{"id":878,"date":"2025-04-28T16:57:33","date_gmt":"2025-04-28T19:57:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/?p=878"},"modified":"2025-05-12T16:21:27","modified_gmt":"2025-05-12T19:21:27","slug":"bancas-de-revistas-um-comercio-em-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/bancas-de-revistas-um-comercio-em-extincao\/","title":{"rendered":"Bancas de revistas, um com\u00e9rcio em extin\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Cada vez menos pessoas procuram jornais e revistas impressos. Foto: Eder Carlos\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em meio ao barulho de carros e um cheiro que mistura o de revistas novas, jornais velhos, salgados, doces e cigarros, Francisco dos Santos, dono da Banca ZL, conta a sua hist\u00f3ria. H\u00e1 50 anos no ramo, come\u00e7ou na Esta\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria, a antiga, antes da reforma. De l\u00e1 migrou para o ponto atual, na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, em frente ao Col\u00e9gio Regente Feij\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto arruma carteiras de cigarro que foram entregues pouco antes, conta que a venda de revistas j\u00e1 foi o forte das bancas. Hoje, segundo ele, responde s\u00f3 por cerca de 20% do faturamento mensal. No Paran\u00e1, houve uma redu\u00e7\u00e3o de 40% desses estabelecimentos nos \u00faltimos anos. A mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos de consumo e o avan\u00e7o da digitaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o os principais respons\u00e1veis por esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A conversa \u00e9 interrompida por uma senhora que pede dois cigarros soltos. Ela paga e quando est\u00e1 saindo chega outra, perguntando por uma determinada marca de cigarros tamanho longo. N\u00e3o tem. Agradece e segue seu caminho. Nesse meio tempo, um rapaz que chegou e entrou, pegou alguns ma\u00e7os de jornais velhos, vendidos para forra\u00e7\u00e3o de gaiolas ou para outros pets. Ali\u00e1s, a banca tem destacado em suas paredes a propaganda da venda de jornais para este fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No lado de fora, ao lado da porta, est\u00e3o pendurados exemplares do Di\u00e1rio dos Campos e de O Estado de S. Paulo. Rubinei Carlos Souza, l\u00ea as manchetes. Ele conta que faz isto todos os dias e, quando v\u00ea algum assunto de maior interesse, compra um exemplar. Mas n\u00e3o diariamente. Gostaria de comprar mais, mas n\u00e3o tem recursos suficientes e n\u00e3o gosta de ler pelo celular. Acima dos jornais um poster do Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio, campe\u00e3o estadual de 2025. Gosto de acompanhar as not\u00edcias do Fantasma, conta Rubinei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Francisco considera que as bancas de revistas t\u00eam tamb\u00e9m um papel social. Elas servem como ponto de refer\u00eancia e, mais, como local de busca de informa\u00e7\u00f5es. Muitas pessoas entram, perguntam onde \u00e9 tal lugar, ou tal rua. E a gente precisa saber, diz ele. Ele lembra que h\u00e1 algum tempo, para ter uma banca, o propriet\u00e1rio precisava passar por uma esp\u00e9cie de curso de guia turismo, podendo assim oferecer as informa\u00e7\u00f5es com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No canto oposto da pra\u00e7a est\u00e1 a Banca Ponto Azul, comandada por Jo\u00e3o da Banca, nome pelo qual Jo\u00e3o Concei\u00e7\u00e3o Santos \u00e9 conhecido. Ele \u00e9 o propriet\u00e1rio do estabelecimento desde 1982 e dirige os trabalhos com outros familiares. Seu com\u00e9rcio tamb\u00e9m \u00e9 variado e n\u00e3o vive exclusivamente da venda de jornais e revistas. Al\u00e9m dos doces, cigarros e jornais para forra\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m fornece servi\u00e7o de impress\u00e3o. Para ele, \u00e9 preciso ter criatividade e se adaptar ao momento, ao que os clientes pedem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, ao contr\u00e1rio de Francisco, Jo\u00e3o diz que os peri\u00f3dicos representam grande parte do seu faturamento. O que vem, vende, conta. Para ele, h\u00e1 pouca oferta e a distribuidora, uma empresa de Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria, n\u00e3o tem interesse em introduzir outros t\u00edtulos. Ficamos \u00e0 merc\u00ea da vontade da distribuidora, arremata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A conversa com Jo\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 interrompida por clientes, que buscam um ou outro produto. Uma das clientes era Miriam Isabela Stalschuck. De idade mais avan\u00e7ada, n\u00e3o queria comprar nada, apenas pediu informa\u00e7\u00f5es de onde era a Rua J\u00falia Wanderley. Contou que vinha de outra cidade e n\u00e3o conhecia Ponta Grossa. Jo\u00e3o informou que era perto, umas duas ou tr\u00eas quadras. Mas sugeriu que Miriam tomasse um t\u00e1xi do ponto, localizado defronte \u00e0 banca, dizendo que custaria pouco e a deixaria exatamente onde quisesse ir. Ela aceitou o conselho. Comprovando o papel social narrado por Francisco, Jo\u00e3o da Banca diz que \u00e9 assim v\u00e1rias vezes ao dia. As pessoas v\u00eam pedir informa\u00e7\u00f5es, e precisamos saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tornando a falar de jornais e revistas, lembrou de quando a banca era toda tomada por eles. Quase n\u00e3o havia espa\u00e7o para outras coisas. Umas balas, chicletes, cigarros e f\u00f3sforos, recorda. Jornais eram mais de dez di\u00e1rios. Hoje, al\u00e9m dos da cidade, recebe exemplares de O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Valor Econ\u00f4mico. De Curitiba n\u00e3o vem nada, diz ele. Comenta ainda que antes era comum as pessoas comprarem jornais e lerem nos bancos da pra\u00e7a ao redor. Hoje, segundo ele, a pr\u00e1tica est\u00e1 quase extinta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 alguns anos, as bancas ofereciam entre duzentos e trezentos t\u00edtulos de revistas. Hoje s\u00e3o pouco mais de cem. Boa parte delas de palavras cruzadas, um g\u00eanero que ainda persiste no meio f\u00edsico.