em cal\u00e7adas, bancos e muretas p\u00fablicas ou particulares. No entanto, essa estrat\u00e9gia urban\u00edstica\u00a0 tamb\u00e9m traz problemas\u00a0 \u00e0s crian\u00e7as, idosos ou pessoas com defici\u00eancia que precisam desses locais para descansar. Em Ponta Grossa, exemplos da arquitetura hostil est\u00e3o por todos os lados, em locais como institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, Correios, lojas e em ou at\u00e9 mesmo em pontos de \u00f4nibus instalados sem assentos, o que obriga os usu\u00e1rios do transporte coletivo a esperar o \u00f4nibus em p\u00e9.<\/p>\n<div id=\"attachment_706\" style=\"width: 3882px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-706\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-706 size-full\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/04\/Objetos-pontiagudos-impedem-que-as-pessoas-se-sentem-e-descansem.jpeg\" alt=\"\" width=\"3872\" height=\"2592\" \/><p id=\"caption-attachment-706\" class=\"wp-caption-text\">Plataforma pontiaguda impede repouso da popula\u00e7\u00e3o\u00a0| Foto: Fernanda Matos<\/p><\/div>\n<p>Para combater essa pr\u00e1tica arquitet\u00f4nica, foi criada\u00a0 a\u00a0 lei Padre J\u00falio Lancelloti (n\u00ba 14.489\/2022) regulamentada em 2023, que tem\u00a0 como objetivo vedar a constru\u00e7\u00e3o hostil em espa\u00e7os p\u00fablicos. A normativa foi criada em S\u00e3o Paulo, mas passou a ser lei federal. Os pr\u00e9dios e espa\u00e7os privados n\u00e3o s\u00e3o regulamentados por essa lei. A arquiteta e urbanista Gabriela de Lima Barreto, mestranda em Gest\u00e3o do Territ\u00f3rio pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), considera importante que a iniciativa privada seja inclu\u00edda na lei. \u201c\u00c9 uma demanda social. O poder p\u00fablico e a iniciativa privada constroem esses espa\u00e7os que, em sua ess\u00eancia, \u00e9 desigual\u2019,\u00a0 e segregado\u2019\u201d, critica.<\/p>\n<p>O desejo por seguran\u00e7a acaba impondo a arquitetura hostil como solu\u00e7\u00e3o. Entretanto, Gabriela explica que uma cidade segura \u00e9 aquela que tem espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia plural. Segunda a arquiteta, a estrat\u00e9gia hostil cria mais desigualdade a partir das dist\u00e2ncias sociais que imp\u00f5em. \u201c\u00c9 uma forma de ignorar a situa\u00e7\u00e3o das pessoas vulner\u00e1veis e coloc\u00e1-las como n\u00e3o seguras \u00e0 sociedade e \u00e9 preciso trabalhar para que os espa\u00e7os sejam de todos\u201d, salienta. Gabriela tamb\u00e9m ressalta que a medida urbana n\u00e3o resolve as quest\u00f5es sociais, como , abrigos \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, pois elas saem do local que n\u00e3o podem ficar e ocupam outro espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Confira um trecho da entrevista com a arquiteta Gabriela de Lima Barreto:<\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-705-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/04\/ENTREVISTA-GABRIELA.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/04\/ENTREVISTA-GABRIELA.mp3\">https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/04\/ENTREVISTA-GABRIELA.mp3<\/a><\/audio>\n<p>Em raz\u00e3o do aumento do n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, a Funda\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia Social (FASPG) tem acionado os servi\u00e7os de abordagem com a finalidade direcionar essas pessoas \u00e0s casas de acolhimento e ao albergue municipal. A coordenadora da Casa da Acolhida dos Vicentinos, Patricia de Freitas Kwiatkoski, observa que nem todos aceitam ser levados a esses lugares, mas que expuls\u00e1-los atrav\u00e9s da arquitetura hostil n\u00e3o \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o. \u201cA cada barreira constru\u00edda, eles ir\u00e3o migrar para outro local, pois dormir em uma cal\u00e7ada, estar debaixo de uma marquise, \u00e9 direito daquele sujeito\u201d, salienta. Ela tamb\u00e9m esclarece que essas pr\u00e1ticas hostis geram impacto \u00e0 sa\u00fade mental das pessoas que vivem em vulnerabilidade, pelo fato dessa \u201chigieniza\u00e7\u00e3o\u201d afast\u00e1-los das regi\u00f5es que costumavam ocupar e que muitas vezes dependem para sobreviver.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de barreiras tamb\u00e9m delimita a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o espa\u00e7o que deveria ser destinado a todos. A guardadora de carros, Rosilda Aparecida da Silva, vive nas ruas da regi\u00e3o central de Ponta Grossa. Al\u00e9m do trabalho de cuidar dos ve\u00edculos, ela tamb\u00e9m vende balas ao redor de um banco da cidade. Afirma que a medida adotada pelo banco de colocar pedras e vidros nos espa\u00e7os vazios afastou muitas pessoas que dormiam em frente ao local e que isso tamb\u00e9m acarretou em problemas de sa\u00fade. \u201cEu trabalho aqui e n\u00e3o tenho mais lugar para sentar e descansar, sinto muitas dores nas pernas por ter que ficar em p\u00e9\u201d, reclama.<\/p>\n<p>Em 2022, ano em que a proposta da lei da arquitetura hostil foi promulgada, a Defensoria P\u00fablica do Paran\u00e1 (DPE-PR) instituiu uma cartilha referente aos direitos das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. O documento auxilia na defesa dessas pessoas ao observar que tais pr\u00e1ticas de exclus\u00e3o contra vulner\u00e1veis fere a integridade f\u00edsica e moral e informa que as a\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias ou veda\u00e7\u00e3o de acesso a lugares p\u00fablicos s\u00e3o proibidas e devem ser combatidas.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Fernanda Matos<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Amanda Stafin e Fabr\u00edcio Zvir<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Carlos Alberto de Souza<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o central da cidade apresenta elementos que impedem a perman\u00eancia de vulner\u00e1veis em locais p\u00fablicos e privados Estrat\u00e9gias do design urbano procuram restringir o acesso das pessoas a determinados espa\u00e7os de repouso, que se tornaram comuns em grandes metr\u00f3poles e j\u00e1 podem ser vistas em Ponta Grossa. 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