<\/p>\n<div id=\"attachment_885\" style=\"width: 4634px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-885\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-885 size-full\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/04\/4-Revistas-de-palavras-cruzadas-ocupam-a-maior-parte-do-espaco.jpg\" alt=\"\" width=\"4624\" height=\"2084\" \/><p id=\"caption-attachment-885\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O maior espa\u00e7o das bancas \u00e9 tomado por revistas de palavras cruzadas. Foto: Eder Carlos<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra cliente, Maiara Cristobal, entra, agacha-se e escolhe alguns ma\u00e7os de jornais para forra\u00e7\u00e3o. Das pilhas a disposi\u00e7\u00e3o, escolhe alguns espec\u00edficos, aparentemente mais claros que os demais. Brincando, diz que seus gatos gostam de ficar bem informados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em todo o tempo que ficamos nas bancas, cerca de 30 a 45 minutos em cada, nenhuma pessoa chegou para comprar um jornal ou revista. Francisco e Jo\u00e3o da Banca concordam que as pessoas est\u00e3o perdendo o h\u00e1bito da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ponta Grossa conta hoje com cerca de uma dezena de bancas de jornais e revistas espalhadas pela cidade. No passado, o n\u00famero chegou a duas dezenas. S\u00f3 na pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco j\u00e1 foram quatro e tr\u00eas na Bar\u00e3o de Guara\u00fana. Atualmente, s\u00e3o duas em cada pra\u00e7a. A cidade tamb\u00e9m j\u00e1 teve sua pr\u00f3pria distribuidora de revistas, que atendia toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os propriet\u00e1rios das bancas concordam que a procura por jornais e revistas diminuiu muito com a mudan\u00e7a dos pontos de \u00f4nibus das pra\u00e7as para o Terminal Central. Com isso o n\u00famero de pessoas circulando caiu sensivelmente. Com o advento da internet e a migra\u00e7\u00e3o das m\u00eddias impressas para o meio digital, muitos preferiram deixar de comprar a revista f\u00edsica. Os mais jovens, segundo Francisco e Jo\u00e3o, n\u00e3o leem jornais ou revistas impressos. Para eles, \u00e9 mais f\u00e1cil abrir o celular e acessar as not\u00edcias por ali, diz Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar dos novos tempos, as bancas de jornais e revistas persistem. Se adaptam aos novos tempos. Oferecem outros produtos e servi\u00e7os e continuam sendo ponto de encontro para quem procura saber das novidades. Se um dia aglomeravam grande n\u00famero de pessoas \u00e0 sua volta, hoje sobrevivem com um n\u00famero bem menor. N\u00e3o h\u00e1 como saber por quanto tempo continuar\u00e3o a existir. Jo\u00e3o da Banca e Francisco concordam que o futuro de suas bancas \u00e9 incerto, mas que v\u00e3o continuar trabalhando e se adaptando enquanto puderem. Atualmente, 56% das editoras brasileiras j\u00e1 se consideram digitais, enquanto apenas 44% ainda t\u00eam como foco principal as edi\u00e7\u00f5es impressas, segundo um censo da <a href=\"https:\/\/www.anj.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/censo_revistas_jornais_20220613_sem_idade-1.pdf\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornais (ANJ) e da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Editores de Revistas (ANER).<\/a><\/p>\n<div id=\"attachment_904\" style=\"width: 4634px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-904\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-904 size-full\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/periodico\/wp-content\/uploads\/sites\/282\/2025\/04\/5-Sorvetes-e-outros-produtos-ajudam-no-faturamento-das-bancas.jpg\" alt=\"\" width=\"4624\" height=\"2084\" \/><p id=\"caption-attachment-904\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Elas se adaptaram aos novos tempos: sorvetes, cigarros e at\u00e9 impress\u00f5es s\u00e3o produtos oferecidos pelas bancas. Foto: Eder Carlos<\/p><\/div>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Eder Carlos<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o: <\/strong> Anna Perucelli, Gabriela Denkwiski, Isabele Machado, Juliana Emelly,\u00a0 Larissa Oliveira e Rafaela Conrado<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Carlos Alberto de Souza<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez menos pessoas procuram jornais e revistas impressos. Foto: Eder Carlos\u00a0 Em meio ao barulho de carros e um cheiro que mistura o de revistas novas, jornais velhos, salgados, doces e cigarros, Francisco dos Santos, dono da Banca ZL, conta a sua hist\u00f3ria. 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